Recebo de amigos convites para entrar em redes sociais de comunicação pela Internet. A alguns, respondo que não me agradam as redes sociais. A outros, deixo o silêncio e a inação como respostas. Nasci analógico, escrevendo carta com a mão esquerda, lambendo a parte gomada do envelope para postá-lo nos Correios. Bem que gostaria de ter de volta algumas cartas que escrevi. Elas falariam de mim, de como me situava em relação a este futuro que chegou de forma avassaladora com os aparelhos celulares cada vez menores e mais sofisticados e os computadores com tantos recursos que um mero usuário como eu perca a parte maior e, talvez, a melhor. Recentemente, um sociólogo francês, Dominique Wolton, diretor do Centro de Pesquisa Científica de Paris, afirmou aqui no Brasil que “a comunicação será a grande questão do século XXI”. Concordo, em parte, um século é muito tempo e só gastamos, até agora, um décimo do 21. O que virá nos próximos 90 anos? Creio que ninguém, mesmo da comunidade científica, tem noção do que as novas gerações, as nascidas neste século, viverão com alegria ou pena. Segundo ele, as comunicações tipo Facebook são provas de solidão interativa. O José não preenche a solidão da Maria que, mesmo se comunicando com ele e outras pessoas, continua só com sua esperança e (des)ilusão. Para ele, há um conceito de sociedade individualista de massa. Ora, digo eu, se é sociedade, não pode ser individualista. Isto quer dizer que os componentes de uma sociedade possam ser individualistas, mas a sociedade, não. Ele acredita que a procura da liberdade individual é um modelo que remete à herança do século 18 e a igualdade que todos parecem ter na Internet seria um arquétipo singular de socialismo. Claro que o objetivo das redes sociais é fazer com que as pessoas leiam os anúncios sutilmente visíveis e se descubram face a face, em carne e osso. Deixam de ser as “personas” que se mostravam em suas faces escritas ou visuais e passam a enfrentar o eterno problema e solução dos seres humanos, a capacidade de comunicação real, sem mistificação e idealização, na hora do encontro.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 14/11/2010.
