Sem categoria

ELANO VIANA DE OLIVEIRA PAULA, O DEVANEADOR – Jornal O Estado

“Haja hoje para tanto ontem”. Paulo Leminski
Elano alterou o compasso da vida de muita gente. Explico: Eu o conheci no quarto final dos anos 60. Nesse tempo, eu, recém-formado, havia voltado dos Estados Unidos, após concurso. Por último, estivera na Europa onde alguns formandos em administração tiveram a audácia de, por ideia nossa, ir ver o velho mundo. Passagens luminosas na Fundação C. Gulbekian, em Lisboa, e na École Nationale de Administration, em Paris. Rodamos, de ônibus, pela Espanha, Suíça e Itália. Em Roma, furamos o cerco e vimos o aparato do Concílio Vaticano II.
De volta, posto em estudos e trabalhos múltiplos. Solteiro, participava, à noite, de turma no Náutico. Eu era o benjamim. Entre outros, pontificavam Fernando Távora, Lustosa da Costa, Lúcio Brasileiro e Danilo Marques.
Um dia, o Danilo informou que iria ao aeroporto apanhar o engenheiro Elano Paula. Disse que Elano estava querendo entrar no sistema financeiro da habitação do BNH. Eu, saído, falei: li tudo sobre o BNH. Na verdade, por minha inata curiosidade e formação em direito, havia lido a legislação do SFH. Danilo arregalou os olhos e pediu para levá-lo ao velho aeroporto no meu Karmann Ghia (cupê da VW com design italiano da Ghia).
O carro só possuía dois assentos na frente e um “banco da sogra” em que mal cabia um. O Elano, no assento do passageiro. O Danilo, no banco, apresentava-me e informava que eu havia lido os “livros do BNH”. Elano, de esguelha, perguntou: você sabe o que é Iniciador? Disse o que alcançara.
Encurtando a história, o Elano me desafia a ir ao Rio, sede do BNH, para desentravar processo que dera entrada há tempos e não saíra. Com condição: se eu resolvesse, seria pago. Caso contrário, nada. Fui e logo alcancei o objetivo.
Acontece que eu recebera convite para novo curso no exterior. As passagens esperavam na Varig, na Rua Barão do Rio Branco. Comuniquei ao Elano, que, matreiro, retrucou: “se você for ficar lá, tudo bem. Mas, se for para voltar ao no Ceará, o que você sabe já basta”. Pedi adiamento e devolvi as passagens.
A ideia do Elano, salvo engano, foi apresentada pelo Danilo ao Walder Ary, jovem professor da Escola de Engenharia da UFC: criar empresas correlatadas de construção, financiamento, indústria e planejamento para atuar no nascente BNH e fora dele. Nasceram empresas. Master, -depois Master- Incosa, Iplac, Domus, Credimus, Modulus, Estrela, Planos e outras. Maturidade e arrojo.
Juntaram-se à ideia valorosos nomes: João Parente, Crisanto Almeida, João Fujita, Lewton Monteiro, Antônio Porto, Lauro Lopes e outros mais. Posso dizer, sem exagero, que esse pessoal, misto de jovens e maduros, possuía multiplicidade de talentos, quase um embrião de universidade. Chegaram, depois: Ricardo Ary, Walter Monte, Raimundo Padilha, Ildefonso Rodrigues, Deusmar Queiroz, Almir Caiado, Alfredo Marques e Wagner Brito, entre outros. Todos com contribuição distinta para o êxito comum. A mim, cabia dirigir a área de planejamento, a Planos.
Volto ao Elano. Ele não alcançara bom sucesso no Rio. Fora sócio do irmão, Chico Anysio, em negócios que não prosperaram. Elano fez tudo em rádio e em TV, por trás das câmeras. A letra de “Canção de Amor” é dele. A melodia é de Chocolate. É standard romântico.
Aqui, montara a Incosa, atuante em construção pesada. Mas, a sua inventividade estava além de pontes, asfaltos e obras públicas. Era devaneador arguto e inveterado. Espiritualizado, cultura humanista e ideias não convencionais. Por sorte minha, trabalhamos e convivemos por cinco anos.
Um dia, lá na Iplac- Indústria Plástica Cearense S.A., da qual eu era diretor administrativo, disse ao Elano: “decidi que quero ser independente e não mais participar do grupo”. Então em franco crescimento. Ele nem perguntou a razão. Apenas, comentou: “eu esperava isso”. Abraçamo-nos.
O Nisabro acompanhou-me e, juntos, montamos a Cenpla. Dois anos depois, falei o mesmo a ele: “quero ficar só, para saber da minha verdadeira capacidade”. Era princípio. Permaneci com a Planos. O Nisabro se quedou com a Cenpla e com o Elano. Tudo criterioso.
Mantive sempre a amizade com o Elano, a quem admirava, longe dos negócios, como pensador além da centralidade. Foi uma das centelhas que me fez conduzir a Planos até aqui, reta.
Já no XXI, composto por três, ele, o Chico e eu, criamos o blog Maranguape que durou anos. Prefaciei e revi livros escritos por ele e em parceria com o Chico Anysio. Ele absorvera a Internet e passamos a trocar e-mails e a nos encontrarmos para papos aqui e no Rio, onde mantivera morada. Paredes ricas com quadros maravilhosos, inclusive alguns pintados por ele e o irmão famoso. Presenteou-me com uma “marinha” do Chico e uma “entrada com portão”, dele.
Sábado, no seu velório, ouvi as falas emocionadas do seu sócio José Medeiros Neto, da sobrinha Cininha de Paula e de Deusdetiza Silva. Eu, por meu turno, olhando o seu corpo, disse quase as mesmas palavras que agora escrevi. “Canção de amor, saudade”.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 24/04/2015.

