Sem categoria

ACADEMIA E PARLAMENTARES – Jornal O Estado

Na manhã de sexta-feira passada, dia 07 de junho de 2013, no Palácio da Luz, a Academia Cearense de Letras, sob a presidência de José Augusto Bezerra e a coordenação de Ubiratan Aguiar, conseguiu feito inédito. Ali estiveram presentes: o Senador Inácio Arruda; o coordenador da bancada federal, Antonio Balhmann; e os deputados Gorete Pereira, Ariosto Holanda, Artur Bruno, Chico Lopes, João Ananias, Raimundo Gomes de Matos e Vicente Arruda. O Dep. Danilo Forte mandou representante.
As motivações do encontro foram:
1º- o estado crítico em que se encontra a estrutura física do tricentenário prédio, já objeto de projeto, elaborado em 2009;
2º- a necessidade da Academia dispor de recursos tecnológicos para se tornar um ente cultural ajustado às demandas atuais da sociedade;
3º- a implantação de sistema de segurança para a proteção do acervo, demobiliário adequado, climatização esonorização da sede;
4º- implementação de projeto sistêmico para a criação–contando coma participação do Dep. Ariosto Holanda e do ocupante da Cadeira 35 – de um Centro Vocacional Cultural-CVC que, após implantado, poderá ser irradiado para todo o Ceará.
Os parlamentares, acompanhados dos já citados acadêmicos, de Ângela Gutierrez, de Ednilo Soárez e da diretora administrativa Regina Fiúza, visitaram todas as dependências dos dois pavimentos da Casa constatando o estado de penúria do auditório, da biblioteca, da pinacoteca e de todosos demais cômodos, com problemas de natureza estrutural.
O Palácio da Luz é um bem público, tombado como patrimônio histórico do Ceará, mas está, é preciso repetir, em situação crítica de segurança. Nele, além da Academia Cearense de Letras, reúnem-se, sistematicamente, mais de 15 entidades culturais, entre elas a Academia Fortalezense de Letras. Aventou-se a necessidade de criação, no centro da cidade, de um eixo cultural que contemple o perímetro da área que abriga equipamentos culturais, afora o Palácio da Luz, como o Instituto do Ceará, o Theatro José de Alencar, a Igreja do Rosário, a Igreja do Patrocínio, a casa de Juvenal Galeno, o Parque da Criança, o antigo Rotissérie, o Museu do Ceará, entre outros.
Depois, encaminharam-se ao banco onde repousa a escultura em bronze de Rachel de Queiroz, na vizinha Praça General Tibúrcio, também conhecida como Praça dos Leões em razão das esculturas desses animais que encimam os seus pórticos, antes tidos como monumentais.
A visita à Praça General Tibúrcio fez-se necessária em face da insegurança constatada. Em todos os seus quadrantes estão quiosques, ambulantes, vendedores de livros, famílias de pedintes e pessoas sem teto que se apropriaram daquele espaço público. Emborafosse manhã, o olor de excrementosse fazia sentir a cada passo. Os parlamentares ficaram, nas palavras deles próprios, estarrecidos com o “status quo” e se prontificaram a transmitir o que viram a seus demais pares.
Este relato, cru e fidedigno, parece uma constatação arquitetônica pontual. Embora não importe, é bom lembrar o escritor F.Scott Fitzgerald: “a literatura é arquitetura. Ela não é decoração de interiores”. A casa da literatura cearense reclama por cuidados de vera arquitetura, não é o caso de decoração de interiores
Estivemos, pois, a mostrar as faces sujas e fissuradas de um velho prédio construído com mão de obra nativa e indígena, ainda do final do século 18, pelo Capitão-Mor Antonio de Castro Viana. Em 29 de setembro de1802 o prédio foi arrematado para ser a sede da Câmara. Entretanto, não havia verba para o pagamento. Assim foi criado o “Subsídio das Aguardentes”, que determinava o pagamento de 4$000 por cada pipa de aguardente importada que desembarcasse em portos da província. A quitação do pagamento, feito dessa forma, só foi concluída em 03 de novembro de 1807. Em 1808, o então Governador Luiz Barba Alardo de Menezes, sob o argumento de que sua casa havia sido furtada, mudou-se para o local. Embora houvesse resistência da Câmara, passou a ser a sede do governo até 1970. A nova sede do Governo, o Palácio da Abolição, foi inaugurada em 04 de julho de 1970.
Mesmo aligeirado, este relato mostra a necessidade de recuperar, para preservar o que a História do Ceará nos legou. Não podemos deixar que essas conquistas sejam relegadas a um plano subalterno. Os jovens do novo milênio precisam de referências histórico-culturais para construir as fundações dos seus conhecimentos. Sem essas referências a juventude será tão oca como parte das conversas narcísicas trocadas a cada dia no Facebook e outras mídias.
O Palácio da Luz é do Ceará, todos os acadêmicos são transitórios e bem letíficos. Só a Academia Cearense de Letras, sua cessionária, é permanente.
João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 14/06/2013.

