{"id":2609,"date":"2023-12-21T09:10:25","date_gmt":"2023-12-21T12:10:25","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-codigo-da-vinci-e-a-arte-de-vender\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:25","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:25","slug":"o-codigo-da-vinci-e-a-arte-de-vender","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-codigo-da-vinci-e-a-arte-de-vender\/","title":{"rendered":"O C\u00d3DIGO DA VINCI E A ARTE DE VENDER"},"content":{"rendered":"<p>Junte Leonardo Da Vinci e a sua obra, um professor de Harvard quarent\u00e3o e bem apessoado, uma bela policial especialista em criptologia(ocultismo), um assassinato em pleno Museu do Louvre, um monge albino fan\u00e1tico, um rico ingl\u00eas com sequela de poliomielite e uma \u201cintricada\u201d hist\u00f3ria sobre Jesus, Maria Madalena e sociedades secretas, em meio a uma ca\u00e7ada policial entre Paris e Londres, envolvendo jatinho e limusine, e ter\u00e1 todas as misturas que o escritor Dan Brown utilizou para escrever o romance \u201cO C\u00f3digo Da Vinci\u201d, um fen\u00f4meno editorial no mundo, pois se diz ter vendido 15 milh\u00f5es de exemplares.<br \/>\nE o pior \u00e9 que tive de ler o livro, pois o ganhei de presente e sempre era perguntado: J\u00e1 leu? Acabei lendo e o li com aten\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o tenha, desde o come\u00e7o, gostado. \u00c9 claro que tudo que se escrever sobre o livro dar\u00e1 a ele a publicidade que a Editora Doubleday, ardilosa como a maioria das grandes editoras norte-americanas, soube construir. De cara, mandou 10 mil exemplares de gra\u00e7a para jornalistas, donos de livraria e outros. Depois, come\u00e7ou a fomentar a \u201cpol\u00eamica\u201d de que o livro trazia um grande segredo que poderia destruir a f\u00e9 cat\u00f3lica.<br \/>\nA Editora Sextante, respons\u00e1vel pela tradu\u00e7\u00e3o e venda no Brasil, n\u00e3o fez por menos. Distribuiu, com livrarias e cr\u00edticos liter\u00e1rios, brochuras com os quatro primeiros cap\u00edtulos do livro e criou uma falsa ansiedade, al\u00e9m de grandes reportagens na m\u00eddia. O resultado \u00e9 a grande vendagem. Desconfio que a grande maioria compra, come\u00e7a a ler, folheia e n\u00e3o conclui a leitura. O livro tem 475 p\u00e1ginas e, adivinhem o que tem na p\u00e1gina 476? O resumo-propaganda do pr\u00f3ximo lan\u00e7amento no Brasil do livro do mesmo Dan Brown, \u201cAnjos e Dem\u00f4nios\u201d, com o mesmo professor de Harvard, Robert Langdon, como protagonista principal.<br \/>\nParalelo a isso, j\u00e1 est\u00e1 em andamento a filmagem do \u201cO C\u00f3digo Da Vinci\u201d que, certamente, ter\u00e1 uma grande bilheteria, pois o seu diretor, Ron Howard, \u00e9 o do filme \u201cUma Mente Brilhante\u201d, que ganhou o Oscar em 2002. Tom Hanks ser\u00e1 o protagonista principal. Tudo o que escrevi serve apenas para mostrar como n\u00f3s, pobres leitores, somos levados, muitas vezes, a achar \u201cexcelentes\u201d autores que apenas trilham um caminho j\u00e1 conhecido da constru\u00e7\u00e3o de livros com descri\u00e7\u00e3o pormenorizada de lugares, coisas, objetos e institui\u00e7\u00f5es, respaldado por um suporte bem urdido de marketing de editora. Rever a hist\u00f3ria, descrever pessoas, lugares, objetos e institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o hoje atos profundamente simples, que podem parecer ao leitor como erudi\u00e7\u00e3o e talento, quando n\u00e3o passam de mera pesquisa que pode ser feita pelo pr\u00f3prio autor, qualquer boa bibliotec\u00e1ria ou historiadora. A prop\u00f3sito, a mulher de Brown, Blythe, \u00e9 historiadora de arte.