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JORNAL “O ESTADO”, TAL COMO É. – Jornal O Estado

“A curiosidade do jornalista tem de ser a mesma do historiador, e a paciência do historiador, a mesma do jornalista”. Alberto Dines, jornalista brasileiro.
Ao comprar na banca ou receber em casa o jornal O Estado você tem, por certo, a opção de ler todas as suas páginas, acompanhadas de fotos e chamadas que saem na primeira página, sempre com indicações de arte, política, esportes, mundo e Ceará, para as páginas específicas.
Poderá ler na página 2, o editorial que enfatiza o pensamento do jornal sobre fatos ou atos relevantes, artigos de opinião, assinados por colaboradores que, a cada dia, mudam, e a fala do leitor. No expediente figuram os nomes da presidente Wanda Palhano; do superintendente Ricardo Augusto Palhano Xavier; da diretora Institucional, Solange Palhano; da diretora financeira, Soraya de Palhano; da diretora de Marketing, Rebeca Férrer Xavier Guimarães de Andrade; e do editor-geral,Carlos Alberto Alencar.
Além disso, há colunas diárias no primeiro caderno que tratam de “Política” com Macário Batista, com sua vida de globe-trotter, “insider” e versatilidade satírica; e o “Diário Político” de Fernando Maia, maduro, informado e centrado.
O caderno Economia, com as notícias de Rubens Frota, sempre cauteloso, oferece estatísticas e é conciso. No plano nacional há dois nomes de peso: Carlos Chagas, com “Direto de Brasília” e, na página seguinte, Cláudio Humberto, fala sobre “Poder”. Nesse caderno poderá ainda ver editais de cartórios, anunciando futuros matrimônios. Há gente com vontade de casar.
Em página dedicada a Esportes há, além do noticiário sobre o tema, a coluna “De Primeira”, do experiente Lauriberto Braga com ênfase ao futebol local, sem esquecer de tecer comentários nacionais.
Sob a forma de tabloide, “Arte e Agenda” abre, na capa, com fotos de espetáculos em cartaz, livros em lançamento, exibe o resumo de novelas, os quadrinhos assinados por Gomes e o horóscopo do dia, para os que acreditam em astrologia. Mas, nem tudo são flores, e aparecem os cartórios mostrando os quase devedores com os títulos para protesto, como determina a lei. Na contra capa, Flávio Torres, do seu jeito peculiar e leve de escrever, constrói “dropes” em que relata fatos da Sociedade, especialmente das pessoas fotografadas por Iratuã Freitas.
Os que escrevem no “O Estado” têm opiniões e informações. E, para ter opiniões, precisam ler, confirmar informações e procurar escrever dentro de linguagem entendida por todos os leitores. Todo escrito é antecedido por um título. Esse título pressupõe ser um resumo do conteúdo a ser lido e deve aguçar o interesse a cada parágrafo.
O “Estado” possui plataformas na Internet, tais como site e estúdio de televisão para entrevistas. Como jornal impresso, além do que já foi dito, edita vários suplementos e cadernos sobre meio ambiente, negócios, políticas classistas e, às sextas-feiras, dá a oportunidade ao leitor de mergulhar no “Linha Azul”, uma espécie de resumo social, cultural e artístico da semana.
O jornal “O Estado” foi fundado em 1936, por José Martins Rodrigues, aliado ao antigo Partido Social Democrático, passou por outras tendências e mãos, até acontecer o controle do jornalista Venelouis Xavier Pereira, em 1963. Com a morte de Venelouis, em 1996, o jornal ficou sob a égide da família Palhano com o comando continente de Ricardo Palhano e de equipe enxuta de profissionais.
Esse esboço histórico é apenas para antecipar a comemoração dos 79 anos de “O Estado”, na próxima quinta-feira, 24 deste setembro de 2015. Por essa razão, embora os fatos narrados sejam por muitos conhecidos, é que resolvi contar para os seus leitores como e por quem é feito a cada dia útil da semana.
Hoje, por exemplo, este jornal completa 22.601 edições, de forma independente, compacta e criteriosa, com notícias claras, objetivas e corretas, conectado a outras plataformas e mídias sociais.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18/09/2015.

