Dia desses, percorri, com vagar, as alamedas arborizadas da Universidade de Fortaleza e pude constatar o óbvio: tudo ali é feito com paixão, eficácia e simplicidade, sem descuidar da função primeira a que se destina cada edificação. Nada é ostentatório.
Nesse percurso solitário, lembrei-me da petulância de um jovem. Integrava ele um pequeno grupo voluntário de pessoas a pensar o modelo arquitetônico, a localização e a concepção educacional da futura universidade. Faziam parte desse grupo, comandado por Edson Queiroz, além do jovem, pessoas como Evandro Ayres de Moura, José Walter Cavalcante, Raimundo Padilha e o Reitor da Universidade de Mogi-Guaçu, Prof. Bezerra de Melo. Houve uma série de reuniões no Edifício Butano, na Rua Major Facundo, sempre com a dupla visão: a forma do campus e o seu papel audacioso na expansão da educação superior do Ceará.
Um dia, Edson apresentou a maquete da futura universidade. Era um projeto vertical, na Av. Francisco Sá, proximidades da Esmaltec, idealizado por Arialdo Pinho. Depois da reunião, o jovem conversou a sós com Edson Queiroz. Disse-lhe da limitação do local e do seu entorno. Falou sobre a tendência de crescimento da cidade. O sonho dele, Edson, deveria ser maior que aquele projeto. Ele, de bate – pronto: vamos ver. Saíram, em carro dirigido pelo jovem, em direção a uma zona nova, ponte precária, povoada apenas pelo conjunto habitacional do Ipase. Rodaram até a Av. Perimetral. Eram caminhos estreitos de pedra tosca. Voltaram. Pararam. Edson desceu e se entusiasmou. Viajou para Accra, capital de Gana, viu uma universidade horizontalizada e mudou de ideia.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 07/04/2013

