Quem conhece Evandro Ayres de Moura sabe que seu livro “Histórias do Ontem e de Hoje” é a cara dele. É muita história vivida com fatos misturados, aparentemente díspares, mas todos fazendo parte do variegado cotidiano e do rico imaginário de um homem inquieto, inteligente, trabalhador, destemido, competente, amoroso, sentimental e leal.
Não poderia ser diferente. Evandro é misturado mesmo. É cearense ou paraibano? Ama Sobral ou Fortaleza? Bancário ou advogado? Administrador ou político? Professor ou contador de histórias? Pai extremado ou marido apaixonado? Frequentador das rodas do Ideal Clube ou xingador nos estádios pelo time do Fortaleza? Religioso ou amante de versos fesceninos? Gosta da roda da Praça do Ferreira ou da turma dos sábados no Iate Clube? Quem optou por todas as respostas, acertou. Na linguagem dos jovens de hoje, poder-se-ia dizer: “Pense em uma pessoa ativa, agitada?”, pois essa pessoa seria Evandro.
Há alguns anos seu coração, talvez cansado de tanta lida, pediu sossego, pois tinha acompanhado suas várias emoções de menino querido, depois sofrido e solitário, seminarista, estudante, revisor, jornalista, estudante de direito, bancário comum, pai de família, gerente de agência, presidente de banco público, professor, diretor de clube social, prefeito de Fortaleza, deputado federal e diretor de banco privado. Mas ele não concordou. Foi ao embate com a ajuda de médicos, refez-se tal como o sertão seco aparentemente morto tinge-se de verde e de benesses ao fim de chuvas copiosas. Redivivo, impôs-se a tarefa de registrar em livro, o que viu, sentiu, lutou e venceu. E o fez para gáudio de seus amigos, que são muitos, e de seus filhos.
Quem conhece os filhos de Evandro sabe que está lidando com gente diferenciada. Cada qual com modo peculiar de ver o mundo e todos com acendrado sentimento de família. Isso é genético e produto do desvelo de Evandro e de sua discreta, fiel e diligente mulher, Aunésia. Como se formassem um casal de águias, protegeram seus filhotes, deram-lhe vida e amor, mostraram um céu sem limites e permitiram voos independentes. Cada um a seu modo, mas nunca esquecendo o velho ninho, permanente, grande, caloroso e generoso.
Evandro finaliza seu livro mostrando, com propriedade, ser ele uma referência “que registra para os pósteros a memória de acontecimentos do passado por mim vividos ou presenciados, para preservar a história da região, do seu povo e de seus costumes”.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 13/01/2002.