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Junte Leonardo Da Vinci e a sua obra, um professor de Harvard quarent\u00e3o e bem apessoado, uma bela policial especialista em criptologia(ocultismo), um assassinato em pleno Museu do Louvre, um monge albino fan\u00e1tico, um rico ingl\u00eas com sequela de poliomielite e uma \u201cintricada\u201d hist\u00f3ria sobre Jesus, Maria Madalena e sociedades secretas, em meio a uma ca\u00e7ada policial entre Paris e Londres, envolvendo jatinho e limusine, e ter\u00e1 todas as misturas que o escritor Dan Brown utilizou para escrever o romance \u201cO C\u00f3digo Da Vinci\u201d, um fen\u00f4meno editorial no mundo, pois se diz ter vendido 15 milh\u00f5es de exemplares.<br \/>\nE o pior \u00e9 que tive de ler o livro, pois o ganhei de presente e sempre era perguntado: J\u00e1 leu? Acabei lendo e o li com aten\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o tenha, desde o come\u00e7o, gostado. \u00c9 claro que tudo que se escrever sobre o livro dar\u00e1 a ele a publicidade que a Editora Doubleday, ardilosa como a maioria das grandes editoras norte-americanas, soube construir. De cara, mandou 10 mil exemplares de gra\u00e7a para jornalistas, donos de livraria e outros. Depois, come\u00e7ou a fomentar a \u201cpol\u00eamica\u201d de que o livro trazia um grande segredo que poderia destruir a f\u00e9 cat\u00f3lica.<br \/>\nA Editora Sextante, respons\u00e1vel pela tradu\u00e7\u00e3o e venda no Brasil, n\u00e3o fez por menos. Distribuiu, com livrarias e cr\u00edticos liter\u00e1rios, brochuras com os quatro primeiros cap\u00edtulos do livro e criou uma falsa ansiedade, al\u00e9m de grandes reportagens na m\u00eddia. O resultado \u00e9 a grande vendagem. Desconfio que a grande maioria compra, come\u00e7a a ler, folheia e n\u00e3o conclui a leitura. O livro tem 475 p\u00e1ginas e, adivinhem o que tem na p\u00e1gina 476? O resumo-propaganda do pr\u00f3ximo lan\u00e7amento no Brasil do livro do mesmo Dan Brown, \u201cAnjos e Dem\u00f4nios\u201d, com o mesmo professor de Harvard, Robert Langdon, como protagonista principal.<br \/>\nParalelo a isso, j\u00e1 est\u00e1 em andamento a filmagem do \u201cO C\u00f3digo Da Vinci\u201d que, certamente, ter\u00e1 uma grande bilheteria, pois o seu diretor, Ron Howard, \u00e9 o do filme \u201cUma Mente Brilhante\u201d, que ganhou o Oscar em 2002. Tom Hanks ser\u00e1 o protagonista principal. Tudo o que escrevi serve apenas para mostrar como n\u00f3s, pobres leitores, somos levados, muitas vezes, a achar \u201cexcelentes\u201d autores que apenas trilham um caminho j\u00e1 conhecido da constru\u00e7\u00e3o de livros com descri\u00e7\u00e3o pormenorizada de lugares, coisas, objetos e institui\u00e7\u00f5es, respaldado por um suporte bem urdido de marketing de editora. Rever a hist\u00f3ria, descrever pessoas, lugares, objetos e institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o hoje atos profundamente simples, que podem parecer ao leitor como erudi\u00e7\u00e3o e talento, quando n\u00e3o passam de mera pesquisa que pode ser feita pelo pr\u00f3prio autor, qualquer boa bibliotec\u00e1ria ou historiadora. 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