{"id":2623,"date":"2023-12-21T09:10:25","date_gmt":"2023-12-21T12:10:25","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/academia-cearense-de-letras\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:25","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:25","slug":"academia-cearense-de-letras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/academia-cearense-de-letras\/","title":{"rendered":"ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS"},"content":{"rendered":"<p>21\/02\/2013<\/p>\n<p>Boa noite a todos.<br \/>\nCaro presidente Jos\u00e9 Augusto Bezerra.<br \/>\nCaro&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.., em nome de quem sa\u00fado todas as autoridades integrantes  da mesa.<br \/>\nQueridos Iracema, minha mulher; Alessandra, minha filha; Luana, minha neta; e irm\u00e3o Jos\u00e9 Caminha de Oliveira, em nome de quem sa\u00fado todos os componentes da minha fam\u00edlia: filhas, irm\u00e3os, netos, genros, sobrinhos e demais parentes. Meus prezados Paulo e Cl\u00e1udio, em nome de quem sa\u00fado os membros da fam\u00edlia Vale.<br \/>\nSenhores membros da Academia Cearense de Letras,<br \/>\nColegas da Academia Fortalezense de Letras, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bibli\u00f3filos do Brasil, do F\u00f3rum de L\u00edderes, da Sociedade Consular, e demais entidades das quais fa\u00e7o parte.<br \/>\nCaros companheiros de trabalho.<br \/>\nColegas das faculdades de direito e administra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAutoridades presentes.<br \/>\nSenhoras e senhores,<br \/>\nReverencio, por justi\u00e7a, todos os membros perecidos desta Academia nas figuras de Nat\u00e9rcia Campos, amiga querida; de Jos\u00e9 Maria Barros Pinho, colega de faculdade, de lutas universit\u00e1rias e de letras; e do Reitor Ant\u00f4nio Martins Filho, um dos maiores empreendedores cearenses de todos os tempos.<br \/>\nConfesso n\u00e3o ser tribuno. Vou falar com a raz\u00e3o molhada pela emo\u00e7\u00e3o. Do jeito como escrevo.<br \/>\nPe\u00e7o, com acatamento, a aten\u00e7\u00e3o a todos. Ou\u00e7am, por favor. Silenciem, se poss\u00edvel.<br \/>\nNesta noite, quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013, na imensid\u00e3o da ab\u00f3bada celeste ainda n\u00e3o de todo desvendada, paira o planeta Terra, no hemisf\u00e9rio sul, no Brasil, no Cear\u00e1, em Fortaleza, com a lua em quarto crescente, quase um plenil\u00fanio. Somos apenas um nano ponto no Universo.<br \/>\nDesde 2000, a United Nations Education, Scientific  and Cultural Organization \u2013 a UNESCO, respons\u00e1vel pela Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancias Naturais, Humanas e Sociais, Cultura, Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o, consagra este mesmo dia 21 de fevereiro como o Dia Internacional da L\u00edngua Materna. Estamos a fazer isto nesta noite solene. Cultuamos a linguagem m\u00e3e, a l\u00edngua de Cam\u00f5es e Machado.<br \/>\nOcupamos agora o centro hist\u00f3rico de Fortaleza, na Rua do Ros\u00e1rio, defronte \u00e0 Igreja dos Homens negros, asilo de segregados pela escravatura envergonhadora.<br \/>\nSantu\u00e1rio esse ressaltado e descrito em tintas pelas pinturas e pelas m\u00fasicas sincopadas no ritmo afro de Descartes Gadelha.<br \/>\nPe\u00e7o licen\u00e7a \u00e0 Acad\u00eamica Beatriz Alc\u00e2ntara, e recorro a Fernando Pessoa, n\u00e3o o do lugar comum. Ele fala: &#8220;Viu-se a terra inteira de repente\/surgiu redonda do azul profundo\u201d.<br \/>\nSomos transit\u00f3rios na vida. Do albor do nascimento ao ocaso da finitude, passamos todos, sem distin\u00e7\u00e3o do saber ou ter.