Sem categoria

NOSTROMO – Diário do Nordeste

O romance “Nostromo”, a melhor obra de Joseph Conrad, polonês naturalizado inglês, foi escrito em 1904. A edição que li, de 1991, tem tradução e posfácio de José Paulo Paes.
A história acontece em país imaginário na América do Sul e narra, entre outros fatos, episódio separatista, em meio a conservadores, militares e também interesses.
O país imaginado, “Costaguana”, é apresentado da forma idílica como os europeus viam a luxuriante e distante América do Sul do fim do século 19. Políticos, militares e estrangeiros em luta contra a ditadura, provocando dissidência separatista a invadir a cidade de Sulaco, para formar novo país.
Conrad cria história aventureira, tece considerações sobre a política, a corrupção, os amores necessários, os dramas pessoais e o compadrio entre empresas anglo-americanas e o governo que se deixa roubar.
O saque é grande que Nostromo, “homem do povo”, capataz de ‘chata’ carregada de prata, se dá bem e a encalha em ilha próxima.
Diz que a barcaça naufragou e, vez por outra, vai buscar, à noite, lingotes de pratas. Não deve enriquecer rapidamente.
Em uma das idas, morre por tiro errado. J.P. Paes, no posfácio, diz: “Outra fonte contextual do romance é a doutrina econômica de Adam Smith, segundo a qual o interesse privado, conquanto obedeça só à lei do egoísmo, traz paradoxalmente benefícios coletivos ao se aplicar a atividades de produção”.
A epígrafe do livro eleita por Conrad é de Shakespeare: “Céu tão borrascoso não se desanuvia sem uma tormenta”. Agora, há raios, chuvas e tormentas.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 19/04/2015.

