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21 ANOS DA SOCIEDADE CONSULAR DO CEARÁ – Jornal O Estado

Ontem à noite a Câmara Municipal de Fortaleza, por requerimento do seu presidente, Vereador Acrísio Sena, realizou Sessão Solene Comemorativa dos 21 anos de fundação da Sociedade Consular do Ceará, entidade que congrega os vices e cônsules honorários. Eles são os acreditados por Carta Patentes dos países que os designam e que no Brasil recebem o “Exequator” ou Beneplácito do Ministério das Relações Exteriores.
A Sociedade Consular do Ceará foi criada em Fortaleza, em 07 de agosto de 1991, tendo como fundadores os cônsules João Ribeiro de Matos Montenegro, Luciano Montenegro, Gerhard Wichmann, Francisco Angelo de Francesco, Gerard Boris, Francis-Bloc Boris, Alexandre Costa Vidal e Humberto Fontenele.
Seu primeiro presidente foi o Cônsul Honorário da Holanda, engenheiro Luciano César Cabral Montenegro, cidadão ilibado, chefe de família reconhecido que soube, cercados por filhos e netos, com equilíbrio, superar a perda de sua mulher, Maria Cecília Fiúza Montenegro.
O Cônsul Luciano Montenegro recebeu, na segunda parte da Sessão Solene, em decorrência de decisão unânime da Assembleia Geral Extraordinária realizada no dia 17 de abril de 2012, como reconhecimento aos serviços prestados à esta sociedade que dignamente presidiu, por mais de uma gestão, a Medalha do Mérito Consular Bertrand Boris, assim designada em homenagem a esse imigrante francês e cearense por adoção, dirigente da Casa Boris, respeitável e centenário estabelecimento de importação e exportação.
Bertrand Boris casou-se com uma Caminha do Aracati, a Sra. Arisa Caminha Boris, e por muitos anos, foi Cônsul Honorário da França, no Ceará. Constituiu família cearense, entre eles, o seu filho, já desaparecido, Gerard Achilles Boris que o substituiu no mesmo consulado.
A figura do Cônsul remonta à Grécia Antiga e perpassa o Império Romano, sempre exercida por alguém de notório saber e destaque social reconhecido com o objetivo de proteger, no exterior, os interesses das pessoas naturais do Estado que representa.

A atividade consular é regida pela Convenção de Viena, que entrou em vigor em 1967, e expressa que os cônsules não atuam na representação política, mas na trajetória de defesa dos interesses privados dos cidadãos e das empresas e entidades dos países que representam.
A Sociedade Consular do Ceará é composta dos seguintes Cônsules e Vice- Cônsules: Dieter Gerding, da Alemanha; Elfriede Reinhilde Lima, da Áustria; José Airton Cavalcanti Teixeira, de Belize; Carlos Maurício Duran Dominguez, da Colômbia; Fernanda Jensen, França; Annette Therese Yvonne de Castro, Holanda; Janos Fuzesi Junior e Szofia Eross Sales; Ednilton Gomes de Sóarez, Finlândia;
Roberto Misici, Itália; João Soares Neto, México; Marcos Aurélio Soares de Castro, Noruega e Dinamarca; Francisco Neto da Silveira Brandão, Portugal; Luciano Nunes Maia, Romênia; Raimundo José Marques Viana, República Tcheca; e, José Maria Zanocchi, Uruguai.
A Sociedade Consular do Ceará agrega, extra pauta, representantes de comunidades estrangeiras no Ceará, especialmente as da Argentina, por Carlos La Rocca; e a dos Estados Unidos da América por Patricia Carolyn Cavin.
Passados 21 anos, uma centelha na contagem do tempo absoluto, são estes os atuais integrantes da Sociedade Consular do Ceará, que tentam manter vivo o ideal dos que se reuniram pela primeira vez na Rua Guilherme Rocha, em agosto de 1991.
Em nome dos colegas referidos agradeci ao Presidente Acrísio Sena a homenagem da Câmara Municipal de Fortaleza, casa que representa o povo e deve defender, tal como fazem os cônsules , os interesses dos cidadãos que nela habitam. Nos sentimos distinguidos e honrados.

João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 03/08/2012.