Sem categoria

FRAN MARTINS – Diário do Nordeste

Tive a honra de ser aluno de Direito Comercial do professor Fran Martins, na Faculdade de Direito da UFC. Tive a alegria de abrir e manter escritório no mesmo andar do seu, no edifício Jalcy, na Guilherme Rocha. A par disso, havia nele um duplo. Não bastava ser um grande mestre, autor de vários livros jurídicos, entre eles, o “Curso de Direito Comercial” que está hoje, 2013, na 36ª. edição.
Ele tinha na construção da sua personalidade literária um outro eu, um ficcionista que, segundo C.A. Viana: “segue a trilha da concisão; os períodos curtos desencadeiam o predomínio de blocos narrativos cujas construções tendem a períodos compostos por coordenação …”. Foi desse modo que o jurista conciliou a sua ficção neo-realista em “Ponta de Rua”, “Poços dos Paus”, “Mundo Perdido”, “Estrela do Pastor”, “O Cruzeiro tem Cinco Pontas”, “A Rua e o Mundo” e “Dois de Ouro” com a criação de uma visão técnica e didática do Direito Comercial; analisasse a Falência, dissertasse sobre as Sociedades por Quotas, desvendasse o Cartão de Crédito e empreendesse novos caminhos sobre o Direito Societário.
Se isso não basta, foi o único Diretor-Editor da revista Clã, desde o inicial, 1948, até o 29, 1988. Acresça-se ter dirigido o jornal O Estado.
Quinta, 13.05.2013, foi a data do centenário de nascimento desse homem plural, quase sisudo, mas cordial que, em 1996, nos deixou. As suas obras não mergulharam no limbo. Pelo contrário, formam um clã vivo de sucesso.

João Soares Neto,
escrito
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 16/06/2013

