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JORNAL “O ESTADO”, TAL COMO É. – Jornal O Estado

“A curiosidade do jornalista tem de ser a mesma do historiador, e a paciência do historiador, a mesma do jornalista”. Alberto Dines, jornalista brasileiro.
Ao comprar na banca ou receber em casa o jornal O Estado você tem, por certo, a opção de ler todas as suas páginas, acompanhadas de fotos e chamadas que saem na primeira página, sempre com indicações de arte, política, esportes, mundo e Ceará, para as páginas específicas.
Poderá ler na página 2, o editorial que enfatiza o pensamento do jornal sobre fatos ou atos relevantes, artigos de opinião, assinados por colaboradores que, a cada dia, mudam, e a fala do leitor. No expediente figuram os nomes da presidente Wanda Palhano; do superintendente Ricardo Augusto Palhano Xavier; da diretora Institucional, Solange Palhano; da diretora financeira, Soraya de Palhano; da diretora de Marketing, Rebeca Férrer Xavier Guimarães de Andrade; e do editor-geral,Carlos Alberto Alencar.
Além disso, há colunas diárias no primeiro caderno que tratam de “Política” com Macário Batista, com sua vida de globe-trotter, “insider” e versatilidade satírica; e o “Diário Político” de Fernando Maia, maduro, informado e centrado.
O caderno Economia, com as notícias de Rubens Frota, sempre cauteloso, oferece estatísticas e é conciso. No plano nacional há dois nomes de peso: Carlos Chagas, com “Direto de Brasília” e, na página seguinte, Cláudio Humberto, fala sobre “Poder”. Nesse caderno poderá ainda ver editais de cartórios, anunciando futuros matrimônios. Há gente com vontade de casar.
Em página dedicada a Esportes há, além do noticiário sobre o tema, a coluna “De Primeira”, do experiente Lauriberto Braga com ênfase ao futebol local, sem esquecer de tecer comentários nacionais.
Sob a forma de tabloide, “Arte e Agenda” abre, na capa, com fotos de espetáculos em cartaz, livros em lançamento, exibe o resumo de novelas, os quadrinhos assinados por Gomes e o horóscopo do dia, para os que acreditam em astrologia. Mas, nem tudo são flores, e aparecem os cartórios mostrando os quase devedores com os títulos para protesto, como determina a lei. Na contra capa, Flávio Torres, do seu jeito peculiar e leve de escrever, constrói “dropes” em que relata fatos da Sociedade, especialmente das pessoas fotografadas por Iratuã Freitas.
Os que escrevem no “O Estado” têm opiniões e informações. E, para ter opiniões, precisam ler, confirmar informações e procurar escrever dentro de linguagem entendida por todos os leitores. Todo escrito é antecedido por um título. Esse título pressupõe ser um resumo do conteúdo a ser lido e deve aguçar o interesse a cada parágrafo.
O “Estado” possui plataformas na Internet, tais como site e estúdio de televisão para entrevistas. Como jornal impresso, além do que já foi dito, edita vários suplementos e cadernos sobre meio ambiente, negócios, políticas classistas e, às sextas-feiras, dá a oportunidade ao leitor de mergulhar no “Linha Azul”, uma espécie de resumo social, cultural e artístico da semana.
O jornal “O Estado” foi fundado em 1936, por José Martins Rodrigues, aliado ao antigo Partido Social Democrático, passou por outras tendências e mãos, até acontecer o controle do jornalista Venelouis Xavier Pereira, em 1963. Com a morte de Venelouis, em 1996, o jornal ficou sob a égide da família Palhano com o comando continente de Ricardo Palhano e de equipe enxuta de profissionais.
Esse esboço histórico é apenas para antecipar a comemoração dos 79 anos de “O Estado”, na próxima quinta-feira, 24 deste setembro de 2015. Por essa razão, embora os fatos narrados sejam por muitos conhecidos, é que resolvi contar para os seus leitores como e por quem é feito a cada dia útil da semana.
Hoje, por exemplo, este jornal completa 22.601 edições, de forma independente, compacta e criteriosa, com notícias claras, objetivas e corretas, conectado a outras plataformas e mídias sociais.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18/09/2015.

