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CELA NA UNIFOR

Tomei o carro, segui pela Av. Washington Soares, dobrei à esquerda na entrada da Unifor, contornei o Centro de Convenções e estacionei em uma área bem cuidada e com sombra farta, em frente ao discreto e belo Espaço Cultural Unifor. Fui ver a exposição de Raimundo Cela em meio a um dia de trabalho. Parei tudo o que estava fazendo e fui. Fui só. Havia recusado convites, inclusive o da abertura. A arte pictórica, para mim, é para ser contemplada sem troca de conversas, sem auxílio de bebida e com o silêncio que nos ajuda na concentração e no foco que a retina pede. Na tarde em que fui, só ouvia o leve ruído do ar condicionado, não quebrado pelas atendentes e vigilantes, tão discretos e eficientes como costumam ser os que mourejam na Unifor. Eram poucos os quietos visitantes.
Entrei devagar, com o respeito de quem já conhecia a história – e parte da obra – do pintor cearense Raimundo Cela (1890 -1954), que me foi passada na juventude por um já falecido colega, Valério Cela Militão Menescal. Segui o roteiro que o meu jeito manda. Vejo as coisas da esquerda para a direita, canhoto que sou. E foi assim que ia, pouco a pouco, me deliciando com as pinturas, desenhos e gravuras que começaram em Camocim, passaram por Fortaleza e Rio de Janeiro, vararam parte da Europa, retornaram a Fortaleza e se quedaram em Niterói.
É claro que tudo já foi dito na apresentação de Airton Queiroz, na introdução de Max Perlingeiro, no Prefácio de Estrigas, na cronologia apurada e nas críticas de Fábio Magalhães (pinturas), Cláudio Valério Teixeira (desenhos) e Adir Botelho (gravuras). O que mais eu poderia acrescentar a essa primorosa iniciativa cultural da Unifor? Apenas duas ideias, se é que já não foram tomadas. Primeira: prorrogar a exposição pelo período das férias escolares de dezembro a fevereiro, incluindo-a nos roteiros de operadoras de turismo nacionais e estrangeiras que trazem grupos de pessoas a Fortaleza. Segunda: produzir um filme em 35mm ou DVD para posteriores projeções em escolas públicas e privadas de todos os níveis do Ceará e do Brasil, servindo de exemplo a quantos desejam fazer da arte o seu caminho básico. Ou mesmo que assim não seja, possam ir aprimorando o olhar.
Essa exposição, pela riqueza de seu acervo, bom gosto no seu layout, coerência na iluminação e curadoria profissional, tem o jeito low profile que Airton Queiroz, um amante das artes, sempre impõe as coisas que faz sem alardes, mas com competência. Mesmo que as minhas duas sugestões não sejam acatadas, veja se você consegue umas duas horas do seu tempo e vá lá até o próximo dia 12 e descubra porque William Somerset Maugham dizia que “a arte é um dos grandes valores da vida e ensina aos homens humildade, tolerância, sabedoria e magnanimidade”.

João Soares Neto

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INTENÇÃO, PROPÓSITO E REALIDADE

Ninguém desconhece existir boa intenção e firme propósito do Governo Lula em resolver, entre muitos outros, os problemas gravíssimos da fome, do desemprego, da assistência médica pública e dos desequilíbrios regionais. Lula tem fé de ofício nessas áreas. Saiu de Pernambuco em um Pau-de-arara, amargou fome com a família, viu a primeira mulher morrer por falta de assistência médica e foi um sindicalista proeminente no combate ao desemprego.Vivia na São Paulo dos pobres, sem participar da São Paulo dos ricos que hoje são os seus mais recentes amigos de infância. Conhece, de prova provada, o que é desequilíbrio regional. Lula tem a formação de vida nitidamente paulista, mas trás na sua história genética a dor e a angústia do nordestino retirante.
Ninguém desconhece que grande parte dos atuais ministros de Lula não tinha experiência provada na gestão de graves e complexos problemas a necessitarem de soluções urgentes e equilibradas. Isto não quer dizer que as pessoas escolhidas não possam adquirir experiência, mas é preciso saber que a palavra experiência deriva de experimentar ou experienciar. Em outras palavras: leva tempo.
Por outro lado, o Brasil entregue à Lula e sua equipe era e é ainda um país dividido em Capitanias na mão de lobbistas, políticos e partidos praticando pouco do que falam, especialmente diante de microfones ou em entrevistas públicas. Acresça-se a isso, a existência de uma burocracia pesada, cara e pouco eficaz, sem entender ou não querendo entender a necessidade da agilidade no serviço público. Os agentes públicos precisam ficar cientes de que todos os brasileiros, direta ou indiretamente, são contribuintes e os verdadeiros pagadores de seus salários. Ao entrar em uma repartição qualquer brasileiro se sente aturdido e desestimulado pela morosidade das informações e, muitas vezes, pela indiferença ao que acredita ser legítimo pleitear. Todo brasileiro é cliente da máquina estatal e por tal razão merece ser bem tratado, independe do que ganha, da roupa que veste ou da função que exerce.
Já ouvimos falar de várias reformas, especialmente as previdenciária (para diminuir despesas) e a tributária (para gerar mais receitas). Não se falou, contudo, da necessidade de uma reforma administrativa ou gerencial para que tudo funcione. Isto me faz lembrar das intenções e propósitos de Hélio Beltrão e Paulo Lustosa que pretendiam desburocratizar o Brasil. A realidade mostrou que foram vencidos pela máquina kafkaniana da burocracia. Está na hora de mudar.

João Soares Neto,
administrador e escritor

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NATÉRCIA

Ao pé da porta, ainda cheirando à tinta, a nova versão de “Por terras de Camões e Cervantes”. Releio e fico atônito. Atrever-me a comentá-la, após a releitura das críticas de Benevides, Carvalho e Pinto, é uma sandice. E o que sou, se não mero escrevinhador delas? Por não bem ser do ramo, permito-me. Ou por não saber, o que fazer?
Você é uma mulher de olhos grandes e, como querem os indianos, tem um terceiro olho. Pois bem, com três olhos é covardia. Tinha que gerar o que saiu em 98 e agora revive tão bem aquinhoado com as mãos, arte e benquerença de Azevedo e Jesuíno.
Outra mulher de olhos grandes, Florbela Espanca, de uma das terras onde você pisou com carinho e ancinho, disse: “Fui pela estrada a rir e a cantar, as contas do meu sonho desfiando… e noite e dia, à chuva e ao luar, fui sempre caminhando e perguntando…” Essa é você, sem tirar, acrescentando a escrita.
Há tanto bordado no escrito por você. Cada palavra é um ponto e o contexto mais que um nó. Arte, estética ou poética? Sei lá. Sei que é.
A carta pelos caminhos de Luís e Miguel é a mais longa entre tantas que precisam deixar de repousar e tornarem-se belas inquietudes escancaradas. Med ou Mak…
Obrigado por ser do seu ninho, fora do Minho.

João Soares Neto,
Administrador e escritor

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O POETA DO PÁSSARO E DO AZUL

Dizem que os nomes dos livros, especialmente os de poesia, são indicações básicas para a descoberta do que deseja transmitir o autor. Barros Pinho acaba de escrever uma “carta do pássaro”. Ora, se é verdade que os nomes dos livros decifram seus autores, pode ser que Barros Pinho não seja a exceção. Nesse livro existe uma proposta de interdisciplinaridade com as ilustrações bonitas de Vera Andrade. Os pássaros pintados são esboços fortes na cor azul. Tinha que ser.
O poeta das “barrancas do rio Parnaíba” procura em seu novo livro, uma imersão lírica, entremeadas de concretudes, na sua própria vida, pelo menos a vida que conta. E diz que “só escrevo diário em verso” (p. 63, o sol da manhã). E diz também no poema “o pássaro”, p. 45: “não sei como sou não sei”, mas sabe(p.60) que uma bicicleta com asas anda no meu outono”. Vê-se, na releitura da leitura, que há no diário poético de Barros Pinho a necessidade de sobrevoar a sua vida, vendo-a de cima com olhar privilegiado, de torná-la verso e se vale de um pássaro e de uma bicicleta com asas para, altaneiro, ver com os olhos da alma aquilo que ainda não soube aclarar.
O pássaro, embora fale em outono, diz que as “as estações se sucumbiram no corpo”( o sentido do nada, p. 60) e, como todo poeta maduro, é contraditório(Lembremo-nos de Fernando Pessoa). Na poesia “autolirismo” (p.52) declara que “sou poeta não escrevo nas nuvens”, mas “escrevo na asa dos pássaros”(p. 27). A bicicleta do poeta tem asas e ele, pedalando ou voando como pássaro, sabe que no azul há sempre nuvens e lá, no seu imaginário, vê e escreve. E o azul é uma constante(“Natal do castelo azul”, “Pedras do arco-íris ou a invenção no azul no edital do rio”) na poesia de Barros Pinho, como se essa cor tivesse a tonalidade do seu sonho, não obstante revele que o “meu estoque de sonho acabou no primeiro bar” (p. 48,”canção do primeiro bar”). Acabou não, no poeta o sonho nunca morre, torna-se letra e cria forma.