Sem categoria

O QUE SE LÊ, O QUE SE VÊ E O QUE SE SENTE – Jornal O Estado

“O desagravo dos ressentimentos do vencido deve preceder o desarmamento dos vitoriosos”. Winston Churchill
Os jornais, sejam os de papel ou os falados nas televisões abertas, as que estão disponíveis para qualquer televidente, como dizem os hispânicos, nos trazem, quase sempre, más notícias. É história antiga: se um cachorro morder uma pessoa, não é fato jornalístico. Agora, se alguém, bípede, humano, resolver morder um cão, a história muda. O fato jornalístico é o que causa impacto, sensação, incomoda a alguns e alegra a outros. É o instantâneo do que acontece a cada dia.
Este tempo está pleno de más notícias. Até os programas que brigam por audiência procuram presos “famosos” para uma conversa longa, os chamados “talkies shows.” E a audiência aumenta, creiam. Os concorrentes criticam, mas se esquecem de que, todos os dias, exibem o que de antinatural ocorre na cidade, no Estado, no Brasil e no mundo.
O papa resolve, no domingo de ressurreição, dar alguns euros para os sem tetos de Roma, e isso é boa notícia. Mas, não esqueçam que o papa Francisco é midiático, sabe como e quando deve se expor. Sempre sorridente e afagando o próximo, seja quem for. Encara luta interna contra alguns cardeais, os mandões do Vaticano. Afirma que seu pontificado será breve. É notícia para católicos e para os que, no outro lado do mundo, recebem imagens e textos do ocidente conflitado.
Angeline Jolie resolve fazer mastectomia dupla e, logo em seguida, admite ter retirado o útero e os ovários. Ela sabe que esta notícia importa para mulheres que estão sujeitas às mesmas doenças. Jolie perdeu a mãe e uma tia. Escancara para o mundo o seu medo – ou seria coragem? – e toma providências radicais. Deixa-se fotografar com os filhos gerados no seu útero pretérito e com os adotados, em diversidade racial que a coloca sempre como uma referência correta. Isso é boa notícia.
Warren Beatty, famoso biliardário americano, resolve ser sócio dos brasileiros que transformaram a Ambev na maior controladora de cervejarias do mundo. Agora, juntos, compram de empresas de condimentos a conservas e assemelhados. Warren, não contente com isso e já ao meio da sua octogenária estação, resolve esmiuçar a vida do excêntrico Howard Hughes, apenas conhecido por biografias e, do grande público, através do filme “O Aviador”.
Hughes era um grande fornecedor do governo americano, sofreu vários processos e morreu de forma iníqua, trancando-se em diferentes hotéis, definhando, deixando a barba crescer como um ermitão. O seu império, não sei como, ainda floresce. Pois bem, aguardem. Poderá sair um novo filme sobre esse homem que inventou um avião de oito motores e não o viabilizou. Namorou mulheres bonitas e famosas de Hollywood e de outros espaços, mas deu no que deu. Não sei se isso é bom ou ruim, mas não deixa de ser notícia.
A Presidente oferece um ministério palaciano ao seu ministro da Aviação Civil. Ele é do PMDB, aliado ao governo, e recusou a prenda do ministério de relações institucionais. Alegou estar com filho recém-nascido e, como tal, espera se dividir entre o planalto e os pampas. O vice-presidente Michel Temer, então, resolve assumir a coordenação política. Renan Calheiros e Eduardo Cunha se entreolham.
Enquanto isso, a Síria sofre escuridão noturna ou blackout por conta de conflito armado que já vai entrar no sexto ano. O autodenominado Estado Islâmico continua a receber jovens voluntários para as suas hostes. Quatro milhões de sírios já se foram para muitos países. Brasil, incluso. Este é um dos muitos conflitos do Oriente Médio. O Irã promete não usar arma nuclear. Na parte oriental da Europa há o puxa-encolhe da mãe Rússia que fustiga e se ressente da falta das antigas repúblicas que se apartaram com o fim da URSS.
Este quadro singelo é o conteúdo disponível nas emissoras de rádios, de jornais, de televisões e nas mídias sociais. Não há como fugir das desavenças humanas, da ambição, dos litígios pela fé e dos interesses de grupos econômicos e de bloco de países, entrincheirados e pressionados pela indústria de armamentos. A vida é.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 17/04/2015.

Sem categoria

FORTALEZA AMADA – Diário do Nordeste

Agora que tudo passou, posso contar. Houve um tempo em que fui tentado a sair daqui. Iria para o Rio de todos os brasileiros, para a São Paulo de todos os povos ou para o exterior. Houve sondagens, propostas a fascinar os que não tivessem raízes profundas nesta cidade que me viu nascer, estudar, aprender a escrever, crescer, trabalhar e viver.
Por ser independente, fazer o que quero e ter a família como razão primeira, não fui mordido pela mosca azul. Conto uma: em Lima, no Peru, em certame internacional, fui contra o pensamento da maioria. Defendia meus pontos de vista, apenas.
Após a reunião, alguém se achega e pergunta: você quer vir trabalhar conosco? Era de entidade forte e importante. Respondi que não e expliquei: não tenho vocação para obedecer. Mesmo assim, insistiram. Deram um tempo a mim. Na volta, conversei com a família e reafirmei o não.
Amo esta cidade de verdade. Fui pequeno desbravador de parte das suas áreas, inclusive no Meireles e na Varjota. Por minha conta e risco, abri ruas, pavimentei e arborizei vias em que só havia areia; doei área para a continuação da Desembargador Moreira em direção à Raul Barbosa, cedi espaço para a Estação Benfica, do Metrofor, e concebi o Parque da Paz, onde todos se igualam.
Não é vanglória. É registro. Convicção de cidadania, desde o tempo em que essa palavra sequer se ouvia.
Agora, nesta semana em que Fortaleza completa mais um ano, reafirmo o meu bem querer por ela.
Sei dos meus pactos com a cidade e com o seu desenvolvimento. Parabéns.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 12/04/2015.