Sem categoria

VALE CULTURA E CEUs das ARTES – Jornal O Estado

O governo Dilma, através do MinC, resolveu instituir o Vale Cultura-VC para atender, principalmente, aos que se descrevem como promotores culturais, alguns dos quais fazem peças de teatro anódinas, filmes de discutível qualidade, escrevem livros- encalhados-de prosa e poesia e lançam CDs e Dvds de cantores/compositores emergentes ou veteranos. Os VC serão destinados a trabalhadores que ganham até 5 salários mínimos.
As micro e pequenas empresas não terão nenhum incentivo fiscal com a distribuição do VC a seus colaboradores. Enquanto isso, as grandes empresas poderão descontar 1% do IR devido para o mesmo VC. Com 50 reais por mês, os que ganham até cinco salários mínimos vão ter a opção de escolher, para si próprios e os seus, entre filmes, standups, comédias, dramas, livros, visitas a centros culturais, a museus e comprar CD e DVDs. De repente, quem sabe, ficarão cultos e com massa crítica para entender o Brasil, suas artes e manhas. No Nordeste, cerca de 90% dos trabalhadores estão enquadrados nessa faixa de até cinco salários. Esperamos que todos fiquem mais ilustrados.
O VC foi apresentado por medida provisória-MP no dia 13 deste maio de 2013 e, certamente, será objeto de altos estudos nas duas casas congressuais que nada pedirão em troca. É bom lembrar que o ministro da Educação, Aluizio Mercadante, disse, recentemente, em Recife, a estarrecidos ouvintes: “O que museu tem a ver com educação?”. Seria bom que a sua colega Marta Suplicy explicasse para ele qual a finalidade de um museu e a sua relação com a educação e a cultura.
Cumpre lembrar que 91% das cidades brasileiras não têm cinemas, 72% das comunas não possuem sequer uma livraria e apenas 23% contam com museus. No Nordeste, a situação ainda é pior, claro. Acredita-se que 42 milhões de brasileiros poderão ser beneficiados com a nova medida. Pensando em fraudes, o cadastramento será apenas de cinemas, livrarias, centros culturais, teatros, museus e lojas de discos.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Cultura está abrindo “CEUs das Artes” para divulgar a cultura do Brasil na Europa. Não custa lembrar que, segundo dizem, só a cidade de Londres possui mais museus que o Brasil. Buenos Aires teria mais livrarias que o nosso país. A idéia da ministra Marta Suplicy presume ser inovadora. Ela adotou na sua administração amável, o “soft power” ou poder suave, na tradução literal. Essa expressão, na verdade, foi esculpida por Joseph Nye, cientista político americano. A Alemanha sabe-se, usa há tempos o “Goethe-Institut” e a China espalha os “Confúcios”. Muitos países atuam com outros instrumentos de difusão cultural. Agora, vamos nós.
Segundo Fernanda Mena, da FSP, o soft power “denota a capacidade de um país influenciar e persuadir por meio do seu poder de inspiração e atração”. Esperamos que esse poder suave possa realmente trazer cultura para o povo brasileiro com o VC e, ao mesmo tempo, encantar os europeus com os CEUs das Artes. Nós, os que tentamos trabalhar com cultura e arte, sabemos que há um longo caminho a ser seguido. As instituições de cultura e arte, como as academias, precisam de ajuda e rápido para os seus trabalhos sérios e permanentes. Os produtores culturais têm ONGs, amigos políticos e fazem disso um meio de vida. George Santayana, filósofo e ensaísta espanhol do século passado, advertia: “A cultura está sempre entre o dilema de ser profunda e servir a poucos ou popular e tornar-se superficial”.

João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 21/06/2013.

Sem categoria

MANIFESTAÇÕES – Diário do Nordeste

A juventude anda às turras contra atos e fatos políticos e quem pega o pesado é a segurança pública. São manifestações marcadas pelas redes sociais, mas ainda não arrazoadas com profundidade.
Cria-se o clima, uma onda, e lá se vão multidões distintas a protestar nas ruas. A democracia comporta e pede isso.
A soberania popular, por outro lado, não dá carta branca ilimitada. Ela reclama analisar o que sentem e ouvem, mesmo com paixões, mas, antes, deve-se usar a razão.
A imprensa – ou parte dela – destaca os fatos e realimenta as reações.
Estabelece-se o confronto. É hora de reavaliar o Brasil. Os jovens trocam as redes sociais pelas ruas. E isso é saudável.
Por outro lado, em contraponto positivo, há uma luta da Política Nacional sobre Drogas. Nela se destaca o trabalho da Divisão de Proteção ao Estudante – Dipre, da Polícia Civil.
É luta para esclarecer, difundir a prevenção, a repressão, a recuperação e o combate aos traficantes. Esse trabalho cauteloso acontece em escolas, estabelecimentos públicos e privados que abrem os seus salões para ações de vigilância e duelo contra drogas.
Voltando ao princípio: Democracia é diversidade de pensar e agir. Muitos dos manifestantes poderão doar parte das suas energias e revoltas na colaboração a movimentos de proteção aos jovens iniciados nas drogas, especialmente o “crack”.
Isso também é cidadania. A droga é tão endêmica quanto os desmandos evidentes.
Valorizar a vida é não fechar os olhos a essa tragédia a minar famílias e o Brasil.
Denuncie, aja.

João Soares Neto
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 23/06/2013.