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ADMINISTRADORES – Diário do Nordeste

Há 50 anos surgia a profissão de Administrador. O objetivo era suprir lacunas na gestão pública, formar quadros para a iniciativa privada e mudar a burocracia nacional, com toda a herança das ordenações portuguesas que permite o encastelamento de pessoas como detentoras de ricos feudos arquivadores do que deveria ser parte da administração pública, como em países civilizados.
O Brasil está loteado com milhares de cargos de confiança em todos os níveis. Nas mais de 5.500 prefeituras, nos 27 estados e no governo federal. Além disso, o fenômeno da terceirização é realidade cruel para os cofres públicos. Quem entra não quer sair. Quem está fora deseja participar.
E os Administradores? Apesar do esforço de profissionais de níveis ainda não se conseguiu o espaço que, por exemplo, têm na França. Lá, a “École Nationale d´Administration” é fornecedora de cérebros pensantes e atuantes em todas as esferas de governo.
Nesta semana em que se comemora os 50 anos da profissão de Administrador fica a questão: se os administradores públicos fossem profissionais de carreira, concursados, o Brasil ter-se-ia deixado engolfar nesta infindável senda de tantos despautérios?
Tenho dúvidas, mas há esperança de que os Administradores possam, por seus talentos e formações, ocupar cargos para os quais foram treinados e qualificados, nas empresas privadas e em órgãos públicos. As entidades de classe devem pugnar para que os governantes e as empresas, por concurso ou por mérito, absorvam milhares de administradores na procura de destino melhor para o Brasil. Agora, de grau rebaixado.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 13/09/2015.

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HISTÓRIA DA ADMINISTRAÇÃO NO CEARÁ, 50 ANOS – Jornal O Estado

“Não se pode planejar o futuro pelo passado”. Edmund Burke, filósofo.
Anteontem, a Assembleia Legislativa do Ceará lembrou os 50 anos da profissão de Administrador e o fez homenageando dirigentes e ex-dirigentes do Conselho Regional de Administração-CRA, da Academia Cearense de Administração-ACAD e da Associação dos Administradores do Estado do Ceará- AADECE.
Há, como registro histórico, um grupo de então jovens, pioneiros, que acreditou na incipiente Escola de Administração do Ceará-EAC, o núcleo basilar dessa longa história. A EAC usava como referências a Escola Brasileira de Administração Pública – EBAP, da Fundação Getúlio Vargas, do RJ, e a Escola de Administração de Empresas de SP – EAESP. Havia, claro, a entronização dos princípios de Frederick Taylor e de Henry Ford, dos Estados Unidos, e de Henri Fayol, da França. A partir deles abriam-se leques de informação que, conforme os estofos de cada estudante iam se consolidando e transformando em conhecimento.
Muitos fizeram dois vestibulares –o MEC não reconheceu o primeiro – e aguentaram o pão que o diabo amassou. Passaram por três sedes: a da Faculdade de Ciências Econômicas da UFC, no Benfica, de onde foram enxotados como intrusos. A seguir, foi alugada casa na esquina da Avenida Duque de Caxias com a Rua Jaime Benévolo. Imóvel simples, telhas vãs, piso de cimento, mas conseguia abrigar as primeiras turmas e os concursos para novos professores, quase todos do quadro de técnicos em desenvolvimento econômico-TDE, do Banco do Nordeste, então celeiro de talentos. Por fim, a sede da Rua 25 de Março, hoje desativada, com a ida para o Campus do Itaperi, da Universidade Estadual do Ceará-UECE.
Segunda-feira, 14, às 19h, na Câmara Municipal de Fortaleza serão homenageados profissionais eleitos, por votação, pela Comissão do Jubileu. Na categoria Efetividade e Dedicação à Profissão: Mauro Benevides, Zamenhof de Oliveira, Manoel Messias de Sousa, Aleuda Fernandes e Nilce Freire. Por Profícua Atuação Profissional: Antônio Cambraia, Beto Studart, José Caminha de Oliveira, Sérgio Aguiar e Tasso Jereissati.
Como Personalidades Públicas: Érica Cristino e Iracema Vale. Por Desempenho Acadêmico: Assis Moura Araripe, Sérgio Bezerra, Sarto Castelo, Paulo Tadeu, Vlademir Spinelli, e a UECE, pelo pioneirismo, o Reitor Jackson Coelho. Por Eficaz Ação Organizacional e Empresarial: Honório Pinheiro e João Soares Neto. Os funcionários do CRA serão homenageados nas pessoas de George da Silva e Marta Albuquerque. Haverá duas homenagens post-mortem: José Guilherme Pimenta e Rui de Castro e Silva.
Por suas carreiras públicas e privadas, por minha convicção e direito, lembro de: Beni Veras, Paulo Lustosa, Barros Pinho, Josino Lobo, Ivo Martins de Oliveira, Gerard Boris, Sieglinde Acioly, Vitor Hugo Sampaio, Lázaro Farias e Heloisa Barros Leal, entre outros.
Não seria justo deixar de citar os nomes dos primeiros diretores Mozart Soriano, Raimundo Girão e Aloisio Cavalcante. Honra e glória aos professores Parsifal Barroso, Paulo Bonavides, Ivan Barroso de Oliveira, João Clímaco, Filgueira Limas e Plácido Castelo, fundadores, entre outros, do Instituto de Administração do Ceará, em 1957, posteriormente, incorporado pelo Governo do Estado do Ceará.
Por fim, anoto: parte da turma pioneira realizou viagem de estudos à Europa, com a coragem e a cara, participando de encontros na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, Portugal; na fábrica da Olivetti, em Ivrea, Itália; e na École Nationale d´Administration, em Paris, França. Esta história honra a quem dela tenha participado, no todo ou em parte.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 11/09/2015.

