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LINCOLN – O filme e a Virtude JORNAL O ESTADO

A história ou estória sempre é contada pelos vencedores. Os derrotados estão mortos, desaparecidos ou não têm espaço para contá-la. Vi o festejado filme “Lincoln” dirigido por Steven Spielberg, a partir de poucos capítulos do livro “Team of Rivals – The Political Genius of Abraham Lincoln, algo como Jogo de Rivais – A Genial política de Abraham Lincoln”.
Spielberg está rico se dá ao luxo de bem escolher e dirigir. Ele desejava se acostar a D.W. Grifith(Abraham Lincoln) e a John Ford com (A Mocidade de Lincoln), grandes diretores e recriadores, cada um a seu jeito, de vários aspectos da vida do menino pobre até a sua chegada à presidência, mas assassinado no começo do segundo mandato.
O Lincoln de Spielberg não conta a história de sua vida de 56 anos (1809-65). É apenas um breve recorte da sua atuação como estadista. Este “Lincoln” mostra, repito, um viés pouco notado na sua biografia. Abraham, como o profeta onomástico, guerreia para unir os americanos. A história é um intricado jogo de interesses entre os partidos Republicano ( o de Lincoln) e os Democratas, visando a aprovação da 13a. emenda à Constituição americana. Lincoln queria – e conseguiu – a abolição da escravatura e precisava jogar pesado para obter votos adversários na Câmara de Representantes. Assim, na verdade, houve distribuição de dinheiro e de cargos para os resistentes aos argumentos de Lincoln. Ao final, cederam. Tudo isso é mostrado, mas encoberto pela virtude/moral/ética calvinista: A pátria acima de tudo.
Esse filme receberá prêmios e poderia ser visto por todos. Especialmente, jornalistas, políticos, advogados, cientistas políticos, magistrados, inclusive os membros do Supremo Tribunal Federal e, certamente, pelos apenados do 1º. mensalão.
Houve uma manobra abjeta, mas ela tinha um objetivo nobre. A pergunta filosófica é: Os fins justificam os meios?. J.B. Butler, filósofo inglês do século 18 deve ter sido lido por Lincoln. Ele assevera: “A virtude, enquanto tal, considera consideráveis vantagens aos virtuosos”.

João Soares Neto
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 15/02/2013.

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RATZINGER E ROMA – Diário do Nordeste

Era uma vez um menino batizado, crismado, primeira comunhão, missas e, no bolso esquerdo, um terço de madeira. Comungava às primeiras sextas-feiras do mês. Entrou na universidade, convidou um doutor em Teologia para pregar a Páscoa. Empós, encontrou-se com o padre. Viu-o de roupas civis: o que houve? Pedi licença e questiono a minha fé. Deus existe?
Cheguei a Roma no fim do Concílio Vaticano II. Com a ajuda de parente bispo, penetrei no conclave. Sentei-me e escutei. Eles adequavam a Igreja às mudanças. Aboliram o latim e a batina. Os padres, frente aos fiéis, celebrariam a missa no vernáculo de país e mais. Voltei outras vezes a Roma e sempre me espantou a pompa das cerimônias, a riqueza dos museus e a ridícula guarda suíça. João XXIII morre e surge Ratzinger.
Estava a zapear a TV e parei numa estação americana. Ratzinger debatia sobre filosofia e fé. Impressionou-me sua cultura e não me surpreendi com a escolha. Fora lastreada na sua longa história Vaticana, na “Intelligentzia”, chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, a julgar questões intricadas, desde a Inquisição.
Ratzinger eleito mostrou-se cauteloso, em meio às intrigas. O Vaticano é uma Monarquia absoluta. Os fiéis não esqueceram João XXIII e em dos primeiros atos dele foi abrir a canonização, logo acontecida. Pedofilia, escândalos financeiros, divisões e intrigas entre a hierarquia. Elas debilitaram sua saúde e culminaram, após a prisão de seu mordomo, com o calculado gesto de renúncia. Sugestão: Vamos unir a Igreja de Roma à Anglicana e abolir o celibato?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 17/02/2013.

