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DE MASCATE A VISCONDE – Jornal O Estado

“O prestígio sem mérito obtém considerações sem estima”.
N. De Chamfort, escritor francês, séc 18.
Em um dia como hoje, 28 de dezembro de 1813, há exatos duzentos anos, nascia Irineu Evangelista de Souza. Gaúcho do interior, de família pobre. Seu pai, João Evangelista de Souza, pequeno fazendeiro, foi assassinado. Em 1818 foi levado por um tio para o Rio. Partiu na vida, com três anos formais de estudo, como balconista, e já aos 15 anos, deu uma guinada.
Conheceu Richard Carruthers, escocês, ávido com a abertura do porto do Rio para o Reino Unido. Com Carruthers, de quem tornou-se amigo e, depois, sócio, Irineu aprendeu a ser guarda-livros e maçom, a falar inglês, e a saber que o mundo era maior que a única viagem que até então fizera.
A vida de Irineu deveria ser objeto de estudo nas boas escolas de administração deste XXI que se contentam em homenagear pessoas vivas, alguns dignos, e certos blefes nacionais. Essas escolas persistem em manter como referências modelos de gestão estrangeiros e incensa empresários europeus e/ou americanos. Pelo menos, a Associação Comercial do Rio de Janeiro, hoje presidida pelo cearense Antenor Barros Leal Filho, instituiu o prêmio Barão de Mauá, o pioneiro da industrialização brasileira. Esse galardão é conferido a pessoas e instituições que encerrem serviços prestados à formação e à difusão da educação.
Mauá teve fundição, estaleiro, navios, iluminação a gás, construiu estradas de ferro, foi deputado pelo Rio Grande do Sul, fundou banco e expandiu os seus negócios para o exterior. Em 1840, já estabilizado no Rio, mandou vir dos arroios gaúchos, sua mãe, Maria de Jesus; a irmã, Guilhermina, com a filha adolescente, Maria Joaquina. No ano seguinte, Irineu, de regresso de uma das muitas viagens de negócios à Inglaterra, traz uma aliança para Maria Joaquina, a sobrinha, que vira sua esposa. Tiveram 12 filhos.
Em 1854, aos 41, inaugura 15km da ferrovia que ligaria o Rio a Petrópolis, ocasião em que recebeu do próprio Imperador, Pedro II, com quem tinha desavenças, o título de barão de Mauá. Vinte anos depois recebe o título de Visconde, um nível acima do baronato, honra concedida pela monarquia por ele combatida com tanto fervor quanto o fim da escravatura.
Segundo Kenneth Maxwell, historiador britânico contemporâneo, “ele se opunha ao comércio negreiro e à escravatura…No auge de sua carreira, em 1860, controlava 17 empresas no Brasil, Uruguai, Argentina, Reino Unido, França e Unidos”. Nem tudo foi glória na vida de Irineu. Chegou a falir, mas conseguiu a plena reabilitação, antes de falecer em 1889, antes da proclamação da República.
Conheci, há tempos, Jorge Caldeira, professor e biógrafo, que tinha escrito, no ano de 1995, o livro “Mauá, o Empresário do Império”, pela Cia. das Letras. Fiz-lhe diversas perguntas sobre o livro e o Irineu. Jorge ficou intrigado com a minha curiosidade. Ela permanece. Irineus são poucos, ainda hoje.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 01/06/2018.

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RELEITURA DE NILTO MACIEL UMA LUZ QUE AZULA – Jornal O Estado

Estava na despedida de Nilto Maciel da face da terra, em 29 de abril de 2014. Será que um escritor do calibre de Nilto Maciel desaparece ao ir para além do além? Nilto me acolheu no meu começo e não era raro trocarmos ideias entre as suas baforadas de cigarro que borravam as suas grossas lentes de ler.
Quem quiser saber dele poderá ler seus livros ou consultar a Wikipédia. Lá estão a produção literária e os prêmios recebidos. É fácil perceber o descortino desse cearense, formado em Direito e nas ciências da vida. Foi-se para Brasília, mediante concurso público. Cumprido o tempo, aportou em Fortaleza e aqui se espraiava em contos, poemas e romances.
No oferecimento que me fez no livro de contos “Luz Vermelha Que se Azula”, Prêmio Moreira Campos, ele diz: “Ao amigo João Soares Neto, que escreve certo, estas linhas tortas”. Na verdade, Nilto não era homem de linhas tortas, tampouco de linhas óbvias, era um criador que se metamorfoseava em personagens nas histórias que criava.
Dou a palavra a NM: “A maioria das minhas composições literárias surge por acaso, de inopino ou inspiração, o que deve acontecer com quase todos os criadores, não as busco. Vêm num piscar de olhos. Não as cato nas ruas. Apresentam-se a mim como folhas mortas, papéis velhos, cacos de vidro, esterco. Acolho algumas. Lapido-as, lavo-as e faço delas literatura”.
NM continua: “Outras, porém, não existem nem como ideias e, se existem, estão bem enterradas ou perdidas nas páginas de velhos alfarrábios. É o caso de algumas aqui reunidas. Fui procurá-las nas enciclopédias, nos dicionários, nas biografias, nos compêndios de história”.
Interrompo a dicção de NM e passo a palavra a Aíla Sampaio, que foi minha confreira na Academia Fortalezense de Letras:
“(…) O equilíbrio está no talento de Nilto Maciel para amalgamar realidade e ficção. Munido de vasta bagagem de leituras e domínio das técnicas de construção do texto literário, ele percorre veredas diversas, com seu apurado trabalho de linguagem, dá unidade ao que é diverso, puxa o leitor por caminhos inusitados e consegue, sem exauri-lo no longo percurso que se impõe da primeira à última página, prendê-lo espontaneamente ao universo de seres alucinados e fatigados de sua aventura existencial”.
Agora, neste abril de 2017, três anos após, relembro aos leitores, colegas, amigos e familiares a certeza de que Nilto Maciel está em todos os lugares por onde passou e espargiu a sua premiada literatura.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 26/01/2018.

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CRIANÇA. O ONTEM E O HOJE – Jornal O Estado

Era uma vez um menino nascido ao meio-dia de uma sexta-feira. O mundo estava em guerra. Não por tal razão chorava. Havia saído a fórceps do útero de mãe primípara, por obra e graça de parteira diplomada. Seu pai só tinha 20 anos, era ciumento e não deixou a jovem mulher ser assistida por médico. Paparicado por jovens tias maternas, pois o casal estava com pressa de povoar o mundo. Depois dele, não veio o dilúvio, mas oito crianças.
Uma das tias sugeriu e os seus pais aceitaram, iniciá-lo, aos quatro anos, nos estudos em escola experimental americana. Ia só. Quem o acompanhava, ficava longe. Infelizmente, durou pouco. Matricularam-no em ginásio formal. Um dia, não lembra a razão, foi o último a sair do recreio para a sala de aula. De repente, o diretor puxou-o ela orelha, ralhando. Conseguiu um telefone do próprio ginásio e ligou para o pai contando o fato. Disse: não estudaria mais ali. Dito e feito.
Dezenas de anos passados, ele, já com netos em idade escolar, tenta aproximação de formas diferentes. Meio sem jeito, desde o tempo de pai. Criara (seria o prenúncio de um ficcionista?), dois personagens, a Rosinha e o Paulinho, crianças exemplos. As filhas procuravam conhecê-los. Ele driblava com evasivas: moram um pouco distante daqui, viajaram, estão de férias etc. Rosinha e Paulinho eram bons filhos, estudiosos e serviram de modelo invisível para as ainda crédulas filhotas.
Agora, conta um pouco do “seu-sem-jeito” como avô. Há anos combinou com uma filha: levaria as crianças dela para a escola. Tentava maior aproximação. Entravam no carro ainda bocejando. Ele, o avô, colocara no toca cd músicas infantis e ia, desafinando, solfejando com eles. A festa durou pouco mais de uma semana. Um dia, perguntou se fazia diferença ir apanhá-los manhã cedo ou outra pessoa servia. Triste, ouviu: tanto faz.
Domingo desses, combinou com outra filha, ir apanhar o seu primogênito para levá-lo a uma feira de numismática. O neto, rosto cheio de protetor solar e saco com lata de moedas repetidas. Sentados no banco da frente, cintos de segurança atados, foram conversando ao Parque da Liberdade, no centro, a antiga Cidade das Crianças, concepção pedagógica da professora Zilda Martins Rodrigues.
Lá, pessoas maduras fazem o escambo e a venda de moedas. Sentou-se em uma banca. O neto, em outra. Fez as suas barganhas e, ao final, o neto queria vender, a qualquer preço, as moedas repetidas. Arrazoou: você não está precisando de dinheiro. Comprou novas moedas para o neto, inclusive, cédula de dólar com a cara do Mickey, só circulante no mundo da fantasia e no dos numismatas.
Depois, foram almoçar. Antes, o neto pediu para tomar sorvete. Concordou, claro. Do almoço provou pouco, mas bebeu duas latas do excêntrico Guaraná Jesus, hoje marca da Coca-Cola. Mais um sorvete e tomou o caminho de volta. Papos, risos e abraços. Ficaram combinados, voltariam à feira.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 12/01/2018.

