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CONVERSA DE FUTURO

Dia desses, ao entrar em um banco, a gerente falou que havia sido nossa estagiária. Que bom. Depois desse fato, pensei e reuni o grupo de estudantes universitários que ora colaboram conosco. Eram de diversos cursos. Rapazes e moças na faixa dos 18/20 anos. Alguns estrangeiros, provindos de diferentes países. Disse da singularidade do nosso encontro e as razões porque o fazia. Houve brincadeiras, prêmios, incentivei-os a cantar e dançar. Conversamos até sobre nossas histórias pessoais. Ao final, um lanche rápido.
Há doze anos grupos como esse se revezam e nos ajudam como estagiários e auditores, mediante convênios com universidades e faculdades, recebendo cada um o valor de um salário mínimo por mês, além de benefícios e treinamento básico. Alguns passam a trabalhar conosco. A eles falei que poderiam ter sonhos, mas precisavam saber o que queriam da vida, se empregados, professores, profissionais ou negócio próprio. Disse da minha experiência quando universitário: trabalho, jornal e correspondente de revista. Nas férias, ao viajar, levava artigos – em consignação – para vender e cobrir despesas.
Falei da necessidade de se ter metas, desafios e embasá-los na formação acadêmica, mas complementando-os com a curiosidade, a leitura e a reflexão/comportamento que, reunidos, formam a nossa (in)competência pessoal para enfrentar os desafios que a vida cobra. Fizemos fotos e lembrei que poderia ter gerado esse tipo de encontro desde a primeira turma, em 2000. Saí leve e feliz.

João Soares Neto,
escritor.
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 15/07/2012.

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EUFORIA E DEPRESSÃO – Jornal O Estado

O Brasil passou quase incólume pela crise mundial de 2008/9. Acreditava-se, diziam muitos, que a crise europeia – que se arrasta há anos – não nos atingiria: temos “fundamentos”. Conversa fiada. Recebemos um soco na economia brasileira que imagina como solução vender carros encalhados, desde 2011, em um país de rodovias ruins porque densamente utilizadas por caminhões pesados. Temos, ainda, neste século 21, escassas ferrovias regionais e nenhuma nacional para cargas. As cidades já não comportam mais os veículos que têm. Isto sem atentar para as endiabradas motocicletas que infernizam o trânsito e provocam elevadas despesas nos lotados hospitais públicos.
O Brasil acreditava mesmo que a emergente classe média ia bem. De repente, uma profusão de milhões de cartões de crédito foram entregues a pessoas que não aprenderam ainda a cuidar de suas economias. No Brasil, as empresas de cartões de crédito estão nas ruas, aceitam todo tipo de cliente e cobram, por cada mês de atraso, os mesmos juros anuais definidos pelo Banco Central. Em 2011, os juros médios do dinheiro de plástico foram de 323,41% ao ano.
Resultado, milhões de pessoas penduradas com dívidas. Isso provoca, além da depressão pessoal, desajustes familiares e restrições em seus empregos. Não rendem no trabalho, atormentadas que estão com o que devem. Os desempregados, em boa parte, não conseguem ocupação por novas qualificações solicitadas e suas inclusões nas listas de devedores dos serviços de proteção ao crédito-Spc e do Serasa – empresas privadas que bisbilhotam e fornecem “fichas sujas” para os que se afoitaram além de suas possibilidades. É vero.
A farra consumista brasileira vai ter que encontrar, do outro lado da ponte da vida, com a realidade cruel que atinge a maioria. As publicidades enganosas precisam dos olhares do Conar, entidade não governamental que, por definição, deveria cuidar da autorregulação da propaganda e da liberdade de expressão. Não se pode gastar esperando bonança futura. É básico que todos devam ter um orçamento. Se você gastar mais do que ganha, algo acontecerá. Não há como fugir das contas que o acossam através de protestos de títulos, questões judiciais para devolução de veículos e propriedades e as intermináveis discussões sobre os abusivos juros dos já referidos cartões de crédito.
Parcimônia é palavra pouco conhecida do brasileiro. Qualquer comemoração familiar, do batizado ao casamento, é, quase sempre, prova de insanidade pelo deslumbramento desnecessário. Ninguém deve acreditar que pode melhorar de vida mudando hábitos de consumo que devem ser coerentes com os contracheques que recebe. Não pegue corda de pessoas amigas e vendedores que o incitam a comprar o que não precisa e, mais que isso, sem a certeza de poder pagar. Deus não dá um jeito em tudo. Temos que fazer a nossa parte. A euforia sempre é passageira. A depressão demora. O equilíbrio pessoal poderá se transformar na parcimônia/comedimento que todos deveriam ter. O uso da razão determinará seus limites.