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PASSEIO PÚBLICO – Diário do Nordeste

Domingo passado, levei irmã – e marido – que vive na Alemanha há décadas, para visitar o Passeio Público. Vêm, todos os anos a Fortaleza. Mostrei as masmorras antigas e falei sobre os mártires. Referi sobre a insurreição “República do Equador”, em 1824. Ali, um campo aberto, foram assassinados, entre outros, o Padre Mororó, o Pessoa Anta e o Cel. Carapinima.
A ideia, entretanto, era mostrar o lado “belle époque” de Fortaleza, iniciado com a edificação da praça, em 1864. Expliquei haver níveis sociais e de piso no uso do antigo Passeio Público. A parte de baixo, “a rampa”, foi objeto do poeta Antônio Sales. No jornal “O Pão”, anno 1, n.01, pág. 3, de 10 de julho de 1892, Sales alude: “A Rampa era a Rocha Tarpeia ao pé da Avenida que é o Capitólio da honestidade. Em cima, a avenida alagada de luz e sonoridade de música, deixava-se calcar pelos pésinhos ágeis das virgens cearenses, que iam e vinham numa garrulice de aves novas; embaixo o vício sórdido florescendo na lama ilusória da treva…”.
O meu remoto parente Adolfo Caminha, no mesmo “Pão”, número 02, semana seguinte, reclamava: “Para matar o tédio que nos mina e consome a existência, somos obrigados a ir, às quintas-feiras e aos domingos ali no Passeio Público exibir a melhor de nossas fatiotas e o mais hipócrita e imbecil de nossos sorrisos”.
À sombra de frondosas árvores, entre rasgos de ventos e frestas de sol, ouvimos jazz por músicos sessentões. Não há mais a “rampa”, nem a “cinza”. Somos passantes a olhar a misericórdia da Santa Casa e o mar atlântico tão verde quanto à esperança brasileira nesta Semana da Pátria.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 06/09/2015.

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OLIVER SACKS, O LOBO DO BEM – Jornal O Estado