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O QUE SE FALA NO GOOGLE SOBRE O BRASIL? – Jornal O Estado

“No Brasil, sucesso é ofensa pessoal”. Tom Jobim
A Folha de São Paulo resolveu pedir ao Google informações sobre as buscas dos seus internautas acerca do Brasil. O Google aquiesceu e informou, mais ou menos, o seguinte: os próprios portugueses ao usar o sistema Google fazem, em busca mais recorrente, a seguinte pergunta: quem descobriu o Brasil? A outra pergunta deles é: quem colonizou o Brasil? É verdade, não é brincadeira. Coisas da pátria-mãe.
Sobre o assunto, Patrícia Campo Mello, jornalista, informa: “Para mapear a imagem do Brasil no Mundo, o Google levantou, a pedido da Folha, o que os cidadãos de alguns países buscam em seu site sobre o País desde 2004. Afora os resultados no mínimo curiosos sobre os portugueses, o levantamento mostra que o Brasil começa a se livrar dos clichês ‘samba, futebol e carnaval’”.
Mas, descobriu-se que é no nosso país que os norte-americanos pensam em certos tipos de cirurgia plástica e estética, tais como “Brazil butt lift” (cirurgia para aumentar o traseiro) e “brazilian wax” (depilação dos pelos pubianos). Enganam-se ao pensar que por aqui há sementes nativas que teriam o poder do emagrecimento nos locais certos. Por outro lado, a pesquisa, citada, mostra que ainda há perguntas, tais como: onde fica o Brasil? em que país fica o Brasil? que língua é falada no Brasil?
Recorro à Patrícia: “A ignorância também permeia as buscas mais frequentes dos internautas do Iraque como: “Qual é o idioma”, “Onde fica?” e “Qual é a capital?”. Mas o sexo não sai do imaginário dos iraquianos (muçulmanos, diga-se) quando pensam no Brasil. O termo mais procurado por eles é ‘praias de nudismo, seguido de ‘sexo’ e ‘mulheres sexy do Brasil”.
Aqui ao lado, na Argentina, os “hermanos” procuram saber de novelas e a que tem mais entrada no Google é “Avenida Brasil”, da TV Globo, que só foi retransmitida para lá em 2014.
Fortaleza está entre as cidades mais procuradas, ao lado de Natal, Bonito – no Mato Grosso do Sul-, Itapema, em Santa Catarina e Torres, nos pampas gaúchos.
Por outro lado, além das perguntas bobas ou primárias há algo um pouco mais profundo e isso vem dos franceses que procuraram saber “quais as particularidades da presidente Dilma?”, “o Brasil produz para alimentar sua população ou para vender?” e “por que chamam o Brasil de fazenda do mundo?”.
Como se vê, o nosso País ainda é um ilustre desconhecido e isso nos entristece, pois acreditamos ser a sétima ou oitava economia do mundo e nem os da nossa pátria-mãe sabem quem somos. Tantas foram as viagens presidenciais pelo mundo afora, nestes últimos 20 anos, que imaginávamos um “recall” mais alvissareiro.
Entretanto, algo nos alegra. O nível dos perguntadores é de ordem tão primária que há esperança de que, pelo menos, entre populações mais instruídas, tais como: jornalistas, acadêmicos e intelectuais – os que ainda leem livros e possuem uma visão mais cosmopolita- possa realmente haver informações mais qualificadas.
Saber, por exemplo, que se atribui a Pedro Álvares Cabral o nosso descobrimento; que somos um país continental de 200 milhões de habitantes; que falamos a língua portuguesa e que fomos colonizados por Portugal.
Hoje, temos uma democracia turbulenta, a nossa presidente é uma mulher, Dilma Vana Rousseff, filha de imigrante e estamos nos preparando para sediar as Olimpíadas de 2016, na cidade do Rio de Janeiro, patrimônio da humanidade.
Ainda produzimos samba, especialmente em favelas pacificadas; tentamos, com o “coach” Dunga, voltar à hegemonia no futebol; os carnavais do Rio e de São Paulo são patrocinados por contraventores em parceria com multinacional de cerveja e mostrados via televisão. O ator Rodrigo Santoro é brasileiro e o nosso maior cantor é Roberto Carlos.

João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 09/02/2018.

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TIRADENTES, O HERÓI DO FERIADO DE AMANHÃ – Jornal O Estado

“Justiça que a Rainha Nossa Senhora manda fazer a este infame Réu Joaquim José da Silva Xavier pelo horroroso crime de rebelião e alta traição de que se constitui chefe, e cabeça na Capitania de Minas Gerais, com a mais escandalosa temeridade contra a Real Soberania e Suprema Autoridade da mesma Senhora, que Deus guarde”. Parte da sentença de morte contra Tiradentes.
Que continua: “Mando que com este baraço e pregão seja levado pelas ruas públicas desta Cidade ao lugar da forca e nela morra de morte natural para sempre e que a cabeça separada do corpo seja levada à Vila Rica…” (Boletim da Polícia Militar do Rio de Janeiro, no. 53, em 18.04.2008).
Em 1776 aconteceu a Independência da América, jovens brasileiros, filhos de abastados nacionais, estudavam na Europa, mormente em Portugal. Eles resolveram, seguindo a senda iluminista, aspergir a ideia da libertação da Coroa, através de cartas e de palavras candentes, quando das férias ou dos seus retornos.
Anos depois, alvitrou-se, em Vila Rica (hoje, Ouro Preto), Capitania das Minas Gerais, fazer um movimento social libertário, juntando parte do clero, da intelectualidade e da burguesia. A esse movimento, a dita “Inconfidência Mineira”, aderiu Joaquim José da Silva Xavier, alferes pouco lido, de poucas posses, também protético, profissão aprendida em família, que recebera a alcunha de “Tira Dentes”, o Tiradentes.
Esse movimento sequer prosperou, ficando morno. Joaquim era um boquirroto, mas também gostava de ouvir. Soube haver cheiro de traição no ar. Estava com problemas afetivos sérios, apesar de nunca haver casado. Largou o movimento, a corporação Dragões de Minas e fugiu para o Rio de Janeiro. Mesmo assim, em 1789, Joaquim Silvério dos Reis, falido e ciente do favor à Coroa, fez a denúncia sobre a possível e nunca realizada insurreição.
Dou a palavra a Otávio Frias Filho em artigo nominado de “Ainda que tardia”, publicado na Folha de São Paulo, em 26 de fevereiro passado, escrevendo sobre o filme “Joaquim”, lançado, ontem, em circuito nacional. Diz Frias: “Não existe história mais recoberta de ferrugem verde-amarela, depositada em tantas décadas de reiteração escolar, que a de Tiradentes. O frescor acre que exala de “Joaquim”, exibido, na semana passada, no Festival de Berlim, decerto tem a ver com a opção do diretor Marcelo Gomes… Quando começa a acontecer o que aprendemos na escola, o filme termina”.
Como se sabe, mesmo tendo sido o único morto, por conta da Inconfidência, a mando da Rainha Dona Maria I, cognominada a “Rainha Louca”, Tiradentes ou Joaquim, ficou no limbo da história até o albor do movimento republicano, em 1870.
Procurava-se um herói nacional. Consta que usaram o Tiradentes. É a versão tida como requentada nos fornos da “consentida” República. Não há na Historiografia do tempo Imperial menção alguma à tal Inconfidência. Frias, no artigo já referido, diz: “Em seu livro sobre o personagem (Tiradentes: O
Corpo do Herói, Martins Fontes), a historiadora Maria Alice Millet demonstra como a sua mitologia foi elaborada…”.
O fato é que Tiradentes, três anos preso, foi degolado em 21 de abril de 1792 e os autos da sua condenação duraram 18 horas de alocução. Ora, se ele fosse tão desimportante assim porque o Império gastaria tantas laudas com ele?

