Os livros de autoajuda, religiosos, psiquiatras, psicólogos e psicanalistas estão na moda. Até quem não lê, não tem fé ou não sabe onde vai dar uma análise, resolve enveredar por um desses caminhos imaginando ser a salvação ou a resposta a seus problemas, reais ou imaginários. Essas pessoas sentem necessidade de transformar suas vidas. Transformar significa mudar, dar nova forma. Não bastam, muitas vezes, uma plástica, lipoescultura, peeling, musculação, roupas novas, troca de amores, companhias ou amizades, mudança de estado civil, trabalho ou lazer. O que realmente conta é o que fica ou muda dentro de você. Não é o espelho que aprova você, você é quem vê o que está refletido nele. Muitos não veem ou não querem enxergar que a resposta está na sua alma, lá dentro, onde só você tem acesso.
Por outro lado, é verdade que toda pessoa é um ser em mutação à procura do novo, de encontrar uma forma diferente de pensar as mesmas e repetidas questões e descobrir uma saída. A busca dessa saída pode ser um processo doloroso e longo. Não é um passe de mágica. Partindo da ideia de que, se todo dia você caminha em uma mesma direção, só poderá chegar a um mesmo lugar. Será preciso viver e fazer diferente, necessário ousar e, principalmente, acreditar. Acreditar que a resposta está dentro de você e não nas circunstâncias ou nos circunstantes.
É preciso parar para pensar, avaliar e isso causa um profundo estresse e até deprê. Esse estresse ou deprê, se positiva a sua avaliação, trará enriquecimento, pois não se deve perder a capacidade de responder ao momentâneo desconforto físico e mental decorrente de mudanças. Cada pessoa deve ter o mínimo de maturidade para descobrir o óbvio: as situações em que nos envolvemos foram criadas por nós. Não importa se você se acha vítima ou algoz. Vale é a capacidade de transformá-las em fatos positivos. A paz que cada pessoa diz procurar só poderá ser encontrada dentro dela própria. Para obtê-la é preciso remexer fundo em sua história pessoal e usar uma hipotética sonda para auscultar a consciência. Não se pode, entretanto, em processos de ruptura ou transformação, esquecer a realidade, a nossa concreta história e as pessoas nelas envolvidos. Sonhar é bom, mas, infelizmente, sonhos não resolvem problemas reais. É preciso a coragem de admitir que o presente seja o único tempo que temos. O futuro será o produto virtual ou real da nossa postura perante o passado e a visão do presente. Não aceite que as críticas descabidas e os apoios, verdadeiros ou não, possam condicionar o seu vir-a-ser. Não é demais repetir que só a consciência de cada um descobrirá a resposta. Descubra suas forças internas e enfrente, com paciência e ânimo, as dificuldades. Para se respeitar como gente será preciso entender os seus próprios pensamentos, atitudes e sentimentos. Quem não arrisca nada, risca tudo.
João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 24/08/2007

