{"id":2622,"date":"2023-12-21T09:10:25","date_gmt":"2023-12-21T12:10:25","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/para-ubiratan-diniz-aguiar-saudacao\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:25","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:25","slug":"para-ubiratan-diniz-aguiar-saudacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/para-ubiratan-diniz-aguiar-saudacao\/","title":{"rendered":"Para Ubiratan Diniz Aguiar &#8211; Sauda\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>PAL\u00c1CIO DA LUZ<br \/>\nAcademia Fortalezense de Letras<\/p>\n<p>Recebi a incumb\u00eancia de fazer esta sauda\u00e7\u00e3o oficial a Ubiratan Diniz Aguiar, mas o que pulsa em mim \u00e9 a alegria de traz\u00ea-lo a este del\u00edrio coletivo. A p\u00e1tria dos que se lan\u00e7am ao desafio de expor os seus escritos aos olhos dos outros. N\u00e3o importa que seja prosa, verso ou prosa po\u00e9tica. O que conta naquele que se mostra \u00e9 a coragem de abrir suas veias e deixar que o sangue se perpetue no papel.<br \/>\nUbiratan, voc\u00ea est\u00e1 chegando a este Pal\u00e1cio da Luz, palco nos \u00faltimos duzentos anos dos mais importantes acontecimentos deste Estado do Cear\u00e1. Um Pal\u00e1cio que, de propriedade privada, passou a bem p\u00fablico e agora \u00e9 a matriz a abrigar os que trabalham com palavras sob a tutela maior da Academia Cearense de Letras.<br \/>\nVeja, voc\u00ea est\u00e1 nesta sala em cujas paredes erguidas por m\u00e3os nativas avistam-se pinturas, inclusive a maior de Raimundo Cela, a retratar de modo figurativo as nossas lutas ancestrais. Esta sala faz parte da hist\u00f3ria viva do Cear\u00e1.<br \/>\nA hist\u00f3ria que nos traz o poeta Paula Nei, patrono de sua cadeira, que parece dizer, dando boas vindas:<br \/>\n\u201cVoa, minha alma, voa pelos ares<br \/>\nComo um trapo de nuvem flutuante<br \/>\nVai perdida, sozinha e solu\u00e7ante<br \/>\nDistende as tuas asas sobre os mares\u201d<br \/>\nSob as asas da alma de Paula Nei voc\u00ea ingressa hoje na Academia Fortalezense de Letras, nascida neste S\u00e9culo, pelo ideal de Matusa\u00edla Santiago e Jos\u00e9 Lu\u00eds Lira.  Ela \u00e9 compromissada com o futuro, sem deixar de ajustar sua sedimenta\u00e7\u00e3o na argamassa da Hist\u00f3ria, na \u00e1gua do passado e at\u00e9 no limo que exsuda destas paredes de tijolos dobrados.<br \/>\nO nosso estatuto, em seu artigo terceiro, diz que o quadro social da Academia ser\u00e1 constitu\u00eddo por pessoas que exer\u00e7am atividades liter\u00e1rias e que estejam interessadas no bom funcionamento da Institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEu pergunto, como se fora um padre, pastor ou rabino em uma cerim\u00f4nia de casamento:<br \/>\n&#8211; Ubiratan, voc\u00ea exerce atividade liter\u00e1ria?<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea est\u00e1 interessado no bom funcionamento da institui\u00e7\u00e3o?<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea quer se unir a ela?<br \/>\nA cada pergunta a resposta \u00e9 sim, mas n\u00e3o precisa diz\u00ea-la de viva voz. Fa\u00e7a-o com a express\u00e3o da alma, aquela que n\u00e3o engana.<br \/>\nDe minha parte e em nome de todos os colegas, afirmo que voc\u00ea exerce atividade liter\u00e1ria e seu hist\u00f3rico de vida n\u00e3o deixa d\u00favida quanto ao compromisso de zelar por nossa Academia. Essa a raz\u00e3o de indicar seu nome, obtendo total acolhida dos nossos pares.