João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20/04/2018.

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HOMENAGEM DA CÂMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA À ACADEMIA FORTALEZENSE DE LETRAS, EM SESSÃO SOLENE NO DIA 12 DE NOVEMBRO DE 2009.

Discurso do Vereador PAULO FACÓ, propositor da homenagem.

Senhor Presidente
vereadoras e vereadores,
Senhores convidados:

Dizia o poeta Filgueiras Lima que as academias, além de serem institutos de exercícios literários, têm um compromisso social de marcante importância: cabe-lhes acender ideias de elevação mental na alma do povo e aprimorar os recursos da língua nacional, assegurando-lhe o resguardo dos modos e formas expressionais da melhor beleza idiomática e de respeito aos elementos de sua formação.

Tem o Ceará uma trajetória de amor às agremiações culturais.
Muitas foram as que se formaram ao longo de nossa história, algumas de forma marcante, como a original PADARIA ESPIRITUAL, fundada em 1892 pelos jovens boêmios que frequentavam o “Café Java” na Praça do Ferreira, sob a generosa complacência do Mané Coco, jocosa figura de botiquineiro.

Em 1894 era fundada a ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS, porventura a mais antiga do Brasil, pois antecedeu em três anos a própria ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS.

Outras associações e grupos literários já haviam recrutado os amigos das letras, como a ACADEMIA FRANCESA, em 1873, o GRÊMIO LITERÁRIO, em 1885, e o INSTITUTO DO CEARÁ (ainda hoje em pleno vigor produtivo), em 1887.

Nesses redutos de embate de ideias e manifestação estética surgiram nomes que haveriam de engrandecer as letras cearenses e romper as fronteiras da Província para brilhar à ampla e larga admiração nacional.
Nomes como o de Antônio Sales, Adolfo Caminha, Rodolfo Teófilo, Rocha Lima, Juvenal Galeno, Farias Brito, Araripe Júnior e Clóvis Beviláqua.

Somos uma terra de produtores de literatura. De poetas e prosadores de qualidade superior, muitos assinalados em definitivo nas páginas permanentes da imortalidade, como colunas sólidas da história literária do país.

Desses anais perpétuos jamais sairão José de Alencar, Capistrano de Abreu, Franklin Távora, Domingos Olímpio, José Albano, Gustavo Barroso, Herman Lima, Raimundo Magalhães Júnior e Rachel de Queiroz.

Parece que temos no Ceará uma inquietação para dizer, pelos misteriosos caminhos do encanto, os sentimentos e as emoções que nos possuem, o acicate da dor e o fogo da paixão, o plasma do delírio e o patinar obscuro do lodo, o mel e o fel de nosso jeito severino de encarar a vida.

Há sete anos, um grupo de intelectuais desta cidade, reunido em torno dessa necessidade de praticar a arte da palavra, resolveu fundar mais uma Academia de Letras.

Seria a Academia da cidade de Fortaleza e visava congregar e integrar entidades culturais da capital e literatos para o cultivo de ideias e divulgação de suas produções, num salutar e benfazejo convívio, onde os participantes se sentissem à vontade para a livre expressão de seus sentimentos, proclamados em prosa e verso.

A ACADEMIA FORTALEZENSE DE LETRAS, que, como outras, poderia ter vida efêmera e destino passageiro, logo firmou-se no conceito da literatura de nosso Estado como uma entidade séria e respeitável, promovendo conferências de real interesse cultural, publicando uma revista e editando uma antologia, revelando, dessa forma, uma atuação de marcante presença no movimento cultural de Fortaleza.

As quatro diretorias que a comandaram, presididas respectivamente por Cid Carvalho, Cybele Pontes, Ednilo Soárez e o atual, o cronista João Soares Neto, conseguiram conquistar a confiança da comunidade intelectual e dos meios acadêmicos, mas, sobretudo, obtiveram o grande feito de aproximar a elite cultural da cidade, das escolas, da juventude e de todos os que, de alguma forma, mostram interesse pelo cultivo das letras e pelo exercício da palavra escrita.

Como em todos os ofícios da atividade humana, o escritor tem um compromisso com a sociedade e com a história.
Mas cabe aos que escrevem uma função maior.
É que o escritor faz a leitura da vida, capta os retratos de época, interpreta a natureza humana, reflete em sua criação o pensamento, as ideias e as atitudes de seu tempo, expressando-os através da crônica, do ensaio, da poesia e até da ficção, que sempre se apoia na realidade e reproduz situações concretas.

Instrumento, portanto, da história, o escritor é elemento imprescindível para a memória da humanidade.
Sem a sua atuação, não teríamos a Bíblia, o Livro dos Vedas, o Alcorão, a Odisséia, a Divina Comédia e Os Lusíadas.

Nem saberíamos das façanhas de Carlos Magno e dos Doze Pares de França.
Nem das Proezas de João Grilo ou da Peleja de Zé Pretinho com o Cego Aderaldo, pelo viés da literatura de cordel.

Congregar esses seres iluminados que trabalham sobre a magia das palavras e, como deuses, criam mundos e constroem vidas, é uma missão também quase divina.
Por isso, aplaudimos a existência das academias.

Senhoras e Senhores:

Aqui está a ACADEMIA FORTALEZENSE DE LETRAS, representada por muitos de seus membros, sob a liderança do Dr. João Soares Neto.

É um cidadão vencedor. Bom de cidadania, bom de leituras e de escritura, bom de convivência. Um homem que, depois de triunfar no mundo empresarial, recorreu a sua antiga inclinação. Aquela vocação espiritual que o aluno do Colégio Cearense já demonstrava nas tertúlias do grêmio escolar, fazendo discursos e recitando poemas nas saudosas sessões lítero-musicais da escola marista.

O Cônsul do México no Ceará, além de ser poliglota, dar centenas de empregos e conhecer o mundo inteiro, é um cronista de boa safra, um contemplador do cotidiano, a tecer sobre as coisas, fazeres e olhares de nosso tempo abalizados e originais comentários, num estilo leve, palatável e gramaticalmente cuidadoso.

Hoje, nesta noite de grande alegria para a Casa do Povo, queremos homenagear a ACADEMIA FORTALEZENSE DE LETRAS pelo seu trabalho, por sua missão pedagógica e incentivadora, pelas intenções sublimes de seu ideal, pelo que já fez e fará pela cultura de nossa cidade.

Senhores acadêmicos e escritores do Ceará:
A Câmara Municipal de Fortaleza, representando o sentimento da cidade, se declara em completo estado de gratidão à ACADEMIA FORTALEZENSE DE LETRAS por todas as suas realizações.
MUITO OBRIGADO.

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Boa-noite a todos os presentes à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, nesta noite de 29 de outubro de 2019, em solenidade para a entrega da Medalha Edson Queiroz

Autoridades, meus familiares, colaboradores, colegas das Academias a que pertenço, representantes de Entidades assistidas pelo Shopping Benfica, integrantes da Academia de Letras estudantil, criada por nossa inspiração; e, em especial, os que compõem a mesa diretiva, nas pessoas da Desembargadora Iracema Vale, e do dirigente dos trabalhos, Deputado José Sarto Nogueira.
Espero ser breve para ser ouvido porque nesta noite de terça-feira se deslocaram de suas casas, de seus trabalhos e estão aqui neste Plenário. De antemão, muito obrigado a cada um. Sintam-se acolhidos.
Devo, por reconhecimento e princípio, agradecer ao Deputado José Sarto, que alia a destreza de médico cirurgião ao político que chegou à presidência desta Assembleia Legislativa por sua liderança cautelosa, pois ausculta seus pares, antes de tomar decisões de interesse público. Tanto é verdade que estou aqui, por decisão e aprovação uníssona do plenário. Receberei honrado, a Comenda Edson Queiroz, instituída por lei, em 1982.
Muito obrigado, Presidente José Sarto e a todos os deputados que se acostaram ao mérito desta premiação.
Merece reconhecimento o Presidente do Sindilojas, Cid Alves, que, em reunião com a sua Diretoria, indicou, por ofício, o meu nome a esta Casa, obedecendo aos trâmites necessários.
Lojistas são empresários que, no dia a dia, servem ao povo, na competitiva tarefa de lidar com a concorrência, formal e informal, acompanham os avanços tecnológicos para se manter up to date.
Minha gratidão ao Presidente Cid Alves.