<br \/>\nReverencio os 119 anos desta Academia de Letras. Ela \u00e9, ao mesmo tempo, fortalezense como eu. Ela \u00e9 cearense como j\u00e1 o desejava Thomaz Pompeu a exortar seus coevos a ter \u201ca serenidade de investigadores da verdade\u201d.<br \/>\nReconhecer isso \u00e9 ato de maturidade. A imortalidade, se acontecer, dar-se-\u00e1 p\u00f3s-morte, por conta da futura an\u00e1lise de nossas vidas concretas e das letras escritas.<br \/>\nDizia o fil\u00f3sofo americano Waldo Emerson: \u201cEverything in the universe proceeds by indirection. There are no straight lines&#8221;. &#8220;No Universo tudo procede por vias indiretas. N\u00e3o existem linhas retas\u201d.<br \/>\nAgrade\u00e7o, reconhecido, aos 22 acad\u00eamicos a me honrar com os seus votos. Esta \u00e9 a linha e a via do reconhecimento.<br \/>\nTamb\u00e9m \u00e9 hora de pedir permiss\u00e3o a todas acad\u00eamicas e acad\u00eamicos para sentarmos lado a lado, em fraternidade. A todos. Confreiras e Confrades, os meus respeitos.<br \/>\nV\u00f3s sois a refer\u00eancia da cultura e das letras alencarinas.<br \/>\nAos eleitores dos outros candidatos, agrade\u00e7o igualmente, pois a academia deve primar pela diversidade de pensamento. N\u00e3o o hegem\u00f4nico, e sim o plural e sem preconceitos. <\/p>\n<p>Lembro, cara acad\u00eamica Marly Vasconcelos, ausente por falecimento de pessoa de sua fam\u00edlia.<br \/>\nA cultura e a sociedade cearenses est\u00e3o reunidas, para honra nossa, nesta posse, na cadeira 35, patroneada por Thomaz Pompeu.<br \/>\nEle come\u00e7ou a escrever aos 20 anos, no jornal O Cearense, do qual depois foi dirigente.<\/p>\n<p>Recorro \u00e0 acad\u00eamica \u00c2ngela Gutierrez para falar de seu bisav\u00f4, fundador e primeiro presidente desta casa.  \u00c2ngela, em discurso aqui proferido, quando da comemora\u00e7\u00e3o dos 105 anos da entidade, destacar as suas m\u00faltiplas faces de jornalista, professor, pesquisador de hist\u00f3ria, ge\u00f3grafo, educador, administrador p\u00fablico, pensador, homem de letras e, last but not least, empreendedor.<\/p>\n<p>Sobre essa face singular a sua bisneta refere:<br \/>\n\u201cPor que relembrar o empreendedor, o pioneiro, que fundou a primeira f\u00e1brica de fia\u00e7\u00e3o e tecidos do Norte-Nordeste, atentando para o aproveitamento de nossa voca\u00e7\u00e3o algodoeira, que foi s\u00f3cio majorit\u00e1rio e gerente da primeira Companhia de bondes do Outeiro, que foi fundador e presidente do Banco do Cear\u00e1, do Centro Industrial e da Associa\u00e7\u00e3o Comercial, colaborando para o progresso da terra, na cren\u00e7a de que progresso e ci\u00eancia deveriam andar de m\u00e3os dadas\u201d. <\/p>\n<p>Fica claro e insofism\u00e1vel, caro colega Ednilo So\u00e1rez.<br \/>\nO patrono da cadeira 35, o fundador, Thomaz Pompeu, seu primeiro presidente indicado para dar o nome a esta casa, era um empreendedor.<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico Cid Carvalho.<br \/>\nOuso falar agora na sua viv\u00eancia e dimens\u00e3o espiritual estudada, compreendida e exercida.<br \/>\nEvoque, Senador Cid Carvalho, os seus irm\u00e3os do al\u00e9m e transmita, se cr\u00edvel,  a  Thomaz Pompeu, uma mensagem:<br \/>\nEle foi, por caminhos \u00ednvios, uma refer\u00eancia para mim.<br \/>\nModus in rebus, pe\u00e7o v\u00eania:<br \/>\nEle era formado em Direito. Tamb\u00e9m cursei Direito.<br \/>\nThomaz Pompeu era administrador p\u00fablico. Tamb\u00e9m o fui.<br \/>\nEle era pesquisador de hist\u00f3ria. Procurei s\u00ea-lo ao dirigir, por anos, profissionais de n\u00edvel em diversas \u00e1reas do conhecimento, inclusive hist\u00f3ria e geografia, e dirigir \/ coordenei mais de 20 Planos Diretores de Desenvolvimento Econ\u00f4mico no Nordeste.