Não sei a que horas você vai abrir esta página de jornal, tampouco se vai ler o óbvio que escrevo, de forma simples. Admitamos que seja cedo e ainda não tenha votado. Hoje é dia de eleição municipal. A Constituição de 1988 entendeu que os brasileiros precisam votar de dois em dois anos. Neste ano, você votará duas vezes. Em alguém para ocupar a prefeitura de sua cidade e escolher um vereador. Vamos ficar, por enquanto, no vereador. Você sabe que o vereador é que ajuda a fazer e rever as leis do município? Saiba que ele é uma espécie de preposto seu, procurador ou representante, que decidirá como a cidade cresce através de um plano diretor, cobrados mais ou menos tributos, as ruas sejam bem assistidas pelos serviços essenciais e que haja uma estrutura básica de saúde e educação públicas para os que não têm planos de saúde e não podem pagar a escola para os filhos. O vereador não precisa ser bom em karaté, futebol ou sinuca, sambista, cantor, sanfoneiro ou religioso. Ele precisa ter lucidez, saber ler, ter descortino, capacidade de observação e, se possível, ser sério para evitar tentações e cometer deslizes ou conchavos. Não se deseja a eleição de anjos ou santos, mas, pelo menos, que a pessoa tenha uma história de vida digna, sem nada a esconder ou fingir. Agora, vamos falar das pessoas candidatas a prefeito. Não importa sejam homens ou mulheres. Vale ter vínculos reais e permanentes com a cidade que pretende dirigir. Essa pessoa, mulher ou homem, deve ser alguém que você convidaria para administrar o grande condomínio que é uma cidade. A diferença desse condomínio é que os condôminos têm culturas, saberes, valores, aspirações e rendas diferentes. Assim, essa pessoa tem que possuir sabedoria para repartir os recursos ou receitas contemplando prioridades, sem esquecer que a cidade é um todo que deve crescer de forma harmônica. Em todo condomínio há discussão. Nas prefeituras, também. Assim, é importante essa pessoa ter liderança e capacidade para arregimentar auxiliares idôneos, aptos e que tenham espírito público. Se já votou, desculpe pela amolação. Caso contrário, pense e vote bem.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 05/10/2008.