Agora, falo de Edson Queiroz, o Patrono.
Edson Queiroz foi lojista. Aos 24 anos, em 1949, criou o “Abrigo Central”, ao norte da Praça do Ferreira. O Abrigo era a versão primeira de um centro comercial simples, aberto para atender a todos os que chegavam e saíam do então, coração da cidade. Delmiro Gouveia, cearense, foi o pioneiro no planejamento e construção do “Centro Comercial do Derby”, em Recife, Pernambuco, no ano de 1899. Delmiro foi o Edson Queiroz de sua época.
Provado está que Edson Queiroz, o maior empresário cearense de sua geração e quiçá do século, construiu, em velocidade supersônica, um conglomerado de empresas, a partir do gás liquefeito de petróleo- GLP. E foi longe.
Montou um sistema de comunicações integrado, cresceu na agroindústria, multiplicou-se em alimentos e bebidas, idealizou e fundou a Universidade de Fortaleza, hoje a maior universidade privada do Nordeste. Possui um dos maiores landbanking do Brasil.
Edson ultrapassava o regional e se agigantava, como zênite, no cenário nacional, sendo destaque em premiações recebidas Brasil afora. Tinha sede de conhecimento e fazer bem feito. Era simples, direto, inteligência pulsante, gostava de cantar, dançar e fazer mágica para os netos.
Edson Queiroz, aos 57 anos, morreria em desastre aéreo, em 08 de junho de 1982. Duas semanas depois, o estado do Ceará, editava a Lei 10.695, no 22 de junho do fatídico 1982, que homenageia, anualmente, empresários cearenses.
D. Yolanda e Airton Queiroz, apoiados pela família e colaboradores, continuaram a missão e fizeram crescer a sua obra. Hoje, filhas e netos, de forma integrada, dinamizam o Grupo Edson Queiroz, discreto, bem estruturado e sólido, a partir de Holding capitaneada por Abelardo Rocha Neto, Edson Queiroz Neto e Igor Barroso Queiroz. Formação adequada, talento e herança genética.
Parafraseando Friedrich Nietzsche: “O que provoca a minha morte faz com que eu fique mais forte”. A aura de Edson Queiroz pastoreia, de longe, as muitas coisas que criou.
Creio que Edson Queiroz serviu de inspiração e referência a todos os micros, pequenos, médios e grandes empreendedores cearenses.
Agora, nesta noite, sou o homenageado.
Sou um batalhador há muitos anos, 50 para ser preciso.
Em 1969 fundamos a Planos Técnicos do Brasil (vejam a petulância do nome), a primeira empresa cearense a trabalhar com planejamento integrado para a elaboração de Planos Diretores e de Projetos de financiamentos para a construção civil. Daí partimos para edificações, hotelaria, saneamento, estacionamentos, cinemas e centros comerciais. Tudo pequeno, acreditamos no ditado “Small is beautiful”. O pequeno é bonito.
Tudo o que sou, agradeço a uma visão heterodoxa, inquietude, inventividade, arrojo e, principalmente, saber agradecer àqueles que me ajudaram e estiveram ao meu lado neste meio século.
Já assinei mais de 30 mil carteiras de trabalho e resisti, sabe Deus como, às múltiplas crises brasileiras. Não sou grande, tampouco médio ou pequeno, sou inquieto e inveterado leitor a procurar saber os caminhos da faina, e da literatura. Ao redor do mundo (aqui e alhures).
Ao conceber o Shopping Benfica, matutei, planejei e entendi que pessoas desassemelhadas poderiam conviver num centro comercial compacto, ousado, com atividades permanentes nas artes e nas formas de cultura, para dar aos clientes, sentimento de pertença, envolvimento, bem-estar e interação. Somos pessoas de naturezas diversas, antes de sermos consumidores. Aceitar as diferenças, encantá-los com atividades culturais, de artesania e de arte, projetos permanentes, de todas as naturezas.
Amanhã, 30 de outubro de 2019, o Shopping Benfica completa 20 anos.
Desafiei a geografia local, que privilegia a zona leste da cidade e aonde estavam e estão assentados empreendimentos congêneres. Ousei acreditar no pequeno bairro do Benfica, sofrido com a perda para o Pici da área de ciências e tecnologia.
Descobri que os 17 bairros que o circundam estavam em nosso raio de ação e cuidados. Foi duro. Muito duro, mas realizei este sonho da maturidade.
Na inauguração, realizamos uma grande exposição, doando grandes telas nuas e tintas para mais de 80 artistas plásticos cearenses. Eles acreditaram e pintaram ao vivo. Foi lindo. Os dois vencedores receberiam passagens para a Europa e os Estados Unidos. Emília Porto e Audifax Rios. Nascia a Galeria BenficArte que já realizou 412 exposições.
Tudo isto acontecia, em 30 de outubro de 1999, sábado, à luz do sol, ao som harmônico da Camerata da Universidade Federal do Ceará.
Até hoje, as artes plásticas, as várias formas de cultura, no Projeto Viajando nos Livros dá excelente resposta.
Incentivamos os trabalhos manuais e artesanias para pessoas sãs e até de portadores das mais diversas síndromes. Temos programação musical ao vivo, com artistas emergentes.
Ousamos e fizemos sessões de cinemas gratuitas para jovens e adultos cerceados de liberdade. Salas cheias, sem evasão.
Na área cultural, temos convênio experimental com a Biblioteca Municipal Dolor Barreira. Nas artes e na tecnologia, firmamos com o Instituto Federal do Ceará, Campus de Fortaleza, com a duração de cinco anos, a vencer em 2024.
Este é o diferencial do Benfica. Está na ânima (essência) dele. Pois foi assim e assim será.
Agora, 20 anos depois é o hoje, continuamos na mesma trilha. Com orgulho, podemos afirmar que a SECULT- Secretaria da Cultura do Governo do Ceará já nos outorgou, por oito vezes consecutivas, com o Selo de Responsabilidade Social, inclusive, na categoria Diamante. Nenhuma outra empresa ou entidade cearense, pública e privada, detém este laurel.
Todos os presentes a esta solenidade são convidados a comparecer e a comprovar amanhã, na nossa festa de 20 anos, que começará às 18 horas, o que o Shopping Benfica faz para ter colaboradores, lojistas e clientes como parceiros e amigos. O bolo (fruto de um reality show) que era linear e atingiu 19 metros no ano passado; agora verticalizou e tem 20 andares. Haverá avant-première da decoração de Natal, concebida e realizada pelas mãos e os talentos de todos nós, que idealizamos, construímos e fazemos o Shopping Benfica.

Ouso, por fim, repetir o que Edson Queiroz deixou como frase – referência:
“Se algum dia vocês forem surpreendidos pela injustiça ou pela ingratidão, não deixem de crer na vida, de engrandecê-la pela decência, de construí-la pelo trabalho”.
João Soares Neto
29/10/2019

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DISCURSO DE POSSE DA

DESEMBARGADORA MARIA IRACEMA DO VALE
NA PRESIDÊNCIA DO TRE DO CEARÁ
 
 
                   Excelentíssimos Senhor   ………………..(citar as autoridades indicadas pelo cerimonial), Excelentíssimas Senhoras, Prezados amigos e familiares,
De princípio, devo agradecer as saudações protocolares do Juiz Luciano Lima Rodrigues, em nome do pleno do TRE, e do advogado Valdetário Monteiro, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção do Ceará, em nome dos causídicos cearenses.

Saúdo todas as mulheres presentes na pessoa de minha nora Renata do Vale, mãe extremada das minhas netas Cláudia, Lara e Lina.
Gostaria de cumprimentar todos os meus professores presentes ou ausentes, não por vontades próprias, na pessoa do Dr. Carlos Roberto Martins Rodrigues, meu ilustre mestre de Direito Administrativo, na pioneira Faculdade de Direito do Ceará, depois da UFC.

