Qualquer pessoa com um mínimo de sentimento de mundo ou responsabilidade social, como se diz agora, fica apavorada com a sucessão de atos de violência urbana e se pergunta por qual razão as polícias, civil e militar, não têm capacidade de coibir ou resolver as demandas que, todos os dias, entulham as delegacias, são exploradas em programas policiais de televisão em reportagens sensacionalistas, com presos, vítimas e familiares. Esses programas são reprisados e servem, dizem, até como fonte de referência entre a marginalidade para estabelecer uma gradação de periculosidade e prestígio.
Procurei, com atenção, conversar com autoridade no assunto. Fiquei estarrecido em saber que são reservados como custeio, anualmente, apenas R$ 3,00 (três reais, repito), para a proteção de cada cidadão. Temos somente cerca de 170 delegados na ativa e o último concurso foi realizado em 1999.A polícia, pasmem, tem apenas 67 viaturas nas ruas, com restrição de combustível e não há um sistema “on line” de localização geográfica de chamadas feitas por delinquentes. Não existe um Código de Ética que defina parâmetros para a ação de policiais que têm a idade média de 34 anos, o que demonstra a necessidade de novos concursos públicos. Há, no interior, 139 municípios sem delegado e os 13 mil soldados da Polícia não têm equipamentos de qualidade, motivação e incentivos para a dura luta contra o crime.
Por outro lado, repórteres policiais relatam que há cerca de dez presos que comandam, de suas celas, parte da atividade criminosa. Como esses presos não são isolados e usam, livremente, telefones celulares, aproveitam centenas de marginais e menores espalhados com áreas de atuação diferenciadas. É provável que os clamores nacional e local, somados às ações novas anunciadas que serão desencadeadas pelo governo estadual, a partir de maio, possam começar a fazer diferença. O que a sociedade, pacífica e apavorada, precisa é de uma gestão policial contemporânea, inteligente, integrada, consequente e eficaz com baixo nível de tolerância. Chega de insegurança e medo coletivo.
João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/04/2007.