João Soares Neto

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OS VÁRIOS CAMPOS DO EDUARDO

Ontem, 11 de janeiro de 2003, Eduardo Campos completou 80 anos. E houve festa. Bonita, discreta, classuda, com a fala envolvente e intimista do aniversariante, o amor declarado da família e a benquerençade amigos escolhidos.
Difícil é saber quem é Eduardo Campos. Será o menino Manoelito da Guaiuba/Pacatuba que se meteu, desde cedo, a presidente de grêmio literário e o fez com a capacidade de liderança que o caracterizaria posteriormente? Ou será o soldado Manoelito que sentou praça no 23º Batalhão de Caçadores e aprendeu a ver, do seu jeito peculiar, o Brasil com olhos de patriota? Ou seria o locutor de voz cristalina, galante e forte que ingressou na Ceará Rádio Clube quase adolescente?
Curioso, instigante, inteligente, veio a ter na cidade de Fortaleza a convivência com outros jovens que mudavam o padrão cultural de uma cidade provinciana e preconceituosa. Participou de um clã e ajudou a brotar a modernidade literária em meio a bolorentos textos de então que causavam enfado e sono. Não contente, fez-se ator como Cristo e não foram poucas as marias madalenas que dele se acercaram. Era o teatro que começava a brotar em sua mente e aí a estrada se fez maior que o estirão entre Pacatuba e Fortaleza.
Cioso, meticuloso e arguto foi buscar em outra messe a companheira de toda uma vida e o fez com ares quixotescos. Era a hora de estabelecer raízes e soube ser cortez para ter ao lado alguém que lhe desse segurança, amor e compreensão.
Será ele o condutor da Ceará Rádio Clube, da Rádio Verdes Mares, do Correio do Ceará, do Unitário e o implantador da TV-Ceará, canal 2? Mas, o que é tudo isso? É um sonho que sonhou coletivamente com outros homens especiais, destacando-se o paraibano Assis Chateaubriand que se fez alado e alçou voos tão grandes que resultaram em um condomínio tão complexo quanto inovador. Eduardo Campos comandou tudo isso com a certeza dos que têm dúvidas, mas sabem que a vida precisa de caminhantes. E foi um bom caminhante e condutor de centenas de profissionais que hoje se espalham por todo este país.
Será o ator, o teatrólogo de peças consagradas que deram ao nosso Estado uma dimensão nacional? É impossível falar em teatro no Ceará sem que se passe por “Morro do Ouro” e as interpretações de artistas que encarnaram a nossa realidade pungente e dolorosa.
Será o intelectual prolífero, o escritor premiado, cioso da frase que planta, do texto que arremata, do conto que extasia, da crônica que permanece e do romance que aprofunda a sua arte de sentir e dizer? E aí acadêmico se tornou e comandou por dez anos a Academia Cearense de Letras, com voz de tribuno romano, perfil de filósofo grego e a manha do pacatubano que mirava a serra da Aratuba e sabia que estava fadado a voos de águia.

João Soares Neto,
Administrador e escritor

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PREFÁCIO DO LIVRO: VOE COMIGO QUANDO DESMORRER

Imagino-me passeando por Santana do Acaraú. Dou voltas pela Praça São João, benzo-me diante da sua Igreja, tento localizar o lugar onde o Pe. Antônio Tomás foi enterrado na Matriz, fotografo mentalmente o sobrado do Padre Araken, percorro a Praça do Alto da Liberdade, ouço vozes dentro do Patronato de Santana, compro uma cocada no mercado público e vou espairecer às margens do Rio Acarau.
Olho para as águas, há um reflexo de luz e vejo três vultos envoltos em espumas e algas: Padre Antônio Thomaz, príncipe dos poetas cearenses, com uma sotaina preta e velha; José Alcides Pinto, a maior expressão viva da literatura santanense, ora de paletó branco, ora vestido como franciscano e Audifax Rios, com um gibão de vaqueiro, que me joga um livro e, com os outros dois, toma uma canoa feita de alfarrábios, cujos remos são duas metáforas e vão em direção ao mundo do reconhecimento, esse lugar onde só permanecem os que deixam rastros duradouros de saber entre as pessoas.
Passo a mão nos olhos e não sei se realmente vi o que estou contando, mas o livro existe, está em minhas mãos e eu começo a fazer o que gosto: Leio-o ali mesmo e fico pasmo.
Decido escrever sobre o que li e, por conta disso, peço a atenção por cinco minutos, das senhoras e senhores, não por mim, mas em respeito ao autor de Voe Comigo quando Desmorrer e à terra santanense que concebeu, em épocas distintas, figuras admiráveis de nossa literatura, essa que não enche algibeiras, mas nos dá alento para a vida e a futrica nesta província de Nossa Senhora da Assunção, a mesma Senhora de Santana, apenas metamorfoseada, fortificada, marítima e maior em amores e dores e que acolheu, Audifax Rios, adotando-o como filho.
Vamos ao livro:
Se eu fosse crítico literário ou algo parecido, certamente falaria que este novo livro de Audifax Rios completa a trilogia Memória do Encantamento, iniciada com Os Búfalos de Campanário, cresceu com Migalhas para Serpentes e agora forma o vértice ou a base desse tripé ou triângulo literário com Voe comigo quando desmorrer.
Eu diria que ele tem sensibilidade narrativa, concebe e formata a estética da imaginada cidade de Campanário, no interior do nordeste, mas que poderia ser em qualquer país hispânico da América. Constrói alegoricamente um mundo fantástico com personagens que têm identidade forte, sexo, cor, ação desenvolta, vida, quase-mortes, desmortes e morte.
Como não sou crítico literário, digo que o autor de “Voe comigo quando desmorrer”, Audifax Rios, é um escritor especial. Homem maduro, longelíneo, óculos, grisalho, observador nato, com jeito de não estar com pressa. Engano. Mexe com arte desde menino na cidade de Santana do Acaraú, onde nasceu e da qual garimpa a essência de seus romances.
Em 1962 veio ter a Fortaleza, aqui fixou seus lápis e pincéis, constituiu família, trabalhou com nanquim, aquarela líquida, guache, acrílica e se consolidou como artista plástico múltiplo, com um claro viés de pensador, pois fazia peças de publicidade que necessitam de interlocução com o público que almeja conquistar. Além disso, poder-se-ia dizer que seria um pensador-pintor-desenhista ou um desenhista-pintor-pensador.
Acontece que Audifax é mais que isso. Tirou da memória e do detalhe de cada desenho ou pintura que fez e faz a sensibilidade que aplica ao escrever com sutileza, mordacidade e atilamento. Ele foi em busca de uma identidade literária a partir do seu outro eu, colocando-se como ficcionista.
O fato é que Audifax produz saber e isso já havia sido demonstrado em outros livros em que cinzela personagens, pinta cenários e cirze o enredo com uma costura que o associa ao realismo fantástico latino, sem perder a brejeirice de narrador com sua endógena nordestinidade.
Com este livro que me dá a honra de prefaciar, ele conclui a trilogia referida. Não vou apresentar “spoilers” de sua obra. Para que antecipar o prazer? Basta ir em frente e começar a leitura. Não posso deixar de dizer, entretanto, que o Audifax tem jeito e pega os olhos do leitor, prende sua atenção com a narrativa e a paisagem de Campanário, sua Macondo, viva, tão detalhada que é.
É um trabalho de sua memória, misturado à imaginação crítica e às muitas leituras que cada escritor faz como pesquisa, prazer ou amor ao ofício. E daí passa a construir de forma subjetiva até uma intertextualidade que é múltipla, pois herança de tudo o que ouviu, leu, intuiu e delirou. Fora isso, as personagens de Aparício Sansão e Guadalupe, para ficar nas principais, são construídas com arte e fé de ofício e restarão guardadas nas frestas da memória de quem sabe ler ou procura ler com um mínimo de atenção e capta as nuances sutis da narrativa e seus diálogos.
O livro tem mortes redivivas, ambição, paixão tempestuosa, ironia, sarcasmo e vai num crescendo que deixará o leitor alerta para não perder detalhes que são como cascalhos, onde os olhos não podem pisar rapidamente. É preciso ir lendo, respirando e sentindo, como se estivesse de olhos cerrados para imaginar, ver os cenários que ele constrói e a história a se escorar em tema aparentemente simples.
Fica passeando pela música, arte, gestual e sensualidade latina, especialmente do México, sem esquecer do circo, esta alegoria tão fincada em nossas raízes, da pensão de mulheres, da Igreja e do bicho-homem, entre tantas outras reinações deste escritor que consolida um estilo e o torna referência neste tempo de muitos poetas, mas escassos os que arrastam asas pelos duros caminhos da ficção, esse campo minado da fantasia, devaneio, alucinação, desditas que precisam de enredo, começo, meio e fim. Essa seqüência lógica dos baixos e altos de todas as vidas e das obras de fôlego. Abra a primeira página. Leia, vale a pena.