“Deve-se viver a vida olhando para a frente, mas só se pode entendê-la olhando para trás”. Kierkegaard
Oliver Wolf Sacks me permitiu intimidade ao ler o seu livro biográfico “Sempre em Movimento- Uma Vida” (On the Move: A Life, 2015). Nele, Sacks roteiriza a sua vida, desde a infância. Nasceu na Inglaterra em 1933 e viveu a sua infância entre o colégio interno rigoroso no interior, sofrendo murros de colegas, fugindo dos ataques aéreos alemães sobre Londres, em plena Segunda Guerra.
Filho de pais judeus, médicos e irmão de médicos, seguiu o destino da família. Mas resolveu abrir-se com o pai e disse não se interessar por meninas, mas nunca tivera experiência sexual. Ao pai, pediu segredo. Pai tem mulher e com ela conversa tudo. A mãe do jovem Oliver o blasfemou e quase o renegou.
Mesmo assim, Sacks cumpriu todas as tarefas a ele cometidas como bom estudante. Primeiro, de química. Depois, enredou-se na medicina, abraçada com ciência e amor devotado aos pacientes. Seus colegas sempre o acharam “diferente”. Enquanto isso pilotava motos, levava quedas e experimentava drogas. Possuía o sentimento de liberdade. Queria viver “em movimento” com novas experiências. Passou um período em um “kibutz”, em Israel, e tempo livre na ilha de Man, situada no meio do mar da Irlanda.
Formado em Oxford, foi levado pelo irmão David e pela cunhada Lili, para conhecer uma mulher em Paris. Escolheram uma profissional. Talvez fosse timidez. Apenas conversou e tomou chá com a prostituta legal. Ao sair, o irmão perguntou como tinha sido. “Ótimo”, disse ele, e seguiu a vida como quis e com quem quis. Resolveu, por fim, sair da Inglaterra, ainda vitoriana e preconceituosa. A primeira escala foi o Canadá, país descoberto de ponta a ponta. Tentou ingressar na Força Aérea Canadense, mas seu talento falava mais alto. Gostava de escrever diário e desse tempo surge “Canadá: Pausa, 1960”. Aconselhado por um professor foi parar em universidades dos Estados Unidos (“Se for bom, você sobe. Se for impostor, logo descobrem”).
Fez sucesso nos Estados Unidos, onde foi professor e visitante em várias universidades, especializando-se em conhecer o mecanismo do funcionamento normal e anormal do cérebro humano. Primeiro, esteve na Califórnia. A partir de 1965, há exatos 50 anos, passou a viver em Nova Iorque, com clínica no Hospital Beth Abraham e a ensinar na Faculdade de Medicina Albert Einstein sem perder o acento britânico ao falar. Deu aulas, mundo afora. Ao mesmo tempo, praticava halterofilismo. Onde passou deixou o rastro de brilhante médico que tornou-se cientista e, ao mesmo tempo, escritor consagrado pela clareza no dizer.
Tornou-se um grande neurocientista e escreveu livros significantes, tais como “Um antropólogo em Marte”, “Enxaqueca”, “Tempo de Despertar“, “Com uma Perna Só”, “O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu”, e, por fim, “Sempre em Movimento”.
Em artigo para o jornal “The New York Times”, em abril deste ano, tornou pública sua doença terminal: “Acima de tudo, fui um ser com sentidos, um animal pensante, neste maravilhoso planeta, e isso, em si, foi um enorme privilégio e uma aventura”.
Sacks sofria de “prosopagnosia”. Traduzido da linguagem neurológica, seria algo como o problema de reconhecer rostos com perfeição. “Para mim é fundamental a relação que se estabelece entre doença e identidade, e a forma como a pessoa reconstrói seu mundo e sua vida a partir dessa doença”. Assim, Sacks escrevia não só como médico, mas como paciente dessa doença.
Acometido de câncer, logo perdeu um olho. Lutou por 11 anos, sempre altaneiro, mas a doença o abateu domingo passado, penúltimo dia de agosto, aos 82 anos. O lobo (wolf) vai continuar uivando através de seus livros.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 04/09/2015

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O CENTRO DO MUNDO – Diário do Nordeste