João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20/07/2012.

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BRASIL OLÍMPICO – Diário do Nordeste

A “Veja”, especial sobre a Olimpíada de Londres, transforma Neymar em Guarda da Rainha, copiando a capa da “Realidade”, de 1966, com Pelé. Naquela Copa, o Brasil foi pífio. O iatista Robert Scheidt metamorfoseou-se em Churchill. Fabiana Murer encarna a Mary Quant, estilista que “criou” a minissaia. E por aí vai. Esse fato mostra o endeusamento de atletas que, ao final desses jogos, trarão, se muito, 20 medalhas.
Foram gastos milhões por um Comitê gerido há anos pelas mesmas pessoas. Desde 1920, o Brasil ganhou apenas 91 medalhas. Dessas, apenas 20 foram de ouro. Os gigantes EUA, mesmo período, ganharam 929 ouros. A razão? A maioria dos atletas sai de universidades. Os nossos, não. Muitos se deslumbram com o novo status e caem na gandaia. Não só no futebol. A vantagem de ser celebridade efêmera é que se é conhecido por quem não o conhece de fato.
A pequena Cuba tem 194 medalhas, 97 ouros. O nosso melhor desempenho (15 medalhas) foi na Olimpíada da Antuérpia, 1920. Todos eram amadores. Agora, há fartos patrocínios de empresas públicas e privadas e os atletas se consideram heróis só pelo fato de estarem na alegre comitiva de 2.000 pessoas, com menos de 300 atletas.
Alugou-se o caro Crystal Palace, centro para treinamento de algumas modalidades. É claro que torço pelo nosso sucesso. Entretanto, é preciso ver o que se fez antes, hoje e o que mostraremos em 2016, quando sediaremos a Olimpíada. O Brasil deve deixar de ser fanfarrão e melhor educar/preparar os seus atletas que não podem ser heróis antecipados.

João Soares Neto,
escrito
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 22/07/2012

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CASAMENTO E PENSÃO – Diário do Nordeste

O episódio esposado por Rosane Malta, ex-Collor, mostra um lado negro da mulher dita atual. Algumas mulheres ainda fomentam a ideia de que os homens são machões, dominadores, provedores e que tais. Abandonou: pague o ônus. É importante lembrar que até séculos recentes não havia o casamento “por amor”. Na maioria das uniões prevalecia a vontade das famílias, que sugeriam, indicavam e até obrigavam a escolha. Discutia-se qual o(a) parceiro(a) mais recomendado(a) em função da raça, do status social ou político, da conveniência, das relações de amizades/negócios dos pais ou dos interesses.
Só há pouco, quando a mulher desvendou a sua sexualidade, foi que apareceram o amor e a insubordinação. Vou casar porque quero e não me importo o que (pai/mãe) achem. Entretanto, ainda há parcela remanescente de mulheres que acreditam ser o casamento um fim em si mesmo. Espécie de profissão, fonte de divisas, ascensão e seguro.
Assim o fez a citada Rosane que sequer teve filhos com o “réu” Fernando. Apesar disso, acha-se no direito de viver das “culpas” de seu ex-marido. Não contente, “revelará” em livro de “ghost writer”, “faces” do caráter e comportamento de quem deve sustentá-la “de um, tudo”.
Por outro lado, mulheres que estudaram, trabalharam e se profissionalizaram sabem que a única certeza na vida é a mudança. Cuidam elas de dar outra significação às suas relações afetivas, sejam casamentos, uniões ou circunstanciais. Se todos são os sujeitos do próprio destino, como esperar que alguém arque com a vida futura de quem nada mais tem em comum?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/07/2012

