Não sei por onde começar. Escolho Amy Winehouse. A primeira vez que a vi, pela televisão, foi em Beijing. O telão do bar do hotel reproduzia show seu. Os caracteres e a locução eram em Mandarim. Só descobri o nome ao final. Entre estarrecido e curioso fiquei pasmo com a figura gótica, franzina e voz marcante. O sobrenome judeu Casa de Vinho (Winehouse) não se mostrou suficiente. Era adicta de tudo e ninguém parecia cuidar dela. Tinha cara de jovem desvalida e o que a distinguia dos consumidores contumazes de cocaína e crack eram o talento e a irreverência consequente. Morreu aos 27, por absoluta desconexão com o mundo que a aplaudia. O mito surgido pela insensatez humana. Pulo para Oslo e a Ilha de Utoeya, no país que tem, ao meu olhar, o sol da meia-noite mais bonito do planeta, Dinamarca, sempre admirada por seu recato social coletivo. Agora, um desatinado – porém inteligente – “cavaleiro templário moderno”, Anders Behring Breivik, talvez leitor de romances do americano Dan Brown, como o “Código Da Vinci”, ativa carro-bomba em Oslo e daí, friamente, se desloca, falsamente fardado, para matar dezenas de jovens reunidos em Utoeya. Volto à China, país que vende tecnologia para todo o mundo e vejo que dois trens se chocam e matam 43 pessoas. Como? Os Estados Unidos, por sua vez, sofrem a angústia que só terminará depois de amanhã, 02 de agosto. Se os partidos Democrata e Republicano não chegarem a um acordo, mínimo que seja, o país poderá dar o maior calote mundial. Se isso acontecer, tudo o mais virá em ondas gigantescas como um Tsunami macroeconômico para todos, Brasil, inclusive. Aqui, a presidente Dilma está quase terminando a gravidez de nove meses, desde o seu primeiro dia no Alvorada. Neste período, já não aceita mais os conselhos do médico Palloci, devolve o enxoval e os presentes do “republicano” Ministério dos Transportes, enquanto rumina como chegará à délivrance marcada para fins de setembro. Ao cabo, um registro pessoal de pesar: o falecimento nos EEUU da arquiteta Maria Clara Nogueira Paes Caminha, profissional de brio, filha exemplar e mãe de filhos capazes e cidadãos do mundo.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 31/07/2011.