Pode parecer cabotino, mas é tempo de dizer bobas palavras. Quando fiz a primeira comunhão, com calças curtas e paletó de casimira azul, camisa branca, laço no braço um flash registrou o fato, fiquei feliz. Aquele enlevo. Depois, quando conclui o curso de humanidades: todos de terno branco, a foto coletiva. Subi os degraus do Theatro José de Alencar para colar grau em administração, acompanhado do meu pai, Francisco Bezerra de Oliveira. Clarão.
Ano seguinte, na Concha Acústica da Universidade Federal do Ceará, recebi o grau em direito, lado a lado com meu pai, acolhido por Antônio Martins Filho, Reitor e Luiz Cruz de Vasconcelos, Diretor da Faculdade de Direito. Todos eles estão rindo, na foto. Eu, nem tanto. Parecia intuir que o mundo não tem centro e eu teria de fazer o meu caminho.
Fotos foram registrando eventos. A abertura do primeiro escritório. A formação da primeira empresa, o casamento, o nascimento das filhas, os seus crescimentos, as viagens, os lançamento de livros, as academias, os encontros familiares e o que veio depois. Semana passada, cumpri anos, como dizem os hispânicos. A cada dia descubro estar longe do centro do mundo. Nunca descobri onde fica.
Ocupo apenas o meu espaço, fazendo o que posso, procurando aprender o que ainda não sei. E é muito. Neste momento brasileiro, quando desencontros de opiniões, de ideias e de valores são a constante, desejo a volta daquele enlevo do menino da primeira comunhão e o discernir do jovem recém-formado. Vivo cada dia com a obstinação de montanhista, mas sinto o quanto é duro pisar firme em meio íngreme.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 30/08/2015.

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PODE-SE MEDIR A LIBERDADE HUMANA – Jornal O Estado

“Sem leituras sérias abdicamos do patrimônio cultural da humanidade, arduamente construído ao longo de milênios.” Jaime Pinsky, historiador
Até o dia em que escrevo, neste final de agosto de 2015, não vi significativa menção em periódicos/jornais brasileiros ao trabalho científico “Índice de Liberdade Humana – ILH” (Human Freedom Index),108 páginas, produzido por Ian Vásquez (Diretor do Centro para a Liberdade Global e Prosperidade) do Cato Institute, EEUU, e Tanja Porcnik, do Visio Institut, da Eslovênia. Há participação de organizações da Alemanha – Fundação Friedrich Naumann Stiftung – e do Canadá, através do Fraser Institute.
Na introdução ao trabalho (www.cato.org e object.cato.org), que contou com número expressivo de colaboradores, de diversos países, é explicada a razão de ser do estudo: “Porque nós precisamos de liberdade e porque é necessário medi-la”. Conclui-se, por óbvio, que os valores liberais são fundamentais para os autores, mas isso não invalida a repercussão posterior de suas conclusões.
O documento reflete, tendo como base o ano de 2012, 76 indicadores sociais, econômicos e de liberdade de expressão, de movimentos e de associação. Na prática, o resultado é um composto da observação em 152 países dos principais itens considerados, levando em conta: o cumprimento da lei, o Estado de Direito, a segurança e a liberdade religiosa. Afere, ainda, os índices macroeconômicos da renda per capita, da regulação de crédito, estabilidade da regulação do trabalho e dos negócios.
Na substância, tenta-se medir a média global da liberdade civil e da democracia de cada país enfocado. O trabalho verifica ainda índices de criminalidade, comportamentos frente às relações homoafetivas, número de jornalistas assassinados, respeito ao direito de propriedade, entre outros. Para o estudo, liberdade é “o conceito social que reconhece a dignidade dos indivíduos e a ausência de instrumentos coercitivos”.
O Índice de Liberdade Humana (ILH) é mensurado com a atribuição de notas de zero a dez para os 76 indicadores pesquisados. O que me chamou a atenção foi que, entre os 10 primeiros países colocados, abriu-se exceção para incluir Hong Kong que é uma peculiar Região Administrativa Autônoma Especial da China.
Os 10 primeiros têm renda per capita média anual acima de 30.000 dólares (R$ 105.000,00). São eles: Hong Kong, Suíça, Finlândia, Dinamarca, Nova Zelândia, Canadá, Austrália, Irlanda (para mim, uma surpresa), Reino Unido e Suécia.
Os dois países tidos e havidos como os mais ricos do planeta, Estados Unidos e China, ficaram, respectivamente, em 20º e 132º lugar. A rica Alemanha ficou em 12º. Esta é a diferença dessa pesquisa de cunho qualitativo, notadamente.
Os doze países em pior situação possuem renda per capita anual média abaixo de 2.615 dólares (R$ 9.153,00) estão, em sua maioria, na África Subsaariana, Oriente Médio, sul da Ásia e um da América do Sul. Pela ordem decrescente: República do Congo, Arábia Saudita, Chade, Venezuela, Etiópia, Argélia, República Centro Africana, Iémen, Zimbabwé, Myanmar, República Democrática do Congo e Irã (último classificado).
Na América Latina a melhor posição é a do Chile, em 18º. O Brasil ficou em 82o. lugar com média de 6,82, abaixo da média geral de 6,96 dos 152 países analisados. Tenho certeza de que poderemos subir dezenas de posições, pois há, mesmo com os desencontros e incertezas atuais, a fé de que após este mergulho em águas turvas, sairemos mais fortes e conscientes em busca de direitos, liberdade e cidadania.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 28/08/2015.