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THOMAZ POMPEU E A ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS – Jornal O Estado

Desde 2000, a UNESCO – entidade da ONU a cuidar da Educação, Ciências Naturais, Humanas e Sociais, Cultura, Comunicação e Informação – consagra o dia 21 de fevereiro como o Dia Internacional da Língua Materna.
Na noite de ontem, exato 21 de fevereiro deste 2013, na imensidão da abóbada celeste ainda não de todo desvendada, pairava no planeta Terra, no hemisfério sul, no Brasil, no Ceará, em Fortaleza, com a lua em quarto crescente, quase um plenilúnio, a Academia Cearense de Letras, reunida para falar sobre Thomaz Pompeu. Cultuou-se a língua e a linguagem.
Aconteceu no Palácio da Luz, centro histórico de Fortaleza, na Rua do Rosário, defronte à Igreja dos Homens negros, asilo de segregados pela escravatura envergonhadora. Igreja essa ressaltada e descrita em tintas nas pinturas e nas músicas em ritmo afro de Descartes Gadelha.
A palavra de Thomaz Pompeu foi lembrada a seus seguidores para exercer “a serenidade de investigadores da verdade”. A propósito, a acadêmica Ângela Gutiérrez já havia louvado em 2009, em discurso ali proferido quando da comemoração dos 105 anos da ACL, as suas múltiplas faces de jornalista, professor, pesquisador de história, geógrafo, educador, administrador público, pensador, homem de letras e empreendedor.
Sobre essa face singular ela refere: “Por que relembrar o empreendedor, o pioneiro, que fundou a primeira fábrica de fiação e tecidos do Norte-Nordeste, atentando para o aproveitamento de nossa vocação algodoeira, que foi sócio majoritário e gerente da primeira Companhia de bondes do Outeiro, que foi fundador e presidente do Banco do Ceará, do Centro Industrial e da Associação Comercial, colaborando para o progresso da terra, na crença de que progresso e ciência deveriam andar de mãos dadas”.
Outros empreendedores já integraram a referida ACL. Os principais: Antonio Martins Filho, o reitor fundador/empreendedor da Universidade Federal do Ceará; o jornalista Eduardo Campos, escritor, condômino dos Diários Associados e industrial; e o seu hoje presidente, o empresário imobiliário e bibliófilo José Augusto Bezerra.
A propósito, o maior bibliófilo – amante e colecionador de livros – brasileiro foi também um empreendedor, José Mindlin, criador da Metal Leve.
Os empreendedores citados confiavam e seus seguidores acreditam, além do arrojo em suas ações, no estudo, na informação, no conhecimento e na cultura, indispensáveis ao Brasil atual, a exigir qualificação para qualquer tarefa ou encargo. A educação e a cultura são chaves insubstituíveis para o futuro. Thomaz Pompeu já sabia disso.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 22/02/2013

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DROGAS E VIDAS – Diário do Nordeste

A liberdade invocada pelos americanos, constitucionalmente, para portar armas (não esqueça: a guerra é a constante na terra de Lincoln) parece ser a mesma dos adictos sobre as suas vontades. A decisão do governo paulista de internar os milhares de viciados em “crack”, até contra as suas resistências, tem sido questionada.
Sem entrar no mérito legal da discussão, lembro: não só os viciados em “crack”, cocaína e outros causam problemas às suas vidas, às suas famílias e à sociedade. Não há um fim de semana sem alcoólatras a provocar mortes no trânsito ou crimes contra pessoas.
No dia 23 de janeiro, a jornalista Iara Biderman, na Folha, entrevistou os psicanalistas Antonio Alves Xavier e Emir Tomazelli, autores do livro “Idealcolismo”. Segundo eles, o alcoólatra é como um fanático religioso “porque ele transforma a bebida em uma substância divina. Ao beber o ´deus álcool´, comunga com essa substância… acredita que vira deus, não tem que enfrentar as limitações e frustrações do ser humano. Vira todo-poderoso e se entrega a esse ídolo que o faz sentir-se onipotente”. Concordemos ou não com essa abordagem, os autores retratam o dependente: “deixa de ser humano, de se responsabilizar pelo que faz com sua vida – a culpa é do álcool, não dele. E acaba perdendo a sua parte ética, porque fica perdido em sua individualidade, sem considerar o outro”.
Como, mais das vezes, retoma a vida normal nas segundas-feiras, não traz sentimento de culpa e debita ao álcool os estragos feitos em família, amigos, ao dirigir ou ao se envolver em discussões causando danos morais a terceiros.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 24/02/2013.