<br \/>\nAgora, se consegui, \u00e9 outra hist\u00f3ria. Tentei com afinco.<br \/>\nEle grande; eu, apenas um aprendiz.<br \/>\nS\u00e3o estes os meus parcos dotes.<br \/>\nDr. Thomaz Pompeu, posso ocupar a sua cadeira? Tentarei n\u00e3o desapont\u00e1-lo. Ilumine-me.<br \/>\nPor tal raz\u00e3o, caro acad\u00eamico Virg\u00edlio Maia, ele foi douto, exponencial em tudo isso e est\u00e1 no pante\u00e3o desta Casa.<br \/>\nAgora, vou contar como comecei a gostar de livros e da escrita. O meu pai, Francisco Bezerra de Oliveira, foi seminarista franciscano, colega de internato do professor Rebou\u00e7as Macambira, e dali fugiu para casar com Margarida, mo\u00e7a bonita, sobrinha recatada e tutelada pelo Padre Jo\u00e3o Saraiva Le\u00e3o. Viveram juntos por 50 anos. Ele era leitor voraz de romances policiais e comprou de Jos\u00e9 Maia para presentear-me, nos meus 15 anos, uma biblioteca com muitos livros de autores diversos, estantes em madeira e vidro. Em uma delas havia entalhada no frontisp\u00edcio a palavra Atheneu, em homenagem a Raul Pompeia.  Come\u00e7ava a\u00ed o meu noviciado.<br \/>\nEsse menino escrevia di\u00e1rios, lia de forma continuada, ia a cinemas quase todos os dias e possu\u00eda ficha de empr\u00e9stimo de livros na Biblioteca P\u00fablica, ent\u00e3o na Rua Sol\u00f3n Pinheiro, vizinha ao Ibeu, Instituto Brasil Estados Unidos, onde procurava aprender a l\u00edngua inglesa.<br \/>\nAos 16 anos, fui levado por Dorian Sampaio, amigo dileto e colega de verean\u00e7a do meu pai, o j\u00e1 citado Francisco Bezerra de Oliveira, ambos no al\u00e9m-mundo, para falar aos membros do Centro Cultural Humberto de Campos, uma presum\u00edvel dissid\u00eancia do Grupo Cl\u00e3.<\/p>\n<p>N\u00e3o me lembro das minhas palavras. Ouvi, nervoso, palmas e coment\u00e1rios do Dorian e dos seus confrades. Eles diziam: \u201cEsse menino promete\u201d.<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico Juarez Leit\u00e3o<br \/>\nEm seguida, fundei e presidi o Girafa,  um clube de jovens e adultos onde pratic\u00e1vamos esportes, l\u00edamos e debat\u00edamos temas s\u00e9rios em j\u00faris simulados. Lembro at\u00e9 de ter sido defensor de Iscariotes. Ele foi absolvido. Judas, argumentava eu, seria um instrumento para cumprir um des\u00edgnio maior.<br \/>\nO Juiz de direito Jos\u00e9 Carneiro, a me suceder na presid\u00eancia do Girafa, em 23 de junho de 1958, e a historiadora Valdelice Gir\u00e3o, ent\u00e3o integrante do Conselho Superior da entidade, lembram-se dessas folgan\u00e7as. Naquela noite, esteve presente, entre outros, o escritor e poeta Jos\u00e9 Alcides Pinto, conforme relato em tinta preta, na p\u00e1gina 41 do meu di\u00e1rio daquele ano. Guardo-o.<br \/>\n Em novembro de 1962, Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o convida-me para substitu\u00ed-lo na coluna di\u00e1ria \u201cInformes Acad\u00eamicos\u201d, no jornal Correio do Cear\u00e1. Ele viajaria \u00e0 Alemanha para aperfei\u00e7oar-se na l\u00edngua de Goethe. Agradeci e aceitei.<br \/>\n Cara poeta Giselda Medeiros.<br \/>\nTomei gosto pela coluna e, acidentalmente, o jornalismo aproximou-me da Academia Cearense de Letras. Fui um dos divulgadores e um dos  frequentadores do Curso de Arte e Literatura, coordenado pelo professor Artur Eduardo Benevides.<br \/>\n A aula magna de abertura, na noite do dia 12 de outubro de 1963, foi proferida no sal\u00e3o nobre da Reitoria pelo professor Parsifal Barroso sobre a m\u00fasica brasileira, especialmente Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno e Ernesto Nazar\u00e9.