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CASAMENTO E PENSÃO – Diário do Nordeste

O episódio esposado por Rosane Malta, ex-Collor, mostra um lado negro da mulher dita atual. Algumas mulheres ainda fomentam a ideia de que os homens são machões, dominadores, provedores e que tais. Abandonou: pague o ônus. É importante lembrar que até séculos recentes não havia o casamento “por amor”. Na maioria das uniões prevalecia a vontade das famílias, que sugeriam, indicavam e até obrigavam a escolha. Discutia-se qual o(a) parceiro(a) mais recomendado(a) em função da raça, do status social ou político, da conveniência, das relações de amizades/negócios dos pais ou dos interesses.
Só há pouco, quando a mulher desvendou a sua sexualidade, foi que apareceram o amor e a insubordinação. Vou casar porque quero e não me importo o que (pai/mãe) achem. Entretanto, ainda há parcela remanescente de mulheres que acreditam ser o casamento um fim em si mesmo. Espécie de profissão, fonte de divisas, ascensão e seguro.
Assim o fez a citada Rosane que sequer teve filhos com o “réu” Fernando. Apesar disso, acha-se no direito de viver das “culpas” de seu ex-marido. Não contente, “revelará” em livro de “ghost writer”, “faces” do caráter e comportamento de quem deve sustentá-la “de um, tudo”.
Por outro lado, mulheres que estudaram, trabalharam e se profissionalizaram sabem que a única certeza na vida é a mudança. Cuidam elas de dar outra significação às suas relações afetivas, sejam casamentos, uniões ou circunstanciais. Se todos são os sujeitos do próprio destino, como esperar que alguém arque com a vida futura de quem nada mais tem em comum?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/07/2012

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BRASIL OLÍMPICO – Diário do Nordeste

A “Veja”, especial sobre a Olimpíada de Londres, transforma Neymar em Guarda da Rainha, copiando a capa da “Realidade”, de 1966, com Pelé. Naquela Copa, o Brasil foi pífio. O iatista Robert Scheidt metamorfoseou-se em Churchill. Fabiana Murer encarna a Mary Quant, estilista que “criou” a minissaia. E por aí vai. Esse fato mostra o endeusamento de atletas que, ao final desses jogos, trarão, se muito, 20 medalhas.
Foram gastos milhões por um Comitê gerido há anos pelas mesmas pessoas. Desde 1920, o Brasil ganhou apenas 91 medalhas. Dessas, apenas 20 foram de ouro. Os gigantes EUA, mesmo período, ganharam 929 ouros. A razão? A maioria dos atletas sai de universidades. Os nossos, não. Muitos se deslumbram com o novo status e caem na gandaia. Não só no futebol. A vantagem de ser celebridade efêmera é que se é conhecido por quem não o conhece de fato.
A pequena Cuba tem 194 medalhas, 97 ouros. O nosso melhor desempenho (15 medalhas) foi na Olimpíada da Antuérpia, 1920. Todos eram amadores. Agora, há fartos patrocínios de empresas públicas e privadas e os atletas se consideram heróis só pelo fato de estarem na alegre comitiva de 2.000 pessoas, com menos de 300 atletas.
Alugou-se o caro Crystal Palace, centro para treinamento de algumas modalidades. É claro que torço pelo nosso sucesso. Entretanto, é preciso ver o que se fez antes, hoje e o que mostraremos em 2016, quando sediaremos a Olimpíada. O Brasil deve deixar de ser fanfarrão e melhor educar/preparar os seus atletas que não podem ser heróis antecipados.

João Soares Neto,
escrito
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 22/07/2012

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EUFORIA E DEPRESSÃO – Jornal O Estado