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AGOSTO E A MORDIDA – Diário do Nordeste

Não contem os dias que faltam para o mês de agosto terminar. Até agora, pelo que sei, nada de extraordinário aconteceu. Vida ordinária, comum, com os mesmos atropelos dos demais meses. A diferença são as luas de agosto mais intensas, tais como os leoninos. Os ventos ficam acelerados e fazem ruídos. Apenas ruídos. Nenhum furacão, nada de tempestade.
E por falar em ruídos, as empresas de telefonia, dizem muitos, cobram além do tudo, como querem e bloqueiam linhas. Você não pode dizer um oi. Tudo deveria ser explicado, tintim por tintim. Números, segundos e minutos usados em ligações. Milhões de usuários padecem. Não entendem o modo de controle do tempo de suas falas, do uso da internet, do roaming e de outros serviços.
Nada é ao vivo, tudo passa por centrais de atendimentos com músicas, respostas automáticas a consumir o tempo, o dinheiro e a paciência. Telefonistas desses centros Brasil afora, interior adentro, respondem perguntas de forma estandardizada, decoradas, impessoais e abusam do gerúndio. Estamos providenciando. Quando? Não sabem. Quero uma solução? O tempo passando e a paciência se esgota.
Ouvi contar que um senhor, aposentado, com tanta raiva pela espera sem fim e a gravação repetida, mordeu o seu celular. Engasgou-se. A mulher, aflita, veio em socorro e quase desmaia. Abriu a boca do marido e retirou os pedaços do celular com vidro quebrado. Sangue. Ele ainda mordeu o dedo indicador da consorte. Brigaram.
Levado pelo genro, foi parar no dentista. Dois dentes quebrados, corte na língua e o orçamento, claro. Reclamar a quem? Do mês de agosto?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 23/08/2015.

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O COMPUTADOR, AS NOTÍCIAS, OS FATOS E OS BOATOS – Jornal O Estado