<br \/>\nUbiratan \u00e9 madeira de lei: um cedro menino transplantado para Fortaleza e daqui &#8211; onde suas ra\u00edzes foram fundeadas \u2013 para o  planalto central. Esse quase sert\u00e3o vermelho cujo ar rarefeito parece, \u00e0s vezes, incidir na raz\u00e3o coletiva. Mas Ubiratan sempre teve um plano piloto pessoal que o conduziu pelos caminhos da dec\u00eancia. E o faz segundo uma cronologia simples, verdadeira e consistente.<br \/>\nMembro de fam\u00edlia forte, a partir dos prenomes ind\u00edgenas que adota, Ubiratan, filho de  Araken e Maria, estudou e trabalhou de todas as formas l\u00edcitas e l\u00facidas, destacando-se a sua inicia\u00e7\u00e3o como professor de Portugu\u00eas do Col\u00e9gio 07 de Setembro, em cujos anais o presidente Ednilo encontrou os fundamentos para tamb\u00e9m subscrever o requerimento em que eu propunha o seu nome para esta Academia.<br \/>\nO que dizer de um homem que, por seus m\u00e9ritos pessoais, consegue iniciar sua vida pol\u00edtica como vereador, al\u00e7a-se a condi\u00e7\u00e3o de deputado estadual, secret\u00e1rio de Estado e chega j\u00e1 na qualidade de Deputado Federal, a ser Constituinte, Presidente da Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o e, por duas vezes, \u00e9 eleito Primeiro Secret\u00e1rio da C\u00e2mara Federal?<br \/>\nO jovem universit\u00e1rio de Direito pela UFC tinha sonhos a cumprir desde cedo, mas carecia de uma parceira de f\u00e9, uma mulher valorosa, companheira de suas quimeras e assim o fez no verdor dos 19 anos, ao unir sua vida \u00e0 de Terezita. E esse passo juvenil pode ter sido decisivo para o seu descortino e brilhante futuro.<br \/>\nTodavia, n\u00e3o estamos aqui para ouvir falar do filho, marido, pai, av\u00f4, Bacharel em Direito, do pol\u00edtico e muito menos do Ministro, esse que, sem alarde, exerce o seu m\u00fanus com responsabilidade, dignidade e aprumo, fazendo-se credor do reconhecimento da sociedade brasileira.<br \/>\nN\u00e3o queremos tampouco tecer loas ao Ministro Vice-Presidente desse fechado grupo de 09 brasileiros que formam o pleno do TCU.<br \/>\nA sua hist\u00f3ria pessoal n\u00e3o pertence a esta solenidade. Ela permanecer\u00e1 viva al\u00e9m deste Pal\u00e1cio da Luz. Ela j\u00e1 est\u00e1 inscrita nos registros da C\u00e2mara de Fortaleza, da Assembleia do Cear\u00e1, do Congresso Nacional e, agora, no plenil\u00fanio de sua vida p\u00fablica, nos anais e arquivos eletr\u00f4nicos do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o.<br \/>\nQueremo-lo, Ubiratan, na luta coletiva para fazer este Pal\u00e1cio da Luz ainda mais esplendoroso, em conte\u00fado, formas e cores. Garboso na sua pr\u00f3pria restaura\u00e7\u00e3o f\u00edsica e do seu entorno.<br \/>\nQueremo-lo na barricada em favor da inicia\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de jovens nos diversos g\u00eaneros liter\u00e1rios e na sua transforma\u00e7\u00e3o em agentes multiplicadores da arte de pensar e escrever.<br \/>\nN\u00e3o ser\u00e3o Ubiratan, os seus julgados que estar\u00e3o na hist\u00f3ria e nas montras ainda invis\u00edveis desta Academia.<br \/>\nQueremo-lo desavisado como soe acontecer aos poetas.<br \/>\nPlat\u00e3o, no livro 10, de \u201cA Rep\u00fablica\u201d n\u00e3o encontrou lugar para os poetas na sociedade ideal que concebeu. Esse papel caberia aos reis e fil\u00f3sofos. Ao que se depreende, Plat\u00e3o se equivocou.<br \/>\nOra, se o grande pensador Plat\u00e3o pode ter se equivocado, por que alguns acreditam ter a capacidade unilateral de estabelecer, a seu modo, ju\u00edzos de valor est\u00e9tico? Outra utopia.<br \/>\nA vida real \u00e9 um bem comum, diz respeito a cada um e a todos. Assim tamb\u00e9m \u00e9 o imaginado pelos fil\u00f3sofos e o imagin\u00e1rio dial\u00f3gico que tece o mundo liter\u00e1rio.