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A PERPLEXIDADE E AS ESCOLHAS QUE FIZEMOS E FAZEMOS – Jornal O Estado

“Faço parte do mundo e no entanto ele me torna perplexo”. Charles Chaplin.
Viver é um ato de resistência. A cada instante somos forçados a tomar decisões. Há uma colisão, a rua fica interditada. Como pedestres, ciclistas, motociclistas, passageiros ou motoristas devemos chegar aos nossos destinos. Assim, por razões alheias ao previsto, decidimos: a) ficar parados; b) encontrar uma rua secundária para continuar o nosso caminho.
Se ficarmos parados, nada muda. Só ouviremos as buzinas, a espera interminável pela perícia e pelos guinchos. Viver é conviver com o imprevisto. Ao concluir o ensino médio, somos orientados por pais e professores a fazer escolhas. Eles nos sugerem o que acreditam ser o melhor para o nosso futuro. Mas, e a vida é cheia de mas, nós devemos – e precisamos – com a inexperiência de adolescente, refletir se o indicado é aquilo que realmente queremos.
E, cá para nós, é muito difícil fazer escolhas fundamentais em qualquer tempo de nossas breves, médias ou longas vidas. Não temos binóculos para ver o futuro, tampouco sabemos aonde a decisão nos vai levar. Entretanto, se tivermos lido bastante, poderemos seguir, talvez com menos riscos, o caminho novo que se nos abre, a partir das informações e das simulações mentais feitas instintivamente.
Depois da escolha, admitindo que fomos persistentes, estudiosos ou nem tanto, nos deparamos com o primeiro fim de linha. Agora, deixei de ser estudante, tenho uma profissão que escolhi e preciso fazer dela o meu meio de vida. E aí você fica só. A solidão é a companhia dos que procuram tomar decisões para continuar e não ficar engarrafados pelas colisões que o destino nos impõe a cada dia.
Assim, emergimos como profissional ou colaborador de empresa ou órgão governamental. Meio sem bússola vamos procurando o que fazer, como fazer, quando fazer e por que fazer. Não há no mundo real um GPS a indicar aonde chegar. Tudo é tentativa e erro. Nada que a tecnologia da segunda metade do século passado ou o seu emergente aprimoramento nestes primeiros 15 anos dessa nova centúria que é o 21, possa nos dar certeza.
A vida não oferta certezas. Ela sugere opções múltiplas. Temos, com o nosso cabedal de conhecimentos, um samburá para depositar nossas quase vitórias, as muitas desditas e os poucos acertos. O tempo não é aliado de ninguém. Ele simplesmente vai indo. Segundo a segundo, minuto a minuto, hora a hora, dia a dia.
Entre cada novo dia há uma noite em que, bem ou mal, paramos para refletir e dormir. Das reflexões e dos sonos emergem os sonhos. Os sonhos até hoje não foram bem explicados por neurologistas, psiquiatras, psicólogos e psicanalistas. Nem eles entendem os deles. Tanto é verdade que, de tempos em tempos, “a interpretação dos sonhos”, escrita por Sigmund Freud, sábio, mas conflitado, vai sendo alterada por tantas quantas são as correntes do pensamento científico ou humanístico.
Neste momento brasileiro, em que cada dia surge nova e alarmante revelação, não há como não entrar em engarrafamentos mentais, pois fomos nós os que colocamos os falazes que estão aí. Ou somos os que não fomos suficientes coesos para impedir as suas escolhas. Agora, não importa. O passado sempre chega com os seus fantasmas, as suas cobranças e as muitas mídias querem decisões e soluções que custam a chegar. Quando chegam.
Enquanto isso, porque não podemos parar nos descobrimos com as manhãs que nos impõem agir com um mínimo de certezas e um balaio de dúvidas. Infelizmente, não possuímos a ventura de, como fez o poeta Fernando Pessoa, criar heterônimos diferentes para dividir e traduzir os nossos múltiplos humores, conflitos e sentimentos. Somos um só e já basta.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 25/09/2015.