<br \/>\nEra o primeiro \u201cflirt\u201d de um jovem universit\u00e1rio com a Casa de Thomaz Pompeu.<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico Dimas Mac\u00eado.<br \/>\nVoltando \u00e0 lide do jornal, o Diretor e empres\u00e1rio jornal\u00edstico Eduardo Campos, cond\u00f4mino dos Di\u00e1rios Associados e industrial, sem preju\u00edzo de suas participa\u00e7\u00f5es nesta Academia e no Instituto do Cear\u00e1, das quais foi presidente, dois anos depois convida-me para escrever outra coluna di\u00e1ria, sobre \u201cAdministra\u00e7\u00e3o e Neg\u00f3cios\u201d.<\/p>\n<p>Foram anos naquele jornal, meu caro Eduardo Augusto. O sal\u00e1rio recebido a cada m\u00eas era importante, pois havia outras tarefas a cumprir. Fazia, ao mesmo tempo, duas faculdades e trabalhava.<br \/>\nDou um pulo no tempo e em outro novembro, este de 2012, o professor Pedro Henrique rides again na minha vida e me provoca: &#8220;Chegou a sua hora. Candidate-se. Estarei ao seu lado&#8221;.<br \/>\nJ\u00e1 havia firmado um princ\u00edpio: n\u00e3o me candidataria \u00e0 Academia em vaga por falecimento de amigo.<br \/>\nO professor Alberto Oliveira era de gera\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 minha. N\u00e3o havia impedimento moral. Inscrevi-me.<br \/>\nOutros tr\u00eas pretendentes tamb\u00e9m o fizeram.<br \/>\nNa campanha usei apenas os Correios, motot\u00e1xis, telefone e a Internet, sem visitar ou importunar a privacidade domiciliar ou profissional dos acad\u00eamicos. Cumprimentei os dignos contendores e os respeitei. Acreditava no meu percurso cultural, nos sete livros j\u00e1 publicados e no apoio denodado de uma pl\u00eaiade de acad\u00eamicos cidad\u00e3os, a partir do poeta Virg\u00edlio Maia.<\/p>\n<p>No dia 29 de janeiro \u00faltimo fui eleito com 22 votos, maioria consagradora e, a partir de hoje, 21 de fevereiro de 2013, conforme contagem rigorosa do acad\u00eamico Murilo Martins, serei o cent\u00e9simo octog\u00e9simo sexto (186\u00ba) integrante desta Casa de Letras. A mais representativa da cultura do Cear\u00e1, Estado hoje com oito e meio milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Cara Acad\u00eamica Regine Limaverde, chegada dos EEUU, v\u00e9spera da elei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSaiba ter sido o acad\u00eamico Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o o condutor desse pleito \u00e1rduo. A posi\u00e7\u00e3o dele foi aberta, decidida e catalisou for\u00e7as. A ele j\u00e1 disse: muito obrigado. Repetirei, agora, por justi\u00e7a e prazer: Danke shoen, Dr. Pedro.     <\/p>\n<p>Deixei por \u00faltimo o agradecimento j\u00e1 feito \u00e0 Iracema Vale, minha mulher. Ela me manteve sereno ao dizer, todos os dias: vai dar certo. Assim o fiz. Assim o foi. A ela, mais uma vez, o meu obrigado. <\/p>\n<p>Insigne acad\u00eamico Napole\u00e3o Nunes Maia.<br \/>\nAgrade\u00e7o seu modo gentil e franco em oferecer-se para saudar-me, desde antes da elei\u00e7\u00e3o, com o posterior agreement da presid\u00eancia.<br \/>\nSou grato por suas doutas palavras. Elas, por sua f\u00e9 de of\u00edcio e trajet\u00f3ria ascendente como advogado, professor universit\u00e1rio, magistrado federal de carreira, hoje ministro de tribunal superior e intelectual, homenageado ontem pelo Tribunal Regional Federal da 5\u00aa. Regi\u00e3o, em Recife, com a mais alta condecora\u00e7\u00e3o, a Medalha da Ordem do M\u00e9rito Pontes de Miranda.<br \/>\nSuas credencias deram visibilidade e fulgor a cada passo do meu singular percurso cultural. Obrigado, acad\u00eamico Napole\u00e3o Maia.<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico Pe. Manfredo Ramos.