<br \/>\nJos\u00e9 de Alencar, por muitos considerado o maior escritor cearense de todos os tempos, tamb\u00e9m pol\u00edtico de escol em sua \u00e9poca, disse certa vez:<br \/>\n\u201cO cidad\u00e3o \u00e9 o poeta do direito e da justi\u00e7a. O poeta \u00e9 o cidad\u00e3o do belo e a arte\u201d.<br \/>\nNessa dire\u00e7\u00e3o, apontou a b\u00fassola existencial de Ubiratan Aguiar.<br \/>\nJ\u00e1 era o Cidad\u00e3o, por for\u00e7a de sua lida e vida.<br \/>\nAgora, Ubiratan voc\u00ea espreita a vida  \u00e0 procura do belo e da arte. E o faz na madureza dos anos, certamente tocado pela l\u00edrica da agonia. Procura o Idioma dos P\u00e1ssaros, nos signos,  nas suas marcas pessoais e nas da humanidade, que s\u00e3o agora seus conte\u00fados simb\u00f3licos e preocupa\u00e7\u00f5es permanentes.<br \/>\nUbiratan come\u00e7ou a rabiscar versos, aquietando palavras que ferviam em suas entranhas. Guardou-os, reviu-os e j\u00e1 publicou tr\u00eas livros de poemas: Idioma dos P\u00e1ssaros, Versos de Vida e Passageiro do Tempo.  N\u00e3o s\u00e3o considerados aqui seus outros escritos sobre Conv\u00eanios, Tomadas de Contas, a Lei de Diretrizes e Bases, mas que t\u00eam import\u00e2ncia na efic\u00e1cia da gest\u00e3o p\u00fablica e na educa\u00e7\u00e3o formal e cultural dos jovens brasileiros.<br \/>\nEsta sauda\u00e7\u00e3o poderia ser uma esp\u00e9cie de Carta a um homem maduro e poeta jovem, na raz\u00e3o inversa do exposto por Rainer Maria Rilke ao aconselhar um jovem no seu debut liter\u00e1rio.  No seu caso, louve-se a coragem de mostrar agora sua face po\u00e9tica, a sua linguagem no di\u00e1logo com quem o l\u00ea.<br \/>\nN\u00e3o sei bem o que vem a ser poeta, pois n\u00e3o o sou. Tampouco me atrevo a fazer cr\u00edtica da obra po\u00e9tica de Ubiratan, O leitor \u00e9 sempre o maior cr\u00edtico. Procurei, no entanto, pesquisar o que possa vir a ser um poeta.<br \/>\nPara Paul Val\u00e9ry \u201ca poesia \u00e9 uma hesita\u00e7\u00e3o prolongada entre o som e o sentido\u201d.<br \/>\nPergunto: H\u00e1 som na poesia de Ubiratan?<br \/>\nClaro. Tanto o h\u00e1 que versos seus foram musicados e transformados em can\u00e7\u00f5es j\u00e1 constantes de tr\u00eas CDs.<br \/>\nFazer letra de m\u00fasica, saibam os senhores e senhoras, tamb\u00e9m era \u201chobby\u201d de Machado de Assis. Dele \u00e9 a letra de uma valsa lenta: \u201cQuando ela fala\u201d, musicada por Elisa Wanda.<br \/>\nOu\u00e7am Machado nesta quadra:<br \/>\n\u201cQuando ela fala, parece<br \/>\nQue a voz da brisa se cala;<br \/>\nTalvez um anjo emudece<br \/>\nQuando ela fala\u201d.<br \/>\nVoltemos ao Ubiratan:<br \/>\nPergunto ainda: H\u00e1 sentido na sua poesia?<br \/>\nEle sabe que sim, pois esse seu vi\u00e9s crepuscular o aproximou do Clube do Bode. Comunidade et\u00e9rea, em desconfort\u00e1veis pl\u00e1sticos assentada na cal\u00e7ada abrasadora. Autof\u00e1gica, mas gloriosa na descontra\u00e7\u00e3o coletiva a bater palmas quando da aproxima\u00e7\u00e3o do belo.<br \/>\nE essa viv\u00eancia com escritores, poetas, m\u00fasicos, pintores, s\u00e1tiros e afins, o foi encorajando a tirar a sua nau do porto da timidez e ganhar o tempestuoso mar das letras onde pode haver ataque de bucaneiros. E o faz com a mod\u00e9stia de aprendiz, sem fanfarras e a busca de signos e retoques para a sua lira.<br \/>\nMuitos poetas reconhecem um decass\u00edlabo antes que uma frase seja conclu\u00edda e sabem usar rima e m\u00e9trica em seus versos altaneiros. Eles s\u00e3o poetas, sim.<br \/>\nMas n\u00e3o ser\u00e1 poeta quem n\u00e3o se ajusta \u00e0s an\u00e1lises esquem\u00e1ticas do compasso da m\u00e9trica e do adorno da rima? O que dizer ent\u00e3o da poesia livre de Pablo Neruda, pr\u00eamio Nobel de Literatura?