Sem categoria

JUAREZ NOVO, DE NOVO – Jornal O Estado

“A vida é um jogo do qual ninguém pode retirar-se, levando apenas os lucros”. André Maurois
Juarez Leitão, professor, historiador, biógrafo, poeta, acadêmico, orador consagrado, pai exemplar, conversador nato, marido responsável, andou meio amofinado por uns meses. Abusou da regra três, onde menos vale mais. Além da herança cardíaca da família, comia de tudo, de torresmo a sarrabulho, e eis que o cinturão havia, desde o século XX, passado da medida de 100 cm. Começou a ter umas coisas e foi se achegando a médicos amigos que lhe recomendaram exames.
Dona Maria, sua mulher e digna consorte, também com sorte, limpou as lentes dos óculos e disse algo assim: Bem que lhe falava, Juarez. Agora, vamos ver esses exames. Registre-se que o Juarez, embora criado com limites lá no seminário de Sobral, após isso, passou a ser desrespeitador das fronteiras do bom senso e não podia ver prato cheio. Tome garfadas.
Já com um pouco mais de meio século nos costados, o velho corpanzil começou a rezingar. Foram as danações lá no antigo jornal e editora do Dorian Sampaio, as comilanças no Clube do Bode, além dos churrascos noturnos nos áureos tempos do “Cirandinha” na Praia de Iracema.
Então, um médico consultado desandou a explicar que o alimento ou a bebida tem um trajeto natural: boca, passa pela epiglote, caminha pelo esôfago e cai no estômago. Ouviu do bom doutor que da boca aos finalmentes, há um sistema digestório que mede 9 metros de comprimento. E tome conversa sobre intestinos delgado e grosso, digestão e prisão de ventre. O esculápio falou em fígado, vesícula biliar, pâncreas e baço, além dos já nomeados.
O nosso personagem começou a suar frio. Era informação demais para a sua cabeça, ansiosa por natureza. O médico nem ligava e dizia: quanto mais ansioso o senhor ficar mais a adrenalina é liberada no seu organismo. O fluxo sanguíneo aumenta para os músculos e encéfalo e, ao mesmo tempo, diminui nas glândulas salivares. Remetido a uma ampla bateria de exames, os fez, é verdade, mas guardou os resultados sem mostrar ao médico. Deixou o tempo passar até que aconteceu o infarto.
Foi assim: Certo domingo, depois de visitar o Mercado São Sebastião com o amigo Edmo Linhares e ali comer tapioca, passou pelo Raimundo dos Queijos, recanto boêmio do centro, bateu papo com amigos até às dez da manhã. Já em casa, começou a sentir uma leve dor no peito que crescia de intensidade.
Escondeu tudo quanto pode da mulher e das filhas, mas quando não aguentava mais, anunciou que estava mal e precisava ser socorrido em ato contínuo. Atendido no Prontocárdio e, em seguida no Hospital São Carlos, sofreu a primeira intervenção no coração. Dois “stents” na artéria principal. Voltou disposto a mudar de vida. Emagreceu dez quilos, cancelou frituras e bebidas alcoólicas.
Com o incidir do tempo, voltou a comer muito e a engordar. Um ano depois, as dores no peito volveram, agora com suores e fadigas. Uma tarde, na Academia Cearense de Letras, passou mal e foi conduzido a hospital.
Rigorosos exames revelaram isquemia cardíaca. O cateterismo assustou: os stents semientupidos, várias artérias comprometidas, entre 90 e 70% de obliteração. Era um homem-bomba, sem terrorismo.
Juarez decidiu. Diante do perigo da abjeta e da inominável, admitiu a cirurgia radical. Ele não tem vocação para herói. Como diz o Millôr: “O cara só é totalmente ateu quando está bem de saúde”. Avisou os amigos e a todos solicitou torcida e reza. Mobilizou o antigo colega de seminário de Sobral, Dr. Francisco José Aguiar Moura, presidente da Associação dos Betanistas, para comandar corrente de orações. A dom Edmilson Cruz, seu antigo professor, suplicou bênção e advocacia junto à Deus. Do bispo recebeu a própria Cruz Peitoral, que Dona Maria segurou com fervor durante as seis horas da cirurgia.
No trajeto para o hospital olhava para as ruas com sensação de despedida. Benzia-se quando passava por uma igreja. Internou-se na véspera. Noite insone com dramáticas avaliações da vida. Era chegada a hora.
Sua sorte nas mãos de Deus e dos médicos. Todas as fichas lançadas no pano verde da ciência e na réstia de fé. A equipe médica foi escolhida, com cuidados, por velho e providente amigo, o Dr. João Martins, professor da Medicina da UFC e da equipe do saudoso Dr. Regis Jucá.
O cirurgião escolhido foi o médico baiano Adriano Lima, que agiu com perícia de ourives no coração do vate. O Dr. Sandro Salgueiro, mestre em cateterismo e clínico, o acompanhou no pós-operatório no Hospital da Unimed. Este, com veemência, combateu a cavilação do paciente, a tal lassidão desnecessária. Deu certo. Agora, além de versos novos na alma, Juarez porta três safenas e uma mamária. Assim, com quatro pontes, pode ser considerado quase um acesso vicinal de BR.
Hoje, há amplos horizontes e a renovação com a vida. Juarez é redivivo. Tudo desatravancado, esborniado e preparado para a centúria, ainda longínqua. Depois de bom tempo quarando no hospital, a dor do caminhão sobre seu peito, foi amainando. Voltaram a brilhar as cores e as vozes da fortuna.
Agora, depois da Semana Santa, da comunhão pela graça alcançada, é um homem intenso. Fagueiro, temente a Deus, loquaz e revisado. Atende, pelo celular, a amigos ávidos por tapiocas, por estórias e por afetos nos porvindouros convescotes na sua varanda do Meireles. Calma pessoal. Hosanas, primeiro.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 10/04/2015