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21 ANOS DA SOCIEDADE CONSULAR DO CEARÁ – Jornal O Estado

Ontem à noite a Câmara Municipal de Fortaleza, por requerimento do seu presidente, Vereador Acrísio Sena, realizou Sessão Solene Comemorativa dos 21 anos de fundação da Sociedade Consular do Ceará, entidade que congrega os vices e cônsules honorários. Eles são os acreditados por Carta Patentes dos países que os designam e que no Brasil recebem o “Exequator” ou Beneplácito do Ministério das Relações Exteriores.
A Sociedade Consular do Ceará foi criada em Fortaleza, em 07 de agosto de 1991, tendo como fundadores os cônsules João Ribeiro de Matos Montenegro, Luciano Montenegro, Gerhard Wichmann, Francisco Angelo de Francesco, Gerard Boris, Francis-Bloc Boris, Alexandre Costa Vidal e Humberto Fontenele.
Seu primeiro presidente foi o Cônsul Honorário da Holanda, engenheiro Luciano César Cabral Montenegro, cidadão ilibado, chefe de família reconhecido que soube, cercados por filhos e netos, com equilíbrio, superar a perda de sua mulher, Maria Cecília Fiúza Montenegro.
O Cônsul Luciano Montenegro recebeu, na segunda parte da Sessão Solene, em decorrência de decisão unânime da Assembleia Geral Extraordinária realizada no dia 17 de abril de 2012, como reconhecimento aos serviços prestados à esta sociedade que dignamente presidiu, por mais de uma gestão, a Medalha do Mérito Consular Bertrand Boris, assim designada em homenagem a esse imigrante francês e cearense por adoção, dirigente da Casa Boris, respeitável e centenário estabelecimento de importação e exportação.
Bertrand Boris casou-se com uma Caminha do Aracati, a Sra. Arisa Caminha Boris, e por muitos anos, foi Cônsul Honorário da França, no Ceará. Constituiu família cearense, entre eles, o seu filho, já desaparecido, Gerard Achilles Boris que o substituiu no mesmo consulado.
A figura do Cônsul remonta à Grécia Antiga e perpassa o Império Romano, sempre exercida por alguém de notório saber e destaque social reconhecido com o objetivo de proteger, no exterior, os interesses das pessoas naturais do Estado que representa.

A atividade consular é regida pela Convenção de Viena, que entrou em vigor em 1967, e expressa que os cônsules não atuam na representação política, mas na trajetória de defesa dos interesses privados dos cidadãos e das empresas e entidades dos países que representam.
A Sociedade Consular do Ceará é composta dos seguintes Cônsules e Vice- Cônsules: Dieter Gerding, da Alemanha; Elfriede Reinhilde Lima, da Áustria; José Airton Cavalcanti Teixeira, de Belize; Carlos Maurício Duran Dominguez, da Colômbia; Fernanda Jensen, França; Annette Therese Yvonne de Castro, Holanda; Janos Fuzesi Junior e Szofia Eross Sales; Ednilton Gomes de Sóarez, Finlândia;
Roberto Misici, Itália; João Soares Neto, México; Marcos Aurélio Soares de Castro, Noruega e Dinamarca; Francisco Neto da Silveira Brandão, Portugal; Luciano Nunes Maia, Romênia; Raimundo José Marques Viana, República Tcheca; e, José Maria Zanocchi, Uruguai.
A Sociedade Consular do Ceará agrega, extra pauta, representantes de comunidades estrangeiras no Ceará, especialmente as da Argentina, por Carlos La Rocca; e a dos Estados Unidos da América por Patricia Carolyn Cavin.
Passados 21 anos, uma centelha na contagem do tempo absoluto, são estes os atuais integrantes da Sociedade Consular do Ceará, que tentam manter vivo o ideal dos que se reuniram pela primeira vez na Rua Guilherme Rocha, em agosto de 1991.
Em nome dos colegas referidos agradeci ao Presidente Acrísio Sena a homenagem da Câmara Municipal de Fortaleza, casa que representa o povo e deve defender, tal como fazem os cônsules , os interesses dos cidadãos que nela habitam. Nos sentimos distinguidos e honrados.