<br \/>\nO pr\u00f3prio Neruda responde: \u201cA verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 verdade\u201d.<br \/>\nRecolho de Manoel de Barros, grande poeta, uma outra poss\u00edvel resposta: \u201cCreio que a poesia est\u00e1 de m\u00e3os dadas com o ilogismo. N\u00e3o gosto de dar confian\u00e7a \u00e0 raz\u00e3o, ela diminui a poesia\u201d.<br \/>\nVejam Ubiratan de m\u00e3os dadas com o ilogismo:<br \/>\n\u201cDeclinei verbos no sonho e,<br \/>\nadormeceram no sono.\u201d<br \/>\nOu quando refere:<br \/>\n\u201cPaz das gaivotas<br \/>\nVoando livre<br \/>\nNo branco das asas\u201d<br \/>\nRobert Graves, escritor ingl\u00eas, nos socorre<br \/>\n\u201ca poesia n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia, \u00e9 um ato de f\u00e9\u201d.<br \/>\nAlgu\u00e9m duvida que Ubiratan n\u00e3o tenha f\u00e9 no que escreve?<br \/>\nEle \u00e9 Passageiro do Tempo a procurar um mundo chamado poesia. E faz seu ato de f\u00e9 ao dizer:<br \/>\n\u201cQuantas met\u00e1foras guardam sil\u00eancio<br \/>\nDas verdades que a raz\u00e3o pol\u00edcia?\u201d<br \/>\nOu quando revela:<br \/>\n\u201cQuantas vezes a linguagem dos olhos<br \/>\nExpressa o sil\u00eancio covarde dos l\u00e1bios<br \/>\nQuantas vezes nos escondemos dentro de n\u00f3s,<br \/>\nPara n\u00e3o exteriorizar a vida?\u201d<br \/>\nUbiratan pode ser um novi\u00e7o na ordem dos poetas, mas quem falou que a poesia est\u00e1 adstrita a um tempo de vida?<br \/>\nO pr\u00f3prio poeta responde:<br \/>\n\u201cComo conter palavra<br \/>\nNa correnteza da boca?<br \/>\nA d\u00favida na indaga\u00e7\u00e3o que faz ao fim de seus versos n\u00e3o deixa de ser inquieta\u00e7\u00e3o po\u00e9tica. E quem escreve, especialmente versos, procura fazer um acerto de contas com o seu eu profundo, medos, sonhos, hist\u00f3ria e mitos. Se esse olhar chega com a maturidade, que seja bem-vindo. \u00c9 poeta, sim.<br \/>\nE substitui,  certamente orgulhoso, a seu colega de Assembleia e amigo de dezenas de anos, o meu colega de faculdade e poeta consagrado Jos\u00e9 Maria Barros Pinho que, nesta data, passa a ser Acad\u00eamico de Honra, na vaga do inesquec\u00edvel Eduardo Campos, uma das mais completas express\u00f5es liter\u00e1rias contempor\u00e2nea do Cear\u00e1.<br \/>\nO que digo \u00e9 do meu exclusivo encargo. N\u00e3o sou um purista da l\u00edrica ou da arte po\u00e9tica. Acredito, por\u00e9m, na capacidade que palavras t\u00eam o dom de conjurar almas, expondo-as at\u00e9 ao torvelinho dos que querem, talvez com justa raz\u00e3o, o refinamento e os detalhes da rima, da m\u00e9trica e da metalinguagem.<br \/>\nUns e outros merecem coexistir, pois a vida, j\u00e1 dizia o poeta Vin\u00edcius, \u201c\u00e9 a arte do encontro\u201d.<br \/>\nE o pr\u00f3prio Ubiratan, pacificador por natureza, diz em versos:<br \/>\n\u201cNem por isso excel\u00eancia<br \/>\nN\u00f3s somos separatistas<br \/>\nE este \u00e9 um ponto de vista\u201d<br \/>\n\u00c9 chegada a hora de parar. Bem sei que o novel Acad\u00eamico merecia palavras mais briosas, mas sou assim, coloquial  e aberto.<br \/>\nPor \u00faltimo, pediria que o Acad\u00eamico Ubiratan Diniz Aguiar se sentisse em casa, abra\u00e7asse os seus convidados e confraternizasse com seus novos companheiros aqui presentes, com a mesma energia que empresta \u00e0 sua vida, fazendo-o como se mostra neste terceto:<br \/>\n\u201cexpondo sentimentos submersos<br \/>\nNo conto, na poesia, na literatura,<br \/>\n\u201cMarcando o tempo e a criatura.\u201d<\/p>\n<p>Muito obrigado a todos.