É com honra, alegria e humildade que assumo a Presidência do TRE do Ceará. Sejam todos bem-vindos a esta solenidade pública e publicável.

Estou consciente de que o País vive um momento auspicioso de sua vida democrática, com a afirmação, em vários pleitos sucessivos, da fiel observância dos pronunciamentos populares, por meio das urnas, assegurando ao povo escolher, livremente,l os seus dirigentes políticos.
 
 Todos somos testemunhas de como a Justiça Eleitoral zela pela fidelidade às preferências dos eleitores.
Sabemos como os seus Magistrados se empenham eficazmente em não permitir que as influências do poder econômico ou político, outrora tão frequentes, perturbem a legitimidade dos pleitos, embora essa tarefa nem sempre se possa cumprir em clima de respeito e harmonia.
 
                   Não seremos tolerantes com as influências perniciosas, atuando com veemência para excluir da participação nas disputas eleitorais os que não se apresentam dotados das qualificações indispensáveis para o exercício de funções públicas eletivas, seja no domínio do Poder Executivo ou na representação parlamentar.
A Justiça Eleitoral sempre contribuiu ao aprimoramento das eleições e à moralização da vida política em todos os seus níveis.
 
 Sabemos que não se mudam com rapidez as práticas arraigadas. É sempre difícil alterar os comportamentos das pessoas, mesmo quando se mudam as leis que elas deveriam observar.

A obstinação é, nesses casos, a arma eficaz para obter as transformações desejadas. Passo a passo, daremos o tom certo, a forma adequada com o cuidado indispensável à prestação jurisdicional de qualidade. 
     A gestão de um Tribunal deve espelhar o perfil de quem, ainda que, por honrosa delegação dos pares, o administra.
                  
Deixo claro que sou uma pessoa simples, descomplicada, obstinada e coerente nas minhas decisões. Não sou uma principiante. Aprendi com a responsabilidade inerente aos cargos de Procuradora Geral da Justiça, magistrada e como Corregedora do próprio TRE.

Sou neta e filha de advogados. Procuro honrar os seus nomes.
Fui filha, sou mãe, avó e, também, esposa. Mas há 31 anos sou profissional determinada, sobretudo determinada, traço de personalidade herdado de minha querida genitora Iracema Vale, cuja memória reverencio.
 
                   Ela me deu a vida; ensinou-me o que é a vida; preparou-me para a vida e me recomendou os caminhos a seguir na vida passo a passo, sem medo e sem tergiversar.
 
                   Se ao sexo feminino associam erroneamente a ideia de fragilidade, não confundam minhas medidas palavras com o chamado silêncio dos indiferentes;
minha tolerância, com desânimo no discernir o certo do errado; minha urbanidade com recuo no deliberar na forma da lei;
minha ponderação, com hesitação no agir ou no enfrentar problemas e superar desafios. Eu os enfrento e resolvo.
 
  Sou serena por natureza. Mas essa serenidade não traduz a ausência de firmeza a que me proponho no conduzir esta máquina administrativo-jurisdicional que é o TRE- Ceará/
Menos ainda, tenho temor de, nesse mister, reprimir insinuações ameaçadoras ou interferências veladas que me inibam o dever, a obrigação de decidir segundo a minha consciência e conforme o ordenamento jurídico eleitoral,
doa a quem doer.
 
  Um notável elemento da evolução jurídica, contudo, incide na autoridade que a Justiça Eleitoral deve exercer sobre quaisquer desvios.
Esse elemento manifesto na serenidade dos seus julgamentos deve ser alicerçado em fundamentos seguros, de modo que os poderes judiciais não se extraviem em impulsos servis a quaisquer interesses, senão somente ao cumprimento puro e simples da Justiça.
A Justiça Eleitoral, pela exigência de celeridade que a qualifica, não pode deixar-se impressionar com as urgências forçadas, porque não raro ocultam as verdades e terminam mais afeitas às impressões do que às realidades.   
 Senhoras e Senhores                 
O TRE- Ceara tem um passado de honrosas tradições, desde a sua implantação pelo Professor e Desembargador Faustino de Albuquerque e Souza, nos anos iniciais da década de 30 do século passado.
Por ele passaram Magistrados com qualificação intelectual e ética, muitos Desembargadores do nosso Tribunal de Justiça, inclusive o seu atual Presidente, Des. Luiz Gerardo de Pontes Brígido.
Relembro, por necessário e oportuno, os desembargadores Ademar Mendes Bezerra, Stênio Leite Linhares, Júlio Carlos de Miranda Bezerra e Jaime de Alencar Araripe, apenas para lembrar alguns presidentes valorosos.
Cheguei ao TRE-Ce há quase 3 anos e, por gratidão.não poderia deixar de referir a colaboração recebida, quando corregedora, dos Juízes Estaduais Luciano Lima Rodrigues e Raimundo Nonato Silva Santos e dos Juízes Federais, dentre os quais nomino o Dr. Jorge Luiz Girão Barreto, Dr. João Luis Nogueira Matias e o Dr. Luiz Praxedes Vieira.
Distingo os Procuradores da República, nas pessoas do Dr. Márcio Andrade Torres e do Dr. Rômulo Moreira Conrado; Igualmente, os Juristas, que iluminam o Tribunal com a sabedoria de suas decisões e a altivez dos seus julgados.
 
Sucedo, no tempo devido, a mulheres notáveis, julgadoras de finíssima formação jurídica e de inegável habilidade no trato das coisas da Justiça Eleitoral. Refiro-me às desembargadoras Auri Moura Costa, a primeira magistrada de nosso País,
Águeda Passos Rodrigues Martins,
Huguette Braquehais
e Gisela Nunes da Costa;
não as menciono como se pretendesse estabelecer uma distinção de gênero, que não devemos cultivar, mas para relembrar as suas atuações que podem nos servir de exemplos de destemor.
 
  A administração de um Tribunal Regional Eleitoral é peculiar, porque a prestação jurisdicional deve ser rápida e as condutas dos dirigentes precisam ser balizadas pela lei. Não existe espaço para atos discricionários ou para a consumação de projetos que tragam marcas pessoais.
Acreditamos que a nova administração será profícua, a partir de sua composição ilustre.
Destaco o Vice- Presidente e Corregedor, Des.Abelardo Benevides, por sua clareza e saber,
e os dignos desembargadores Francisco de Assis Filgueiras Mendes e Maria Nailde Pinheiro, substitutos.
Saibam todos os nossos propósitos nesses dois anos que hoje começa:
1.dar cumprimento ao processo de construção de uma sede adequada para a Corte, na qual o público sejam atendido; os servidores, os juízes, o Ministério Público Federal e os Advogados possam desempenhar os seus ofícios em ambiente adequado, informatizado e seguro.
A atual sede do TRE é obsoleta e não comporta maiores observações.
2. Implementar, com segurança, o recadastramento eleitoral pelas impressões digitais, a chamada biometria, já iniciada em sete municípios do Ceará e que se constitui uma das metas relevantes do Tribunal Superior Eleitoral –TSE, tido como instrumento de vanguarda mundial na segurança absoluta do voto e, conseqüentemente, da democracia que merecemos ter.
3. Por fim, o planejamento das eleições de 2014, em todos os seus múltiplos detalhes, como a segurança, o treinamento e as providências de logística. Para isso, conto com a excelente equipe técnica que compõe o quadro do TRE-Ceará.
 
Temos uma dificílima missão e, asseguro, de minha parte, que farei tudo para cumpri-la. com a ajuda de Deus. 
Minha vida pública espelha a minha gradativa preparação para o diálogo construtivo e para o trabalho em equipe, sem acidez ou mandonismo.
Busco uma luz na sabedoria do culto Padre Antônio Vieira, no “Sermão da Terceira Dominga do Advento – Post Epiphaniam”.
Ele nos assevera e ensina:
“O poder tudo, consiste em poder algumas coisas e não poder outras:
consiste em poder o lícito e o justo;
e não poder o ilícito e o injusto;
e só quem pode, e não pode desta maneira, é o Todo Poderoso”.

agradeço a todos os que me acompanham nesta dupla jornada, no TRE e no Tribunal de Justiça. Sem essas equipes qualificadas não poderia realizar muito.
Com elas, tenho certeza de que cumpriremos o que agora prometemos.
Aos da minha querida família, peço mais dois anos de paciência.
Senhoras e Senhores,
ao encerrar este pronunciamento, agradeço, profunda e sinceramente, a presença de todos, sem distinção, que aquiesceram em deixar os seus afazeres e compareceram a esta solenidade, fazendo-a um acontecimento marcante na minha vida, pelo brilho invulgar que trouxeram.
 Muito obrigado a todos! Que Deus nos abençoe.