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NÓS E O CAOS – Diário do Nordeste

A herança portuguesa nos fez prolixos. Os de outros sangues, aqui aportados no fim do século 19 e nas primeiras décadas do 20, incorporaram, em parte, a nossa falação. Quase todos gostam de falar muito, especialmente os que não sabem articular e os que não nada têm a dizer.
Hoje, neste começo da dita primavera em país quase todo equatorial, estamos sendo bombardeados nas mídias, nas ruas e em nossas casas com a “grande crise brasileira”. Ela nada mais é que a crença de que alguém ou alguns poderiam ou podem resolver os nossos problemas. Na verdade, ninguém se importa com eles, havemos de curá-los com nossas próprias forças. Ninguém de Brasília nos ajudará.
A cada dois anos somos chamados a votar. Tudo o que está posto é o produto das nossas escolhas. Se erramos, não podemos transferir a culpa para administrantes havidos como parlapatões, despreparados, embusteiros ou atrapalhados.
Nós, os eleitores, os escolhemos e criamos o mito sobre salvadores da pátria. Não os há. A pátria é a soma das nossas invidualidades, dos nossos egoísmos, das nossas omissões, da sempre busca por algo cobiçado e que não nos pertence. É o ter mais a qualquer preço, mesmo sem carecer.
Agora, a crise está instalada. Nada há a ser consertado, exceto nós mesmos. Não esperemos uma concertação política, pois a “práxis” nos mostra o contrário. Não há jato suficiente para lavar todas as sujidades expostas e as ainda não afloradas, Brasil afora. Hoje, nos cabe não potencializar o caos auto imposto. Chega de conluios e tramas. Basta de cassandras.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 27/09/2015

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MANHÃ FELIZ PARA QUEM NÃO SABE O AMANHÃ – Jornal O Estado