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CARROS E “RECALLS” – Diário do Nordeste

No mundo, cada país a seu modo, há leis reguladoras das relações entre fabricantes e compradores de veículos. A propaganda das fábricas, distribuidoras e revendedoras alardeia as qualidades, os diferenciais e os prêmios conquistados. As garantias aumentaram de um para dois, três e cinco anos.
Há uma marca que promete seis anos, se o Brasil vencer a Copa. Por outro lado, as associações de defesas de consumidores, fortes em alguns países, têm provado que os carros, independente da sua qualificação como popular, médio, luxo ou superluxo apresentam, sim, defeitos, e resolveram denunciar os fatos. Há perdas de vidas por defeitos de fábrica. Questões avultam.
Na realidade, faz muito tempo que não mais existe o fabricante integral, como fazia a Ford, no começo do século 20, quando Henry Ford criou a linha de montagem. Trocaram o nome para montadoras, pois recebem componentes (peças e acessórios) de empresas satélites, que podem ou não estar no país onde o carro é produzido. O fato é que quase nenhuma marca ou modelo de veículo tem saído ilesos nos múltiplos e frequentes recalls.
Os recalls são, por lei, individualizados e chamados os compradores originais do veículo. Além da notificação, as montadoras são obrigadas a publicar nas mídias: modelos, números dos chassis e o ano de fabricação da marca, pois o veículo pode ter novo dono. O serviço é gratuito.
Independente da marca/modelo do seu carrão ou carrinho, não custa ficar atento e ler os “recalls” nos sites das montadoras. Zele por seus direitos.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 25/05/2014.

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A INVASÃO DA PRIVACIDADE PÓS WEB – Jornal O Estado

“Em uma sociedade com base no conhecimento, por definição é necessário que você seja estudante a vida toda”. Tom Peters, americano, engenheiro e escritor.
Há quanto tempo você não escreve uma carta? Esta pergunta não terá resposta positiva de muita gente. Escrever carta em papel pautado, colocá-la em envelope, endereçá-la e postar nos Correios foi, por muitos anos, a forma preferida de comunicação entre pessoas, empresas comerciais e até entre vários níveis de governo. Hoje, o mundo(world) está sendo conectado pela web. A palavra inglesa web significa rede ou teia. O conjunto de três w ou WWW (World Wide Web) corresponde, na internet, à rede ou a sua teia através do mundo. Assim, a maioria das pessoas, especialmente as nascidas depois do ano 81 do século passado, a tal geração Y, está sempre interligada e sabe algo de tecnologia da informação (TI). Os batizados bem antes, tal como eu, vão errando e procurando espaço nesse mundo meio assustador. Exemplo: toda questão formulada ao Google fica acumulada para formar o seu perfil de usuário. Para sempre.
Teia lembra aranha que pode ter veneno. Logo nos vem à mente a forma, quiçá geométrica, como esse aracnídeo urde os seus campos de atração e ataca. Sabe-se, grosso modo, existir quatro tipos de teias: a de capturas (a prender insetos), a de cópula (à espera do macho fecundador), a de refúgio (para descansar) e a de muda (para se alterar).
A palavra teia parece perfeita para essa face exuberante da informática e das comunicações atuais. Todos somos captados. Alguns entram em redes de afeto, ciência, conhecimento, negócios ou de lubricidade. Outros vagueiam para descansar de sua vida real, e há falseadores de identidade, procurando ser o que não são ou a liberar veneno e maquinação errática mundo afora.O crítico literário John Freeman estabeleceu algumas cautelas para usar a teia mundial. Em 2009 ele escreveu o livro The Tyranny of E-mails (A tirania dos E-mails) e aconselha o uso ponderado do computador, do celular etc. Recomenda, nada antes do café da manhã. Ao acordar, a mente está livre e não é razoável importuná-la com o volume de informações da “teia”. A invasão começa ao ligar o computador ou o celular.
Freeman esteve ano passado no Brasil para falar na 16ª. Bienal Internacional do Livro do Rio e, ao mesmo tempo, lançar dois livros, já traduzidos em português: Como Ler um Escritor e Granta 11 – Os melhores Jovens Escritores Britânicos. Segundo o jornalista Francisco Quinteiro Pires, Freeman mora agora em Nova Iorque, escreve um livro de poesias e leciona na Columbia University. Está “over”.
Essa digressão ao falar de John Freeman mostra como fomos pegos por teias a mudar a direção do pensamento, da fala e da escrita. Somos, vez por outra, desviados por e-mails importunos. Ainda hoje, por exemplo, convoquei a secretária e um jovem melhor em informática do que eu – o que não é nenhuma vantagem – para me dar um mínimo de trégua em face das dezenas de spams (e-mails invasores dos nossos endereços) recebidos a cada dia.
A captura de e-mails traz várias formas de acesso aos usuários comuns. Uma delas, talvez a mais simples, decorre dos nossos próprios e-mails escritos, enviados ou repassados. Por exemplo: se pretendo viajar, passo um e-mail para um agente de viagens. A partir desse e-mail começo a receber tudo sobre viagens. Cuidado, portanto, com os assuntos e os conteúdos dos seus e-mails: eles ficarão zanzando e você receberá o não pedido, por conta da conexão automática apreendida pelas milhares de empresas captadoras e vendedoras de mídias eletrônicas.
As palavras sobre os “hackers”, especialistas em invasão de sistemas de segurança. Eles formam uma grande comunidade internacional, de tamanho ainda não bem mensurado. O Brasil parece ser um dos centros mundiais de maior número de hackers. Eles, quase sempre jovens, ocupam o tempo em desenvolver fórmulas e algoritmos que já desnudaram, entre outros, os códigos de segurança da NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, e até da Presidência da República do Brasil. Alguns, depois de descobertos, são até contratados para ajudar a manter sistemas de segurança de bancos, multinacionais, governos e assemelhados.
Assim, estamos condenados a viver na certeza da espionagem. Como esse mundo da web não tem mais volta, e tampouco fronteira, vamos expondo – querendo ou não – os nossos desejos, medos, sonhos, mazelas, metas e vidas privadas. Que jeito?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 26/05/2014.