Sem categoria

AFINAL, O QUE ESTAMOS VENDO E VIVENDO? – Jornal O Estado

Os cientistas sociais, a imprensa, o governo com os seus órgãos de segurança/informação e a política brasileira foram abalados em seus alicerces. Como não prever o que aconteceu e vai continuar a existir nesta nova onda de protestos que, mesmo sem querer, parece ter sido atiçado em mínima parte, por uma inventiva propaganda de uma marca de veículos?
Essa propaganda objetivava a simples venda de veículos e clamava a todos: vão para a rua. Comprar carros e ir para a via limpa, bonita, asfaltada, sinalizada, segura e desfrutar da liberdade de pagar um carro, com juros, por longos anos. Essa é a quimera. A realidade, outra.
Um cartaz de manifestante fez o contraponto a essa falsa ilusão consumista de todas as classes sociais. Seu texto: “País desenvolvido não é onde pobre tem carro, é onde o rico anda de transporte público”. E, um detalhe, nele não se falou sequer nas motocicletas, vendidas em longo prazo. Tão longo que boa parte dos seus guiadores é acidentada, antes mesmo de concluir os pagamentos, nos trânsitos caóticos de nossas cidades.
A empáfia das elites, da política brasileira e das propagandas que desejam vender tudo a qualquer preço, contavam – espalhavam – que o Brasil vivia o melhor dos mundos. Nada nos atingiria. As crises do mundo, não nos diziam respeito. Todos os brasileiros teriam acesso a tudo. De tanto comparar a propaganda massificada com a realidade, o povo cansou.
Depois da casa, móveis financiados – para minorar a crise da indústria moveleira. Tudo bem. Mas como e com que pagar as prestações da casa, dos móveis, da moto/carro, a alimentação e a conta da luz. A inadimplência aumentou.
Não há essa elevação tão explícita da pobreza a uma nova classe média. Há uma falsa ideia do seja a nova classe média. Há um mimetismo a partir de roupas, sapatos e adereços falsificados vendidos por camelôs em vias públicas de todo o país. Tudo espelhado em novelas mirabolantes com escancarado “merchandising” de tudo o que possa, subliminarmente, influir no desejo humano.
Seguindo os cânones mundiais, a caracterização político-econômica do perfil da nova classe média brasileira é um factóide, uma quimera, uma manobra. E quem foi para as ruas, de início, não foi essa ainda dita classe emergente, mas a velha classe média – a imprensada entre o desejo e a capacidade – que se sentiu lograda em todas as suas pretensões. As famílias de classe média têm, entre outros poucos objetivos, formar e encaminhar os seus filhos na vida.
Hoje, há cerca de sete milhões de universitários no Brasil. Alguns estudam em poucas universidades públicas e privadas de bom e razoável nível de excelência. A maioria se compraz a cursar sofríveis e medíocres faculdades para ser dono de qualquer graduação. Puro auto-engano. Todos os anos a sociedade lança profissionais que não são absorvidos por suas baixas qualificações. Há tantas profissões e oportunidades e poucos conseguem um emprego privado razoável. O Brasil produtivo precisa de gente qualificada e não há.
Por outro lado, faz certo tempo que se criou uma nova esperança nas famílias: a de ter seus filhos aprovados em concursos públicos. O emprego público gera uma suposta garantia de segurança para o futuro. São poucos os que passam. Os demais mandam currículos para empresas de recrutamento ou, através de amigos/parentes/políticos, tentam ocupação ou atividades terceirizadas por órgãos públicos para os quais não têm, em bom número, disposição de trabalho e as aptidões básicas necessárias.
Essa massa de jovens, sem esperança, quando não delinque, inferniza seus pais com demandas provocadas por uma sociedade de consumo em que a falsa aparência no vestir disfarça a ausência de conteúdo e equilíbrio para enfrentar a realidade.
Não estou dizendo que os milhões que foram às ruas são pessoas assim, mas certamente são os que se sentiram enganados por promessas de um país já quase rico e em que todos teriam oportunidades iguais. Não é a verdade. Só os preparados alcançam algum “sucesso”, essa falsa palavra que não traduz a verdade da vida.
Esse caldo, esse ressentimento coletivo, oriundo da maciça divulgação pela imprensa de desvios, desmandos, impunidades e dos exagerados gastos e cuidados com os preparativos de eventos esportivos, forjaram o estopim deste junho em que estádios novos, por conta dos altos preços cobrados, estavam repletos de gente das classes alta e média, convidados de empresas, governos e instituições, turistas, jornalistas, artistas e pouca gente do povo. Pobres, nem pensar. Sequer como vendedores ambulantes. E o futebol se diz esporte popular.
Nos entornos dos estádios havia mais gente que dentro das “arenas”. Eles intuíram que muita coisa estava errada, pelo aparato policial ostensivo. Ainda não existia sabedoria sedimentada para expressar, com clareza, esses muitos desacertos reclamados. Aconteceu o caos, gente séria, baderneiros e os infiltrados de sempre.
Agora, há uma infinidade de explicações da mídia, de articulistas e de cientistas políticos após as passeatas inovadoras, permeadas por vandalismos de marginais que capitalizam as aglomerações para os seus delitos.
As explicações, inclusive esta minha, são apenas sentimentos, esboços ou exteriorizações sociológicas que não resolvem essa questão ou o impasse em que o Brasil se meteu, depois de tanta orgia com o dinheiro público.
Agora, depois da fala da presidente Dilma e dos ajuizamentos contundentes do presidente do STF, Joaquim Barbosa, é hora de repensar, estudar e esperar que o nosso país pare de propagar o que não é possível fazer ou ser. Que cuide, pelo menos, de fazer o mínimo que a sociedade cobra. Nada de grandeza. Chega de fanfarra. Os políticos, de todos os matizes estão cautelosos, conjeturando e digerindo a crise. E você?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 28/06/2013.