“Se a miséria dos nossos pobres não é causada pelas leis naturais. Mas por nossas instituições, grande é a nossa culpa”. Charles Darwin
Nos dias 7 e 8 próximos estaremos realizando o “Manhã Feliz”. Esse projeto ajuda a crianças que se situam na linha de pobreza e em situações de risco, auxiliadas por escolas, asilos, hospitais e instituições. O fazemos por sentimento de pertença, filhos que somos da mesma terra, por termos a convicção de que esta cidade ainda vive uma apartação social e precisa de iniciativas particulares sérias para dar um pouco de conforto, bem-estar e alegria a pessoas que nunca foram a um cinema, também não brincaram em um parque de diversões, sequer sabem do “Dia da Criança” e não foram aquinhoadas com presentes por seus pais ou responsáveis, quando os têm.
Imaginar e manter um projeto dessa envergadura requer estratégia especial, desde a escolha das instituições – devidamente identificadas, checadas e credenciadas – até a quantificação exata de crianças a serem distribuídas em quatro salas de cinemas, com direito a pipoca e refrigerante, bem como mantê-las em filas para, em seguida, conhecerem e usarem, livremente, brinquedos mecânicos, eletrônicos e, em especial, o nosso acolhimento.
Neste ano de 2015 estimamos em cerca de 2.000 o número de crianças a serem contempladas. Por essa razão, o evento se dará em dois dias. É preciso deixar bem claro que o fazemos por nossa conta e risco, sem nenhuma ajuda pública e sem a utilização de incentivos ou renúncias fiscais. Fazemo-lo por querer, não para bradar aos céus e receber palmas.
Sou filho de família de classe média, que teve a ventura de estudar em escolas particulares, mas nos foi ensinado que nunca devemos desperdiçar quaisquer oportunidades de ajudar o próximo. Na nossa casa as roupas iam passando dos mais velhos para os mais novos e esse aprendizado me fez consciente de que devo sempre olhar o mundo além da porta da nossa morada.
O “Manhã Feliz”, com palhaços, brincantes e todas as diversões já enumeradas, culmina com a entrega de presentes ou mimos a cada uma das crianças. Vocês não podem imaginar a alegria de cada uma ao receber uma boneca, uma bola de futebol ou um carro. Mas, o que nos move é o carinho de todos os nossos colaboradores envolvidos nesse projeto que requer meses de preparação e logística adequada para evitar atropelos.
Conquanto seja uma festa nossa, resolvemos, neste ano, convidar as senhoras Onélia Santana e Camila Bezerra, esposas, respectivamente, do governador Camilo Santana e do prefeito Roberto Cláudio, a presenciar e paraninfar essas manhãs felizes. Os atos são públicos. Não só isso, pedimos-lhes para indicar crianças de abrigos públicos. Não pretendemos benesses, tampouco reconhecimento, mas estamos procurando disseminar essa sinergia e animar outras empresas privadas a abrir sendas, como a que palmilhamos desde 2001. Para as crianças é brincadeira. Para nós é coisa séria.
Por fim, gostaria de convidar o leitor a comparecer ao “Manhã Feliz”. Festa singela com a algazarra e a musicalidade natural dos pequenos. Relembro: será nos dias 07(quarta-feira) e 08(quinta-feira) próximas, a partir das 08h00 até o meio-dia. Ia esquecendo: o endereço é o do Shopping Benfica, Avenida Carapinima, 2200.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 02/10/2015

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A INVASÃO DO “ENXAME” DOS EX-COLONIZADOS – Jornal O Estado

Enquanto nós, brasileiros, acreditamos estar no pior dos mundos, é preciso abrir os olhos para o que está ocorrendo por aí. A Europa, constituída por países que têm nas suas histórias a adjetivação pejorativa de colonizadores, sofre, desde 2011, com a migração constante de africanos e árabes.
Há oito dias, exato em 30 de julho, o Premiê da Inglaterra, David Cameron, disse o seguinte: “Há um enxame de pessoas vindo pelo Mediterrâneo em busca de uma vida melhor, porque o Reino Unido tem bons empregos, a economia está crescendo, mas precisamos proteger nossas fronteiras”. E arrematou: “Devemos proteger as fronteiras para ter certeza de que os turistas britânicos poderão ir para as suas férias”. É verão na Europa. Seu pronunciamento não foi bem recebido por alguns. O Eurotúnel agora é foco de ataques.
Um pouquinho de história. Quando a escravatura foi abolida, na primeira metade do século XIX, os europeus, que detiveram o comércio de seres humanos, resolveram repensar o que inventar para que as riquezas continuassem a fluir e a nutrir o progresso em curso face à revolução industrial, levariam
Houve, em setembro de 1884, o “startup” – palavra da moda atual – de uma grande reunião na Alemanha que viria a ser conhecida como “Conferência de Berlim”. Desse conclave, encerrado em fevereiro de 1885, participaram, além do país sede, Reino Unido, França, Bélgica, Holanda, Áustria/Hungria, Dinamarca, Itália, Espanha, Portugal e os Estados Unidos, o único não europeu.
Esses países dividiram a África segundo os seus interesses próprios, desrespeitando etnias, crenças e geografias. Atinaram que, além de mão-de-obra barata, teriam os virgens subsolos africanos para extrair as riquezas minerais possíveis. Do ouro ao ferro, do chumbo ao diamante. Admite-se que 90% do território da África foi dominado até grande parte do século passado. Encerrada a dominação colonial – e mesmo na sua constância – começa o êxodo e o desejo dos ex-colonizados de habitarem os melhores ares dos países que os dominaram de forma não muito gentil.
Não muito diferente do que aconteceu na África, quase a mesma constelação de países, a partir dos grandes descobrimentos, com a chegada do português Vasco da Gama à Ásia, invadiu o sudeste asiático e o Oriente Médio. Sem precisar de Conferência, houve o que se convencionou chamar de “Partilha da Ásia”.
Foi o “enxame” da voracidade europeia de expansão comercial e a introdução, por exemplo, de “plantations” para o cultivo de arroz, pelos franceses; da seringueira, pela Grã Bretanha; e da cana-de-açúcar pelos holandeses.
O continente asiático, depois do fim da dominação europeia, tendo a China, o Japão e a Índia como referências, está em notável ritmo de crescimento. O mesmo, entretanto, não acontece com o Oriente Médio, onde cristãos e muçulmanos, especialmente os xiitas, os curdos e os sunitas, parecem ter despertado após as invasões do Afeganistão, da Síria e do Iraque, e do recente acordo com o Irã para a não fabricação de armas nucleares. Há muitos lados em luta, desde o surgimento e a posterior morte de Osama Bin-Laden. Estima-se que existam hoje cerca de quatro milhões de refugiados no Oriente Médio.
Por tudo isso, muitos jovens árabes saíram e continuarão a tentar sair de seus países, ou do que resta deles. O caminho natural da fuga, a pé ou por veículo, passa, entre outros, pela Turquia. Os turcos já prometem construir um alto muro que impeça ou dificulte a invasão de seu território, uma das rotas para o norte da Europa. Por outro meio, o mar Mediterrâneo é o cemitério e o estuário dos africanos que fogem de problemas similares e têm morrido, aos milhares, nas travessias em velhos navios mercantes, cargueiros e até batelões improvisados.
Há campos para atendimentos a refugiados, em especial na Itália e na França, trens e veículos sofrem ataques. Tudo leva a desdobramentos que ainda não sabemos onde irão parar.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 07/08/2015