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CRAJUBAR-2014 – Jornal O Estado

Estive, em decorrência de compromissos socais, pela segunda vez, neste 2014, no Cariri. A aproximação do avião mostra verdes vales cercados pela Chapada do Araripe (foto) que se ergue como uma natural barreira protetora tal como as cidadelas antigas. Como se sabe o Cariri separa geograficamente o Ceará de parte de Pernambuco, da Paraíba e do Piaui. O aeroporto regional Orlando Bezerra, em Juazeiro, possui pista adequada de pouso para aviões comerciais e a estação de passageiros cumpre o seu objetivo essencial.
A chapada difere, em muito, da caatinga e da orla litorânea cearense. Há história política e até conflitos armados vividos no seu povoamento e na institucionalização daquela grande área distante quase cem léguas de Fortaleza. Hoje, ela cresce com implantação recente da Universidade Regional do Cariri e outras entidades com cursos superiores pulsando o saber e ajudando a formatar o crescimento às margens das rodovias estaduais e federais com a implantação de indústrias, comércios de varejo, atacado e novas obras públicas estaduais nas áreas de infraestrutura viária, saúde, educação e segurança. As administrações municipais devem estar atentas à formação e a sedimentação de favelas e lutar pelo incremento de novas indústrias e a dinamização do programa “Minha Casa, Minha Vida”.
Na verdade, há, formalmente, uma região metropolitana do Cariri definida em 2009, além do Crato, Juazeiro e Barbalha, integram-na os municípios de Caririaçu, Farias Brito, Jardim, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri. Na prática, a resolução ainda precisa ter mais aprofundamento e escopo mais claro a redundar em mais benefícios e melhoramentos que os já atingidos.
Arquitetos definem por conurbação o fenômeno da urbanização de cidades vizinhas a formar um só aglomerado. Seria exagero dizer que Crato, Juazeiro e Barbalha são xifópagas, mas há uma junção espontânea que tende a adensar os seus vazios. Mais temerário ainda seria afirmar que os demais municípios formam um corpo uno. Há singularidades e, neste pequeno relato, detenho-me a comentar, sem preocupações maiores, apenas algumas observações aligeiradas – sujeita a erros e omissões – sobre os municípios pilares: Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha.
Crato mostra-se senhorial e altaneira em sua zona central e apresenta grandes residências nos caminhos dos geossítios. Embevecida, quiçá, com o papel de cedente da área física da vizinha Juazeiro do Norte, fundada pelo cratense Cícero Romão Batista, padre, político e demiurgo. O Crato pode ser mais do que é, isso fica claro ao visitante inquisidor e atento. É preciso algo que sacuda a cidadania em defesa do futuro próximo.
Juazeiro do Norte apresenta crescimento visível e já despontam – para o bem e para cobranças futuras de infraestrutura urbana – em seus céus altos edifícios multifamiliares à semelhança da arquitetura ora em voga na capital. Eles se misturam ao casario de singelos traços adornados por mosaicos e azulejos, sem esquecer das grades que imaginam oferecer segurança a seus ocupantes. A figura ícone do Padre Cícero é usada a exaustão como elemento de atração de romeiros de todo o Nordeste. Montou-se uma estrutura física que realça a crença popular e oportuniza o uso como fonte de receita o ano inteiro.
Barbalha, ao meu olhar, permanece intocada na plasticidade orgânica de tijolo, telha e tinta. Fiquei feliz ao ligar para Edilmar Norões e perguntar: “aonde estou”? Claro que não poderia adivinhar. Disse-lhe estar defronte à praça da igreja de Santo Antônio, que ele frequentava quando criança. No sábado morno, populares dançavam embalados por um forró pé de serra.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 30/05/2014