<br \/>\ntudo na minha vida foi constru\u00eddo com a energia, a f\u00e9 e a coragem recebida dos meus pais, dois vencedores. Educaram nove filhos, todos em col\u00e9gios particulares e com educa\u00e7\u00e3o superior.<br \/>\nTive a coragem, cedo despertada, para a inquietude, a aprender n\u00e3o o usual e sim o in\u00e9dito. Germinar id\u00e9ias e realiz\u00e1-las. Aprendi isso em uma fam\u00edlia com destemor e unida. Dona Margarida, minha m\u00e3e, aos 93 anos, \u00e9 de uma intelig\u00eancia e presen\u00e7a de esp\u00edrito not\u00e1veis.<br \/>\nVou contar um epis\u00f3dio recente: v\u00e9spera do \u00faltimo Natal, perguntei-lhe: &#8220;Qual vai ser o meu presente?&#8221; Ela respondeu de bate pronto: &#8220;Podem ser as minhas mazelas?&#8221; Ela \u00e9 assim.  Se sou incisivo, \u00e9 gen\u00e9tico. Meu pai dizia: &#8220;Seja simples. N\u00e3o se curve a ningu\u00e9m&#8221;.<br \/>\nCumpri o prometido, meu pai.<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico Mauro Benevides, a quem agrade\u00e7o o registro desta solenidade nos anais do Congresso Nacional.<br \/>\nSou impetuoso por ser vision\u00e1rio, e isso eu descobri lendo, estudando, aprendendo a escrever, admitindo erros, e pesquisando aqui e por continentes afora em viagens de trabalho, treinamento, cursos, semin\u00e1rios, congressos, palestras e debates com professores.<br \/>\nFa\u00e7o tudo do meu jeito meio sem jeito. N\u00e3o uso a vida como artimanha. Penso ser obrigat\u00f3ria a discri\u00e7\u00e3o pessoal no agir e no servir. Recolhi de Miguel de Cervantes, no cl\u00e1ssico Dom Quixote, o ensinamento: \u201cNo puede haber gracia donde no hay discrici\u00f3n&#8221;. N\u00e3o pode haver encanto onde n\u00e3o h\u00e1 discri\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nSe desejei empreender, ler, viajar, escrever e estudar, n\u00e3o foi trabalho. Foi prazer.  Sonho empenhado e cumprido.<br \/>\nCaro acad\u00eamico Batista de Lima,<br \/>\nAcreditava e ainda creio: a cada dia a minha vida se encerra e recome\u00e7a na alvorada seguinte. Por tal raz\u00e3o, concordo com Fran\u00e7ois-Ren\u00e9 de Chateaubriand, nascido em Saint-Malo, cidade pequena e linda, quando dizia: \u201cTous mes jours son des adieux&#8221;. &#8220;Todos os meus dias s\u00e3o adeuses.\u201d<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico e Professor Em\u00e9rito Paulo Bonavides, de quem fui aluno em tr\u00eas momentos distintos: na Escola de Administra\u00e7\u00e3o, no bacharelado e, depois, na p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o da Faculdade de Direito da UFC. Sua presen\u00e7a \u00e9 um voto de confian\u00e7a. Honr\u00e1-lo-ei.<br \/>\nVolto a falar de seu colega e estudioso da ci\u00eancia pol\u00edtica, o professor Parsifal Barroso.<br \/>\n(Destaco as presen\u00e7as do seu filho R\u00e9gis Filho, meu colega na Faculdade de Direito e Igor Barroso seu neto).<br \/>\nEle era governador e s\u00f3 possu\u00eda um carro de representa\u00e7\u00e3o. Por conta disso dei-lhe carona, v\u00e1rias vezes, em meu simpl\u00f3rio Anglia. O amigo Rui Filgueiras Lima era guapo oficial de gabinete do governador.<\/p>\n<p>Senhoras e Senhores.<br \/>\nIlustre Corregedora da Procuradoria Geral do Estado Cl\u00e1udia Martins.