João Soares Neto

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SARAMINDA E O SARNEY SENSUAL

O nosso comum amigo, César Asfor Rocha, surpreendeu-me no Natal passado com a sua encomendada, mas especial dedicatória (“Ao João Soares, que tem a paixão pela letras, o abraço do José Sarney) no livro “Saraminda”.
Li-o no dealbar do ano e, passado o processo eleitoral do Senado e pensadas as dores das suas incisões vesiculares, vi-me aprestado a lhe agradecer a gentileza.
Aviso-o que não sou crítico literário. Faço da empresa o meu viver, sem esquecer de tecer sonhos com os sentidos. Perpetro escritos, meras crônicas descompromissadas e publicadas e, guardados estão poemas ainda virgens de outros olhos, pois a auto-censura os enclausura
Além do amigo comum, restam-nos apenas a identidade do Jota e do Esse que emolduram o seu e o meu nome, mas isto é alongar conversa, para a qual não recebi permissão.
Receba, como agradecimento, o que escrevi abaixo, tão isento quanto pode ser um pré- sessentão encantado por Saraminda, nossa amada.
Cordialmente,
João Soares Neto
SARAMINDA E O SARNEY SENSUAL
Saraminda prova que José Sarney não é normal. É preciso ter muito de louco para misturar personagens, beirar a criação de um realismo fantástico (“Você não está morta? Aqui todos morrem e vivem.”) com uma latinidade que o escritor brasileiro não costuma exercer e falar de comida (“Um brochete de rabo de jacaré, frito com banha de anta e conhaque, um hoko e um assado de cochon bois”), moda ( “O vestido tinha a saia comprida, de pregas que caíam da cintura e eram acompanhados pelas dobras até a barra da saia circundada por uma cinta de rendas e de franjas bordadas. Um casaco de elegante corte de sino, repartido em duas abas também rendadas, que desciam como estolas e passavam alongadas além da cintura, ladeadas por duas fileiras de botões cobertos de cetim e pequenos bordados”) e de uma guerra pelo território do Amapá (“acabo de saber que a França perdeu estas terras que agora são do Brasil. Foi uma decisão da Suíça.
Amanhã, só vai haver uma bandeira, a do Brasil”) que não houve entre dois países tão distintos quanto o Brasil e França.
Saraminda prova que José Sarney não é político, pois expõe, mesmo sem querer ou querendo, o seu lado sensual ao descrever como um retratista de pico de pena ou crayon o corpo(“Nela o sangue bretão, judeu, índio, banto misturou-se ao longo dos séculos, concentrou-se nos olhos, afinou os lábios, alongou-lhe o pescoço, deu-lhe sorte e sedução”), a faceirice( “Eu quero que você tenha alegria e felicidade.
Prazer de coisa de amor de gente que se junta… Quero que você receba meu corpo de ouro embrulhado em papel de seda, enrolado em veludo, cheirando a patchuli”), as falas(”Seu Cleto, me trate com respeito. Não sou coisa suja, sou mulher para ser tratada com gosto. Aprecio modos. Entrei na vida mas não sou uma sem-vergonha”) dessa mulher tão simples e paradoxal, como se fora uma personagem vivida pela Sônia Braga dos áureos tempos.
Saraminda prova que José Sarney não é rico. Se o fora não descreveria com tanta paixão a avidez dos garimpeiros, a cobiça(“O garimpo é de uma solidão imensa. Quando a gente olha, parece que não é no mundo. O ouro não tem cheiro. Se tivesse, o homem ia farejar e saberia onde ele está”) e a luxúria(“tive vontade de beijar, beijar com força, ficar deitado nele, mas me controlei , não dei modos para não verem onde estava minha bestitude”)que o ouro( “Não achei que fosse ouro, de tão feia, e pude então compreender que a beleza do ouro está nos homens”.) exerce sobre a razão e o imaginário de pessoas rudes com estéticas comprometidas pelas rugas e as rusgas que terminam em sangue para aplacar a ira dos deuses.
Saraminda atesta que José Sarney não é romancista. É um espécime novo, um poemancista com imagens (“Na casa de sombras, era o remoer da lembrança que alimentava os fantasmas”) e figuras(“Era um brinquedo muito triste esse jogo de gostar”) dignas de um Borgesïï
Saraminda fez enfim, José Sarney calar os que ainda não têm olhos para ver que, além da sua matreirice, da lhaneza, do faro e da capacidade de focar a política, sobram-lhe sentimentos lustrados em palavras ajuntadas em bateias de idéias que brotam como florestas de uma amazônia de encantamentos.

João Soares Neto,
especial para o DN.

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Para Ubiratan Diniz Aguiar – Saudação

PALÁCIO DA LUZ
Academia Fortalezense de Letras

Recebi a incumbência de fazer esta saudação oficial a Ubiratan Diniz Aguiar, mas o que pulsa em mim é a alegria de trazê-lo a este delírio coletivo. A pátria dos que se lançam ao desafio de expor os seus escritos aos olhos dos outros. Não importa que seja prosa, verso ou prosa poética. O que conta naquele que se mostra é a coragem de abrir suas veias e deixar que o sangue se perpetue no papel.
Ubiratan, você está chegando a este Palácio da Luz, palco nos últimos duzentos anos dos mais importantes acontecimentos deste Estado do Ceará. Um Palácio que, de propriedade privada, passou a bem público e agora é a matriz a abrigar os que trabalham com palavras sob a tutela maior da Academia Cearense de Letras.
Veja, você está nesta sala em cujas paredes erguidas por mãos nativas avistam-se pinturas, inclusive a maior de Raimundo Cela, a retratar de modo figurativo as nossas lutas ancestrais. Esta sala faz parte da história viva do Ceará.
A história que nos traz o poeta Paula Nei, patrono de sua cadeira, que parece dizer, dando boas vindas:
“Voa, minha alma, voa pelos ares
Como um trapo de nuvem flutuante
Vai perdida, sozinha e soluçante
Distende as tuas asas sobre os mares”
Sob as asas da alma de Paula Nei você ingressa hoje na Academia Fortalezense de Letras, nascida neste Século, pelo ideal de Matusaíla Santiago e José Luís Lira. Ela é compromissada com o futuro, sem deixar de ajustar sua sedimentação na argamassa da História, na água do passado e até no limo que exsuda destas paredes de tijolos dobrados.
O nosso estatuto, em seu artigo terceiro, diz que o quadro social da Academia será constituído por pessoas que exerçam atividades literárias e que estejam interessadas no bom funcionamento da Instituição.
Eu pergunto, como se fora um padre, pastor ou rabino em uma cerimônia de casamento:
– Ubiratan, você exerce atividade literária?
– Você está interessado no bom funcionamento da instituição?
– Você quer se unir a ela?
A cada pergunta a resposta é sim, mas não precisa dizê-la de viva voz. Faça-o com a expressão da alma, aquela que não engana.
De minha parte e em nome de todos os colegas, afirmo que você exerce atividade literária e seu histórico de vida não deixa dúvida quanto ao compromisso de zelar por nossa Academia. Essa a razão de indicar seu nome, obtendo total acolhida dos nossos pares.
Ubiratan é madeira de lei: um cedro menino transplantado para Fortaleza e daqui – onde suas raízes foram fundeadas – para o planalto central. Esse quase sertão vermelho cujo ar rarefeito parece, às vezes, incidir na razão coletiva. Mas Ubiratan sempre teve um plano piloto pessoal que o conduziu pelos caminhos da decência. E o faz segundo uma cronologia simples, verdadeira e consistente.
Membro de família forte, a partir dos prenomes indígenas que adota, Ubiratan, filho de Araken e Maria, estudou e trabalhou de todas as formas lícitas e lúcidas, destacando-se a sua iniciação como professor de Português do Colégio 07 de Setembro, em cujos anais o presidente Ednilo encontrou os fundamentos para também subscrever o requerimento em que eu propunha o seu nome para esta Academia.
O que dizer de um homem que, por seus méritos pessoais, consegue iniciar sua vida política como vereador, alça-se a condição de deputado estadual, secretário de Estado e chega já na qualidade de Deputado Federal, a ser Constituinte, Presidente da Comissão de Educação e, por duas vezes, é eleito Primeiro Secretário da Câmara Federal?
O jovem universitário de Direito pela UFC tinha sonhos a cumprir desde cedo, mas carecia de uma parceira de fé, uma mulher valorosa, companheira de suas quimeras e assim o fez no verdor dos 19 anos, ao unir sua vida à de Terezita. E esse passo juvenil pode ter sido decisivo para o seu descortino e brilhante futuro.
Todavia, não estamos aqui para ouvir falar do filho, marido, pai, avô, Bacharel em Direito, do político e muito menos do Ministro, esse que, sem alarde, exerce o seu múnus com responsabilidade, dignidade e aprumo, fazendo-se credor do reconhecimento da sociedade brasileira.
Não queremos tampouco tecer loas ao Ministro Vice-Presidente desse fechado grupo de 09 brasileiros que formam o pleno do TCU.
A sua história pessoal não pertence a esta solenidade. Ela permanecerá viva além deste Palácio da Luz. Ela já está inscrita nos registros da Câmara de Fortaleza, da Assembleia do Ceará, do Congresso Nacional e, agora, no plenilúnio de sua vida pública, nos anais e arquivos eletrônicos do Tribunal de Contas da União.
Queremo-lo, Ubiratan, na luta coletiva para fazer este Palácio da Luz ainda mais esplendoroso, em conteúdo, formas e cores. Garboso na sua própria restauração física e do seu entorno.
Queremo-lo na barricada em favor da iniciação sistemática de jovens nos diversos gêneros literários e na sua transformação em agentes multiplicadores da arte de pensar e escrever.
Não serão Ubiratan, os seus julgados que estarão na história e nas montras ainda invisíveis desta Academia.
Queremo-lo desavisado como soe acontecer aos poetas.
Platão, no livro 10, de “A República” não encontrou lugar para os poetas na sociedade ideal que concebeu. Esse papel caberia aos reis e filósofos. Ao que se depreende, Platão se equivocou.
Ora, se o grande pensador Platão pode ter se equivocado, por que alguns acreditam ter a capacidade unilateral de estabelecer, a seu modo, juízos de valor estético? Outra utopia.
A vida real é um bem comum, diz respeito a cada um e a todos. Assim também é o imaginado pelos filósofos e o imaginário dialógico que tece o mundo literário.
José de Alencar, por muitos considerado o maior escritor cearense de todos os tempos, também político de escol em sua época, disse certa vez:
“O cidadão é o poeta do direito e da justiça. O poeta é o cidadão do belo e a arte”.
Nessa direção, apontou a bússola existencial de Ubiratan Aguiar.
Já era o Cidadão, por força de sua lida e vida.
Agora, Ubiratan você espreita a vida à procura do belo e da arte. E o faz na madureza dos anos, certamente tocado pela lírica da agonia. Procura o Idioma dos Pássaros, nos signos, nas suas marcas pessoais e nas da humanidade, que são agora seus conteúdos simbólicos e preocupações permanentes.
Ubiratan começou a rabiscar versos, aquietando palavras que ferviam em suas entranhas. Guardou-os, reviu-os e já publicou três livros de poemas: Idioma dos Pássaros, Versos de Vida e Passageiro do Tempo. Não são considerados aqui seus outros escritos sobre Convênios, Tomadas de Contas, a Lei de Diretrizes e Bases, mas que têm importância na eficácia da gestão pública e na educação formal e cultural dos jovens brasileiros.
Esta saudação poderia ser uma espécie de Carta a um homem maduro e poeta jovem, na razão inversa do exposto por Rainer Maria Rilke ao aconselhar um jovem no seu debut literário. No seu caso, louve-se a coragem de mostrar agora sua face poética, a sua linguagem no diálogo com quem o lê.
Não sei bem o que vem a ser poeta, pois não o sou. Tampouco me atrevo a fazer crítica da obra poética de Ubiratan, O leitor é sempre o maior crítico. Procurei, no entanto, pesquisar o que possa vir a ser um poeta.
Para Paul Valéry “a poesia é uma hesitação prolongada entre o som e o sentido”.
Pergunto: Há som na poesia de Ubiratan?
Claro. Tanto o há que versos seus foram musicados e transformados em canções já constantes de três CDs.
Fazer letra de música, saibam os senhores e senhoras, também era “hobby” de Machado de Assis. Dele é a letra de uma valsa lenta: “Quando ela fala”, musicada por Elisa Wanda.
Ouçam Machado nesta quadra:
“Quando ela fala, parece
Que a voz da brisa se cala;
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala”.
Voltemos ao Ubiratan:
Pergunto ainda: Há sentido na sua poesia?
Ele sabe que sim, pois esse seu viés crepuscular o aproximou do Clube do Bode. Comunidade etérea, em desconfortáveis plásticos assentada na calçada abrasadora. Autofágica, mas gloriosa na descontração coletiva a bater palmas quando da aproximação do belo.
E essa vivência com escritores, poetas, músicos, pintores, sátiros e afins, o foi encorajando a tirar a sua nau do porto da timidez e ganhar o tempestuoso mar das letras onde pode haver ataque de bucaneiros. E o faz com a modéstia de aprendiz, sem fanfarras e a busca de signos e retoques para a sua lira.
Muitos poetas reconhecem um decassílabo antes que uma frase seja concluída e sabem usar rima e métrica em seus versos altaneiros. Eles são poetas, sim.
Mas não será poeta quem não se ajusta às análises esquemáticas do compasso da métrica e do adorno da rima? O que dizer então da poesia livre de Pablo Neruda, prêmio Nobel de Literatura?
O próprio Neruda responde: “A verdade é que não há verdade”.
Recolho de Manoel de Barros, grande poeta, uma outra possível resposta: “Creio que a poesia está de mãos dadas com o ilogismo. Não gosto de dar confiança à razão, ela diminui a poesia”.
Vejam Ubiratan de mãos dadas com o ilogismo:
“Declinei verbos no sonho e,
adormeceram no sono.”
Ou quando refere:
“Paz das gaivotas
Voando livre
No branco das asas”
Robert Graves, escritor inglês, nos socorre
“a poesia não é ciência, é um ato de fé”.
Alguém duvida que Ubiratan não tenha fé no que escreve?
Ele é Passageiro do Tempo a procurar um mundo chamado poesia. E faz seu ato de fé ao dizer:
“Quantas metáforas guardam silêncio
Das verdades que a razão polícia?”
Ou quando revela:
“Quantas vezes a linguagem dos olhos
Expressa o silêncio covarde dos lábios
Quantas vezes nos escondemos dentro de nós,
Para não exteriorizar a vida?”
Ubiratan pode ser um noviço na ordem dos poetas, mas quem falou que a poesia está adstrita a um tempo de vida?
O próprio poeta responde:
“Como conter palavra
Na correnteza da boca?
A dúvida na indagação que faz ao fim de seus versos não deixa de ser inquietação poética. E quem escreve, especialmente versos, procura fazer um acerto de contas com o seu eu profundo, medos, sonhos, história e mitos. Se esse olhar chega com a maturidade, que seja bem-vindo. É poeta, sim.
E substitui, certamente orgulhoso, a seu colega de Assembleia e amigo de dezenas de anos, o meu colega de faculdade e poeta consagrado José Maria Barros Pinho que, nesta data, passa a ser Acadêmico de Honra, na vaga do inesquecível Eduardo Campos, uma das mais completas expressões literárias contemporânea do Ceará.
O que digo é do meu exclusivo encargo. Não sou um purista da lírica ou da arte poética. Acredito, porém, na capacidade que palavras têm o dom de conjurar almas, expondo-as até ao torvelinho dos que querem, talvez com justa razão, o refinamento e os detalhes da rima, da métrica e da metalinguagem.
Uns e outros merecem coexistir, pois a vida, já dizia o poeta Vinícius, “é a arte do encontro”.
E o próprio Ubiratan, pacificador por natureza, diz em versos:
“Nem por isso excelência
Nós somos separatistas
E este é um ponto de vista”
É chegada a hora de parar. Bem sei que o novel Acadêmico merecia palavras mais briosas, mas sou assim, coloquial e aberto.
Por último, pediria que o Acadêmico Ubiratan Diniz Aguiar se sentisse em casa, abraçasse os seus convidados e confraternizasse com seus novos companheiros aqui presentes, com a mesma energia que empresta à sua vida, fazendo-o como se mostra neste terceto:
“expondo sentimentos submersos
No conto, na poesia, na literatura,
“Marcando o tempo e a criatura.”