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RODA DO MUNDO – Diário do Nordeste

O papa Francisco encosta a cabeça no muro a separar Belém de Jerusalém e deixa envelope nas cavidades do Muro das Lamentações, lá onde mulheres e homens são separadas. Ele visitou a Igreja da Natividade, celebrou missa no Santo Sepulcro, lugar que acho meio lúgubre, onde cristãos acreditam haver sido o túmulo de Jesus. Como? O lugar pertencia a seu amigo abastado José de Arimateia, que apenas o cedeu por magnanimidade. Se ressuscitou como adorar o lugar esvaziado pelo milagre?
O importante é que Francisco conseguiu marcar uma reunião, no Vaticano, 6 de junho próximo, entre palestinos e judeus. Terá a presença de Shimon Peres, presidente de Israel e de Mahmoud Abbas, do “Estado Palestino”, na dita por Francisco. Detalhe Netanyahu é o primeiro ministro e o cargo de Peres é protocolar. Vale?
Lá por perto, no Egito, última segunda feira, 26, previa-se a eleição presidencial de Abdel Fattan Al-Sisi. Resumo, o governo voltaria a ser militar, pois Abdel foi um dos dirigentes do grupo que derrubou Mahammed Mursi, em julho do ano passado. Será o fim da guerra civil?
Obama, domingo passado, 25, baixou no Afeganistão e falou para os 33 mil americanos ali aquartelados que “o fim responsável” da guerra de quase 13 anos está próximo.
Para alegrar os militares, levou Brad Paisley, cantor sertanejo. Em 2015 a tropa vai partir e ficará um contingente para assegurar que os ganhos obtidos serão protegidos.
Hamid Karzai, presidente afegão, recusou-se a dialogar com Obama. Putin sonha com a nova Grande Rússia. E aí?

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 01/06/2014

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PENSAR NÃO TEM FRONTEIRAS NO ‘’PAPO BENFICA” – Jornal O Estado