O Brasil passou quase incólume pela crise mundial de 2008/9. Acreditava-se, diziam muitos, que a crise europeia – que se arrasta há anos – não nos atingiria: temos “fundamentos”. Conversa fiada. Recebemos um soco na economia brasileira que imagina como solução vender carros encalhados, desde 2011, em um país de rodovias ruins porque densamente utilizadas por caminhões pesados. Temos, ainda, neste século 21, escassas ferrovias regionais e nenhuma nacional para cargas. As cidades já não comportam mais os veículos que têm. Isto sem atentar para as endiabradas motocicletas que infernizam o trânsito e provocam elevadas despesas nos lotados hospitais públicos.
O Brasil acreditava mesmo que a emergente classe média ia bem. De repente, uma profusão de milhões de cartões de crédito foram entregues a pessoas que não aprenderam ainda a cuidar de suas economias. No Brasil, as empresas de cartões de crédito estão nas ruas, aceitam todo tipo de cliente e cobram, por cada mês de atraso, os mesmos juros anuais definidos pelo Banco Central. Em 2011, os juros médios do dinheiro de plástico foram de 323,41% ao ano.
Resultado, milhões de pessoas penduradas com dívidas. Isso provoca, além da depressão pessoal, desajustes familiares e restrições em seus empregos. Não rendem no trabalho, atormentadas que estão com o que devem. Os desempregados, em boa parte, não conseguem ocupação por novas qualificações solicitadas e suas inclusões nas listas de devedores dos serviços de proteção ao crédito-Spc e do Serasa – empresas privadas que bisbilhotam e fornecem “fichas sujas” para os que se afoitaram além de suas possibilidades. É vero.
A farra consumista brasileira vai ter que encontrar, do outro lado da ponte da vida, com a realidade cruel que atinge a maioria. As publicidades enganosas precisam dos olhares do Conar, entidade não governamental que, por definição, deveria cuidar da autorregulação da propaganda e da liberdade de expressão. Não se pode gastar esperando bonança futura. É básico que todos devam ter um orçamento. Se você gastar mais do que ganha, algo acontecerá. Não há como fugir das contas que o acossam através de protestos de títulos, questões judiciais para devolução de veículos e propriedades e as intermináveis discussões sobre os abusivos juros dos já referidos cartões de crédito.
Parcimônia é palavra pouco conhecida do brasileiro. Qualquer comemoração familiar, do batizado ao casamento, é, quase sempre, prova de insanidade pelo deslumbramento desnecessário. Ninguém deve acreditar que pode melhorar de vida mudando hábitos de consumo que devem ser coerentes com os contracheques que recebe. Não pegue corda de pessoas amigas e vendedores que o incitam a comprar o que não precisa e, mais que isso, sem a certeza de poder pagar. Deus não dá um jeito em tudo. Temos que fazer a nossa parte. A euforia sempre é passageira. A depressão demora. O equilíbrio pessoal poderá se transformar na parcimônia/comedimento que todos deveriam ter. O uso da razão determinará seus limites.

João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20/07/2012.

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CONVERSA DE FUTURO

Dia desses, ao entrar em um banco, a gerente falou que havia sido nossa estagiária. Que bom. Depois desse fato, pensei e reuni o grupo de estudantes universitários que ora colaboram conosco. Eram de diversos cursos. Rapazes e moças na faixa dos 18/20 anos. Alguns estrangeiros, provindos de diferentes países. Disse da singularidade do nosso encontro e as razões porque o fazia. Houve brincadeiras, prêmios, incentivei-os a cantar e dançar. Conversamos até sobre nossas histórias pessoais. Ao final, um lanche rápido.
Há doze anos grupos como esse se revezam e nos ajudam como estagiários e auditores, mediante convênios com universidades e faculdades, recebendo cada um o valor de um salário mínimo por mês, além de benefícios e treinamento básico. Alguns passam a trabalhar conosco. A eles falei que poderiam ter sonhos, mas precisavam saber o que queriam da vida, se empregados, professores, profissionais ou negócio próprio. Disse da minha experiência quando universitário: trabalho, jornal e correspondente de revista. Nas férias, ao viajar, levava artigos – em consignação – para vender e cobrir despesas.
Falei da necessidade de se ter metas, desafios e embasá-los na formação acadêmica, mas complementando-os com a curiosidade, a leitura e a reflexão/comportamento que, reunidos, formam a nossa (in)competência pessoal para enfrentar os desafios que a vida cobra. Fizemos fotos e lembrei que poderia ter gerado esse tipo de encontro desde a primeira turma, em 2000. Saí leve e feliz.

João Soares Neto,
escritor.
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 15/07/2012.

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FORTALEZA, 2013 – Jornal O Estado