Muito obrigado a todos.
João Soares Neto – Cronista, março de 2008

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ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS

21/02/2013

Boa noite a todos.
Caro presidente José Augusto Bezerra.
Caro………………………….., em nome de quem saúdo todas as autoridades integrantes da mesa.
Queridos Iracema, minha mulher; Alessandra, minha filha; Luana, minha neta; e irmão José Caminha de Oliveira, em nome de quem saúdo todos os componentes da minha família: filhas, irmãos, netos, genros, sobrinhos e demais parentes. Meus prezados Paulo e Cláudio, em nome de quem saúdo os membros da família Vale.
Senhores membros da Academia Cearense de Letras,
Colegas da Academia Fortalezense de Letras, da Associação Brasileira de Bibliófilos do Brasil, do Fórum de Líderes, da Sociedade Consular, e demais entidades das quais faço parte.
Caros companheiros de trabalho.
Colegas das faculdades de direito e administração.
Autoridades presentes.
Senhoras e senhores,
Reverencio, por justiça, todos os membros perecidos desta Academia nas figuras de Natércia Campos, amiga querida; de José Maria Barros Pinho, colega de faculdade, de lutas universitárias e de letras; e do Reitor Antônio Martins Filho, um dos maiores empreendedores cearenses de todos os tempos.
Confesso não ser tribuno. Vou falar com a razão molhada pela emoção. Do jeito como escrevo.
Peço, com acatamento, a atenção a todos. Ouçam, por favor. Silenciem, se possível.
Nesta noite, quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013, na imensidão da abóbada celeste ainda não de todo desvendada, paira o planeta Terra, no hemisfério sul, no Brasil, no Ceará, em Fortaleza, com a lua em quarto crescente, quase um plenilúnio. Somos apenas um nano ponto no Universo.
Desde 2000, a United Nations Education, Scientific and Cultural Organization – a UNESCO, responsável pela Educação, Ciências Naturais, Humanas e Sociais, Cultura, Comunicação e Informação, consagra este mesmo dia 21 de fevereiro como o Dia Internacional da Língua Materna. Estamos a fazer isto nesta noite solene. Cultuamos a linguagem mãe, a língua de Camões e Machado.
Ocupamos agora o centro histórico de Fortaleza, na Rua do Rosário, defronte à Igreja dos Homens negros, asilo de segregados pela escravatura envergonhadora.
Santuário esse ressaltado e descrito em tintas pelas pinturas e pelas músicas sincopadas no ritmo afro de Descartes Gadelha.
Peço licença à Acadêmica Beatriz Alcântara, e recorro a Fernando Pessoa, não o do lugar comum. Ele fala: “Viu-se a terra inteira de repente/surgiu redonda do azul profundo”.
Somos transitórios na vida. Do albor do nascimento ao ocaso da finitude, passamos todos, sem distinção do saber ou ter.
Reverencio os 119 anos desta Academia de Letras. Ela é, ao mesmo tempo, fortalezense como eu. Ela é cearense como já o desejava Thomaz Pompeu a exortar seus coevos a ter “a serenidade de investigadores da verdade”.
Reconhecer isso é ato de maturidade. A imortalidade, se acontecer, dar-se-á pós-morte, por conta da futura análise de nossas vidas concretas e das letras escritas.
Dizia o filósofo americano Waldo Emerson: “Everything in the universe proceeds by indirection. There are no straight lines”. “No Universo tudo procede por vias indiretas. Não existem linhas retas”.
Agradeço, reconhecido, aos 22 acadêmicos a me honrar com os seus votos. Esta é a linha e a via do reconhecimento.
Também é hora de pedir permissão a todas acadêmicas e acadêmicos para sentarmos lado a lado, em fraternidade. A todos. Confreiras e Confrades, os meus respeitos.
Vós sois a referência da cultura e das letras alencarinas.
Aos eleitores dos outros candidatos, agradeço igualmente, pois a academia deve primar pela diversidade de pensamento. Não o hegemônico, e sim o plural e sem preconceitos.

