TORCER “FORTALEZA” – Diário do Nordeste

Torcer é mais que gostar. É amar, admirar, alegrar-se, sair do sério, sofrer e reclamar. É ser ingênuo. Faz quatro anos que os torcedores do “Fortaleza” dão mostras do amor desmedido a esse clube que não há correspondido aos milhares de pessoas que o acompanham de forma silenciosa ou ruidosa em todas as disputas. O fato é: quando estamos bem pertinho da chegada, há tropeços de última hora e até o tempo das prorrogações tem agido contra os nossos desígnios. Quatro anos seguidos sem ganhar campeonato e na terceira divisão do futebol brasileiro? Tenham dó. Em futebol, como na vida, não há desculpas ou explicações; há resultados ou fracassos. Não tenho nada contra as últimas administrações. Elas vivem o futebol real, esse das manhas e artimanhas; da mescla falaciosa de jogadores trintões com atletas locais. Sou a favor da formação com a maioria de jovens daqui, ainda não maculados pela troca sazonal de camisas dos “rodados”.
Não tenho soluções, mas há limite para a paciência dos torcedores. Não adianta estar na ponta em campeonato, perder na penúltima partida e dar a vantagem do empate ao adversário. Parar na terceira divisão? Ganhar do Águia é glória? Repensem o “Fortaleza”. Futebol não é um circo mambembe. Creiam na origem inglesa: foco, direção e a “associação” de pé para pé até o gol adversário. Nós, os torcedores, sabemos que é duro, mas está passando da hora de ajustar o que falta. Há jogadores cearenses até na Europa, sem passagem pelos clubes locais. Seremos cegos?
Quanto aos “rodados”, são aves de arribação, sem ninho em Fortaleza.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 18/05/2014

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