Gostaria de não usar computador, mas sou obrigado, por dever de ofício e por escrever todas as semanas em dois jornais. Gostaria de, como usuário, não receber spams, essa chatice que todos os dias somos obrigados a tentar exterminar. Mera ilusão. Se você bloqueia um remetente, o mesmo spam surge de outras fontes. São os captadores profissionais a se transformar em vendedores de e-mails, fustigando o que escrevemos, o que consultamos no Google para pesquisas de trabalho e para mero deleite.
Tudo fica definitivo nas nuvens, não as das bonanças, pois turvadas por desesperança coletiva a se apoderar do país que mudou de humor de forma rápida. Ao mesmo tempo, a crise que não chegaria por aqui faz morada na mente e no bolso de todos. Independente de quem somos, fazemos ou temos.
Ver noticiários de televisão –não estou falando dos programas policiais de muitos canais com profundos apelos mórbidos e linguagem nada sutil – tornou-se um misto de sadomasoquismo e de aversão espontânea. A procura do fato -ou boato- a dar índices de audiência não tem limites e tampouco segue a cartilha dos bons propósitos.
Os jornais impressos, estes combatentes contra a falácia do mundo virtual, ficam jungidos às circunstâncias e dependem de anunciantes, de projetos especiais, de assinantes e cumprem, da forma possível, um papel relevante para informar e comunicar. Sofrem ainda a concorrência de blogs e sites de notícias, feitos por qualquer um, escrevendo o que lhe der na cabeça, com ou sem pudor, movidos a interesses confessáveis ou não. “La nave vá”.
Não vou repetir o que o escritor Umberto Eco tem dito, mas ele está coberto de razão e a sua indignação faz sentido. Em um mesmo noticiário, seja da Europa ou das Américas, da Ásia ou do Oriente Médio, há uma mistura de assuntos que vão do incômodo da família real inglesa com os netos de Diana, da morte de jovens negros por policiais americanos e passa pelos avanços do Estado Islâmico na Síria e adjacências.
A partir da Grécia, há crise se espraiando pela Europa fustigada por imigrantes evadidos de suas próprias pátrias. Eclode uma insanidade geral a não se importar com os muitos mortos afogados ou nos porões dos atuais navios negreiros. Sequer há saída transitável para os refugiados sobreviventes em campos vigiados.
As filhas do presidente Obama são objeto de fotos de “paparazzi” em quaisquer movimentos que façam, sejam mera saída da “Casa Branca” ou em viagem nas férias neste verão do hemisfério norte.
Que culpa tem Nelson Mandela em sua paz eterna ou no mero fim do seu corpo se um neto seu está envolvido em estripulias com uma jovem de 15 anos?
Giselle Bündchen é supostamente vista usando uma burca em clínica de cirurgia plástica em Paris e, ao mesmo tempo, é obrigada a dizer se o seu casamento com o atleta Tom Brady está bem ou vai mal.
Vão falar que tudo é o preço da fama, da linhagem real, do destaque político, profissional ou social. Alguém sai do espaço cinza anódino e entra na ciranda do disse-me-disse. E olha que não estou falando das costumeiras discussões sobre o direito de cada pessoa escolher o que lhe convém para o bem e para o mal.
O Papa Francisco vai em setembro aos Estados Unidos e só abordam pedofilia e a venda de imóveis pela Igreja Católica em 40 dioceses ianques. Bispos afirmam que os seus rebanhos diminuíram e templos se quedam vazios. Vender é alternativa lícita, mas alguns advertem dos problemas não tão recentes com o Banco do Vaticano.
Estamos em águas turvas. Os algoritmos a expandir as mentes dos jovens cientistas bilionários do Vale do Silício, na Califórnia, são os mesmos usados por contrabandistas, por vendedores de armamentos, por financiadores de carteis de drogas e por “hackers”. Capazes de tudo.
Mesmo assim, não é o dilúvio, tampouco o “Armagedon”. Há gaivotas anunciando novas terras, crianças nascendo e as noites trevosas podem antecipar manhãs radiantes. Como dizia Adolph Gottlieb, pintor abstrato estadunidense do século passado: “meus símbolos favoritos são aqueles que não entendi”.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 21/08/2015

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CÔNSULES EM AÇÃO – Diário do Nordeste

Ontem à noite, a Sociedade Consular do Ceará-SCC, recomeçou novo biênio de gestão sob a presidência segura de Ednilton Gomes de Soárez com a posse dos demais diretores: Raimundo Viana, C.Maurício Duran, J.M. Zannochi e Fernanda Jensen. A seguir a introdução oficial do novo cônsul honorário do Chile, o ínclito Ednilo Soarez que já participou de reunião em Salvador com os cônsules daquele país andino no Brasil.
A solenidade foi coroada com a apresentação do espetáculo “Sagrada”, uma fantasia sobre a sustentabilidade do planeta Terra. Os bailarinos, os figurinos, a coreografia e a musicalidade são da Edisca, essa benquista entidade criada e dirigida por Dora Andrade que acolhe jovens carentes e os transforma em artistas e cidadãos.
Compõem a atual SCC os seguintes cônsules: Annette de Castro, Holanda; Beat Suhner, Suíça; C.Maurício Dominguez, Colômbia; Dieter Gerding, Alemanha; Ednilo Soárez, Chile; Ednilton Soárez, Finlândia; Reinhilde Lima, Áustria; Fernanda Jensen, França; Francisco Brandão, Portugal; Janos Fuzesi, Hungria; João Soares, México; Airton Teixeira, Belize; J.M.Zanocchi, Uruguai; Luciano Maia, Romênia; Marcos de Castro, Noruega e Suécia; Raimundo Viana, Rep. Tcheca; Roberto Misici, Itália; Sergio Bayas, Equador; e Zsofia Sales, Hungria.
Nunca é demais repetir que os cônsules são acreditados pelos países que representam – de quem recebem diretrizes – e pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil que os credencia. Todos exercem suas atividades de forma permanente e voluntária nas jurisdições que lhes são confiadas.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 09/08/2015