Lembro, cara acadêmica Marly Vasconcelos, ausente por falecimento de pessoa de sua família.
A cultura e a sociedade cearenses estão reunidas, para honra nossa, nesta posse, na cadeira 35, patroneada por Thomaz Pompeu.
Ele começou a escrever aos 20 anos, no jornal O Cearense, do qual depois foi dirigente.

Recorro à acadêmica Ângela Gutierrez para falar de seu bisavô, fundador e primeiro presidente desta casa. Ângela, em discurso aqui proferido, quando da comemoração dos 105 anos da entidade, destacar as suas múltiplas faces de jornalista, professor, pesquisador de história, geógrafo, educador, administrador público, pensador, homem de letras e, last but not least, empreendedor.

Sobre essa face singular a sua bisneta refere:
“Por que relembrar o empreendedor, o pioneiro, que fundou a primeira fábrica de fiação e tecidos do Norte-Nordeste, atentando para o aproveitamento de nossa vocação algodoeira, que foi sócio majoritário e gerente da primeira Companhia de bondes do Outeiro, que foi fundador e presidente do Banco do Ceará, do Centro Industrial e da Associação Comercial, colaborando para o progresso da terra, na crença de que progresso e ciência deveriam andar de mãos dadas”.

Fica claro e insofismável, caro colega Ednilo Soárez.
O patrono da cadeira 35, o fundador, Thomaz Pompeu, seu primeiro presidente indicado para dar o nome a esta casa, era um empreendedor.

Caro acadêmico Cid Carvalho.
Ouso falar agora na sua vivência e dimensão espiritual estudada, compreendida e exercida.
Evoque, Senador Cid Carvalho, os seus irmãos do além e transmita, se crível, a Thomaz Pompeu, uma mensagem:
Ele foi, por caminhos ínvios, uma referência para mim.
Modus in rebus, peço vênia:
Ele era formado em Direito. Também cursei Direito.
Thomaz Pompeu era administrador público. Também o fui.
Ele era pesquisador de história. Procurei sê-lo ao dirigir, por anos, profissionais de nível em diversas áreas do conhecimento, inclusive história e geografia, e dirigir / coordenei mais de 20 Planos Diretores de Desenvolvimento Econômico no Nordeste.
Agora, se consegui, é outra história. Tentei com afinco.
Ele grande; eu, apenas um aprendiz.
São estes os meus parcos dotes.
Dr. Thomaz Pompeu, posso ocupar a sua cadeira? Tentarei não desapontá-lo. Ilumine-me.
Por tal razão, caro acadêmico Virgílio Maia, ele foi douto, exponencial em tudo isso e está no panteão desta Casa.
Agora, vou contar como comecei a gostar de livros e da escrita. O meu pai, Francisco Bezerra de Oliveira, foi seminarista franciscano, colega de internato do professor Rebouças Macambira, e dali fugiu para casar com Margarida, moça bonita, sobrinha recatada e tutelada pelo Padre João Saraiva Leão. Viveram juntos por 50 anos. Ele era leitor voraz de romances policiais e comprou de José Maia para presentear-me, nos meus 15 anos, uma biblioteca com muitos livros de autores diversos, estantes em madeira e vidro. Em uma delas havia entalhada no frontispício a palavra Atheneu, em homenagem a Raul Pompeia. Começava aí o meu noviciado.
Esse menino escrevia diários, lia de forma continuada, ia a cinemas quase todos os dias e possuía ficha de empréstimo de livros na Biblioteca Pública, então na Rua Solón Pinheiro, vizinha ao Ibeu, Instituto Brasil Estados Unidos, onde procurava aprender a língua inglesa.
Aos 16 anos, fui levado por Dorian Sampaio, amigo dileto e colega de vereança do meu pai, o já citado Francisco Bezerra de Oliveira, ambos no além-mundo, para falar aos membros do Centro Cultural Humberto de Campos, uma presumível dissidência do Grupo Clã.

Não me lembro das minhas palavras. Ouvi, nervoso, palmas e comentários do Dorian e dos seus confrades. Eles diziam: “Esse menino promete”.

Caro acadêmico Juarez Leitão
Em seguida, fundei e presidi o Girafa, um clube de jovens e adultos onde praticávamos esportes, líamos e debatíamos temas sérios em júris simulados. Lembro até de ter sido defensor de Iscariotes. Ele foi absolvido. Judas, argumentava eu, seria um instrumento para cumprir um desígnio maior.
O Juiz de direito José Carneiro, a me suceder na presidência do Girafa, em 23 de junho de 1958, e a historiadora Valdelice Girão, então integrante do Conselho Superior da entidade, lembram-se dessas folganças. Naquela noite, esteve presente, entre outros, o escritor e poeta José Alcides Pinto, conforme relato em tinta preta, na página 41 do meu diário daquele ano. Guardo-o.
Em novembro de 1962, Pedro Henrique Saraiva Leão convida-me para substituí-lo na coluna diária “Informes Acadêmicos”, no jornal Correio do Ceará. Ele viajaria à Alemanha para aperfeiçoar-se na língua de Goethe. Agradeci e aceitei.
Cara poeta Giselda Medeiros.
Tomei gosto pela coluna e, acidentalmente, o jornalismo aproximou-me da Academia Cearense de Letras. Fui um dos divulgadores e um dos frequentadores do Curso de Arte e Literatura, coordenado pelo professor Artur Eduardo Benevides.
A aula magna de abertura, na noite do dia 12 de outubro de 1963, foi proferida no salão nobre da Reitoria pelo professor Parsifal Barroso sobre a música brasileira, especialmente Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno e Ernesto Nazaré.
Era o primeiro “flirt” de um jovem universitário com a Casa de Thomaz Pompeu.

Caro acadêmico Dimas Macêdo.
Voltando à lide do jornal, o Diretor e empresário jornalístico Eduardo Campos, condômino dos Diários Associados e industrial, sem prejuízo de suas participações nesta Academia e no Instituto do Ceará, das quais foi presidente, dois anos depois convida-me para escrever outra coluna diária, sobre “Administração e Negócios”.

Foram anos naquele jornal, meu caro Eduardo Augusto. O salário recebido a cada mês era importante, pois havia outras tarefas a cumprir. Fazia, ao mesmo tempo, duas faculdades e trabalhava.
Dou um pulo no tempo e em outro novembro, este de 2012, o professor Pedro Henrique rides again na minha vida e me provoca: “Chegou a sua hora. Candidate-se. Estarei ao seu lado”.
Já havia firmado um princípio: não me candidataria à Academia em vaga por falecimento de amigo.
O professor Alberto Oliveira era de geração anterior à minha. Não havia impedimento moral. Inscrevi-me.
Outros três pretendentes também o fizeram.
Na campanha usei apenas os Correios, mototáxis, telefone e a Internet, sem visitar ou importunar a privacidade domiciliar ou profissional dos acadêmicos. Cumprimentei os dignos contendores e os respeitei. Acreditava no meu percurso cultural, nos sete livros já publicados e no apoio denodado de uma plêiade de acadêmicos cidadãos, a partir do poeta Virgílio Maia.

No dia 29 de janeiro último fui eleito com 22 votos, maioria consagradora e, a partir de hoje, 21 de fevereiro de 2013, conforme contagem rigorosa do acadêmico Murilo Martins, serei o centésimo octogésimo sexto (186º) integrante desta Casa de Letras. A mais representativa da cultura do Ceará, Estado hoje com oito e meio milhões de habitantes.

Cara Acadêmica Regine Limaverde, chegada dos EEUU, véspera da eleição.
Saiba ter sido o acadêmico Pedro Henrique Saraiva Leão o condutor desse pleito árduo. A posição dele foi aberta, decidida e catalisou forças. A ele já disse: muito obrigado. Repetirei, agora, por justiça e prazer: Danke shoen, Dr. Pedro.

Deixei por último o agradecimento já feito à Iracema Vale, minha mulher. Ela me manteve sereno ao dizer, todos os dias: vai dar certo. Assim o fiz. Assim o foi. A ela, mais uma vez, o meu obrigado.

Insigne acadêmico Napoleão Nunes Maia.
Agradeço seu modo gentil e franco em oferecer-se para saudar-me, desde antes da eleição, com o posterior agreement da presidência.
Sou grato por suas doutas palavras. Elas, por sua fé de ofício e trajetória ascendente como advogado, professor universitário, magistrado federal de carreira, hoje ministro de tribunal superior e intelectual, homenageado ontem pelo Tribunal Regional Federal da 5ª. Região, em Recife, com a mais alta condecoração, a Medalha da Ordem do Mérito Pontes de Miranda.
Suas credencias deram visibilidade e fulgor a cada passo do meu singular percurso cultural. Obrigado, acadêmico Napoleão Maia.

Caro acadêmico Pe. Manfredo Ramos.
tudo na minha vida foi construído com a energia, a fé e a coragem recebida dos meus pais, dois vencedores. Educaram nove filhos, todos em colégios particulares e com educação superior.
Tive a coragem, cedo despertada, para a inquietude, a aprender não o usual e sim o inédito. Germinar idéias e realizá-las. Aprendi isso em uma família com destemor e unida. Dona Margarida, minha mãe, aos 93 anos, é de uma inteligência e presença de espírito notáveis.
Vou contar um episódio recente: véspera do último Natal, perguntei-lhe: “Qual vai ser o meu presente?” Ela respondeu de bate pronto: “Podem ser as minhas mazelas?” Ela é assim. Se sou incisivo, é genético. Meu pai dizia: “Seja simples. Não se curve a ninguém”.
Cumpri o prometido, meu pai.