A prefeita Luizianne Lins apresenta em livro de capa dura, 230 páginas, aspecto gráfico de nível e fotos profissionais, a sua versão da administração que vem de 2005 e termina em dezembro deste 2012. Na verdade, ela antecipa as suas realizações em “Juntos Construindo a Fortaleza Bela 2005-2011”.
Esse documento oficial, coordenado editorialmente por Nágela Raposo Alves e organizado por Alfredo Pessoa de Oliveira e José Meneleu Neto – responsáveis por seu conteúdo – deve servir de base de informação para todos os candidatos a prefeito de Fortaleza. Caberá a cada um, depois de examiná-lo, fazer a sua análise e julgamento.
Lê-lo será um dos caminhos para que possam refutar, criticar, xingar, aclamar, checar ou aceitar o que é demonstrado em linguagem simples, lastreada por dados com fontes dos indicadores socioeconômicos.
Fortaleza não é cidade laboratório. Ela é real, zangada, sofrida e querida. Cadinho de todos os sentimentos, anseios, orgulhos, gentilezas, deseducação, cidadania, desrespeito, amor e desdém que permeiam os seus 2,5 milhões de habitantes.
Os nomes da moda são mobilidade urbana, sustentabilidade, integração, solidariedade, compartilhamento e outros mais. Os candidatos devem, penso eu, esquecer os adjetivos de palanque e dizer para o que vieram. Eleição não é disputa de egos, fotogenia e tampouco de eloquência patética.
Eleição é precedida de um tempo em que cada candidato deve ponderar o que vai dizer, revelar quem é, seus planos, quem o apoia e porque o faz. Deve clarificar o que sabe sobre a cidade e apontar soluções viáveis em função dos recursos que disporá em transferências e orçamentos que se desejam abertos a todos os que queiram – e todos deveriam querer – conhecê-los. Diz Ítalo Calvino, escritor italiano do século passado, que “as cidades, como os sonhos, são feitas de desejos e medos”.
Esperamos que os candidatos mostrem os seus desejos de bem administrar esta cidade antes aberta, brejeira e fagueira. Hoje, a maioria dos citadinos tem grades em suas moradas; empresas de vigilância e segurança prosperam; motocicletas transformaram seus usuários nos maiores e mais graves pacientes dos hospitais; ruas seguem acanhadas, em traçados ortogonais e levam ao desespero os usuários de transportes coletivos e os milhares de guiadores neuróticos, mas orgulhosos de seus carros comprados em financiamentos que escondem armadilhas. Os pedestres que se cuidem.
A Fortaleza de 2013 precisa debelar as apartações sociais que ainda estão em todos os lugares e tornam-se claras e multiformes nas páginas de jornais, nas emissoras de rádio e televisão. Fortaleza comporta sonhos, mas precisa de escopos de projetos e planos consequentes dos candidatos a gestores. Eles serão julgados pelas verdades das urnas e as do tempo inexorável que nos desnuda a todos.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 13/07/2012.

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MUITAS CLARICES – Diário do Nordeste

Recebo um pacote em casa. Carlos Heitor Cony, no livro “Quase Memória”, trafega com embrulho protegido por barbante em quase todas as páginas e enredo. E sem abri-lo. Abri. Era gesto de delicadeza de Fernanda Coutinho e Vera Moraes, organizadoras da antologia “Clarices”. Elas oferecem homenagens claricianas, integrantes da legião de apaixonados pela Haia da Ucrânia, dita Clarice, no Brasil.
Fernanda escreve sobre “Clarice e a Infância Jamais Perdida”. Vera relê a musa em “O Verde Úmido Subindo em Mim: A mulher e a Magia do Jardim em Clarice Lispector”. Juntas, produziram a “Entrevista com Nádia Battella Gotlib” e “Algumas Questões sobre Clarice Lispector dirigidas à Nadiá Setti”. Em parceria com Maria Elenice Costa Lima, Vera disserta “Inquietudes de Ser Mulher em Laços de Família”. Outros claricianos contribuem com mais 20 ensaios sobre a menina que passou a infância no Recife e vai para o Rio, aos 14. De lá, espraia-se como mulher pelo mundo real e, fulgurante, no da literatura.
Jornalista, Clarice tornou-se a grande, misteriosa e a amada, viva e post mortem, escritora. Casada, teve filhos com o diplomata carioca Maury, da família cearense Gurgel do Amaral. Antes de separar-se, moraram anos na Europa e Estados Unidos, tempo em que trocava cartas com escritores e amigos brasileiros. Morreu de câncer, aos 57. O crítico literário José Castello, certa vez, perguntou-lhe: Por que você escreve? Ela respondeu: por que você bebe água? Ele retrucou: para viver. Então, Clarice falou: escrevo para me manter viva.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 08/07/2012

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ELEIÇÕES MEXICANAS E O BRASIL – Jornal O Estado