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto &#8211; Cronista, mar\u00e7o de 2008<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAL\u00c1CIO DA LUZ<br \/>\nAcademia Fortalezense de Letras<\/p>\n<p>Recebi a incumb\u00eancia de fazer esta sauda\u00e7\u00e3o oficial a Ubiratan Diniz Aguiar, mas o que pulsa em mim \u00e9 a alegria de traz\u00ea-lo a este del\u00edrio coletivo. A p\u00e1tria dos que se lan\u00e7am ao desafio de expor os seus escritos aos olhos dos outros. N\u00e3o importa que seja prosa, verso ou prosa po\u00e9tica. O que conta naquele que se mostra \u00e9 a coragem de abrir suas veias e deixar que o sangue se perpetue no papel.<br \/>\nUbiratan, voc\u00ea est\u00e1 chegando a este Pal\u00e1cio da Luz, palco nos \u00faltimos duzentos anos dos mais importantes acontecimentos deste Estado do Cear\u00e1. Um Pal\u00e1cio que, de propriedade privada, passou a bem p\u00fablico e agora \u00e9 a matriz a abrigar os que trabalham com palavras sob a tutela maior da Academia Cearense de Letras.<br \/>\nVeja, voc\u00ea est\u00e1 nesta sala em cujas paredes erguidas por m\u00e3os nativas avistam-se pinturas, inclusive a maior de Raimundo Cela, a retratar de modo figurativo as nossas lutas ancestrais. Esta sala faz parte da hist\u00f3ria viva do Cear\u00e1.<br \/>\nA hist\u00f3ria que nos traz o poeta Paula Nei, patrono de sua cadeira, que parece dizer, dando boas vindas:<br \/>\n\u201cVoa, minha alma, voa pelos ares<br \/>\nComo um trapo de nuvem flutuante<br \/>\nVai perdida, sozinha e solu\u00e7ante<br \/>\nDistende as tuas asas sobre os mares\u201d<br \/>\nSob as asas da alma de Paula Nei voc\u00ea ingressa hoje na Academia Fortalezense de Letras, nascida neste S\u00e9culo, pelo ideal de Matusa\u00edla Santiago e Jos\u00e9 Lu\u00eds Lira.  Ela \u00e9 compromissada com o futuro, sem deixar de ajustar sua sedimenta\u00e7\u00e3o na argamassa da Hist\u00f3ria, na \u00e1gua do passado e at\u00e9 no limo que exsuda destas paredes de tijolos dobrados.<br \/>\nO nosso estatuto, em seu artigo terceiro, diz que o quadro social da Academia ser\u00e1 constitu\u00eddo por pessoas que exer\u00e7am atividades liter\u00e1rias e que estejam interessadas no bom funcionamento da Institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEu pergunto, como se fora um padre, pastor ou rabino em uma cerim\u00f4nia de casamento:<br \/>\n&#8211; Ubiratan, voc\u00ea exerce atividade liter\u00e1ria?<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea est\u00e1 interessado no bom funcionamento da institui\u00e7\u00e3o?<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea quer se unir a ela?<br \/>\nA cada pergunta a resposta \u00e9 sim, mas n\u00e3o precisa diz\u00ea-la de viva voz. Fa\u00e7a-o com a express\u00e3o da alma, aquela que n\u00e3o engana.<br \/>\nDe minha parte e em nome de todos os colegas, afirmo que voc\u00ea exerce atividade liter\u00e1ria e seu hist\u00f3rico de vida n\u00e3o deixa d\u00favida quanto ao compromisso de zelar por nossa Academia. Essa a raz\u00e3o de indicar seu nome, obtendo total acolhida dos nossos pares.<br \/>\nUbiratan \u00e9 madeira de lei: um cedro menino transplantado para Fortaleza e daqui &#8211; onde suas ra\u00edzes foram fundeadas \u2013 para o  planalto central. Esse quase sert\u00e3o vermelho cujo ar rarefeito parece, \u00e0s vezes, incidir na raz\u00e3o coletiva. Mas Ubiratan sempre teve um plano piloto pessoal que o conduziu pelos caminhos da dec\u00eancia. E o faz segundo uma cronologia simples, verdadeira e consistente.