Viajar é sair do cotidiano. Viajar a turismo é fazê-lo em busca do prazer. O ser humano é um feixe de nervos que, vez em quando, precisa de relaxamento, descontração, para torná-lo apto a novas obrigações. Qualquer viagem dá oportunidades múltiplas a pessoas que, revisitando ou conhecendo países ou cidades, poderão sentir sensações e emoções diferentes, a partir de seus valores pessoais.
A viagem, seja qual for o destino, é sempre uma porta aberta ao conhecimento. É também um tempo para nada fazer ou cuidar de nossas manias ou sonhos. O ideal é apenas viajar, observar, descansar e curtir. Algumas pessoas têm medo de viajar sozinhas. Alegam desconhecimento de outra língua ou insegurança em aeroportos lotados, as conexões ou a trabalheira com malas, câmbio de moeda e registro em hotéis. Para essas pessoas a melhor solução é viajar em grupo, usando uma boa operadora de turismo. O primeiro mandamento de quem viaja é a descontração. Nada de levar muita roupa, pensar em ficar elegante. Deixe isso para a volta. Viaje sem medo de ser simples. Amanheça o dia rindo para o espelho e não se preocupe em falar errado, em gostar do que pode parecer ridículo para os outros. Uma maneira eficaz de ser um bom turista é não comparar compras, não reclamar porque comprou caro ou deixou de comprar. O segundo mandamento é aproveitar o tempo. Nada de ficar curtindo o apartamento, a não ser que… Ande, descubra o que está acontecendo na cidade e peça para lhe indicarem shows, livrarias, parques, shoppings, restaurantes, museus etc. O terceiro mandamento é não forçar a sua natureza. Não faça nada só para agradar aos outros. Seja boa companhia, mas saiba o que o satisfaz.
O quarto é ousar, é tentar descobrir, por seus próprios pés, um lugar que lhe interesse, seja um barzinho com seis mesas, um museu com seu pintor preferido, um livraria-sebo com primeiras edições baratas ou uma loja com uma tremenda liquidação. O quinto é fazer amizades, descobrir gente positiva, alegre e comunicativa. O sexto é saber que você não será nunca mais a mesma pessoa depois de uma viagem, seja ela qual for. Você será muito mais rico, mais consciente do mundo e poderá estabelecer juízos de valor. O sétimo é esquecer problemas, queixas e lembrar que o tempo acalma até as maiores tempestades. Considere-se livre. E curta, pois a vida é breve. O oitavo e último é saber como usar o seu dinheiro ou o cartão de crédito. Não interessa a ninguém o quanto você leva e o que você faz dele. Lembre-se de que trazer presentes para as pessoas queridas é opcional. Você é quem merece os melhores presentes. É claro que estes mandamentos não constituem dogmas. São recomendações e servem apenas como sugestão aos que acreditam que os limites do mundo passam muito além da sua porta.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 04/01/2008.