Sem categoria

RESSURREIÇÃO – Diário do Nordeste

Este domingo é o dia da ressurreição para os que ainda têm a esperança da fé. Um judeu, dissidente, fez-se estranho aos seus comuns e passou a pregar uma vida nova, uma passagem – a da páscoa – que o levaria à morte e, em seguida, ressuscitaria. Segundo consta, foi vendido. O dinheiro, sempre ele.
Agora, neste país imenso e complexo, vivemos o prenúncio de, quiçá, uma ressurreição. A partir da coragem de alguns contra os muitos que, na volúpia, acreditavam-se acima da lei. Deixaram-se enredar na teia da ganância, nos deslimites da dignidade. O dinheiro, sempre ele.
O primeiro romance de Machado de Assis, “Ressurreição”, 1872, criticado por uns e objeto de estudos por muitos, mostra a dicotomia entre o falso e o verdadeiro. O enredo é a história de Félix, um médico, e da sua incapacidade de acreditar em Lívia, uma viúva por quem se apaixona, após amores sazonais interrompidos pela dúvida.
Lívia é personagem que cresce na trama e faz realçar a dúvida de Félix após receber uma carta anônima.
Hoje, tal como o personagem central de “Ressurreição”, estamos em dúvida entre o que se crê verdadeiro e o falso. O Brasil é uma história de amor para uns, não para outros, os que o atolaram na ignomínia.
Esperamos para o desfecho no País final melhor que o de Félix, descrente e largado.
Nesse mundo onde não há mais segredo por conta do ciberespaço a banalizar e vandalizar relações e comunicações, todos se creem protagonistas com ou sem respostas para a ressurreição que não ousamos ou não sabemos fazer.

Feliz Páscoa.
João Soares Neto
Empresário
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 05/04/2015.

