A nova diretoria do Centro Industrial do Ceará é formada por gente bem jovem, a maioria na faixa dos 30 anos. Muitos deles são oriundos da Associação dos Jovens Empresários, pegaram gosto pelo debate e têm uma sede muito grande de conhecimento e engajamento social.
Essa consciência é fruto da constatação óbvia de que as mudanças do mundo globalizado são irreversíveis e necessitam ser entendidas em sua essência, a fim de que o medo e a apreensão sejam transformados em oportunidades.
Dessa forma, essa nova diretoria do CIC tem procurado ser a mais plural possível, convidando políticos, conferencistas e debatedores dos mais diferentes matizes ideológicos, recebendo-os sem preconceito e com vontade de agregar valores.
Paralelamente, sistematizou o que já havia sido iniciado na gestão passada, qual seja um ciclo de estudos para aprimorar a base de saber de seus integrantes, através de aulas que lhes são ministradas semanalmente, em um período de seis meses. Mas, o que há de novo nessa história é que essas aulas, ministradas por professores- doutores, são abertas a quaisquer pessoas interessadas, convidadas ou não.
Na realidade, o que o pessoal do CIC está fazendo é, lato senso, uma espécie de curso de pós-graduação enfocado no saber, dando ênfase à Política, aos fundamentos da Sociologia, à Sociologia da Globalização, à Macroeconomia, à Ética e à Ciência e Tecnologia. São duas horas de aula e debates às noites das quartas-feiras no 5º andar do prédio da Fiec. A esse curso deu o nome de Colégio de Ideias, numa alusão ao espírito do “college” e a um congraçamento de ideias abstratas e práticas.
Esse trabalho é coordenado por um professor-doutor que, além de ministrar aulas, assiste às demais aulas, observa e interage, se for o caso.
Como forma de preparação dos participantes é distribuído, previamente, material didático, extraído de livros com textos específicos para estudo e análise, após o que são ministradas as aulas com discussão no final. Esse processo permite uma avaliação semanal do que está sendo ensinado e aprendido. A partir dessas avaliações são feitos ajustamentos que tornam consequente o aprendizado.
Seria bom se, pessoas ciosas de sua responsabilidade social e interessadas em aumentar ou reciclar o seu nível de saber, desejassem, pelo menos, conhecer o que está sendo ensinado e aprendido, repito, – de oito às dez das noites de quartas feiras – no CIC.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 07/05/2000.
