Antes de sua primeira eleição, participei de encontro em que você expunha a postulação. Sua fala não foi boa. Acreditava ser o seu sistema nervoso. Muitos tiraram fotos com você.
Fiquei longe: será ela preparada? Sabia, por leitura, da sua participação ativa em movimentos e aparelhos. Sabia até que ficara amiga, quando presa, da cearense Rita Sipahy, irmã do Aytan, meu colega de escola.
A Rita, advogada, e o Aytan, médico em São Paulo, nunca foram do mal. Assim, concluí, por inferência: você era alguém que, jovem, acreditava em mudar o Brasil. Depois, todos sabem, foi eleita e reeleita. O País parou. O seu partido, o PT, surgiu como algo novo. Carta de princípios, austeridade, intelligentsia, fim do patrimonialismo etc. Quimeras. Agora, começo de 2016, dou sugestões. Não tenha medo de impeachment. Aja para acabar com todos os “malfeitos”. Afinal, quanto custa aos empresários o sistema “S” e as centrais sindicais para os empregados? Para quê?
Por que a Caixa, a Petrobras, o Banco do Brasil, o BNB e outros órgãos queimam bilhões em patrocínios “culturais e esportivos” questionáveis? Por que o BNDES empresta a quem não precisa e a outros países? Acabe com o aparato em suas viagens. Você era simples, volte a ser. Mordomia vicia.
Quem é pobre, poupa. O Brasil é pobre. Sem esgotos: zika. Diminua o número de ministérios para 17, o total de prédios do Niemeyer.
Pare os jatinhos. Feche o cofre. Seja clara. Demita. Divulgue. O povo e o Congresso a apoiarão. Fique certa. Fale menos, trabalhe mais. Mire-se na Angela Merkel.
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 17/01/2016