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CÔNSULES EM AÇÃO – Diário do Nordeste

Ontem à noite, a Sociedade Consular do Ceará-SCC, recomeçou novo biênio de gestão sob a presidência segura de Ednilton Gomes de Soárez com a posse dos demais diretores: Raimundo Viana, C.Maurício Duran, J.M. Zannochi e Fernanda Jensen. A seguir a introdução oficial do novo cônsul honorário do Chile, o ínclito Ednilo Soarez que já participou de reunião em Salvador com os cônsules daquele país andino no Brasil.
A solenidade foi coroada com a apresentação do espetáculo “Sagrada”, uma fantasia sobre a sustentabilidade do planeta Terra. Os bailarinos, os figurinos, a coreografia e a musicalidade são da Edisca, essa benquista entidade criada e dirigida por Dora Andrade que acolhe jovens carentes e os transforma em artistas e cidadãos.
Compõem a atual SCC os seguintes cônsules: Annette de Castro, Holanda; Beat Suhner, Suíça; C.Maurício Dominguez, Colômbia; Dieter Gerding, Alemanha; Ednilo Soárez, Chile; Ednilton Soárez, Finlândia; Reinhilde Lima, Áustria; Fernanda Jensen, França; Francisco Brandão, Portugal; Janos Fuzesi, Hungria; João Soares, México; Airton Teixeira, Belize; J.M.Zanocchi, Uruguai; Luciano Maia, Romênia; Marcos de Castro, Noruega e Suécia; Raimundo Viana, Rep. Tcheca; Roberto Misici, Itália; Sergio Bayas, Equador; e Zsofia Sales, Hungria.
Nunca é demais repetir que os cônsules são acreditados pelos países que representam – de quem recebem diretrizes – e pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil que os credencia. Todos exercem suas atividades de forma permanente e voluntária nas jurisdições que lhes são confiadas.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 09/08/2015