João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 03/08/2012.

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MEU VOTO – Diário do Nordeste

Estou procurando candidato a prefeito para votar. Meu voto é caro. Só votarei em quem me prometa, por escrito. Tenho pedidos a fazer. São simples. Vou listá-los, um a um: 1. Desejo que plante, nos primeiros meses de 2013, um milhão de árvores em toda a cidade, à época das chuvas, em grande mutirão consciente; 2. Transforme a Beira Mar em via de 40m de largura. O Rio fez isso no começo dos 60 e não se arrepende. A areia seria retirada do mar para aumentar o calado do porto e receber transatlânticos. Turismo é riqueza. A Avenida Fortaleza sairia do Caça e Pesca e terminaria na Barra do Ceará.
3. Converta a região da Sabiaguaba, já preservada em lei, em grande parque que se somaria aos do Cocó e o Adahil Barreto. A cidade verticalizada exige áreas verdes, cuidadas e fácil acesso para desfrutá-las. 4. Crie um Instituto de Planejamento Urbano com a participação efetiva no seu conselho diretor das universidades Federal, Estadual e Unifor; 5. Leia, rediscuta, acate/ modifique o Plano Diretor Participativo ou implante plano real e consequente para o futuro de Fortaleza até 2030. 6. Priorize a educação fundamental com reforma, ampliação e criação de escolas em cada km2 da cidade.
Como Fortaleza tem 350 km2, complete 350 escolas, em dois turnos. 7. Erija 100 novas creches nas áreas periféricas. 8. Construa avenida panorâmica margeando o Rio Cocó, protegendo mananciais e escoando o tráfego no sentido praia-sertão-praia. 9. Desaproprie a área contígua ao Frotão-IJF entre a Barão do Rio Branco, Senador Pompeu e Meton de Alencar e crie ali nova unidade apenas para traumas, com estacionamento no subsolo. 10. Crie plano de demissão voluntária, acabe com serviços terceirizados e faça concursos para funcionários com cargos e carreiras. Quem se habilita?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 05/08/2012.

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CASAMENTO DE ALUGUEL – Jornal O Estado

