SEREIA, QUADRAGÉSIMA – Diário do Nordeste

Em 1971, o industrial Edson Queiroz dava os primeiros passos institucionais para a fundação da Universidade de Fortaleza, Unifor, que se tornaria concreta em 1973. Ao mesmo tempo, criava, no seu Sistema Verdes Mares de Comunicação – fundado no ano anterior- uma premiação anual para os cearenses destacados em suas áreas de atuação profissional e/ou a pessoas, aqui não nascidas, mas vinculadas ao desenvolvimento do Estado. A esse prêmio deu o nome de “Sereia de Ouro”, inspirado nos nossos verdes mares bravios. As sereias, na mitologia, eram metade mulher, metade peixe, e atraiam, através dos seus cantos maviosos, os navegantes fazendo com que os seus navios colidissem com as rochas. Em 1917, Franz Kafka, no seu conto “O Silêncio das Sereias”, dizia: “As sereias, porém, possuem uma arma ainda maior do que seu canto: o silêncio”.
O que Edson Queiroz talvez desejasse expressar, ao escolher a sereia como símbolo desse galardão anual, seria que a opção dependia não dos “navegantes” interessados em obtê-lo, mas da instituição que o criava, segundo critérios por ela estabelecidos. A primeira solenidade aconteceu em 1971, na sede do Sistema na Av. Desembargador Moreira, no seu átrio, sob a torre da Televisão Verdes Mares. De lá para cá, são decorridos 40 anos de solenidades anuais ininterruptas, mesmo que algumas tenham acontecido em situações adversas. Agora, nesta quadragésima festa, ocorrida no Theatro José de Alencar, na última semana, com a presença de gradas autoridades, entre outros, dois ex-presidentes da República, o Sistema Verdes Mares entregou, na saída, aos convidados, um cuidadoso livro em que pereniza a cerimônia, através de fotos e dos discursos de agradecimento proferidos pelos representantes dos homenageados dos últimos 36 anos, posto que nos quatro primeiros anos as falas foram de improviso.
Na apresentação do livro, D. Yolanda Vidal Queiroz refere que: “Temos certeza de que esta publicação será um marco na bibliografia da oratória no Ceará, cuja leitura dará prazer e conhecimento àqueles que cultivam a sublime arte da eloquência”. Mais que isso, esse livro-documento é um passeio histórico sobre o Ceará e sua gente, nos últimos quarenta anos. A História se faz da lembrança e registro do passado.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 09/10/2011

Sem categoria