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O COMPUTADOR, AS NOTÍCIAS, OS FATOS E OS BOATOS – Jornal O Estado

Gostaria de não usar computador, mas sou obrigado, por dever de ofício e por escrever todas as semanas em dois jornais. Gostaria de, como usuário, não receber spams, essa chatice que todos os dias somos obrigados a tentar exterminar. Mera ilusão. Se você bloqueia um remetente, o mesmo spam surge de outras fontes. São os captadores profissionais a se transformar em vendedores de e-mails, fustigando o que escrevemos, o que consultamos no Google para pesquisas de trabalho e para mero deleite.
Tudo fica definitivo nas nuvens, não as das bonanças, pois turvadas por desesperança coletiva a se apoderar do país que mudou de humor de forma rápida. Ao mesmo tempo, a crise que não chegaria por aqui faz morada na mente e no bolso de todos. Independente de quem somos, fazemos ou temos.
Ver noticiários de televisão –não estou falando dos programas policiais de muitos canais com profundos apelos mórbidos e linguagem nada sutil – tornou-se um misto de sadomasoquismo e de aversão espontânea. A procura do fato -ou boato- a dar índices de audiência não tem limites e tampouco segue a cartilha dos bons propósitos.
Os jornais impressos, estes combatentes contra a falácia do mundo virtual, ficam jungidos às circunstâncias e dependem de anunciantes, de projetos especiais, de assinantes e cumprem, da forma possível, um papel relevante para informar e comunicar. Sofrem ainda a concorrência de blogs e sites de notícias, feitos por qualquer um, escrevendo o que lhe der na cabeça, com ou sem pudor, movidos a interesses confessáveis ou não. “La nave vá”.
Não vou repetir o que o escritor Umberto Eco tem dito, mas ele está coberto de razão e a sua indignação faz sentido. Em um mesmo noticiário, seja da Europa ou das Américas, da Ásia ou do Oriente Médio, há uma mistura de assuntos que vão do incômodo da família real inglesa com os netos de Diana, da morte de jovens negros por policiais americanos e passa pelos avanços do Estado Islâmico na Síria e adjacências.
A partir da Grécia, há crise se espraiando pela Europa fustigada por imigrantes evadidos de suas próprias pátrias. Eclode uma insanidade geral a não se importar com os muitos mortos afogados ou nos porões dos atuais navios negreiros. Sequer há saída transitável para os refugiados sobreviventes em campos vigiados.
As filhas do presidente Obama são objeto de fotos de “paparazzi” em quaisquer movimentos que façam, sejam mera saída da “Casa Branca” ou em viagem nas férias neste verão do hemisfério norte.
Que culpa tem Nelson Mandela em sua paz eterna ou no mero fim do seu corpo se um neto seu está envolvido em estripulias com uma jovem de 15 anos?
Giselle Bündchen é supostamente vista usando uma burca em clínica de cirurgia plástica em Paris e, ao mesmo tempo, é obrigada a dizer se o seu casamento com o atleta Tom Brady está bem ou vai mal.
Vão falar que tudo é o preço da fama, da linhagem real, do destaque político, profissional ou social. Alguém sai do espaço cinza anódino e entra na ciranda do disse-me-disse. E olha que não estou falando das costumeiras discussões sobre o direito de cada pessoa escolher o que lhe convém para o bem e para o mal.
O Papa Francisco vai em setembro aos Estados Unidos e só abordam pedofilia e a venda de imóveis pela Igreja Católica em 40 dioceses ianques. Bispos afirmam que os seus rebanhos diminuíram e templos se quedam vazios. Vender é alternativa lícita, mas alguns advertem dos problemas não tão recentes com o Banco do Vaticano.
Estamos em águas turvas. Os algoritmos a expandir as mentes dos jovens cientistas bilionários do Vale do Silício, na Califórnia, são os mesmos usados por contrabandistas, por vendedores de armamentos, por financiadores de carteis de drogas e por “hackers”. Capazes de tudo.
Mesmo assim, não é o dilúvio, tampouco o “Armagedon”. Há gaivotas anunciando novas terras, crianças nascendo e as noites trevosas podem antecipar manhãs radiantes. Como dizia Adolph Gottlieb, pintor abstrato estadunidense do século passado: “meus símbolos favoritos são aqueles que não entendi”.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 21/08/2015