Uma amiga americana, professora doutora, casou-se, segundo sua versão, com um músico brasileiro dezenas de anos mais jovem, simplesmente para abrir a ele as portas do paraíso americano. O tempo passa e a reencontro. Como vai o casamento? “Ele entrou nas forças armadas americanas e agora é cabo músico da banda dos fuzileiros navais no Iraque”, disse-me ela ano passado. Essa história, ou estória, foi comum nas últimas décadas do século passado, e até recentemente.
O fim do Milagre Brasileiro dos anos 70 enxotou muita gente para “fazer a América”. O município mineiro de Governador Valadares, por exemplo, era o campeão e mandava milhares de seus guapos filhos para ganhar a vida em dólar. Uns entravam com a ajuda de “coiotes”(os que comandam a entrada ilegal), pagando centenas/milhares de dólares pela travessia no Rio Grande. Outros, tinhosos, casavam-se. Tais como o músico. Tudo por um punhado de dólares. A rede Globo exportava novelas. Jornais, quase sempre tablóides, em língua portuguesa, proliferavam na Flórida, Nova Iorque, New Jersey, Califórnia, Massachussets, Connecticut e em vários outros quadrantes dos EUA. Eles continham anúncios de empregos, venda de veículos facilitada para estrangeiros, propaganda de profissionais brasileiros, sobretudo advogados “especializados” em regularização de “indocumentados”, Green Cards e casamentos. Esses jornais, na sua maioria, desapareceram.
Depois da débâcle econômica de 2008, a história e a balança do mundo mudaram. Muitos brasileiros estão de volta falando um inglês sofrível, sobraçando álbuns de fotografia, tatuagens, celulares e algum dinheiro para recomeçar a vida por aqui. Foi assim também há algumas décadas com o Japão, que preferia descendentes de seus naturais e os utilizava como mão-de-obra semi-escrava. O Banco do Brasil prosperou exponencialmente por lá com as remessas mensais dos nossos trabalhadores para suas mães, suas mulheres e seus filhos. Os decasséguis não contavam para as suas famílias brasileiras as vidas ultrajantes que viviam. O encanto acabou e a volta chegava a ser financiada pelos parentes daqui.
Por outro lado, europeus, especialmente portugueses, espanhóis e italianos, aqui vieram, apaixonaram-se rapidamente e resolveram “casar” com brasileiras e ganhar o visto de trabalho ou de residentes. É claro que há uniões verdadeiras, por sentimento, mas o casamento fabricado era e é, muitas vezes, uma mera “união estável” a troco de compensação financeira preestabelecida. Há casos até de homossexuais que arranjam cônjuges para regularizar sua permanência na terra brasilis. E não deixam a sua vida airada.
Esse fluxo, começou em 2003, quando a economia europeia já apresentava uma crescente taxa de desemprego. Sabe-se que a Polícia Federal, por amostragem, visita os novos casais e até pode processar os nubentes por falsidade ideológica e expulsar os estrangeiros que se aventuram nessas tramóias. De qualquer forma, o Brasil já pode orgulhar-se de ser novamente, tal como nos fins do século 19 e começo do 20, uma terra prometida. É a glória. Nós temos a força.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 10/08/2012

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PAIS DE AGOSTO – Diário do Nordeste

Filhos são sempre benevolentes com as mães. Quase sempre são duros com os pais. Agora, neste agosto, filhos estarão acompanhando seus pais pela televisão e saberão se falarão verdades ou mentiras. Eles, em casa, conhecem os pais de chinelos e bermudas.
Ouvem seus resmungos nos telefonemas e sabem, pela convivência, que não há clima para conversa.
É um entra e sai constante de figuras que se trancam na sala para diálogos duros com os seus pais e até insultos mútuos eles trocam.
Os pais não os recebem, os de paletó, de chinelos e bermudas. Fazem a barba, vestem roupas engomadas e tentam não parecer preocupados.
Os filhos sabem que seus pais estão ansiosos, dormem pouco, fumam muito.
Alguns bebem, e não desgrudam os olhos nos canais de televisão, revistas e jornais que, muitas vezes, pisoteiam.
Falam mal de jornalistas e não aceitam os pedidos de rezas que as suas mães, avós de seus filhos, dizem estar fazendo.
Começou no dia 02, há quase uma semana, e não se sabe ao certo quando e como vai terminar. Tudo ainda é uma incógnita.
Juízes, assessores, advogados, réus, procuradores, testemunhas e jornalistas bisbilhoteiros deambulam pelos corredores da Corte que se acredita suprema e, todos, tentam dar a impressão de que estão tranquilos.
Ninguém está.
São reféns da história que ainda se escreve e ficará para sempre. Os filhos têm boa memória e sabem, mais que todos, quem são os seus pais.
Aguardam. Aguardam.

