RESSURREIÇÃO – Diário do Nordeste

Este domingo é o dia da ressurreição para os que ainda têm a esperança da fé. Um judeu, dissidente, fez-se estranho aos seus comuns e passou a pregar uma vida nova, uma passagem – a da páscoa – que o levaria à morte e, em seguida, ressuscitaria. Segundo consta, foi vendido. O dinheiro, sempre ele.
Agora, neste país imenso e complexo, vivemos o prenúncio de, quiçá, uma ressurreição. A partir da coragem de alguns contra os muitos que, na volúpia, acreditavam-se acima da lei. Deixaram-se enredar na teia da ganância, nos deslimites da dignidade. O dinheiro, sempre ele.
O primeiro romance de Machado de Assis, “Ressurreição”, 1872, criticado por uns e objeto de estudos por muitos, mostra a dicotomia entre o falso e o verdadeiro. O enredo é a história de Félix, um médico, e da sua incapacidade de acreditar em Lívia, uma viúva por quem se apaixona, após amores sazonais interrompidos pela dúvida.
Lívia é personagem que cresce na trama e faz realçar a dúvida de Félix após receber uma carta anônima.
Hoje, tal como o personagem central de “Ressurreição”, estamos em dúvida entre o que se crê verdadeiro e o falso. O Brasil é uma história de amor para uns, não para outros, os que o atolaram na ignomínia.
Esperamos para o desfecho no País final melhor que o de Félix, descrente e largado.
Nesse mundo onde não há mais segredo por conta do ciberespaço a banalizar e vandalizar relações e comunicações, todos se creem protagonistas com ou sem respostas para a ressurreição que não ousamos ou não sabemos fazer.

Feliz Páscoa.
João Soares Neto
Empresário
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 05/04/2015.

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