João Soares Neto*
Parte da imprensa brasileira gosta de propagar que 50.000 mexicanos foram mortos de 2006 até hoje por conta do enérgico combate ao narcotráfico pelo sério e desenvolvimentista governo do Presidente Felipe Calderón. Acho até gozado ler as estatísticas brasileiras sobre assassinatos. Só em 2010 foram mortas 50.000 pessoas no Brasil. Imagine em seis anos. Assim, é desnecessário falar em violência mexicana, se comparada à brasileira. Falam também que há muitos pobres, entre os mexicanos. A pobreza existe em todo o mundo e precisa ser debelada. O que não dizem é que no Índice Gini (quanto mais perto de zero, melhor), que mede as desigualdades de renda, o Brasil está em pior situação, 0,530; o do México é 0, 474, bem mais baixo.
Logo, menos pobres. A escolaridade no México é maior do que a brasileira e as universidades mexicanas figuram em melhor situação, se comparadas com as do Brasil, no ranking internacional, inclusive em número de doutores e em pesquisas.
Domingo passado, 79 milhões de eleitores estavam aptos a votar nas eleições para a presidência da república asteca, o segundo país mais rico – ou menos pobre – da América Latina, embora se localize na América do Norte. Como o voto não é obrigatório, houve abstenção de 30%.
O novo presidente, Enrique Peña Nieto, é um bem apessoado advogado de 45 anos e ex-governador. Viúvo em 2007, com quatro filhos, um deles fora do matrimônio, casou, em 2010, com a atriz Angélica Rivera que substituirá, em beleza, a ex-primeira dama francesa, Carla Bruni. Peña Nieto usou a sua aparência telegênica com excelente capacidade de comunicação pelo écran. Mesmo sendo candidato pelo estigmatizado Partido Revolucionário Institucional, o PRI, que comandou o país de 1929 a 2000, Peña Nieto tinha larga vantagem nas pesquisas para López Obrador, do Partido da Revolução Democrática – PRD, que perdeu para Calderón por poucos votos na eleição presidencial de 2006. E, mais ainda, sobre Josefina Vásquez Mota, apoiada pelo Partido da Ação Nacional (PAN).
O México tem hoje quase 114 milhões de habitantes para um Produto Interno Bruto – PIB de US$ 1,15 trilhão de dólares, com nível de desemprego, em 2011, de 5,3%, menor que os 6,0% brasileiros. Diga-se também que o Índice de Desenvolvimento Humano- IDH (0, 750) mexicano é o 56º. na posição mundial, enquanto o nosso é o 73º. (0,699). O desenvolvimento industrial nos últimos seis anos foi tão positivo que a migração do México para os EUA ficou negativa (mais mexicanos voltaram que saíram para “fazer a América”). A expectativa do crescimento do México em 2012 será de 3,5%, enquanto o do Brasil girará em torno de 2%. É preciso que haja mais informação construtiva sobre o México, país que tem no Brasil um grande parceiro comercial. Já não falamos nem em futebol, pois, no último encontro, deu México 2 e Brasil 0.
A Presidente Dilma e os demais países do hemisfério sul têm no México um sério parceiro, interlocutor legítimo e seguro porto de entrada para negócios. Em 2013, os novos presidentes do México e dos EUA terão, de partida, uma pauta comum sobre o desenvolvimento do Pacto de comércio (Nafta), ao combate ao narcotráfico e um tratamento proativo nas questões migratórias, especialmente as delicadas situações de milhões de crianças e jovens nascidos nos Estados Unidos, filhos de pais latinos, inclusive brasileiros, muitos dos quais “indocumentados”.
João Soares Neto é Cônsul Honorário do México no Ceará.

João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 06/07/2012.

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VOCÊ EMPREENDEDOR – Diário do Nordeste

Com a discrição costumeira, o DN lançou, nesta terça, o primeiro módulo, de um total de 18, do caderno “Você Empreendedor”. A ideia é parceria com conteúdo técnico do Centro de Ciências Administrativas da Unifor. Dias desses, vi Ciro Gomes dizer na TV que um dos nossos problemas é a carência de capital humano. Gente que pense, estude, trabalhe, crie e faça. Nesta segunda década do 21, onde quase tudo tem obsolescência programada, inclusive o conhecimento, é preciso coragem para ser um novo empreendedor. Há que se distinguir administrador, aquele que gere, do empreendedor, aquele que cria, inova e comanda.
Há algumas semanas, neste mesmo espaço, falei da perda de controle de empresas nacionais para multinacionais. Uma delas, era o Pão de Açúcar. Para quem não sabe, a empresa surgiu em 1948 como uma doceria. O dono, português, poucas letras e muitos filhos. Depois, a doceria cresceu e com a ajuda dos filhos virou o Pão de Açúcar. Nos anos 80 teve crises, inclusive familiar, e vendeu parte de suas ações para a francesa Casino. O desfecho veio agora. Os Diniz não mais comandam; são meros acionistas ricos. Assim é a vida.
Quem se propõe a ser empreendedor sério, sem conluios ou padrinhos, deve saber dos riscos a que se expõe em um país sedento por impostos e com torcida para que você não dê certo. Creio haver espaço para jovens talentosos com boa formação acadêmica e humildade para, trabalhando muito, estudando o novo, semear ideias e empregos. Se possível, evite parcerias e entidades, siga o seu foco. Empreender é superar-se, dia a dia.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 01/07/2012