João Soares Neto
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 12/08/2012

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LER QUADRINHOS – Jornal O Estado

Tudo bem. Vão dizer que estou entregando a minha já consumida idade. Nada disso. O que declaro aos meus escassos leitores que chegam os olhos ao pé desta página 2 do DN é que comecei a ler quadrinhos muito cedo. Lia “Gibi” e percorri a iniciação com quadrinhos do Flash Gordon, Tarzan, Superman, Homem Submarino e as ilustrações para os livros do Monteiro Lobato, tão grande quanto questionado.
Ouvi dizer que a HQ no Brasil começou em 1905 com a revista “Tico-Tico”, depois veio o J.Carlos e cá estamos em 2012 vendo, rindo e escrevendo sobre essa arte sequencial, que se vale de pouco texto e imagens, formando “tiras”. Ainda hoje, avô de netos infantes, me dou ao luxo de ler, diariamente, os quadrinhos/tiras de Angeli, Laerte, Caco Galhardo, Adão e André Dahmer, todos na Folha de SP. Nordeste-DN, vejo o Mino com o seu Capitão Rapadura, Xuxu, Cabeção e D. Charmô.
Quem gosta de quadrinhos é, quase sempre, minimalista, alguém que se expressa com poucas palavras e tem humor diferenciado que, muitas vezes, não é percebido pelo ouvido desatento. Neste agosto, até o dia 26, está havendo no Shopping Benfica, 1º. Piso, o Fórum de Quadrinhos do Ceará. É gratuito, das 10 às 22 horas, Lá você poderá encontrar alegria ao ver cartoons, tiras, mangás e até participar de oficinas de super heróis, pintura infantil, desenho ligeiro e muito mais.
Artistas como Luís CS, Maxwell Duarte, Kaléo Mendes e Ladely Mendonça terão paciência para explicar, em oficinas, como funcionam a mente e a mão do quadrinista, Ajudarão você a fazer, pelo menos, um tira para que possa mostrar aos amigos, à paquera, aos filhos e aos netos. Procure no site www.shoppingbenfica.com.br e tire suas próprias conclusões. Vá ver. O quadrinho é uma iniciação cultural de bom nível e o desligará, por instantes, das verdades e promessas que este tempo pré-eleitoral nos mostra de todas as formas e cores. Menos em quadrinhos.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 17/08/2012

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LER QUADRINHOS – Diário do Nordeste

Tudo bem. Vão dizer que estou entregando a minha já consumida idade. Nada disso. O que declaro aos meus escassos leitores que chegam os olhos ao pé desta página 2 do Diário é que comecei a ler quadrinhos muito cedo. Lia “Gibi” e percorri a iniciação com quadrinhos do Flash Gordon, Tarzan, Superman, Homem Submarino e as ilustrações para os livros do Monteiro Lobato, tão grande quanto questionado. Ouvi dizer que a HQ no Brasil começou em 1905 com a revista “Tico-Tico”, depois veio o J. Carlos e cá estamos em 2012 vendo, rindo e escrevendo sobre essa arte sequencial, que se vale de pouco texto e imagens, formando “tiras”. Ainda hoje, avô de netos infantes, me dou ao luxo de ler, diariamente, os quadrinhos/tiras de Angeli, Laerte, Caco Galhardo, Adão e André Dahmer, todos na Folha de SP. Neste Diário, vejo o Mino com o seu Capitão Rapadura, Xuxu, Cabeção e D. Charmô. Quem gosta de quadrinhos é, quase sempre, minimalista, alguém que se expressa com poucas palavras e tem humor diferenciado que, muitas vezes, não é percebido pelo ouvido desatento. Neste agosto, até o dia 26, está havendo no Shopping Benfica, 1º. Piso, o Fórum de Quadrinhos do Ceará. É gratuito, das 10 às 22 horas, Lá você poderá encontrar alegria ao ver cartoons, tiras, mangás e até participar de oficinas de super heróis, pintura infantil, desenho ligeiro e muito mais. Artistas como Luís CS, Maxwell Duarte, Kaléo Mendes e Ladely Mendonça terão paciência para explicar, em oficinas, como funcionam a mente e a mão do quadrinista, ajudarão você a fazer, pelo menos, uma tira para que possa mostrar aos amigos, filhos e netos.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 19/08/2012