Sem categoria

SISTEMAS E ESQUEMAS – Diário do Nordeste

A presidente Dilma afirma apoiar a democracia das ruas. Pede um pacto social. O povo exige ações e transparências. As empresas têm CNPJ e as pessoas, CPF. Eles nos desnudam para bancos, governos, empresas, imprensa etc. Há muito a ser revelado nas artes e manhas da administração pública.
Muitos indagam por que um sindicato nos representa, sejamos nós pedreiro, engenheiro, administrador ou gráfico? Os sindicatos, patronais ou de empregados, são dirigidos por grupos que deles se apoderam e não os largam. Arrecadam, sem pena. Vejamos o Sistema “S”, criado pela ditadura Vargas, há 70 anos.
Cada Estado tem ricas federações com o grosso dinheiro das contribuições sociais de lutadores e patrões. Elas encastelam afilhados, realizam viagens para o nada, dão festas, prêmios e até prestam serviços sociais com cursos que, quase nunca, são gratuitos. Olhemos o caso da Federação das Indústrias de SP, a FIESP, cujo grande prédio está iluminado de verde-amarelo, neste junho. Pois bem, o seu presidente usa o prestígio e os recursos da entidade para autopromoção a uma possível candidatura à Prefeitura de SP. Do lado dos trabalhadores, é o mesmo e ainda elegem deputados que apenas lutam pela manutenção de privilégios. E proliferam.
Não esqueça, por fim, que os governos sempre contratam as mesmas empresas para todos os serviços e obras. Elas recebem financiamentos do BNDES e até são associadas de órgãos estatais. O modelo se reproduz em alguns estados e municípios. É hora de abrir essa caixa preta. O povo quer e deve saber.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 30/06/2013.

