RESILIÊNCIA – Diário do Nordeste

Os que aportaram neste século 21, com a formação acadêmica e profissional da segunda metade do passado 20, estão meio sem chão neste tempo em que o romantismo e o pós-modernismo sucumbem ao politicamente correto, ao patrulhamento do modo de pensar, do escrever e do agir.
Estão perplexos em meio às desavenças entre os pentecostais e os defensores da liberdade do pensar e da união homoafetiva. Todos veem o “default” da esquerda glamorosa no poder pelo poder com a repentina mudança de hábitos e atitudes. Deu no que está dando e dará, se der.
Estão ainda tontos com a leitura de “O Capital no Século XXI”, do economista gaulês Thomas Piketty. O piquete, desculpe o trocadilho, armado na pracinha defronte ao touro que identifica Wall Street, foi virando ondas surreais de um novo capitalismo neste ocidente da Terra.
Enquanto isso, os sunitas, com armamentos, instalações e equipamentos deixados pelos americanos ao sair do Iraque, criaram o Estado Islâmico-EI e abriram cruéis guerrilhas contra xiitas no poder e até turistas. O EI, dizem, parece receber dinheiro e apoio de parte de alguns donos do petróleo jorrante no golfo pérsico. A Turquia constrói muro contra imigrantes. Putin resmunga. A Grécia fraqueja com dívidas de bancos privados, assumidas pelo Estado. O Euro segue incólume?
Neste clima de desaceleração, os que vêm do 20, mesmo perplexos, não têm medo, pois passaram por tamanhas maluquices e patriotadas que um pouco mais de sofrimento não os abala. São resilientes. Imaginam que, mais além, voltará o estado natural. Será?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 05/07/2015

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