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O CENTENÁRIO DO “CEARENSE” LUIZ GONZAGA – Jornal O Estado

Luiz “Lua” Gonzaga é quase cearense. Nasceu em 1912, no Exu, Cariri pernambucano, próximo da divisa com o sul do Ceará. Dada a contiguidade, o filho de Januário tocava nas feiras do Crato e de Juazeiro. Ao tempo de “sentar praça” ou servir ao Exército, em 1930, preferiu vir para o 23º. Batalhão de Caçadores, em Fortaleza. Em 1939 Gonzaga mandou-se com mala, cuia, embornal e sanfona para o Rio de Janeiro. Sabia que ia enfrentar preconceito. Lá, por acaso, uniu-se a Humberto Teixeira, advogado cearense ali radicado que dirigia um escritório de direitos autorais e anteviu o sucesso do futuro “Rei do Baião”. Ele e Teixeira fizeram várias parcerias. E aí é que entro na história do Luiz Gonzaga.
Humberto Teixeira, na linguagem política local da época, era “paraquedista”. Vivia no Rio e queria eleger-se deputado federal pelo Ceará, nascido que era em Iguatu. Trouxe, então, Gonzaga para animar os seus comícios. Nascia ali o embrião dos “showmícios”. Menino, calça curta, saí de casa escondido para ver Luiz Gonzaga em show em frente da Igreja da Piedade. Tinha pouca gente, no princípio. Quando o Gonzagão começou a tocar, o adro foi ficando repleto de gente e o Humberto acenava para o povo. Cheguei perto do “Rei” e vi sua vestimenta adornada como os dos cangaceiros de Lampião.
Passa o tempo. Já adulto, via Gonzaga pela televisão que, preconceituosa, não dava a ele os créditos que merecia pelos versos simples, mas poéticos de suas músicas.
No ano de 1984, Gonzaga foi homenageado com o Troféu Sereia de Ouro, pelo Sistema Verdes Mares, quando tive a alegria de revê-lo em Fortaleza e reverenciá-lo. Morto em 1989, hoje, produtores musicais, veem que “Gonzaga foi o primeiro a atingir, com a mesma música, o povo e a elite”, no dizer de Thiago Marques Luiz. Thiago reuniu agora, entre outros, nomes como Dominguinhos, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Amelinha, Zeca Baleiro e Zezé Mota para produzir e gravar três CDs com 50 músicas do Gonzagão. Em julho, o nosso Fagner estará em São Paulo, em show no Sesc Vila Mariana, também para louvá-lo.
O cantor e compositor Felipe Cordeiro considera que “ele afirmou, de uma vez por todas, a música nordestina no país, sem ser caricato. Ele foi um acontecimento do tamanho de um Tom Jobim”. Para quem não sabe o surgimento da agitação vanguardista “Tropicália”, nos anos 60/70, com Caetano, Gilberto Gil, Raul Seixas e muitos outros, tem um pezinho nas estacas musicais binárias plantadas pelo menino/homem de Exu que respeitava o pai Januário. Pena que o filho Gonzaguinha tinha outro pensar. Isso é outra história.
Agora, neste junho de 2012, quando se comemora, antecipadamente, o centenário do seu nascimento que, de fato, será no próximo dia 13 de dezembro – paradoxalmente, Dia de Santa Luzia, a protetora da visão – resolvi homenageá-lo. E o fiz no 4º. Festival BenJunino, no BenficArte, evento musical que empreendo para homenagear e incentivar compositores, cantores, promissores sanfoneiros de xotes e baiões, com prêmios e a mesma alegria que tive, quando criança, o vi em praça pública na boca da noite.
O menino que fui, afinal, está quite com o Gonzagão.

João Soares Neto
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29/06/2012.