 
 

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Boa noite a todos,

Administrar uma Sociedade Consular pode ser vaidade, oportunidade, responsabilidade, descortino, devaneio ou pouco de cada uma dessas opções.
1. Em dois anos e pouco de administração a Sociedade Consular do Ceará não gastou nenhum centavo. Todas as despesas foram assumidas, pessoalmente, pela presidência e, em datas festivas, pelo quadro social.
2. Nesse período, saneamos toda a situação do quadro social e hoje estamos com 300% a mais do que encontramos em caixa.
Nenhum cheque foi assinado, pois nenhuma despesa foi feita.
Esta a razão pela qual reelegemos o Cônsul da Colômbia, Maurício
Durán, para que, agora, ele possa começar o seu período como tesoureiro.
3. Atualizamos os Estatutos Sociais, mas não temos as atas registradas de todas as sessões em face dos compromissos acadêmicos do nosso colega José Maria Zanocchi, cônsul do
Uruguai, razão pela qual o indicamos, novamente, para secretário para que, com o mestrado concluído, possa dar mais tempo ao seu mister associativo.
3. Como eu havia recebido a presidência do Marcos Soares de Castro com o compromisso de repassá-lo a um outro Soares, agora o faço. O novo presidente será o Cônsul da Finlândia, Ednilton Soárez.
4. Em outras palavras, a SC é, no momento, uma dinastia dos Soares que precisa ser rompida. Façamos uma promessa, após os dois anos, que serão profícuos, tenho certeza, nada mais de Soares no poder. Assim, esperem por 2015, não precisam ir às ruas.
5. Falando sério, destacamos que a SCC teve a honra de ser homenageada pela Câmara Municipal de Fortaleza, por ocasião do Dia do Cônsul, em agosto passado.
6. Nessa mesma ocasião, reparando uma omissão e fazendo justiça, outorgamos a Medalha Bertrand Boris ao ex-presidente e sempre companheiro, Luciano Montenegro.
7. Visitamos, em comitiva e ônibus especial, as obras do Porto do Pecém. Ficamos informados de sua implantação e já cientes de
sua expansão.
8. A convite do Secretário Ferrúcio Feitosa, que gentilmente nos recebeu, tivemos, como visitantes, a antevisão do ora já inaugurado Estádio Castelão, que recebeu, em junho passado, três jogos da Copa das Confederações.
9. Igualmente, fomos recepcionados no quase concluído, à época,
Centro de Eventos do Ceará. Esse equipamento, já em operação, deu um diferencial de qualidade ao nosso Estado.
10. O comandante da 10ª. Região Militar, gen. De divisão Gomes de Mattos nos ofereceu um almoço festivo nas dependências do monumento histórico que é o Quartel General, antiga Fortaleza da Nossa Senhora da Assunção.
11. Fizemos, em parceria com o Consulado da República Tcheca e a Galeria Benficarte a exposição………………………..
12. Fizemos duas festas de congraçamento Natalino. A primeira no restaurante Nostradamus e a outra neste Ideal Clube.
13. A propósito do Ideal Clube, este foi o local concentrador da maioria das nossas reuniões mensais, sempre ao cair das tardes, ocasião em que discutimos as pautas necessárias ao nosso convívio.
14. Acertamos com a Dra. Mônica Barroso, dirigente da Coordenadoria de Políticas Públicas para a Mulher a realização de um Censo para um maior amparo às mulheres estrangeiras presidiárias em nosso Estado. O vice-cônsul da Itália, Roberto Misici é o nosso interlocutor para assuntos de direitos humanos.
15. Fomos recebidos, em audiência especial, pelo Governador do Estado, Cid Gomes, ocasião em que apresentamos sugestões para que os setores de comunicações e de turismo tivessem a acuidade de fazer uma programação visual multilíngüe para os pontos turísticos do Ceará e, aproveitando as copas das Confederações, já acontecida, e do Mundo, a realizar-se em 2014, para presentear o passeio externo da Av. Barão de Studart do Palácio da Abolição com um panteão de bandeiras dos países participantes. Igualmente, cobramos do governador Cid Gomes a indicação de um Assessor de Assuntos Internacionais, no que fomos imediatamente atendidos, com a sua escolha pessoal do Dr. Hélio Leitão Neto, mestre em direito, ex-presidente da OAB-Ce e professor universitário.
Já falamos demais. Pedimos desculpas aos colegas por termos sido um defensor implacável da entidade que até hoje presidi, sem o que não estaríamos, nesta data, reconhecidos pela sociedade cearense e, tampouco, o Cônsul Ednilton Soarez não estaria orgulhoso em presidi-la, a partir desta noite tão bonita e agradável.
A todos os colegas, os meus agradecimentos pelo comparecimento às reuniões, e aos amigos que aqui vieram para prestigiar esta solenidade, os meus respeitos.
Longa vida, Honra e glória ao novo presidente, Cônsul Ednilton Soarez
Viva a dinastia dos Soares.
Muito obrigado a todos.

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ANOTAÇÕES PARA O DISCURSO NA ACL – FEVEREIRO DE 2013

Boa noite a todos.
Caro presidente José Augusto Bezerra.
Caro………………………….., em nome de quem saúdo todas as autoridades integrantes da mesa.
Querida ……, em nome de quem saúdo todos os integrantes da minha família: Iracema, minha mulher, irmãos, filhas, genros, netos, sobrinhos e demais parentes.
Senhores membros da Academia Cearense de Letras
Colegas da Academia Fortalezense de Letras, do Forum de Líderes, da Sociedade Consular, e demais entidades das quais faço parte.
Caros companheiros de trabalho
Colegas de escolas e das faculdades de direito e administração,
Amigos e amigas,
Autoridades presentes,
Senhoras e senhores,
Reverencio, por justiça, todos os membros perecidos desta Academia nas figuras de Natércia Campos, amiga querida; de José Maria Barros Pinho, colega de faculdade, de lutas universitárias e de letras; e de Antônio Martins Filho, um dos maiores cearenses de todos os tempos.
Nesta noite, na imensidão da abóbada celeste ainda não de todo desvendada, paira o planeta Terra, no hemisfério sul, no Brasil, no Ceará, em Fortaleza, com a lua em quarto crescente, quase um plenilúnio. Somos apenas um nano ponto no Universo.
Estamos no centro histórico, na Rua do Rosário, defronte à Igreja dos Homens negros, asilo de segregados pela escravatura envergonhadora.
Santuário esse ressaltado e descrito em tintas pelas pinturas e pelas músicas em ritmo afro de Descartes Gadelha.
Recorro, pedindo licença à Beatriz Alcântara, a algo desusado de Fernando Pessoa: “Viu-se a terra inteira de repente/surgiu redonda do azul profundo”.
Somos transitórios na vida. Do albor do nascimento ao ocaso da finitude, passamos todos, sem distinção de saber ou ter.
Reconhecer isso é ato de maturidade. A imortalidade, se acontecer, dar-se-á, pós-morte, por conta da futura análise de nossas vidas concretas e das letras escritas.

Dizia o filósofo americano Waldo Emerson: “Everything in the universe proceeds by indirection. There are no straight lines”. “No Universo tudo procede por vias indiretas. Não existem linhas retas”.
Seguindo o desaviso do existir: Agora é hora de agradecer, reconhecido, aos 22 acadêmicos que me honraram com os seus votos. Aos eleitores dos outros candidatos, agradeço também, pois a academia deve primar pela diversidade de pensamento. Não o hegemônico, mas plural e sem preconceitos. A Cearense está ao meu olhar, acima de elucubrações e questiúnculas. Se assim o fosse, não se sustentaria longeva e altaneira nos seus 119 anos.