Sem categoria

SEXTA-FEIRA SANTA COM BREVE VIAGEM PELO MUNDO DAS CRENÇAS E DAS FILOSOFIAS – Jornal O Estado

“A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega”. Einstein
Há dois bilhões de cristãos no mundo. Católicos, anglicanos, protestantes, luteranos, evangélicos e afins. Acontece que a Terra tem mais de sete bilhões de pessoas. Assim, de cada sete pessoas, menos de duas acreditam em Deus e no seu filho unigênito, Jesus, o que surgiu há 2015 anos em meio à dominação romana, em área miserável, hoje ocupada por israelenses e palestinos.
As crenças, ao longo do tempo, fizeram e fazem milhões de mortos. Tudo em nome da fé que entoavam. É contrassenso. Segundo o evangelho de Lucas, o anjo Gabriel teria dito: “Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Este será grande, será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus o trono do seu pai Davi; reinará sobre a casa de Jacó eternamente, e o seu reino não terá fim”.
Acontece que parte dos cristãos, os não católicos romanos, não creem que Maria seja a intercessora. Admitem que ela tenha sido a escolhida, por tal razão seria santa, mãe de Jesus, mas “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3:23). E dizem mais: Jesus teve irmãos. Os católicos falam que eram primos de Jesus e não irmãos. Os não católicos invocam, como prova, o evangelho de João 2:12, referindo-se a ida de Jesus a Cafarnaum: “Depois disto desceu ele para Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos”.
Quem quiser tirar as suas conclusões, pode dar uma olhada em Mateus 12.46, 13.55 e 56. Marcos 7.3 e I Timóteo 2.5.
Para nós – neste tempo de exacerbação do autodenominado Estado Islâmico, de questões fundamentalistas, econômicas e bélicas que assolam o Oriente Médio –, não importa e nem cabe discutir se Maria era ou não virgem e se Jesus teve irmãos ou eram apenas primos. Ao visitar Egito, Israel e Palestina, faz alguns anos, escrevi em jornal dizendo que nunca haverá uma solução definitiva de paz. Complementei dizendo que os casamentos entre judeus e árabes, que aumentam, podem minorar o radicalismo. Além disso, há, em ambos os lados, estudiosos pacifistas.
Para os seguidores de Maomé, há outra história sagrada e para isso recorrem ao Alcorão, o equivalente à Bíblia dos cristãos. Acreditam os muçulmanos, na Surata 5:72-73, que “são blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria, ainda quando o mesmo Messias disse: Ó israelitas, adorai a Deus, que é meu senhor e vosso. A quem atribuir parceiros a Deus, ser-lhe-á vedada a entrada no Paraíso e a sua mora no Paraíso e a sua morada será o fogo infernal”. No mesmo Alcorão, todavia, está dito que pode haver perdão para judeus e cristãos: “Mas quem praticar o bem e for ademais fiel, saberá que seus esforços não serão baldados, porque os anotamos todos”.
Quando chegamos ao Oriente, onde já estivemos por duas vezes, sequer entendemos os mundos hinduísta, budista, xintoísta e a sabedoria de Confúcio.
O hinduísmo não é, em sentido estrito, uma religião, mas uma filosofia de cunho de crença e reivindica ser a mais antiga de todas as fés, sem data determinada. Ele está dividido em três períodos, o védico, com o culto a deuses, como Dyans, que seria o deus supremo. Surge, tempos após, a fase Bramânica com a trindade: Brahma, a da alma imortal; Vishnu, a da preservação; e Shiva, a alma destruidora.
Segundo o hinduísmo, que hoje vive uma fase híbrida, com influências de outras crenças, a trajetória que a alma terá será de acordo com as ações praticadas em vida (a lei do carma), a libertação final da moksha (espírito) impõe o fim do ciclo da morte e do renascimento. Todo o ritual hinduísta tem por fundamento a meditação e as oferendas.
Na crença budista, Maya – a mãe de Sidarta Gotama, que se tornaria Buda apenas aos 29 anos –, tal como Maria, a mãe de Jesus, também era virgem e permaneceu virgem.
Buda nasceu seis séculos antes de Cristo, na Índia, e os seus adeptos não o consideram Deus, mas alguém iluminado, aquele que está liberto da ignorância e pleno de sabedoria. As regras do budismo parecem simples: não fazer mal a nenhuma criatura viva, não tomar aquilo que não lhe foi dado, não se comportar de modo irresponsável na sua sexualidade, não falar falsidades, e não se entorpecer com álcool e drogas. Xinto significa “caminho dos deuses”.
Reza a lenda sobre o xintoísmo que depois de sete gerações de divindades nascidas no Cosmo, apareceu consolidada, no século VI da era cristã, o último casal, Izanagi e Izanami, que teve oito filhos transformados nas oito ilhas que constituem o Japão. O xintoísmo e o budismo são praticados no Japão, sendo que o xintoísmo consagra mais o nascimento das pessoas e o budismo cuida do final, da morte. O ideário do xintoísmo é amar a natureza, respeitar os antepassados e ser politeísta.
Na China, no século dois da era cristã, surgiu Confúcio que desejava descobrir o caminho superior e chegar ao “Tao” e ali encontraria a harmonia para a existência e para os mistérios do mundo. Nascia o confucionismo, que teve força espontânea até 1949, quando surgiu o comunismo e a prática foi postergada em nome da revolução cultural de Mao-Tse-Tung, que veio a seguir.
Sabe-se que as dimensões do confucionismo centradas no eu, na comunidade, na natureza e no firmamento permanecem arraigadas no espírito das famílias de lá, que, quando podem, tentam seguir as suas virtudes essenciais: amar o próximo; ser justo; ter comportamento acertado; cultivar a sabedoria e a sinceridade. A família é a base da sociedade e os governantes devem amar o povo. O confucionismo é filosofia de vida, não é religião tal como concebemos no ocidente.
Fizemos, numa visão aligeirada, simplista e superficial, com a ajuda de leitura de livros e buscas na Internet, uma volta ao mundo da fé e da filosofia de vida. O que mais brota em todas essas manifestações citadas é a referência temporal ao nascimento de Jesus.
Nota-se que todas as crenças e filosofias possuem suas próprias contagens temporais diferentes do que, por exemplo, agora comemoramos: a morte de Cristo, o Jesus de Nazaré. Entretanto, o calendário cristão é a menção basilar para a contagem do tempo entre a vida e a morte, com ou sem esperança da eternidade. A todos os que nos acompanharam esta pequena viagem, através das crenças e das filosofias básicas da humanidade, os nossos votos: vivam em paz, sigam aquilo em que acreditam.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 03/04/2015