Caro acadêmico Mauro Benevides, a quem agradeço o registro desta solenidade nos anais do Congresso Nacional.
Sou impetuoso por ser visionário, e isso eu descobri lendo, estudando, aprendendo a escrever, admitindo erros, e pesquisando aqui e por continentes afora em viagens de trabalho, treinamento, cursos, seminários, congressos, palestras e debates com professores.
Faço tudo do meu jeito meio sem jeito. Não uso a vida como artimanha. Penso ser obrigatória a discrição pessoal no agir e no servir. Recolhi de Miguel de Cervantes, no clássico Dom Quixote, o ensinamento: “No puede haber gracia donde no hay discrición”. Não pode haver encanto onde não há discrição”.
Se desejei empreender, ler, viajar, escrever e estudar, não foi trabalho. Foi prazer. Sonho empenhado e cumprido.
Caro acadêmico Batista de Lima,
Acreditava e ainda creio: a cada dia a minha vida se encerra e recomeça na alvorada seguinte. Por tal razão, concordo com François-René de Chateaubriand, nascido em Saint-Malo, cidade pequena e linda, quando dizia: “Tous mes jours son des adieux”. “Todos os meus dias são adeuses.”

Caro acadêmico e Professor Emérito Paulo Bonavides, de quem fui aluno em três momentos distintos: na Escola de Administração, no bacharelado e, depois, na pós graduação da Faculdade de Direito da UFC. Sua presença é um voto de confiança. Honrá-lo-ei.
Volto a falar de seu colega e estudioso da ciência política, o professor Parsifal Barroso.
(Destaco as presenças do seu filho Régis Filho, meu colega na Faculdade de Direito e Igor Barroso seu neto).
Ele era governador e só possuía um carro de representação. Por conta disso dei-lhe carona, várias vezes, em meu simplório Anglia. O amigo Rui Filgueiras Lima era guapo oficial de gabinete do governador.

Senhoras e Senhores.
Ilustre Corregedora da Procuradoria Geral do Estado Cláudia Martins.
Este Palácio da Luz era um próprio do Estado e foi graças à audácia e perseverança da petição bem instruída do acadêmico e presidente da ACL, o notário Cláudio Martins, para aparecer um empreendedor e administrador, Tasso Ribeiro Jereissati, no exercício do Governo do Ceará, com descortino para doá-lo, em 1989, à Academia Cearense de Letras, então asfixiada em salas do Edifício Palácio Progresso.

Cara acadêmica Noemi Elisa Aderaldo, sobrinha do meu professor, Mozart Soriano Aderaldo, ilustre membro desta Casa
Por justiça, engrandeço-me haver sido precedido, em linha sucessória, por acadêmicos do quilate de Cândida Galeno; do poeta Cruz Filho; do médico e intelectual Argos Vasconcelos; e do historiador, intelectual e sacerdote Alberto Nepomuceno de Oliveira, depois professor Alberto Oliveira.
Alberto Oliveira nasceu em Pacatuba, terra natal do acadêmico Eduardo Campos e do Presidente de Honra desta ACL, o príncipe dos poetas cearenses, Artur Eduardo Benevides, na lucidez de seus 90 anos.
Alberto Oliveira estudou no Seminário da Prainha. Ali se ordenou padre, em 1949. Depois, formou-se em direito, licenciou-se em filosofia; em sociologia, na Itália; em pedagogia, na França; e foi a Israel fazer atualização pedagógica.
Era, igualmente, mestre da UECE e da Universidade Federal do Ceará. Escreveu, entre outros, os seguintes livros:
– Droga, um perigo nacional; Juventude, Crise e Educação; Projeto de educação Antitóxico; Educação Libertadora de Paulo Freire; e Ressonâncias.
Fácil é ressaltar haver na escritura do professor Alberto Oliveira uma preocupação objetiva com os jovens brasileiros, hoje a morrer às centenas em baladas de fogo. Temos milhões deles submergidos nas drogas, um endêmico problema nacional a precisar mais de soluções e menos de promessas.
Além de toda a sua titulação meritória e produção cultural, o professor Alberto Oliveira teve a coragem, a sensatez e a hombridade de deixar a vida clerical para, como é próprio da natureza humana, amar e casar-se com a Sra. Edna Oliveira, aqui presente, e constituir uma família cristã, com três filhos, tendo a sua fé permanecida intacta. O celibato não é dogma de fé. É ordem impositiva. Por esta questão e intrigas outras, Joseph Ratzinger renunciou.

Caro Acadêmico
Veja como as coincidências perseguem esta narrativa. Em um sábado, 11 de setembro de 1963, exatamente, na mesma página, ao lado da minha coluna “Informes Acadêmicos”, no Correio do Ceará havia um artigo do então padre Alberto Oliveira, sob o título: “A eternidade no Presente”. Dele, em certo trecho, lê-se: “a vida é a preparação para a morte”. Hoje, quase 50 anos depois, estamos relembrando e celebrando a sua vida.
De fato, ele já estava preparando a sua eternidade, ou ser imortal, no sentido acadêmico.

Desculpem, senhoras e senhores, o tempo decorrido. Não quis fazer uma homília.
A todos, mesmo assim, peço licença para uma reflexão final sobre a pesquisa, de janeiro deste 2013, do Instituto Ibope Media sobre leitura.

Imagine, caro professor e acadêmico Sânzio de Azevedo.
Entre nove capitais brasileiras, Fortaleza ficou em último lugar em índice de leitura. Dos entrevistados, somente 23% dos fortalezenses havia lido um livro nos últimos 30 dias. No país, como um todo 73% das escolas públicas não possuem bibliotecas. A média de livros lidos por brasileiros é de apenas um livro por ano.
Com amargura, o romancista maior e fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, já falava sobre o Brasil do seu tempo afirmando:
“Não é desprezo pelo que é nosso, não é desdém pelo meu País. ‘O país real’, esse é bom, revela os melhores instintos. Mas o ‘país oficial’, esse é caricato e burlesco”.

Ilustre acadêmico e professor Genuíno Sales.
Só pela educação e pela cultura seremos livres e soberanos para cuidar do presente e sonhar num futuro com alvíssaras. É tempo, quem sabe, de se diminuir o culto a celebridades, rever as programações das emissoras, peritas em deformar a realidade. Talvez repensar os gastos da Petrobras com caravanas de todas
as naturezas e a patrocinar a Fórmula Um. É tempo, sugiro, de mudar e usar esses recursos desperdiçados em patrocínios amistosos, por exemplo, para a refinaria cearense, tão prometida e nunca cumprida.
É hora de melhorar as escolas públicas, adicionar aulas em tempo integral e disseminar a leitura, desde a educação básica.
Isto é atitude. A cidadania e a cultura do século XXI.

Devemos, repito, lutar pelo desenvolvimento dos jovens carentes e dos adictos, como desejava o acadêmico Alberto Oliveira, através da ajuda a eles próprios e às suas famílias.
É hora do estudo, da informação, do conhecimento e da cultura como corolários neste mundo tecnológico – e pouco cultural – a exigir qualificação para qualquer tarefa ou encargo. A educação e a cultura são chaves insubstituíveis.
A educação e a cultura precisam ser protagonistas da História nos nossos dias.
Como dizia o poeta, ensaísta e prêmio Nobel de Literatura, o mexicano Octavio Paz: “Las masas humanas más peligrosas son aquellas en cuyas venas ha sido inyectado el veneno del miedo… el miedo del cambio”. “As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo… o medo de mudar”.
Nós todos não devemos ter medo de mudar o pensar, o refletir e o atuar. Não podemos, por privilégio, ser insulados e acastelados no bem estar e no saber, cercados de problemas das comunidades carentes. Elas nos observam e clamam por respeito, cuidados e atenção.
O Ceará do século 21 brada por educação e cultura para ter massa crítica, lógica nos raciocínios da maioria e não aceitar o atraso como fadário.
Devemos ser mais abertos, menos personalistas, e mais receptivos.
Por essa razão, quando fui presidente da Academia Fortalezense incentivei a criação e a manutenção de academias de letras estudantis, destacando as dos colégios Maria Ester, Dáulia Bringel e Sete de Setembro. Os seus jovens integrantes são parte do futuro do novo Brasil.
Caro colega José Luis Lira, presidente da Academia Sobralense de Letras, a quem peço transmitir aos seus pares o meu apreço, especialmente ao acadêmico Pe. Francisco Sadoc, no seu vigor maduro.
Devemos ocluir o olhar sobranceiro e discriminador.
É preciso procurar a humildade esquecida e ativar os desejos, as sedes de leitura nos jovens, de aprendizado, de conhecimento, com a aptidão de transformar o medo em capacitação a demandar resiliência e cidadania plenas.
Senhoras e Senhores.
Agradeço, de verdade, a presença das autoridades, dos familiares, dos amigos, dos colegas de faculdades, colegas acadêmicos e, especialmente, à diretoria eleita desta ACL e ao presidente José Augusto Bezerra, empresário e bibliófilo, a capitanear esta Casa de letras.
Ela vai singrar com nova vela e equilibrado timoneiro os mares abespinhado da cultura.
Saiba, senhor Presidente, vim aqui não por vanglória. Vim para somar forças. Conte comigo.
Por fim:
Registro com respeito, o nosso dístico: Forti nihil difficile.
Para os fortes nada é difícil. Unidos, seremos fortes.
Deus nos abençoe. Muito obrigado a todos.
João Soares Neto,
21/02/2013