Confesso não ser orador. Mas só leio o que escrevo. Sem essa de ghost writer. Bastam os meus desacertos.
Aos 16 anos, um menino foi levado por Dorian Sampaio, amigo e colega de vereança do meu pai, Francisco Bezerra de Oliveira, ambos no além-mundo, para falar aos membros do Centro Cultural Humberto de Campos, uma provável dissidência do Grupo Clã.
Não me lembro das minhas palavras, mas ouvi, nervoso, palmas e comentários do Dorian e dos seus confrades. Eles diziam: “Esse menino promete”.
Em seguida, fundei e presidi o Girafa, Grupo de Instrução e Recreação Atlética de Fátima, onde se praticava esportes e debatíamos temas sérios em juris simulados. Lembro de ter sido defensor de Judas Iscariotes. Ele foi absolvido. Judas, argumentava eu, seria um instrumento para cumprir um desígnio maior.
O Juiz de direito José Carneiro e a historiadora Valdelice Girão lembram-se desse tempo de folganças.
Esse jovem já escrevia diários, lia de forma continuada, ia a cinemas quase todos os dias e possuía ficha de empréstimo de livros na Biblioteca Pública, então na Rua Solon Pinheiro, vizinha ao Ibeu, Instituto Brasil Estados Unidos, onde procurava aprender a língua inglesa.
Anos vão passando. Um dia, um professor desse mesmo Ibeu, o acadêmico de medicina Pedro Henrique Saraiva Leão, meu primo, em segundo grau, fez-me uma proposta.
Explico, antes, o parentesco: o pai dele, o Dr. Pio Saraiva Leão, era irmão de Luiza Saraiva Caminha, minha avó e aluna premiada do Colégio Imaculada Conceição. Voltando ao fio. Ele, o Pedro, convidava-me para substituí-lo na escrita diária da coluna “Informes Acadêmicos”, no jornal Correio do Ceará, pois viajaria à Alemanha para aperfeiçoar-se na língua de Goethe. Aceitei e contraí gosto pelo ofício.
Por conta dele, minha cara professora Beatriz Alcântara, pude divulgar e participar de curso de arte e literatura promovido pela Academia Cearense de Letras, coordenado pelo professor Artur Eduardo Benevides. Era 1963.
Lembro, cara acadêmica Marly Vasconcelos, que devo falar de Thomaz Pompeu, o patrono da cadeira 35. Ele também começou a escrever, aos 20 anos, no jornal O Cearense, do qual depois foi dirigente.
A cultura e a sociedade cearenses estão, para honra minha, juntas para esta posse, na cadeira 35, patroneada por Thomaz Pompeu.
Recorro à acadêmica Ângela Gutierrez para falar de seu bisavô, fundador e primeiro presidente desta casa. Ângela exortou, em discurso aqui proferido, quando da comemoração dos 105 anos da entidade, as múltiplas faces dele.
Uma delas é citada:
“Por que relembrar o empreendedor, o pioneiro, que fundou a primeira fábrica de fiação e tecidos do Norte-Nordeste, atentando para o aproveitamento de nossa vocação algodoeira, que foi sócio majoritário e gerente da primeira Companhia de bondes do Outeiro, que foi fundador e presidente do Banco do Ceará, do Centro Industrial e da Associação Comercial, colaborando para o progresso da terra, na crença de que progresso e ciência deveriam andar de mãos dadas”. Fica claro e insofismável, caro colega Ednilo Soárez:

O fundador, Thomaz Pompeu, primeiro presidente indicado para dar o nome a esta casa, era um empreendedor.
Modus in rebus, continuo:
Ele era formado em Direito. Também cursei Direito.
Ela era administrador público. Também já o fui.
Ele era pesquisador de história. Procurei sê-lo ao dirigir profissionais de nível em diversas áreas do conhecimento e coordenar mais de 20 Planos Diretores de Desenvolvimento Econômico no Nordeste.
Se consegui, é outra história.
Thomaz Pompeu foi douto e exponencial em tudo isso.
Por tal razão, meu caro acadêmico Virgílio Maia, ele está no panteão desta casa.

Após dois anos, o Diretor Geral e empresário jornalístico Eduardo Campos, condômino dos Diários Associados e industrial, sem prejuízo de sua atividade acadêmica nesta casa e no Instituto do Ceará, convida-me para escrever outra coluna, sobre “Administração e Negócios”. Foram anos naquele jornal, meu caro Eduardo Augusto. O salário recebido a cada mês era importante, pois havias outras tarefas a impender. Fazia, ao mesmo tempo, duas faculdades e trabalhava.
Tive a coragem, cedo despertada, para a inquietude, a aprender não o usual, mas o inédito, a não copiar ideias, mas criá-las. Aprendi isso em família. Dona Margarida, minha mãe, aos 93 anos, é de uma inteligência e presença de espírito notáveis.
Véspera do último Natal, perguntei-lhe: “Qual será o meu presente?” Ela respondeu de bate-pronto: “Podem ser as minhas mazelas?” Se sou incisivo é genético.

Em novembro de 2012, o professor Pedro Henrique rides again e me provoca: “Chegou a sua hora. Candidate-se. Estarei ao seu lado”.

Nesta campanha usei apenas o telefone, os Correios/motoboy e a Internet, sem visitar ou importunar a privacidade domiciliar ou profissional dos acadêmicos, sem denegrir, cumprimentando os três dignos contendores, mas acreditando no meu percurso e no apoio denodado de uma plêiade de acadêmicos cidadãos, a partir de Virgílio Maia.

No dia 29 de janeiro último fui eleito com 22 votos, maioria consagradora e, a partir de hoje, 21 de fevereiro de 2013, conforme contagem rigorosa do acadêmico Murilo Martins, serei o centésimo octogésimo sexto (186º.) Integrante desta Casa de Letras. A mais representativa da cultura do Ceará, Estado hoje com oito e meio milhões de habitantes.
Cara Acadêmica Regine Limaverde, chegada dos EEUU, véspera da eleição, saiba ter sido o acadêmico Pedro Henrique Saraiva Leão, o condutor maior desse pleito árduo. Sua posição foi aberta, decidida e catalisou forças.
A ele já disse: muito obrigado. O que repetirei, agora, por justiça e prazer: Obrigado, Dr. Pedro.

Por último, gostaria de tornar público o agradecimento já feito à minha mulher, Iracema Vale. Ela me manteve calmo ao dizer, todos os dia: vai dar certo. Assim o fiz. Assim o foi. A ela, mais uma vez, o meu obrigado.

O SAUDADOR
Insigne acadêmico Napoleão Nunes Maia,
Agradeço seu modo gentil e franco em oferecer-se, desde antes da eleição, com o posterior agreement da presidência.
Sou grato por suas doutas palavras. Elas, por sua fé de ofício e trajetória ascendente como professor, magistrado de tribunal superior e intelectual, deram visibilidade e fulgor a cada passo do meu percurso cultural. Obrigado, acadêmico Napoleão Maia.
Caro acadêmico, filósofo, sacerdote e professor Manfredo Ramos, tudo na minha vida foi construído com a energia, a fé e a coragem recebida dos meus pais, dois vencedores. Educaram nove filhos todos com educação superior.
Sou arrojado por ser visionário, e isso eu descobri estudando e pesquisando aqui e por continentes afora em viagens de trabalho, treinamento, cursos, seminários, congressos, palestras e debates com professores, em livros e periódicos.
Faço tudo do meu jeito meio sem jeito. Não uso a vida como artimanha. Penso ser a discrição no agir. Recolhi de Miguel de Cervantes, no clássico Dom Quixote, o ensinamento: “No puede haber gracia donde no hay discrición”. “Não pode haver alegria onde não há discrição”.
Se desejei empreender, ler, escrever e estudar, não foi trabalho, mas prazer. Foi sonho empenhado e cumprido.

SENHORAS E SENHORES,
Acreditava e ainda creio: a cada dia a minha vida se encerra e recomeça na alvorada seguinte. Por tal razão, concordo com Frederick de Chateaubriand quando dizia: “Tous mes jours son des adieux”. “Todos os meus dias são adeuses.”
O destino, Deus ou algo insondável, dão voltas. A este então Palácio do Governo acorri muitas vezes na juventude.
O meu professor Parsifal Barroso era o governador e só possuía um carro de representação, o G-1, com outras missões a rodar. Por conta disso dei-lhe carona, várias vezes, em meu Anglia. O douto professor Parsifal o chamava de “Gaforinga”. O amigo Rui Filgueiras Lima, aqui presente, era guapo oficial de gabinete do governador.