Sem categoria

SOCIEDADE CONSULAR – PRESTAÇÀO DE CONTAS – Jornal O Estado

Administrar a Sociedade Consular do Ceará- SCC, no biênio 2011/2013, foi uma honra, uma oportunidade, uma responsabilidade e restou provado que muito deveria ser percorrido e feito. Assim, com a ajuda dos colegas, levei a bom termo a missão que me foi confiada. Terça-feira, 02 de julho de 2013, aconteceu a posse da nova diretoria, encabeçada por Ednilton Soárez, cônsul da Finlândia, executivo exponencial, administrador público que saneou as finanças do Ceará e empresário de sucesso nos ramos educacional e de entretenimento. A essa comemoração compareceram autoridades e uma parcela da significativa coletividade de Fortaleza.
Nesse período de dois anos, saneamos a situação financeira do quadro social e hoje estamos com 300% a mais em caixa.
Todas as despesas foram assumidas, pessoalmente, pela presidência. Destacamos como os pontos mais relevantes da gestão:
1. A SCC teve a honra de ser homenageada pela Câmara Municipal de Fortaleza, por ocasião do Dia do Cônsul, em agosto de 2012. Nessa mesma ocasião, reparando omissão e fazendo justiça, outorgamos a “Medalha Bertrand Boris” ao ex-presidente e sempre companheiro, Luciano Montenegro.
2. Visitamos, em comitiva, o Complexo Portuário do Pecém.Ficamos informados de sua implantação e já cientes de sua expansão.
3. A convite do Secretário Ferrúcio Feitosa, que gentilmente nos recebeu, tivemos, como visitantes, a antevisão do ora já inaugurado Estádio (Arena) Castelão.
4. Igualmente, fomos recepcionados no quase concluído, à época, Centro de Eventos do Ceará. Esse equipamento, já em operação efetiva, deu um diferencial de qualificação ao setor de congressos, shows e exposições em Fortaleza.
5. O então comandante da 10ª. Região Militar, general de divisão Gomes de Mattos, nos ofereceu almoço festivo nas dependências do monumento histórico que é antiga Fortaleza da Nossa Senhora da Assunção.
6. Contatamos com a Dra. Mônica Barroso, dirigente da Coordenadoria de Políticas Públicas para a Mulher, para a concretização da ideia de um Censo para um maior amparo às mulheres estrangeiras presidiárias em nosso Estado. Elas, em sua maioria, são abandonadas por seus ex-companheiros, para quem serviam de “mulas” ou portadoras de drogas. O vice cônsul da Itália, Roberto Misici, foi interlocutor para assuntos de direitos humanos.
7. Fizemos, em agosto de 2011, em parceria com o Consulado da República Tcheca e a Galeria Benficarte, exposição, com coquetel, de reproduções fotográficas denominada: “Joze Plecnik – O Arquiteto de Praga”.
8. Realizamos duas festas de congraçamento de Natal, inclusive com a edição de músicas natalinas dos países cujos sócios honorários pertencem à SCC.
9. As nossas reuniões mensais aconteceram, com boa frequência, em datas previamente avisadas por e-mail e/ou telefone. Nelas discutimos as pautas necessárias ao nosso convívio.
10. Acrescente-se que A SCC passou a constar, oficialmente, nas seguintes publicações anuais ou bienais: “Anuário do Ceará”; – “Sociedade Cearense”; e “Personalidades Cearenses”.
11. Fomos recebidos, em audiência especial, pelo Governador do Estado, Cid Gomes, ocasião em que apresentamos sugestões para que os setores de comunicações e de turismo tivessem a acuidade de exercer uma programação visual multilíngue – o que foi cumprido – para os pontos turísticos do Ceará, aproveitando as copas das Confederações, já acontecida, e a do Mundo, a realizar-se em 2014.
12. Sugerimos ao governo do Estado, apresentando um estudo preliminar arquitetônico, para implantar uma espécie de panteão no passeio externo da face da Av. Barão de Studart do Palácio da Abolição com mastros e bandeiras dos países participantes da copa do Mundo. Essas nações sentir-se-ão gratificadas com a gentileza.
13. Igualmente, reinvidicamos ao governador Cid Gomes o preenchimento da vaga de Assessor de Assuntos Internacionais. Fomos atendidos. Ele designou o advogado Dr. Hélio Leitão Neto, mestre em direito, ex-presidente da OAB-Ce e professor universitário.
14. Decorrente da atuação da Assessoria de Assuntos Internacionais recebemos da Secretaria de Segurança a comunicação de que toda e qualquer ocorrência policial com naturais dos países que representamos nos serão imediatamente comunicadas.
15. Do ponto de vista de gestão, atualizamos os Estatutos Sociais, passamos a emitir boletos de cobrança bancária, comunicação via e-mail, criamos um site e distribuímos “bottons” a todos os associados.
Este histórico é um simples registro. Nada mais que isso. Ele enseja o conhecimento público das ações da Sociedade Consular e dos países e cônsules honorários que a integram: Alemanha (Dieter Gerding, Áustria (Reinhilde Lima, Belize (Airton Teixeira), Colômbia (Maurício Durán), Dinamarca e Noruega (Marcos de Castro); França (Fernanda Jensen), Finlândia (Ednilton Soárez), Hungria (Janos Fuzesi e Zsofia Eross), México (João Soares), Noruega, Portugal (Francisco Brandão), República Tcheca, Romênia (Luciano Maia) e Uruguai (JMaria Zanocchi). Agradeço, por fim, a cobertura jornalística desinteressada e espontânea de todos os veículos de comunicação cearenses em difundir os nossos principais eventos consulares, inclusive visitas de embaixadores e em missões culturais e comerciais.