<br \/>\nMembro de fam\u00edlia forte, a partir dos prenomes ind\u00edgenas que adota, Ubiratan, filho de  Araken e Maria, estudou e trabalhou de todas as formas l\u00edcitas e l\u00facidas, destacando-se a sua inicia\u00e7\u00e3o como professor de Portugu\u00eas do Col\u00e9gio 07 de Setembro, em cujos anais o presidente Ednilo encontrou os fundamentos para tamb\u00e9m subscrever o requerimento em que eu propunha o seu nome para esta Academia.<br \/>\nO que dizer de um homem que, por seus m\u00e9ritos pessoais, consegue iniciar sua vida pol\u00edtica como vereador, al\u00e7a-se a condi\u00e7\u00e3o de deputado estadual, secret\u00e1rio de Estado e chega j\u00e1 na qualidade de Deputado Federal, a ser Constituinte, Presidente da Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o e, por duas vezes, \u00e9 eleito Primeiro Secret\u00e1rio da C\u00e2mara Federal?<br \/>\nO jovem universit\u00e1rio de Direito pela UFC tinha sonhos a cumprir desde cedo, mas carecia de uma parceira de f\u00e9, uma mulher valorosa, companheira de suas quimeras e assim o fez no verdor dos 19 anos, ao unir sua vida \u00e0 de Terezita. E esse passo juvenil pode ter sido decisivo para o seu descortino e brilhante futuro.<br \/>\nTodavia, n\u00e3o estamos aqui para ouvir falar do filho, marido, pai, av\u00f4, Bacharel em Direito, do pol\u00edtico e muito menos do Ministro, esse que, sem alarde, exerce o seu m\u00fanus com responsabilidade, dignidade e aprumo, fazendo-se credor do reconhecimento da sociedade brasileira.<br \/>\nN\u00e3o queremos tampouco tecer loas ao Ministro Vice-Presidente desse fechado grupo de 09 brasileiros que formam o pleno do TCU.<br \/>\nA sua hist\u00f3ria pessoal n\u00e3o pertence a esta solenidade. Ela permanecer\u00e1 viva al\u00e9m deste Pal\u00e1cio da Luz. Ela j\u00e1 est\u00e1 inscrita nos registros da C\u00e2mara de Fortaleza, da Assembleia do Cear\u00e1, do Congresso Nacional e, agora, no plenil\u00fanio de sua vida p\u00fablica, nos anais e arquivos eletr\u00f4nicos do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o.<br \/>\nQueremo-lo, Ubiratan, na luta coletiva para fazer este Pal\u00e1cio da Luz ainda mais esplendoroso, em conte\u00fado, formas e cores. Garboso na sua pr\u00f3pria restaura\u00e7\u00e3o f\u00edsica e do seu entorno.<br \/>\nQueremo-lo na barricada em favor da inicia\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de jovens nos diversos g\u00eaneros liter\u00e1rios e na sua transforma\u00e7\u00e3o em agentes multiplicadores da arte de pensar e escrever.<br \/>\nN\u00e3o ser\u00e3o Ubiratan, os seus julgados que estar\u00e3o na hist\u00f3ria e nas montras ainda invis\u00edveis desta Academia.<br \/>\nQueremo-lo desavisado como soe acontecer aos poetas.<br \/>\nPlat\u00e3o, no livro 10, de \u201cA Rep\u00fablica\u201d n\u00e3o encontrou lugar para os poetas na sociedade ideal que concebeu. Esse papel caberia aos reis e fil\u00f3sofos. Ao que se depreende, Plat\u00e3o se equivocou.<br \/>\nOra, se o grande pensador Plat\u00e3o pode ter se equivocado, por que alguns acreditam ter a capacidade unilateral de estabelecer, a seu modo, ju\u00edzos de valor est\u00e9tico? Outra utopia.<br \/>\nA vida real \u00e9 um bem comum, diz respeito a cada um e a todos. Assim tamb\u00e9m \u00e9 o imaginado pelos fil\u00f3sofos e o imagin\u00e1rio dial\u00f3gico que tece o mundo liter\u00e1rio.<br \/>\nJos\u00e9 de Alencar, por muitos considerado o maior escritor cearense de todos os tempos, tamb\u00e9m pol\u00edtico de escol em sua \u00e9poca, disse certa vez:<br \/>\n\u201cO cidad\u00e3o \u00e9 o poeta do direito e da justi\u00e7a. O poeta \u00e9 o cidad\u00e3o do belo e a arte\u201d.<br \/>\nNessa dire\u00e7\u00e3o, apontou a b\u00fassola existencial de Ubiratan Aguiar.<br \/>\nJ\u00e1 era o Cidad\u00e3o, por for\u00e7a de sua lida e vida.