RECEITA MÉDICA – Diário do Nordeste

Todos, crianças, adultos, maduros e idosos, precisamos de remédios. Alguns precisam de forma continuada. Outros, para debelar doenças oportunistas e afins, os tomam apenas por ouvir dizer que alguém se deu bem. A verdade sobre os remédios ou drogas manipuladas por laboratórios farmacêuticos ainda está nublada. Os remédios vêm, na maioria das vezes, das plantas. Há os criados, sintetizados, extraídos de animais etc.
Recomendo a médicos, jornalistas e a todos a leitura do livro “A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos”, escrito por Marcia Angell, com a autoridade crítica de médica e ex-editora-chefe do “New England Journal of Medicine”. Traduzido para o português pela Editora Record, esclarece dúvidas e pretende deitar luz sobre como os grandes laboratórios engajam médicos e escolas de medicina imaginando estar participando de pesquisas para o bem da humanidade. Segundo ela, um mito que cai por terra é o dos elevados custos das pesquisas. Ela revela que a maioria das pesquisas tem origem em universidades ou institutos governamentais e são apropriados pelos laboratórios farmacêuticos. Angell fala ainda em vícios de dados para produzir resultados positivos de futuras drogas ou a mera mudança de nomes como se fossem novos produtos.
Pesquisando, li que, neste ano, um estudo do “Archives of Internal Medicine”, da American Medical Association, mostrou como agem alguns laboratórios. Lembram-se do anti-inflamatório Vioxx? Pois bem, ele deveria ter saído de circulação não em 2004, mas em dezembro de 2000, quando foram comprovados riscos do produto para doenças cardiovasculares e cerebrais. Assim, as pessoas com artrite e dores agudas, alegraram-se com a chegada do Vioxx em 1999. O que não se comenta é que esse remédio causou cerca de 139 mil eventos cardiovasculares, com até, dizem, 40% de casos fatais. Dessa forma, ao adoecer – ou cuidar de mal crônico – procure inteirar-se do seu médico sobre o bem e o mal que as drogas receitadas possam causar. O cáustico Molíére, em “O amor médico”, dizia: “Morreu de quatro médicos e dois farmacêuticos”. Errado. O médico deve e pode salvar vidas.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 20/12/2009.

Sem categoria