Sem categoria

AMOR E BARRIGA – Diário do Nordeste

Agora, em Grasse, França, descobriu-se uma acidental troca de crianças em maternidade. Casal viveu em crise, pois o marido dizia que a filha Manon não possuía seus traços. Depois de 10 anos, brigas e separação, fizeram exames de DNA. Manon não tinha nada do pai, tampouco da mãe.
A mãe resolveu processar o hospital. O fato: duas crianças, com icterícia neonatal, trocadas no berçário. Após embates na justiça, a mãe descobriu a filha verdadeira, cuidada com afeição por outros pais.
Houve o reencontro, mas a mãe, mesmo reconhecendo na sua filha biológica os seus traços, era apaixonada pela “filha” Manon que criara com desvelo. Final da história: optou por ficar com Manon, pois os vínculos eram profundos.
Há algum tempo li o livro “Um amor sem barriga”. A história: uma jovem teve duas gravidezes normais com oito meses de gestação, sempre acompanhada por médicos. Daí em diante aparecia uma anomalia que, infelizmente, acabou na morte dos dois ansiados bebês.
Sofrido, o casal tentou descobrir a origem da doença das crianças perdidas. Laboratórios nacionais e estrangeiros contratados. Nada conclusivo resultou. Enxugaram lágrimas e dores, não poucas. De repente, manifestaram o desejo de adoção. Veio o primeiro bebê, sem barriga, ainda suprido com leite materno, tão amado como se concebido. Fizeram adoção de verdade.
Depois, nova adoção abençoada. Hoje, pais e filhos até se parecem. São unha e cutícula. A mãe sem barriga é amantíssima e a admiro. O pai coruja não destoa. São uma família de verdade.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/03/2015.

Sem categoria

A IDEIA, A EXECUÇÃO, OS ÓBICES E A DURA VIDA – Jornal O Estado

“Chorei e acreditei”. F.R. Chateaubriand, escritor francês.
Não somos iguais a ninguém. Temos as nossas próprias idiossincrasias. Nosso pai dizia: “não seja melhor, nem pior. Seja você”. Em 1999, depois de muito pensar e estudar, concluímos um projeto que durou cinco anos para ser executado: um centro comercial. Vale dizer que fomos desaconselhados, por consultores contratados, a fazê-lo no local escolhido.
A maioria das pessoas de referência sondada dizia ser uma loucura investir em bairro sem grande densidade habitacional. Argumentavam: na área de humanidades da UFC há política, comício e greve. Disseram também que estaríamos próximos das sedes de partidos de esquerda. Para desanimar, falaram: o metrô não seria concluído tão cedo e a sua construção nos importunaria, pois ruas seriam fechadas por anos.
E daí? Desobedecemos a todos os consultores. Ficamos surdos. Sofremos o pão que o diabo amassou. Cinco anos, sol a sol, algumas noites em claro, fazendo fé, aplicando o produto de toda uma vida árdua.
No dia da inauguração, manhã de sábado, 30 de outubro de 1999, aniversário de D. Margarida – a mulher que nos trouxe ao mundo- não havia tapumes. As lojas ainda não ocupadas foram rematadas com grandes pinturas de artistas plásticos cearenses. Era o nosso primeiro concurso público de artes.
Oferecemos, na exposição, duas premiações com passagem ida-e-volta aos Estados Unidos e à Europa. Emília Porto e Audifax Rios, os vencedores, preferiram o valor equivalente. Assim foi feito. Nascia o embrião da galeria de arte que se consolida até hoje.
A Camerata da Universidade Federal do Ceará tocava músicas clássicas e a fita simbólica foi descerrada pelas filhas, a pequena neta Luana, o Reitor Martins Filho, D. Margarida e convidados. Padre Hermano, padre-mestre dos Remédios, fez a benção. Na parede principal estava quadro com os nomes das pessoas que trabalharam na obra inaugurada. Uma a uma. Do servente ao engenheiro chefe. Nenhum esquecido.
Depois, começou a vida real, as dificuldades aumentavam a cada dia. O metrô fechou as duas principais vias de acesso e lojistas consagrados não compravam a nossa ideia. Primeiro, teríamos que nos fazer acreditados.
Assim, batalha a batalha, fomos sedimentando a história com a chegada dos Mercadinhos São Luiz, da Casa dos Relojoeiros e de corajosos novos lojistas. Aos poucos, com boa equipe, íamos abrindo lojas e resistindo às adversidades.
Conseguimos que uma grande empresa nacional de varejo aceitasse que fizéssemos, com nosso capital, todo o espaço, turn-key, de 1.600m2, de sua loja. A inauguração nos daria credibilidade. A loja foi inaugurada, mas, em seguida, fechada por decisão judicial que invocava uma “cláusula de raio”.
Explico: inócua reserva de mercado a impedir uma mesma empresa de montar outra loja em raio de 5 km. Depois de doloroso abre-fecha, a loja voltou a funcionar e lá permanece altaneira.
Um centro comercial pede alguns cinemas. Procuramos exibidoras nacionais e todas nos deram a mesma resposta: construa que, depois, entramos. Noites em claro. Resolvemos do nosso jeito. Ora, se iríamos construir para os outros, por que não fazê-lo para nós mesmos?
Sabíamos da dificuldade de captar filmes, sendo pequenos e independentes. Viajamos, trocamos ideias e assumimos que seríamos nós os exibidores. Teríamos que obter o aval das distribuidoras de filmes, ligadas aos exibidores. Outra batalha. Afinal, fizemos as salas.
Precisávamos mostrar que éramos organizados e planejados. Obtivemos, após inspeção, a certificação ISO-2001, através de empresa inglesa. Fomos o primeiro do Brasil na área de atuação. Paralelo a isso, lutávamos para que o Metrofor nos liberasse a frente Carapinima, ainda fechada. Marchas e contramarchas, conseguimos. Depois de anos.
Faltava a localização exata da Estação Benfica do Metrofor. Cedemos ao Estado área de nosso imóvel para que parte da citada estação ali fosse fincada. Hoje, março de 2015, o metrô já funciona, mas duas vias de escoamento jazem bloqueadas.
São 15 anos. Fizemos da ideia um projeto de resolução que atentava contra tendências do mercado. Optamos, por vocação e consciência, por ser um centro de referência para os clientes. Criamos 10 projetos sociais e culturais em pleno funcionamento. Por nossa conta e sem benefício fiscal.
Tornamos-nos amigos dos lojistas e clientes, sem ufania. Eles são o nosso trunfo. Assim o fizemos. Assim o somos. Há, inclusive, um deles, professor universitário, que possui os números dos nossos telefones e liga para o que bem quiser. Outros nos ajudam, de forma consistente. Conversamos com todos a qualquer hora.
Recebemos, por sete vezes, o selo de responsabilidade cultural conferido pela Secretaria da Cultura do Ceará. Somos a única empresa do Estado que possui este laurel. Temos espaço de leitura com biblioteca, uma fábrica artesanal para maiores de 55 anos, ginástica de baixo impacto, um clube de viver bem e mostras permanentes de artes. Promovemos o Gente de Bem, fazemos congraçamento anual com crianças portadoras de doenças, síndromes e em situações de desamparo com instituições acreditadas.
Trazemos a música, os cantores e os compositores locais para os nossos eventos. Oferecemos espaços para alunos de artes, pintores consagrados, grafiteiros, blogueiros e outros. Incentivamos o carnaval, os maracatus e as festas juninas. Formamos mais de 1.800 bombeiros voluntários em parceira com o Corpo de Bombeiros Militares do Ceará. Estamos abrindo a 50ª. turma. Nada da boca para fora. Tudo com nosso envolvimento e gratuito.
Novos centros comerciais foram surgindo nos últimos tempos e outros estão por vir. Sejam todos bem-vindos. O sol nasceu para todos.
Este texto é claro, sem presunção. É história vivida e sofrida que continua a cada dia novo para as quase duas mil pessoas que mourejam, acreditam no que fazem, recebem bem e com alegria milhares de clientes.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 27/03/2015.