<br \/>\nAgora, Ubiratan voc\u00ea espreita a vida  \u00e0 procura do belo e da arte. E o faz na madureza dos anos, certamente tocado pela l\u00edrica da agonia. Procura o Idioma dos P\u00e1ssaros, nos signos,  nas suas marcas pessoais e nas da humanidade, que s\u00e3o agora seus conte\u00fados simb\u00f3licos e preocupa\u00e7\u00f5es permanentes.<br \/>\nUbiratan come\u00e7ou a rabiscar versos, aquietando palavras que ferviam em suas entranhas. Guardou-os, reviu-os e j\u00e1 publicou tr\u00eas livros de poemas: Idioma dos P\u00e1ssaros, Versos de Vida e Passageiro do Tempo.  N\u00e3o s\u00e3o considerados aqui seus outros escritos sobre Conv\u00eanios, Tomadas de Contas, a Lei de Diretrizes e Bases, mas que t\u00eam import\u00e2ncia na efic\u00e1cia da gest\u00e3o p\u00fablica e na educa\u00e7\u00e3o formal e cultural dos jovens brasileiros.<br \/>\nEsta sauda\u00e7\u00e3o poderia ser uma esp\u00e9cie de Carta a um homem maduro e poeta jovem, na raz\u00e3o inversa do exposto por Rainer Maria Rilke ao aconselhar um jovem no seu debut liter\u00e1rio.  No seu caso, louve-se a coragem de mostrar agora sua face po\u00e9tica, a sua linguagem no di\u00e1logo com quem o l\u00ea.<br \/>\nN\u00e3o sei bem o que vem a ser poeta, pois n\u00e3o o sou. Tampouco me atrevo a fazer cr\u00edtica da obra po\u00e9tica de Ubiratan, O leitor \u00e9 sempre o maior cr\u00edtico. Procurei, no entanto, pesquisar o que possa vir a ser um poeta.<br \/>\nPara Paul Val\u00e9ry \u201ca poesia \u00e9 uma hesita\u00e7\u00e3o prolongada entre o som e o sentido\u201d.<br \/>\nPergunto: H\u00e1 som na poesia de Ubiratan?<br \/>\nClaro. Tanto o h\u00e1 que versos seus foram musicados e transformados em can\u00e7\u00f5es j\u00e1 constantes de tr\u00eas CDs.<br \/>\nFazer letra de m\u00fasica, saibam os senhores e senhoras, tamb\u00e9m era \u201chobby\u201d de Machado de Assis. Dele \u00e9 a letra de uma valsa lenta: \u201cQuando ela fala\u201d, musicada por Elisa Wanda.<br \/>\nOu\u00e7am Machado nesta quadra:<br \/>\n\u201cQuando ela fala, parece<br \/>\nQue a voz da brisa se cala;<br \/>\nTalvez um anjo emudece<br \/>\nQuando ela fala\u201d.<br \/>\nVoltemos ao Ubiratan:<br \/>\nPergunto ainda: H\u00e1 sentido na sua poesia?<br \/>\nEle sabe que sim, pois esse seu vi\u00e9s crepuscular o aproximou do Clube do Bode. Comunidade et\u00e9rea, em desconfort\u00e1veis pl\u00e1sticos assentada na cal\u00e7ada abrasadora. Autof\u00e1gica, mas gloriosa na descontra\u00e7\u00e3o coletiva a bater palmas quando da aproxima\u00e7\u00e3o do belo.<br \/>\nE essa viv\u00eancia com escritores, poetas, m\u00fasicos, pintores, s\u00e1tiros e afins, o foi encorajando a tirar a sua nau do porto da timidez e ganhar o tempestuoso mar das letras onde pode haver ataque de bucaneiros. E o faz com a mod\u00e9stia de aprendiz, sem fanfarras e a busca de signos e retoques para a sua lira.<br \/>\nMuitos poetas reconhecem um decass\u00edlabo antes que uma frase seja conclu\u00edda e sabem usar rima e m\u00e9trica em seus versos altaneiros. Eles s\u00e3o poetas, sim.<br \/>\nMas n\u00e3o ser\u00e1 poeta quem n\u00e3o se ajusta \u00e0s an\u00e1lises esquem\u00e1ticas do compasso da m\u00e9trica e do adorno da rima? O que dizer ent\u00e3o da poesia livre de Pablo Neruda, pr\u00eamio Nobel de Literatura?<br \/>\nO pr\u00f3prio Neruda responde: \u201cA verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 verdade\u201d.<br \/>\nRecolho de Manoel de Barros, grande poeta, uma outra poss\u00edvel resposta: \u201cCreio que a poesia est\u00e1 de m\u00e3os dadas com o ilogismo. N\u00e3o gosto de dar confian\u00e7a \u00e0 raz\u00e3o, ela diminui a poesia\u201d.