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AGOSTO E A MORDIDA – Diário do Nordeste

Não contem os dias que faltam para o mês de agosto terminar. Até agora, pelo que sei, nada de extraordinário aconteceu. Vida ordinária, comum, com os mesmos atropelos dos demais meses. A diferença são as luas de agosto mais intensas, tais como os leoninos. Os ventos ficam acelerados e fazem ruídos. Apenas ruídos. Nenhum furacão, nada de tempestade.
E por falar em ruídos, as empresas de telefonia, dizem muitos, cobram além do tudo, como querem e bloqueiam linhas. Você não pode dizer um oi. Tudo deveria ser explicado, tintim por tintim. Números, segundos e minutos usados em ligações. Milhões de usuários padecem. Não entendem o modo de controle do tempo de suas falas, do uso da internet, do roaming e de outros serviços.
Nada é ao vivo, tudo passa por centrais de atendimentos com músicas, respostas automáticas a consumir o tempo, o dinheiro e a paciência. Telefonistas desses centros Brasil afora, interior adentro, respondem perguntas de forma estandardizada, decoradas, impessoais e abusam do gerúndio. Estamos providenciando. Quando? Não sabem. Quero uma solução? O tempo passando e a paciência se esgota.
Ouvi contar que um senhor, aposentado, com tanta raiva pela espera sem fim e a gravação repetida, mordeu o seu celular. Engasgou-se. A mulher, aflita, veio em socorro e quase desmaia. Abriu a boca do marido e retirou os pedaços do celular com vidro quebrado. Sangue. Ele ainda mordeu o dedo indicador da consorte. Brigaram.
Levado pelo genro, foi parar no dentista. Dois dentes quebrados, corte na língua e o orçamento, claro. Reclamar a quem? Do mês de agosto?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 23/08/2015.

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PODE-SE MEDIR A LIBERDADE HUMANA – Jornal O Estado