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ANOTAÇÕES PARA O DISCURSO NA ACL – FEVEREIRO DE 2013

Boa noite a todos.
Caro presidente José Augusto Bezerra.
Caro………………………….., em nome de quem saúdo todas as autoridades integrantes da mesa.
Querida ……, em nome de quem saúdo todos os integrantes da minha família: Iracema, minha mulher, irmãos, filhas, genros, netos, sobrinhos e demais parentes.
Senhores membros da Academia Cearense de Letras
Colegas da Academia Fortalezense de Letras, do Forum de Líderes, da Sociedade Consular, e demais entidades das quais faço parte.
Caros companheiros de trabalho
Colegas de escolas e das faculdades de direito e administração,
Amigos e amigas,
Autoridades presentes,
Senhoras e senhores,
Reverencio, por justiça, todos os membros perecidos desta Academia nas figuras de Natércia Campos, amiga querida; de José Maria Barros Pinho, colega de faculdade, de lutas universitárias e de letras; e de Antônio Martins Filho, um dos maiores cearenses de todos os tempos.
Nesta noite, na imensidão da abóbada celeste ainda não de todo desvendada, paira o planeta Terra, no hemisfério sul, no Brasil, no Ceará, em Fortaleza, com a lua em quarto crescente, quase um plenilúnio. Somos apenas um nano ponto no Universo.
Estamos no centro histórico, na Rua do Rosário, defronte à Igreja dos Homens negros, asilo de segregados pela escravatura envergonhadora.
Santuário esse ressaltado e descrito em tintas pelas pinturas e pelas músicas em ritmo afro de Descartes Gadelha.
Recorro, pedindo licença à Beatriz Alcântara, a algo desusado de Fernando Pessoa: “Viu-se a terra inteira de repente/surgiu redonda do azul profundo”.
Somos transitórios na vida. Do albor do nascimento ao ocaso da finitude, passamos todos, sem distinção de saber ou ter.
Reconhecer isso é ato de maturidade. A imortalidade, se acontecer, dar-se-á, pós-morte, por conta da futura análise de nossas vidas concretas e das letras escritas.

Dizia o filósofo americano Waldo Emerson: “Everything in the universe proceeds by indirection. There are no straight lines”. “No Universo tudo procede por vias indiretas. Não existem linhas retas”.
Seguindo o desaviso do existir: Agora é hora de agradecer, reconhecido, aos 22 acadêmicos que me honraram com os seus votos. Aos eleitores dos outros candidatos, agradeço também, pois a academia deve primar pela diversidade de pensamento. Não o hegemônico, mas plural e sem preconceitos. A Cearense está ao meu olhar, acima de elucubrações e questiúnculas. Se assim o fosse, não se sustentaria longeva e altaneira nos seus 119 anos.

Confesso não ser orador. Mas só leio o que escrevo. Sem essa de ghost writer. Bastam os meus desacertos.
Aos 16 anos, um menino foi levado por Dorian Sampaio, amigo e colega de vereança do meu pai, Francisco Bezerra de Oliveira, ambos no além-mundo, para falar aos membros do Centro Cultural Humberto de Campos, uma provável dissidência do Grupo Clã.
Não me lembro das minhas palavras, mas ouvi, nervoso, palmas e comentários do Dorian e dos seus confrades. Eles diziam: “Esse menino promete”.
Em seguida, fundei e presidi o Girafa, Grupo de Instrução e Recreação Atlética de Fátima, onde se praticava esportes e debatíamos temas sérios em juris simulados. Lembro de ter sido defensor de Judas Iscariotes. Ele foi absolvido. Judas, argumentava eu, seria um instrumento para cumprir um desígnio maior.
O Juiz de direito José Carneiro e a historiadora Valdelice Girão lembram-se desse tempo de folganças.
Esse jovem já escrevia diários, lia de forma continuada, ia a cinemas quase todos os dias e possuía ficha de empréstimo de livros na Biblioteca Pública, então na Rua Solon Pinheiro, vizinha ao Ibeu, Instituto Brasil Estados Unidos, onde procurava aprender a língua inglesa.
Anos vão passando. Um dia, um professor desse mesmo Ibeu, o acadêmico de medicina Pedro Henrique Saraiva Leão, meu primo, em segundo grau, fez-me uma proposta.
Explico, antes, o parentesco: o pai dele, o Dr. Pio Saraiva Leão, era irmão de Luiza Saraiva Caminha, minha avó e aluna premiada do Colégio Imaculada Conceição. Voltando ao fio. Ele, o Pedro, convidava-me para substituí-lo na escrita diária da coluna “Informes Acadêmicos”, no jornal Correio do Ceará, pois viajaria à Alemanha para aperfeiçoar-se na língua de Goethe. Aceitei e contraí gosto pelo ofício.
Por conta dele, minha cara professora Beatriz Alcântara, pude divulgar e participar de curso de arte e literatura promovido pela Academia Cearense de Letras, coordenado pelo professor Artur Eduardo Benevides. Era 1963.
Lembro, cara acadêmica Marly Vasconcelos, que devo falar de Thomaz Pompeu, o patrono da cadeira 35. Ele também começou a escrever, aos 20 anos, no jornal O Cearense, do qual depois foi dirigente.
A cultura e a sociedade cearenses estão, para honra minha, juntas para esta posse, na cadeira 35, patroneada por Thomaz Pompeu.
Recorro à acadêmica Ângela Gutierrez para falar de seu bisavô, fundador e primeiro presidente desta casa. Ângela exortou, em discurso aqui proferido, quando da comemoração dos 105 anos da entidade, as múltiplas faces dele.
Uma delas é citada:
“Por que relembrar o empreendedor, o pioneiro, que fundou a primeira fábrica de fiação e tecidos do Norte-Nordeste, atentando para o aproveitamento de nossa vocação algodoeira, que foi sócio majoritário e gerente da primeira Companhia de bondes do Outeiro, que foi fundador e presidente do Banco do Ceará, do Centro Industrial e da Associação Comercial, colaborando para o progresso da terra, na crença de que progresso e ciência deveriam andar de mãos dadas”. Fica claro e insofismável, caro colega Ednilo Soárez:

O fundador, Thomaz Pompeu, primeiro presidente indicado para dar o nome a esta casa, era um empreendedor.
Modus in rebus, continuo:
Ele era formado em Direito. Também cursei Direito.
Ela era administrador público. Também já o fui.
Ele era pesquisador de história. Procurei sê-lo ao dirigir profissionais de nível em diversas áreas do conhecimento e coordenar mais de 20 Planos Diretores de Desenvolvimento Econômico no Nordeste.
Se consegui, é outra história.
Thomaz Pompeu foi douto e exponencial em tudo isso.
Por tal razão, meu caro acadêmico Virgílio Maia, ele está no panteão desta casa.

Após dois anos, o Diretor Geral e empresário jornalístico Eduardo Campos, condômino dos Diários Associados e industrial, sem prejuízo de sua atividade acadêmica nesta casa e no Instituto do Ceará, convida-me para escrever outra coluna, sobre “Administração e Negócios”. Foram anos naquele jornal, meu caro Eduardo Augusto. O salário recebido a cada mês era importante, pois havias outras tarefas a impender. Fazia, ao mesmo tempo, duas faculdades e trabalhava.
Tive a coragem, cedo despertada, para a inquietude, a aprender não o usual, mas o inédito, a não copiar ideias, mas criá-las. Aprendi isso em família. Dona Margarida, minha mãe, aos 93 anos, é de uma inteligência e presença de espírito notáveis.
Véspera do último Natal, perguntei-lhe: “Qual será o meu presente?” Ela respondeu de bate-pronto: “Podem ser as minhas mazelas?” Se sou incisivo é genético.

Em novembro de 2012, o professor Pedro Henrique rides again e me provoca: “Chegou a sua hora. Candidate-se. Estarei ao seu lado”.

Nesta campanha usei apenas o telefone, os Correios/motoboy e a Internet, sem visitar ou importunar a privacidade domiciliar ou profissional dos acadêmicos, sem denegrir, cumprimentando os três dignos contendores, mas acreditando no meu percurso e no apoio denodado de uma plêiade de acadêmicos cidadãos, a partir de Virgílio Maia.

No dia 29 de janeiro último fui eleito com 22 votos, maioria consagradora e, a partir de hoje, 21 de fevereiro de 2013, conforme contagem rigorosa do acadêmico Murilo Martins, serei o centésimo octogésimo sexto (186º.) Integrante desta Casa de Letras. A mais representativa da cultura do Ceará, Estado hoje com oito e meio milhões de habitantes.
Cara Acadêmica Regine Limaverde, chegada dos EEUU, véspera da eleição, saiba ter sido o acadêmico Pedro Henrique Saraiva Leão, o condutor maior desse pleito árduo. Sua posição foi aberta, decidida e catalisou forças.
A ele já disse: muito obrigado. O que repetirei, agora, por justiça e prazer: Obrigado, Dr. Pedro.

Por último, gostaria de tornar público o agradecimento já feito à minha mulher, Iracema Vale. Ela me manteve calmo ao dizer, todos os dia: vai dar certo. Assim o fiz. Assim o foi. A ela, mais uma vez, o meu obrigado.