SENHORAS E SENHORES,
Ilustre Procuradora Cláudia Martins,
Este Palácio da Luz era um próprio do Estado e foi preciso, graças à audácia e perseverança da petição bem instruída do acadêmico e presidente da ACL, o notário Cláudio Martins, para surgir um empreendedor, Tasso Ribeiro Jereissati, no exercício do Governo do Ceará, com descortino para doá-lo, em 1989, à Academia Cearense de Letras, então asfixiada em salas do Edifício Palácio Progresso.
Que os nossos governantes e legisladores destinem parte dos recursos de orçamentos e verbas de emendas para o restauro indispensável ao funcionamento desta Academia Cearense de Letras, monumento histórico tombado de ampla visitação.

Os antecessores na Cadeira
Por justiça, engrandeço-me haver sido precedido, em linha sucessória, por acadêmicos do quilate de Cândida Galeno, do poeta Cruz Filho, do médico e intelectual Argos Vasconcelos e, historiador, intelectual e sacerdote, Alberto Nepomuceno de Oliveira, depois professsor Alberto Oliveira.
Alberto Oliveira nasceu em Pacatuba, terra natal do acadêmico Eduardo Campos e do Presidente de Honra desta ACL, o príncipe dos poetas cearenses, Artur Eduardo Benevides, na lucidez de seus 90 anos.
Alberto Oliveira estudou no Seminário da Prainha. Ali se ordenou padre, em 1949. Depois, formou-se em direito, licenciou-se em filosofia; em sociologia, na Itália; em pedagogia, na França; e foi a Israel para fazer atualização pedagógica.
Era, igualmente, mestre da UECE e da Universidade Federal do Ceará. Escreveu, entre outros, os seguintes livros:
– Droga, um perigo nacional
– Juventude, Crise e Educação
– Projeto de educação Anti-Tóxico
– Educação Libertadora de Paulo Freire
– Ressonâncias
Fácil é ressaltar haver na escritura do professor Alberto Oliveira uma preocupação objetiva com os jovens brasileiros, hoje a morrer às centenas em baladas de fogo e milhões submergidos nas drogas, um endêmico problema nacional a precisar mais de soluções e menos de promessas.
Além de toda a sua titulação meritória e produção cultural, o professor Alberto Oliveira teve a coragem, a sensatez e a hombridade de deixar a vida clerical para, como é próprio da natureza humana, amar e casar-se com xxxxxxxxxxxxx, aqui presente, e constituir uma família cristã, tendo a sua fé permanecido intacta.
Veja como as coincidências perseguem esta narrativa. Em um sábado, 11 de setembro de 1963, exatamente, na mesma página, ao lado de minha coluna “Informes Acadêmicos”, no Correio do Ceará havia um artigo do então padre Alberto Oliveira, sob o título: “A eternidade no Presente”. Dele, em certo trecho, lê-se: “a vida é a preparação para a morte”. Hoje, quase 50 anos depois, estamos relembrando e celebrando a sua vida.
De fato, ele já estava preparando a sua eternidade, ou imortalidade, no sentido acadêmico.

SENHORAS E SENHORAS, ESTOU QUASE A CONCLUIR.
Desculpem, senhoras e senhores, o tempo que lhes tomo. Não quis fazer uma homília. A todos, mesmo assim, peço ainda paciência para uma reflexão final sobre a pesquisa de janeiro deste 2013 do Instituto Ibope Media sobre leitura.
Entre nove capitais brasileiras, Fortaleza ficou em último lugar em índice de leitura. Dos entrevistados, somente 23% dos fortalezenses havia lido um livro nos últimos 30 dias. No país, como um todo, 73% das escolas públicas não possuem bibliotecas.
Com amargura, o nosso romancista maior e fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, falando sobre o Brasil do seu tempo, dizia:
“Não é desprezo pelo que é nosso, não é desdém pelo meu País. ‘O país real’, esse é bom, revela os melhores instintos. Mas o ‘país oficial’, esse é caricato e burlesco”.
Agora, falo eu : Esta nação precisa deixar de ser o país do jeitinho, do compadrio, de eleições a cada dois anos, do nepotismo disfarçado e tomar consciência: só pela educação e pela cultura seremos livres e soberanos para cuidar do presente e sonhar num futuro com alvíssaras.
É tempo, quem sabe, de se diminuir o culto a celebridades ocas, rever as programações das redes de emissoras nacionais, peritas em deformar a realidade, a repensar os gastos da Petrobras com caravanas de todas as naturezas e a patrocinar a Formula Um. É tempo, Dra. Graça Foster, quem sabe, de usar esses recursos para a refinaria cearense, tão prometida e nunca cumprida.
Devemos combater o abuso do álcool a matar pessoas nas vias e estradas do país, das ervas e das químicas incapacitadoras. É tempo de ajudar os milhões de brasileiros drogados. Muitas ruas do país são cracolândias permanentes e consentidas. É hora de melhorar as escolas, adicionar aulas em tempo integral e disseminar a leitura, desde a educação básica.
Os governos federal, estadual, municipal, a academia e a sociedade devem agir juntos e de forma objetiva. É preciso alimentar o espírito dos jovens, mas não com baladas ou drogas. Isto não é moralismo burguês, é atitude, o civismo e a cultura do século XXI.
Devemos, repito, lutar pelo desenvolvimento dos jovens carentes e adictos, através da ajuda às suas famílias.
É a hora do estudo, da informação, do conhecimento e da cultura como corolários neste tempo novo a exigir qualificação para qualquer tarefa ou encargo.
Hoje, em quase todos os crimes grupais há menores inimputáveis, aliciados por marginais já apenados e até reclusos em penitenciárias.
Como dizia o poeta, ensaísta e prêmio Nobel de Literatura, o mexicano Octavio Paz: “Las masas humanas más peligrosas son aquellas en cuyas venas ha sido inyectado el veneno del miedo… el miedo del cambio”. “As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo… o medo de mudar”.
Nós todos, governos, academias e sociedade, não devemos ter medo de mudar o refletir e o atuar. Não podemos, por privilégio ou arrogância, ser insulados e acastelados no bem estar e no saber, cercados de problemas das comunidades carentes. Elas nos observam e clamam por respeito e atenção.
O Ceará do século 21 brada por cultura para ter massa crítica, lógica nos raciocínios e não aceitar o atraso como fadário.
Devemos ser mais abertos, menos personalistas, e mais receptivos. Devemos ocluir o olhar sobranceiro e discriminador.
É preciso procurar a humildade esquecida e ativar os desejos, as sedes de leitura nos jovens, de aprendizado, de conhecimento, com a aptidão de transformar o medo em capacitação a demandar resiliência e cidadania plenas.
Agradeço a presença dos familiares, amigos, colegas, autoridades, colegas acadêmicos e, especialmente, ao presidente José Augusto Bezerra, empresário e bibliófilo a capitanear esta casa de letras.
Saiba, presidente, vim aqui para somar forças, não por vanglória. Conte comigo.
Este não foi um discurso magnificente(ou aparatoso?). Foi do meu jeito de pensar e viver. Não posso ser outra pessoa. Sou o seu autor e me responsabilizo por seu alinhavado texto.

Por fim:
Parafraseando o nosso dístico: Forti nihil difficile. Para os fortes nada é difícil. Unidos, seremos fortes.
Deus nos abençoe. Muito obrigado a todos.

OBS E DÚVIDAS
1) qdo vc está nominando os acadêmicos ao longo do discurso, os mencionados são os que votaram no seu nome?
2)só precisa detalhar a vida do antecessor imediato? nada sobre os que o antecederam?
3) o que apontei no txt são meras sugestões.
4) achei bem mais desenvolto do meio para o fim, principalmente as págs finais. Só que me pareceu um pouco “político” demais para uma Academia de Letras. Sua ideia é apontar mais diretamente a leitura como uma das soluções dos problemas atuais, é isso?
No todo, está bem mais uma conversa com os presentes do que uma peça oratória pesada, convencional. Acho que vai agradar sim, pela leveza, pelas histórias que humanizam as pessoas citadas e pela brevidade, bem de acordo com os nossos dias.
Parabéns pra vc e Iracema!