João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05/07/2013.

Sem categoria

BILHETES TROCADOS – Diário do Nordeste

Hoje é uma troca de bilhetes. O meu foi a lápis no nascimento da “Ferrugem”, filha sardenta. Hoje, mãe de três lindas filhas. Ela emoldura o final.
02.07.1973 – Esta carta é a sua apresentação ao mundo que a recebeu neste julho das férias, do sol, dos ventos do Ceará de 1973. Carta patética de um pai para uma filha recém nascida. Sua mãe deu-lhe a luz e eu, o mundo que é todo seu. Seu para poder explorá-lo, amá-lo e gozá-lo. Seu sem reservas, sem peias, sem medo. Não lhe prometo tradições. Sou como sou. Homem com defeitos. Homem que nasceu para viver com liberdade. Que nasceu para lutar e conseguir. Para se alegrar com suas vitórias e esconder os desencantos.
Não lhe prometo riquezas; prometo muito trabalho. Não lhe prometo riquezas. Prometo muito trabalho. Não lhe prometo glórias; prometo muita luta. Não lhe prometo felicidades; prometo amor, por toda a vida. Quem me dera pudesse lhe dar tudo. Tudo não será possível. Vou ter que lhe negar. Vou ter que ser pai. Pai como sinônimo de amigo. Liberal, atualizado, risonho.
Sisudo, se for preciso. Prometo ir vendo o mundo mudar. Na mudança, ir guiando-a. Guiando de leve, sem força, com ternura. Já fiz as minhas promessas. Lutarei para cumpri-las. Não lhe peço nada em troca. Você já é muito para mim.
02.07.2013 – Pai, obrigada pelo mundo! Tenho explorado, amado e gozado o melhor que posso. O mundo mudou muito, mas acredito que o princípio para viver e ser feliz continua o mesmo: amar e ser amado. Hoje me sinto amada e sinto um amor enorme por você. Ferrugem.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 07/07/2013