Sem categoria

EQUINÓCIO – Diário do Nordeste

Alguns puristas cobram-me relevância nestas 270 palavras que escrevo a cada domingo. Como diz o português Lobo Antunes, há duas literaturas: a relevante e a de entretenimento. Estas curtas linhas tentam ficar a meio caminho.
Por outro lado, leitores graduados perguntam o significado de uma ou outra palavra jogada no meio do texto para não deixá-lo tão minguado de adorno.
Agora, “prestenção”, o dia e a noite estão, cada um, com 12 horas de duração. É o fenômeno da passagem do equinócio (noites iguais) no hemisfério sul, onde o Brasil está fincado. Das alvoradas ou dos dilúculos ao crepúsculo ou ocaso, os relógios marcam 720 minutos.
Como estamos perto da linha do Equador, é fácil cronometrar o estirão do dia e o tempão da noite. Li ainda, em algum lugar, que o tal do equinócio acontece quando os raios solares incidem perpendicularmente sobre as nossas cabeças. Sei não, como sou careca, imagino que o equinócio seja quase o ano inteiro. Como nenhum astrônomo vai se dar ao trabalho de ler este suelto, fica assim mesmo.
Mal as chuvas começaram e a festa de São José, celebrada na quinta, 19, leva a crer que se choveu no dia, haverá inverno.
Nada sei de astrofísica, tampouco de adivinhações, mas queria dizer a quem confia que entramos no outono só pode ser pirado.
Acho graça quando as moças meteorologistas das tevês anunciam o tempo do dia seguinte.
Nesta terra de Alencar, os termômetros engancharam desde que Martins Soares Moreno baixou por aqui. Prefiro Rachel, em O Quinze: “Tenho fé em São José que ainda chove!”

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 22/03/2015