Luciano Pamplona, professor universitário e engenheiro estrutural, se diz confesso leitor deste nano espaço. E ele cobra: “escreve mais fácil, do jeito que minha mãe gosta de ler”. As nossas mães têm a mesma idade, 94 anos. A longevidade dos que nasceram no século 20 ainda é fato extraordinário. Daqui a algum tempo o mundo passará por um novo “boom”, o da compra de fraldas geriátricas.
Esta é a primeira coluna do ano e falo de velhice. Pois é. Segundo a EFE, agência de notícias, o Japão venderá, neste 2014, mais fraldas geriátricas que as infantis. O crescimento, nos últimos cinco anos, foi de 38%. No Império do sol nascente, que visitei em belo outono, a vida média é de 83 anos. O que se deduz dessa informação? A senectude vem acompanhada de sequelas que inibem a qualidade de vida dos que rompem essa média.
Aqui no Brasil a média de vida (73) é 10 anos abaixo. As famílias precisam ficar atentas para os seus idosos que, se vivos permanecerem, carecerão de cuidados e assistência médica não paliativa. Tenho cinco sobrinhos na área médica e a eles já recomendei, o que reforço agora: foquem na geriatria, esse sub-ramo da clínica geral.
Imaginem os idosos que precisam do SUS com as suas intermináveis filas para meras marcações de consultas. Aos idosos escasseia o tempo nas vidas que lhes restam. Com dificuldades de locomoção em transportes públicos, eles quase sempre dependem da boa vontade de parentes. Ora direis, mas o que é a velhice? Ela começa quando você quer enganar a si próprio, dizendo: Nunca me senti tão jovem.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 05/01/2014