Sem categoria

AMIGO FALANTE – Jornal O Estado

“Meu maior pecado como escritor é jamais enganar, jamais querer agradar. Essa é minha forma de prestar serviço a quem me lê semanalmente”. L.Felipe Pondé
Sempre gostei de conversar com gente mais velha. É costume. Fui sempre amigo dos amigos do meu pai. Ouvia-os e, vez por outra, dava um palpite, uma opinião. Um deles, o saudoso Dorian Sampaio, colocou-me no mundo das discussões de assuntos sérios e dos nem tanto. Agora, recebo e-mails de amigo sobre o que está acontecendo no Brasil. O contorno dele: engenheiro, professor universitário, festejado, lido e viajado. Hoje, aposentado e apoquentado.
Ele escreve com desenvoltura e tem até perfil no Facebook. Acompanhou todas as manobras do MPL- Movimento Passe Livre e até postou algumas micromensagens. Agora, me vem com uma tese que diz acalentar a algum tempo e pede que eu a torne pública. Refutei: escreva para os jornais. Ele respondeu: cortam tudo nas cartas dos leitores e não dão espaço para desconhecidos. E insiste em dizer o que pensa. Vamos lá. Vou tentar sintetizar: ele não faz fé em economistas, mesmo os que, como ele, têm pós-graduação.
E, incisivo, pergunta: “qual foi o economista do mundo que previu a crise de 2008? Todos ficaram procurando desculpas e foram pegos de calças curtas. Depois, começaram a explicar o que não previram”. Detona Delfim Netto, André Lara Rezende, Paul Singer, Aloisio Mercadante, todos os ex-presidentes do Banco Central – que viraram empresários financeiros – e nem livra, sequer, os prêmios nobéis de economia.
Todos, segundo ele, queriam ser engenheiros, não passaram no vestibular e acabaram economistas. Peço para se acalmar. Ele escreve: estou revoltado com tudo. Arenga com o uso dos aviões da FAB e diz um nome feio. Mudo de assunto. Dou um tempo. Novo dia: leio e-mail: “E os cientistas sociais?” Até o Fernando Henrique entrou na conversa.
Afirma que “FHC anda namorando uma moça de menos de 40 e está se lixando para nós. Os cientistas políticos foram todos ludibriados com o engodo que se armou no Brasil já faz anos”. Pergunto se conhece ou lê Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia. Diz que sim, mas não fiquei bem certo. Mas, segundo ele, “todos os analistas políticos e sociais erraram feio ao não prever que o Brasil era uma bolha”. E manda brasa: “como o BNDES, banco do governo, pode ser sócio e emprestar dez bilhões ao Eike Batista? Como esse banco aposta muito no Friboi? Cada um que cuide de sua empresa, o governo teria que formar gente como eu, prepará-las para a vida. É hora de acabar com o embuste que é o SUS e o sistema hospitalar público”.
Dei um trégua, mas joguei uma isca no e-mail de retorno, dias depois: como é que você entrou no Facebook, pois os tais manifestantes são jovens e têm idade de serem seus netos? . Agora, ele vem com a tese de que Lula, ao voltar da África, dirá que tudo isso é culpa da elite burguesa que não tem o que fazer e está requentando o mensalão, desestabilizando a Dilma e pegando corda do “Estadão” e da Folha de SP.
Paro por aqui. Vocês concluam. Mandei uma cópia para ele.

João Soares Neto
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 12/07/2013.

Sem categoria

FLIP E FLUPP – Diário do Nordeste

O Brasil está rediscutindo tudo. Não me refiro apenas às manifestações em curso, mas à cultura que hoje se faz no País. Gilberto Gil, em plena Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip-2013, falou sobre a conquista da Copa das Confederações: “O lugar para onde os jogadores correram para abraçar a torcida não tinha matiz racial brasileira, era esbranquiçada”.
Elementar, meu caro Gil. Pense nos preços dos ingressos. Ora, dizer isso em Paraty, cidade histórica fluminense, entre o Rio e São Paulo, em encontro rico, na primeira semana deste julho, sob o clima ameno do inverno, financiado por banco e em evidente empobrecimento…
Parte dos convidados não compareceu e faltou até tema para discussão. Improvisaram com a indignação dos jovens. Será que Gil foi para lá de graça? Não sei. Já fui à Flip e talvez não vote. Nada de especial, tendas, os “bichos grilos” de sempre, cariocas e paulistas “descolados” e artistas de moletons, todos rindo nas fotos, conversa fiada, editoras faturando e até um pouco de cultura, em suas várias formas.
Vai daí que a Flip provocou, no ano passado, a criação de uma sucursal nas favelas (lembram da Daslu e da Daspu?) do Rio. Pois bem, neste 2013, a Festa Literária das UPP- a FLUPP das favelas pacificadas pela polícia aconteceu nesta semana, na Penha, zona norte, quando autores estrangeiros vindos da Flip debateram, de graça, com o povo e até com intelectuais de vários matizes. Não soube de Gil por lá. Teria a oportunidade de trocar a verba pelo verbo, em área violenta e pobre, ainda em batalha e sem polícia pacificadora.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 14/07/2013