“Sem leituras sérias abdicamos do patrimônio cultural da humanidade, arduamente construído ao longo de milênios.” Jaime Pinsky, historiador
Até o dia em que escrevo, neste final de agosto de 2015, não vi significativa menção em periódicos/jornais brasileiros ao trabalho científico “Índice de Liberdade Humana – ILH” (Human Freedom Index),108 páginas, produzido por Ian Vásquez (Diretor do Centro para a Liberdade Global e Prosperidade) do Cato Institute, EEUU, e Tanja Porcnik, do Visio Institut, da Eslovênia. Há participação de organizações da Alemanha – Fundação Friedrich Naumann Stiftung – e do Canadá, através do Fraser Institute.
Na introdução ao trabalho (www.cato.org e object.cato.org), que contou com número expressivo de colaboradores, de diversos países, é explicada a razão de ser do estudo: “Porque nós precisamos de liberdade e porque é necessário medi-la”. Conclui-se, por óbvio, que os valores liberais são fundamentais para os autores, mas isso não invalida a repercussão posterior de suas conclusões.
O documento reflete, tendo como base o ano de 2012, 76 indicadores sociais, econômicos e de liberdade de expressão, de movimentos e de associação. Na prática, o resultado é um composto da observação em 152 países dos principais itens considerados, levando em conta: o cumprimento da lei, o Estado de Direito, a segurança e a liberdade religiosa. Afere, ainda, os índices macroeconômicos da renda per capita, da regulação de crédito, estabilidade da regulação do trabalho e dos negócios.
Na substância, tenta-se medir a média global da liberdade civil e da democracia de cada país enfocado. O trabalho verifica ainda índices de criminalidade, comportamentos frente às relações homoafetivas, número de jornalistas assassinados, respeito ao direito de propriedade, entre outros. Para o estudo, liberdade é “o conceito social que reconhece a dignidade dos indivíduos e a ausência de instrumentos coercitivos”.
O Índice de Liberdade Humana (ILH) é mensurado com a atribuição de notas de zero a dez para os 76 indicadores pesquisados. O que me chamou a atenção foi que, entre os 10 primeiros países colocados, abriu-se exceção para incluir Hong Kong que é uma peculiar Região Administrativa Autônoma Especial da China.
Os 10 primeiros têm renda per capita média anual acima de 30.000 dólares (R$ 105.000,00). São eles: Hong Kong, Suíça, Finlândia, Dinamarca, Nova Zelândia, Canadá, Austrália, Irlanda (para mim, uma surpresa), Reino Unido e Suécia.
Os dois países tidos e havidos como os mais ricos do planeta, Estados Unidos e China, ficaram, respectivamente, em 20º e 132º lugar. A rica Alemanha ficou em 12º. Esta é a diferença dessa pesquisa de cunho qualitativo, notadamente.
Os doze países em pior situação possuem renda per capita anual média abaixo de 2.615 dólares (R$ 9.153,00) estão, em sua maioria, na África Subsaariana, Oriente Médio, sul da Ásia e um da América do Sul. Pela ordem decrescente: República do Congo, Arábia Saudita, Chade, Venezuela, Etiópia, Argélia, República Centro Africana, Iémen, Zimbabwé, Myanmar, República Democrática do Congo e Irã (último classificado).
Na América Latina a melhor posição é a do Chile, em 18º. O Brasil ficou em 82o. lugar com média de 6,82, abaixo da média geral de 6,96 dos 152 países analisados. Tenho certeza de que poderemos subir dezenas de posições, pois há, mesmo com os desencontros e incertezas atuais, a fé de que após este mergulho em águas turvas, sairemos mais fortes e conscientes em busca de direitos, liberdade e cidadania.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 28/08/2015.

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O CENTRO DO MUNDO – Diário do Nordeste

Pode parecer cabotino, mas é tempo de dizer bobas palavras. Quando fiz a primeira comunhão, com calças curtas e paletó de casimira azul, camisa branca, laço no braço um flash registrou o fato, fiquei feliz. Aquele enlevo. Depois, quando conclui o curso de humanidades: todos de terno branco, a foto coletiva. Subi os degraus do Theatro José de Alencar para colar grau em administração, acompanhado do meu pai, Francisco Bezerra de Oliveira. Clarão.
Ano seguinte, na Concha Acústica da Universidade Federal do Ceará, recebi o grau em direito, lado a lado com meu pai, acolhido por Antônio Martins Filho, Reitor e Luiz Cruz de Vasconcelos, Diretor da Faculdade de Direito. Todos eles estão rindo, na foto. Eu, nem tanto. Parecia intuir que o mundo não tem centro e eu teria de fazer o meu caminho.
Fotos foram registrando eventos. A abertura do primeiro escritório. A formação da primeira empresa, o casamento, o nascimento das filhas, os seus crescimentos, as viagens, os lançamento de livros, as academias, os encontros familiares e o que veio depois. Semana passada, cumpri anos, como dizem os hispânicos. A cada dia descubro estar longe do centro do mundo. Nunca descobri onde fica.
Ocupo apenas o meu espaço, fazendo o que posso, procurando aprender o que ainda não sei. E é muito. Neste momento brasileiro, quando desencontros de opiniões, de ideias e de valores são a constante, desejo a volta daquele enlevo do menino da primeira comunhão e o discernir do jovem recém-formado. Vivo cada dia com a obstinação de montanhista, mas sinto o quanto é duro pisar firme em meio íngreme.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 30/08/2015.