O SAUDADOR
Insigne acadêmico Napoleão Nunes Maia,
Agradeço seu modo gentil e franco em oferecer-se, desde antes da eleição, com o posterior agreement da presidência.
Sou grato por suas doutas palavras. Elas, por sua fé de ofício e trajetória ascendente como professor, magistrado de tribunal superior e intelectual, deram visibilidade e fulgor a cada passo do meu percurso cultural. Obrigado, acadêmico Napoleão Maia.
Caro acadêmico, filósofo, sacerdote e professor Manfredo Ramos, tudo na minha vida foi construído com a energia, a fé e a coragem recebida dos meus pais, dois vencedores. Educaram nove filhos todos com educação superior.
Sou arrojado por ser visionário, e isso eu descobri estudando e pesquisando aqui e por continentes afora em viagens de trabalho, treinamento, cursos, seminários, congressos, palestras e debates com professores, em livros e periódicos.
Faço tudo do meu jeito meio sem jeito. Não uso a vida como artimanha. Penso ser a discrição no agir. Recolhi de Miguel de Cervantes, no clássico Dom Quixote, o ensinamento: “No puede haber gracia donde no hay discrición”. “Não pode haver alegria onde não há discrição”.
Se desejei empreender, ler, escrever e estudar, não foi trabalho, mas prazer. Foi sonho empenhado e cumprido.

SENHORAS E SENHORES,
Acreditava e ainda creio: a cada dia a minha vida se encerra e recomeça na alvorada seguinte. Por tal razão, concordo com Frederick de Chateaubriand quando dizia: “Tous mes jours son des adieux”. “Todos os meus dias são adeuses.”
O destino, Deus ou algo insondável, dão voltas. A este então Palácio do Governo acorri muitas vezes na juventude.
O meu professor Parsifal Barroso era o governador e só possuía um carro de representação, o G-1, com outras missões a rodar. Por conta disso dei-lhe carona, várias vezes, em meu Anglia. O douto professor Parsifal o chamava de “Gaforinga”. O amigo Rui Filgueiras Lima, aqui presente, era guapo oficial de gabinete do governador.

SENHORAS E SENHORES,
Ilustre Procuradora Cláudia Martins,
Este Palácio da Luz era um próprio do Estado e foi preciso, graças à audácia e perseverança da petição bem instruída do acadêmico e presidente da ACL, o notário Cláudio Martins, para surgir um empreendedor, Tasso Ribeiro Jereissati, no exercício do Governo do Ceará, com descortino para doá-lo, em 1989, à Academia Cearense de Letras, então asfixiada em salas do Edifício Palácio Progresso.
Que os nossos governantes e legisladores destinem parte dos recursos de orçamentos e verbas de emendas para o restauro indispensável ao funcionamento desta Academia Cearense de Letras, monumento histórico tombado de ampla visitação.

Os antecessores na Cadeira
Por justiça, engrandeço-me haver sido precedido, em linha sucessória, por acadêmicos do quilate de Cândida Galeno, do poeta Cruz Filho, do médico e intelectual Argos Vasconcelos e, historiador, intelectual e sacerdote, Alberto Nepomuceno de Oliveira, depois professsor Alberto Oliveira.
Alberto Oliveira nasceu em Pacatuba, terra natal do acadêmico Eduardo Campos e do Presidente de Honra desta ACL, o príncipe dos poetas cearenses, Artur Eduardo Benevides, na lucidez de seus 90 anos.
Alberto Oliveira estudou no Seminário da Prainha. Ali se ordenou padre, em 1949. Depois, formou-se em direito, licenciou-se em filosofia; em sociologia, na Itália; em pedagogia, na França; e foi a Israel para fazer atualização pedagógica.
Era, igualmente, mestre da UECE e da Universidade Federal do Ceará. Escreveu, entre outros, os seguintes livros:
– Droga, um perigo nacional
– Juventude, Crise e Educação
– Projeto de educação Anti-Tóxico
– Educação Libertadora de Paulo Freire
– Ressonâncias
Fácil é ressaltar haver na escritura do professor Alberto Oliveira uma preocupação objetiva com os jovens brasileiros, hoje a morrer às centenas em baladas de fogo e milhões submergidos nas drogas, um endêmico problema nacional a precisar mais de soluções e menos de promessas.
Além de toda a sua titulação meritória e produção cultural, o professor Alberto Oliveira teve a coragem, a sensatez e a hombridade de deixar a vida clerical para, como é próprio da natureza humana, amar e casar-se com xxxxxxxxxxxxx, aqui presente, e constituir uma família cristã, tendo a sua fé permanecido intacta.
Veja como as coincidências perseguem esta narrativa. Em um sábado, 11 de setembro de 1963, exatamente, na mesma página, ao lado de minha coluna “Informes Acadêmicos”, no Correio do Ceará havia um artigo do então padre Alberto Oliveira, sob o título: “A eternidade no Presente”. Dele, em certo trecho, lê-se: “a vida é a preparação para a morte”. Hoje, quase 50 anos depois, estamos relembrando e celebrando a sua vida.
De fato, ele já estava preparando a sua eternidade, ou imortalidade, no sentido acadêmico.

SENHORAS E SENHORAS, ESTOU QUASE A CONCLUIR.
Desculpem, senhoras e senhores, o tempo que lhes tomo. Não quis fazer uma homília. A todos, mesmo assim, peço ainda paciência para uma reflexão final sobre a pesquisa de janeiro deste 2013 do Instituto Ibope Media sobre leitura.
Entre nove capitais brasileiras, Fortaleza ficou em último lugar em índice de leitura. Dos entrevistados, somente 23% dos fortalezenses havia lido um livro nos últimos 30 dias. No país, como um todo, 73% das escolas públicas não possuem bibliotecas.
Com amargura, o nosso romancista maior e fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, falando sobre o Brasil do seu tempo, dizia:
“Não é desprezo pelo que é nosso, não é desdém pelo meu País. ‘O país real’, esse é bom, revela os melhores instintos. Mas o ‘país oficial’, esse é caricato e burlesco”.
Agora, falo eu : Esta nação precisa deixar de ser o país do jeitinho, do compadrio, de eleições a cada dois anos, do nepotismo disfarçado e tomar consciência: só pela educação e pela cultura seremos livres e soberanos para cuidar do presente e sonhar num futuro com alvíssaras.
É tempo, quem sabe, de se diminuir o culto a celebridades ocas, rever as programações das redes de emissoras nacionais, peritas em deformar a realidade, a repensar os gastos da Petrobras com caravanas de todas as naturezas e a patrocinar a Formula Um. É tempo, Dra. Graça Foster, quem sabe, de usar esses recursos para a refinaria cearense, tão prometida e nunca cumprida.
Devemos combater o abuso do álcool a matar pessoas nas vias e estradas do país, das ervas e das químicas incapacitadoras. É tempo de ajudar os milhões de brasileiros drogados. Muitas ruas do país são cracolândias permanentes e consentidas. É hora de melhorar as escolas, adicionar aulas em tempo integral e disseminar a leitura, desde a educação básica.
Os governos federal, estadual, municipal, a academia e a sociedade devem agir juntos e de forma objetiva. É preciso alimentar o espírito dos jovens, mas não com baladas ou drogas. Isto não é moralismo burguês, é atitude, o civismo e a cultura do século XXI.
Devemos, repito, lutar pelo desenvolvimento dos jovens carentes e adictos, através da ajuda às suas famílias.
É a hora do estudo, da informação, do conhecimento e da cultura como corolários neste tempo novo a exigir qualificação para qualquer tarefa ou encargo.
Hoje, em quase todos os crimes grupais há menores inimputáveis, aliciados por marginais já apenados e até reclusos em penitenciárias.
Como dizia o poeta, ensaísta e prêmio Nobel de Literatura, o mexicano Octavio Paz: “Las masas humanas más peligrosas son aquellas en cuyas venas ha sido inyectado el veneno del miedo… el miedo del cambio”. “As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo… o medo de mudar”.
Nós todos, governos, academias e sociedade, não devemos ter medo de mudar o refletir e o atuar. Não podemos, por privilégio ou arrogância, ser insulados e acastelados no bem estar e no saber, cercados de problemas das comunidades carentes. Elas nos observam e clamam por respeito e atenção.
O Ceará do século 21 brada por cultura para ter massa crítica, lógica nos raciocínios e não aceitar o atraso como fadário.
Devemos ser mais abertos, menos personalistas, e mais receptivos. Devemos ocluir o olhar sobranceiro e discriminador.
É preciso procurar a humildade esquecida e ativar os desejos, as sedes de leitura nos jovens, de aprendizado, de conhecimento, com a aptidão de transformar o medo em capacitação a demandar resiliência e cidadania plenas.
Agradeço a presença dos familiares, amigos, colegas, autoridades, colegas acadêmicos e, especialmente, ao presidente José Augusto Bezerra, empresário e bibliófilo a capitanear esta casa de letras.
Saiba, presidente, vim aqui para somar forças, não por vanglória. Conte comigo.
Este não foi um discurso magnificente(ou aparatoso?). Foi do meu jeito de pensar e viver. Não posso ser outra pessoa. Sou o seu autor e me responsabilizo por seu alinhavado texto.

Por fim:
Parafraseando o nosso dístico: Forti nihil difficile. Para os fortes nada é difícil. Unidos, seremos fortes.
Deus nos abençoe. Muito obrigado a todos.

OBS E DÚVIDAS
1) qdo vc está nominando os acadêmicos ao longo do discurso, os mencionados são os que votaram no seu nome?
2)só precisa detalhar a vida do antecessor imediato? nada sobre os que o antecederam?
3) o que apontei no txt são meras sugestões.
4) achei bem mais desenvolto do meio para o fim, principalmente as págs finais. Só que me pareceu um pouco “político” demais para uma Academia de Letras. Sua ideia é apontar mais diretamente a leitura como uma das soluções dos problemas atuais, é isso?
No todo, está bem mais uma conversa com os presentes do que uma peça oratória pesada, convencional. Acho que vai agradar sim, pela leveza, pelas histórias que humanizam as pessoas citadas e pela brevidade, bem de acordo com os nossos dias.
Parabéns pra vc e Iracema!