{"id":2618,"date":"2023-12-21T09:10:25","date_gmt":"2023-12-21T12:10:25","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-poeta-do-passaro-e-do-azul\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:25","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:25","slug":"o-poeta-do-passaro-e-do-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-poeta-do-passaro-e-do-azul\/","title":{"rendered":"O POETA DO P\u00c1SSARO E DO AZUL"},"content":{"rendered":"<p>Dizem que os nomes dos livros, especialmente os de poesia, s\u00e3o indica\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para a descoberta do que deseja transmitir o autor. Barros Pinho acaba de escrever uma \u201ccarta do p\u00e1ssaro\u201d. Ora, se \u00e9 verdade que os nomes dos livros decifram seus autores, pode ser que Barros Pinho n\u00e3o seja a exce\u00e7\u00e3o. Nesse livro existe uma proposta de interdisciplinaridade com as ilustra\u00e7\u00f5es bonitas de Vera Andrade. Os p\u00e1ssaros pintados s\u00e3o esbo\u00e7os fortes na cor azul. Tinha que ser.<br \/>\nO poeta das \u201cbarrancas do rio Parna\u00edba\u201d procura em seu novo livro, uma imers\u00e3o l\u00edrica, entremeadas de concretudes, na sua pr\u00f3pria vida, pelo menos a vida que conta. E diz que \u201cs\u00f3 escrevo di\u00e1rio em verso\u201d (p. 63, o sol da manh\u00e3). E diz tamb\u00e9m no poema \u201co p\u00e1ssaro\u201d, p. 45: \u201cn\u00e3o sei como sou n\u00e3o sei\u201d, mas sabe(p.60) que uma bicicleta com asas anda no meu outono\u201d. V\u00ea-se, na releitura da leitura, que h\u00e1 no di\u00e1rio po\u00e9tico de Barros Pinho a necessidade de sobrevoar a sua vida, vendo-a de cima com olhar privilegiado, de torn\u00e1-la verso e se vale de um p\u00e1ssaro e de uma bicicleta com asas para, altaneiro, ver com os olhos da alma aquilo que ainda n\u00e3o soube aclarar.<br \/>\nO p\u00e1ssaro, embora fale em outono, diz que as \u201cas esta\u00e7\u00f5es se sucumbiram no corpo\u201d( o sentido do nada, p. 60) e, como todo poeta maduro, \u00e9 contradit\u00f3rio(Lembremo-nos de Fernando Pessoa). Na poesia \u201cautolirismo\u201d (p.52) declara que \u201csou poeta n\u00e3o escrevo nas nuvens\u201d, mas \u201cescrevo na asa dos p\u00e1ssaros\u201d(p. 27). A bicicleta do poeta tem asas e ele, pedalando ou voando como p\u00e1ssaro, sabe que no azul h\u00e1 sempre nuvens e l\u00e1, no seu imagin\u00e1rio, v\u00ea e escreve. E o azul \u00e9 uma constante(\u201cNatal do castelo azul\u201d, \u201cPedras do arco-\u00edris ou a inven\u00e7\u00e3o no azul no edital do rio\u201d) na poesia de Barros Pinho, como se essa cor tivesse a tonalidade do seu sonho, n\u00e3o obstante revele que o \u201cmeu estoque de sonho acabou no primeiro bar\u201d (p. 48,\u201dcan\u00e7\u00e3o do primeiro bar\u201d). Acabou n\u00e3o, no poeta o sonho nunca morre, torna-se letra e cria forma.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem que os nomes dos livros, especialmente os de poesia, s\u00e3o indica\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para a descoberta do que deseja transmitir o autor. Barros Pinho acaba de escrever uma \u201ccarta do p\u00e1ssaro\u201d. Ora, se \u00e9 verdade que os nomes dos livros decifram seus autores, pode ser que Barros Pinho n\u00e3o seja a exce\u00e7\u00e3o. Nesse livro existe uma proposta de interdisciplinaridade com as ilustra\u00e7\u00f5es bonitas de Vera Andrade. Os p\u00e1ssaros pintados s\u00e3o esbo\u00e7os fortes na cor azul. Tinha que ser.<br \/>\nO poeta das \u201cbarrancas do rio Parna\u00edba\u201d procura em seu novo livro, uma imers\u00e3o l\u00edrica, entremeadas de concretudes, na sua pr\u00f3pria vida, pelo menos a vida que conta. E diz que \u201cs\u00f3 escrevo di\u00e1rio em verso\u201d (p. 63, o sol da manh\u00e3). E diz tamb\u00e9m no poema \u201co p\u00e1ssaro\u201d, p. 45: \u201cn\u00e3o sei como sou n\u00e3o sei\u201d, mas sabe(p.60) que uma bicicleta com asas anda no meu outono\u201d. V\u00ea-se, na releitura da leitura, que h\u00e1 no di\u00e1rio po\u00e9tico de Barros Pinho a necessidade de sobrevoar a sua vida, vendo-a de cima com olhar privilegiado, de torn\u00e1-la verso e se vale de um p\u00e1ssaro e de uma bicicleta com asas para, altaneiro, ver com os olhos da alma aquilo que ainda n\u00e3o soube aclarar.<br \/>\nO p\u00e1ssaro, embora fale em outono, diz que as \u201cas esta\u00e7\u00f5es se sucumbiram no corpo\u201d( o sentido do nada, p. 60) e, como todo poeta maduro, \u00e9 contradit\u00f3rio(Lembremo-nos de Fernando Pessoa). Na poesia \u201cautolirismo\u201d (p.52) declara que \u201csou poeta n\u00e3o escrevo nas nuvens\u201d, mas \u201cescrevo na asa dos p\u00e1ssaros\u201d(p. 27). A bicicleta do poeta tem asas e ele, pedalando ou voando como p\u00e1ssaro, sabe que no azul h\u00e1 sempre nuvens e l\u00e1, no seu imagin\u00e1rio, v\u00ea e escreve. E o azul \u00e9 uma constante(\u201cNatal do castelo azul\u201d, \u201cPedras do arco-\u00edris ou a inven\u00e7\u00e3o no azul no edital do rio\u201d) na poesia de Barros Pinho, como se essa cor tivesse a tonalidade do seu sonho, n\u00e3o obstante revele que o \u201cmeu estoque de sonho acabou no primeiro bar\u201d (p. 48,\u201dcan\u00e7\u00e3o do primeiro bar\u201d). Acabou n\u00e3o, no poeta o sonho nunca morre, torna-se letra e cria forma.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2618","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2618"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2618\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}