<br \/>\nVejam Ubiratan de m\u00e3os dadas com o ilogismo:<br \/>\n\u201cDeclinei verbos no sonho e,<br \/>\nadormeceram no sono.\u201d<br \/>\nOu quando refere:<br \/>\n\u201cPaz das gaivotas<br \/>\nVoando livre<br \/>\nNo branco das asas\u201d<br \/>\nRobert Graves, escritor ingl\u00eas, nos socorre<br \/>\n\u201ca poesia n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia, \u00e9 um ato de f\u00e9\u201d.<br \/>\nAlgu\u00e9m duvida que Ubiratan n\u00e3o tenha f\u00e9 no que escreve?<br \/>\nEle \u00e9 Passageiro do Tempo a procurar um mundo chamado poesia. E faz seu ato de f\u00e9 ao dizer:<br \/>\n\u201cQuantas met\u00e1foras guardam sil\u00eancio<br \/>\nDas verdades que a raz\u00e3o pol\u00edcia?\u201d<br \/>\nOu quando revela:<br \/>\n\u201cQuantas vezes a linguagem dos olhos<br \/>\nExpressa o sil\u00eancio covarde dos l\u00e1bios<br \/>\nQuantas vezes nos escondemos dentro de n\u00f3s,<br \/>\nPara n\u00e3o exteriorizar a vida?\u201d<br \/>\nUbiratan pode ser um novi\u00e7o na ordem dos poetas, mas quem falou que a poesia est\u00e1 adstrita a um tempo de vida?<br \/>\nO pr\u00f3prio poeta responde:<br \/>\n\u201cComo conter palavra<br \/>\nNa correnteza da boca?<br \/>\nA d\u00favida na indaga\u00e7\u00e3o que faz ao fim de seus versos n\u00e3o deixa de ser inquieta\u00e7\u00e3o po\u00e9tica. E quem escreve, especialmente versos, procura fazer um acerto de contas com o seu eu profundo, medos, sonhos, hist\u00f3ria e mitos. Se esse olhar chega com a maturidade, que seja bem-vindo. \u00c9 poeta, sim.<br \/>\nE substitui,  certamente orgulhoso, a seu colega de Assembleia e amigo de dezenas de anos, o meu colega de faculdade e poeta consagrado Jos\u00e9 Maria Barros Pinho que, nesta data, passa a ser Acad\u00eamico de Honra, na vaga do inesquec\u00edvel Eduardo Campos, uma das mais completas express\u00f5es liter\u00e1rias contempor\u00e2nea do Cear\u00e1.<br \/>\nO que digo \u00e9 do meu exclusivo encargo. N\u00e3o sou um purista da l\u00edrica ou da arte po\u00e9tica. Acredito, por\u00e9m, na capacidade que palavras t\u00eam o dom de conjurar almas, expondo-as at\u00e9 ao torvelinho dos que querem, talvez com justa raz\u00e3o, o refinamento e os detalhes da rima, da m\u00e9trica e da metalinguagem.<br \/>\nUns e outros merecem coexistir, pois a vida, j\u00e1 dizia o poeta Vin\u00edcius, \u201c\u00e9 a arte do encontro\u201d.<br \/>\nE o pr\u00f3prio Ubiratan, pacificador por natureza, diz em versos:<br \/>\n\u201cNem por isso excel\u00eancia<br \/>\nN\u00f3s somos separatistas<br \/>\nE este \u00e9 um ponto de vista\u201d<br \/>\n\u00c9 chegada a hora de parar. Bem sei que o novel Acad\u00eamico merecia palavras mais briosas, mas sou assim, coloquial  e aberto.<br \/>\nPor \u00faltimo, pediria que o Acad\u00eamico Ubiratan Diniz Aguiar se sentisse em casa, abra\u00e7asse os seus convidados e confraternizasse com seus novos companheiros aqui presentes, com a mesma energia que empresta \u00e0 sua vida, fazendo-o como se mostra neste terceto:<br \/>\n\u201cexpondo sentimentos submersos<br \/>\nNo conto, na poesia, na literatura,<br \/>\n\u201cMarcando o tempo e a criatura.\u201d<\/p>\n<p>Muito obrigado a todos.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto &#8211; Cronista, mar\u00e7o de 2008<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2622","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2622","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2622"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2622\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2622"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}