Há um programa no Brasil, similar a tantos outros existentes nas Américas e na Europa, para ficar apenas no Ocidente. Ele pretende discutir temas considerados teóricos para, entre outros, pessoas técnicas, empresários consagrados ou em ascensão, profissionais liberais, via de regra, não pertencentes aos meios acadêmicos.
O nome do programa é “Fronteiras do Pensamento”. Ele já tem oito anos de duração, tem uma grande empresa como patrocinadora, convida expoentes do conhecimento do mundo em várias áreas, mas cobra pela inscrição e participação um valor alto para os padrões brasileiros. As palestras aconteciam, de princípio, em São Paulo, depois Porto Alegre e chegou a Salvador.
Sou fã da estrutura metodológica, da diversidade de pensamentos/linguagem e da estratégia que permite, além da exposição, “estudo de caso” e debate decorrente do exposto pelo palestrante. Nota-se parece haver quase uma convicção sobre o vazio dos discursos políticos. Segundo um dos convidados deste 2014, o professor de filosofia política Michel Sandel, da Universidade de Harvard, o vazio se dicotomiza de duas formas: 1. A política tecnocrata não motiva a maioria das pessoas; e, 2. O grito passional que parece ultrapassado sem qualquer escuta de quem tem formação.
Além disso, a corrupção existe, o papel do capital é questionado socialmente por todos, e o mercado perdeu referências e ainda não se ajustou aos tempos da ausência de liquidez e dos baixos produtos internos brutos-PIB nesta segunda década do Século 21.
Em contrapartida, de forma modesta, sem grandes pretensões, estruturamos, no ano passado, um projeto gratuito, o “Papo Benfica”, em parceira com o “Clube do Saber” e o “Rapadura Cultural”, com periodicidade mensal – um sábado por mês, às 10 horas, na sala 03 dos Cinemas Benfica -, a reunir músicos, professores e palestrantes com densidade de conhecimento, didática na exposição e ideias para discussão, sem dogmatismo ou qualquer forma de proselitismo.
A entrada é franca, sem qualquer exigência de posição social ou escolaridade. Qualquer pessoa presente pode intervir nas apresentações, com os diferenciais de música ao vivo, de trechos de filmes e sempre com mais de um expositor.
Já foram discutidos – com êxito, bom público e nomes relevantes de músicos e palestrantes – os seguintes temas: A Seca, implicações socioeconômicas. Movimentos Sociais no Nordeste. Revoluções na América Latina. O Dia Internacional da Mulher, enfoque histórico-social e filosófico destacando lutas, conquistas e relevância na sociedade. Enem 2014/15-O que é e como se faz. Dicas de grandes Mestres. A musicalidade de Chico Buarque, um dos mais citados nas provas dos vestibulares.
Amanhã, sábado, você está convidado a participar, sem pagar nada, do “Papo Benfica” que, repito, começa às 10 horas, na sala 3 dos Cinemas Benfica (2º. Piso, Av. Carapinima, 2200) tendo como tema “Música e futebol no país do Tatu-Bola”. Análise e participação do Brasil nas copas do Mundo e na quase chegante Copa de 2014. Sob a mediação do prof. Freire Neto e as participações especiais do historiador Airton de Farias, do jornalista Edilson Alves e do compositor musical Tião Simpatia. Vai ser bom e alegre. Vá. Há uma poltrona esperando por você. O ambiente é refrigerado e acolhedor. Experimente.

João Soares Neto,
escritor
CRÔICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 06/06/2014.

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MILHÕES DE JOVENS – Diário do Nordeste

Há 10 a 12 milhões de pessoas entre 20 e 45 anos disputando, por ano, vagas de concursos públicos – municipal, estadual e federal – no Brasil.Existe até uma Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac). Segundo a Anpac, são gastos 50 bilhõespor ano entre inscrições, cursos, livros, apostilas, preparação e viagens ida e volta – pelo Brasil afora para chegarnos locais dos concursos. Existemempresas afazer preparações presenciais epela internet.
Os candidatos usam as mídias para interagir e responder as questões dos cursinhos ou cursões, dependendo da expectativa e do nível de suas aspirações.O site “Aprova Concurso”,por seu diretor Bruno Branco, declarou aEdiane Tiago (“Valor”, F4,30. 05. 2014), que “quem opta pelo curso online tem disciplina e quer apoio diferenciado”.
Criou-se no Brasil a cultura de que o emprego público é uma opção razoável para quem aspira estabilidade e segurança. Os empregos privados, por conta da concorrência, são difíceis e voláteis. O saber e a habilidade de fazer precisam de aprimoramento constante e cobram desempenho que, acreditam muitosdos que se preparam para concursos, não será exigido naárea pública.
Hoje, quase toda família tem alguém participando desses certames decididos não só pelo conhecimento, mas pelacapacidade de aceitar a pressão psicológica imposta por seu grupo familiar, pordisputas com colegas epor esperançosos parceiros. Por fim,em quais órgãos públicos serão alocados esses milhões de esperançosos? Há outrosmilhões de terceirizados nesses lugares. E aí?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 08/06/2014