<br \/>\nEste Pal\u00e1cio da Luz era um pr\u00f3prio do Estado e foi gra\u00e7as \u00e0 aud\u00e1cia e perseveran\u00e7a da peti\u00e7\u00e3o bem instru\u00edda do acad\u00eamico e presidente da ACL, o not\u00e1rio Cl\u00e1udio Martins, para aparecer um empreendedor e administrador, Tasso Ribeiro Jereissati, no exerc\u00edcio do Governo do Cear\u00e1, com descortino para do\u00e1-lo, em 1989, \u00e0 Academia Cearense de Letras, ent\u00e3o asfixiada em salas do Edif\u00edcio Pal\u00e1cio Progresso. <\/p>\n<p>Cara acad\u00eamica Noemi Elisa Aderaldo, sobrinha do meu professor, Mozart Soriano Aderaldo, ilustre membro desta Casa<br \/>\nPor justi\u00e7a, engrande\u00e7o-me haver sido precedido, em linha sucess\u00f3ria, por acad\u00eamicos do quilate de C\u00e2ndida Galeno; do poeta Cruz Filho; do m\u00e9dico e intelectual Argos Vasconcelos; e do historiador, intelectual e sacerdote Alberto Nepomuceno de Oliveira, depois professor Alberto Oliveira.<br \/>\nAlberto Oliveira nasceu em Pacatuba, terra natal do acad\u00eamico Eduardo Campos e do Presidente de Honra desta ACL, o pr\u00edncipe dos poetas cearenses, Artur Eduardo Benevides, na lucidez de seus 90 anos.<br \/>\nAlberto Oliveira estudou no Semin\u00e1rio da Prainha. Ali se ordenou padre, em 1949. Depois, formou-se em direito, licenciou-se em filosofia; em sociologia, na It\u00e1lia; em pedagogia, na Fran\u00e7a; e foi a Israel fazer atualiza\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica.<br \/>\nEra, igualmente, mestre da UECE e da Universidade Federal do Cear\u00e1. Escreveu, entre outros, os seguintes livros:<br \/>\n&#8211; Droga, um perigo nacional; Juventude, Crise e Educa\u00e7\u00e3o; Projeto de educa\u00e7\u00e3o Antit\u00f3xico;  Educa\u00e7\u00e3o Libertadora de Paulo Freire; e Resson\u00e2ncias.<br \/>\nF\u00e1cil \u00e9 ressaltar haver na escritura do professor Alberto Oliveira uma preocupa\u00e7\u00e3o objetiva com os jovens brasileiros, hoje a morrer \u00e0s centenas em baladas de fogo. Temos milh\u00f5es deles submergidos nas drogas, um end\u00eamico problema nacional a precisar mais de solu\u00e7\u00f5es e menos de promessas.<br \/>\nAl\u00e9m de toda a sua titula\u00e7\u00e3o merit\u00f3ria e produ\u00e7\u00e3o cultural, o professor Alberto Oliveira teve a coragem, a sensatez e a hombridade de deixar a vida clerical para, como \u00e9 pr\u00f3prio da natureza humana, amar e casar-se com a Sra. Edna Oliveira, aqui presente, e constituir uma fam\u00edlia crist\u00e3, com tr\u00eas filhos, tendo a sua f\u00e9 permanecida intacta. O celibato n\u00e3o \u00e9 dogma de f\u00e9. \u00c9 ordem impositiva.  Por esta quest\u00e3o e intrigas outras, Joseph Ratzinger renunciou. <\/p>\n<p>Caro Acad\u00eamico<br \/>\nVeja como as coincid\u00eancias perseguem esta narrativa. Em um s\u00e1bado, 11 de setembro de 1963, exatamente, na mesma p\u00e1gina, ao lado da minha coluna &#8220;Informes Acad\u00eamicos&#8221;, no Correio do Cear\u00e1 havia um artigo do ent\u00e3o padre Alberto Oliveira, sob o t\u00edtulo: \u201cA eternidade no Presente\u201d. Dele, em certo trecho, l\u00ea-se: \u201ca vida \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o para a morte\u201d. Hoje, quase 50 anos depois, estamos relembrando e celebrando a sua vida.<br \/>\nDe fato, ele j\u00e1 estava preparando a sua eternidade, ou ser imortal, no sentido acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Desculpem, senhoras e senhores, o tempo decorrido. N\u00e3o quis fazer uma hom\u00edlia.<br \/>\nA todos, mesmo assim, pe\u00e7o licen\u00e7a para uma reflex\u00e3o final sobre a pesquisa, de janeiro deste 2013, do Instituto Ibope Media sobre leitura.<\/p>\n<p>Imagine, caro professor e acad\u00eamico S\u00e2nzio de Azevedo.<br \/>\nEntre nove capitais brasileiras, Fortaleza ficou em \u00faltimo lugar em \u00edndice de leitura. Dos entrevistados, somente 23% dos fortalezenses havia lido um livro nos \u00faltimos 30 dias.  No pa\u00eds, como um todo 73% das escolas p\u00fablicas n\u00e3o possuem bibliotecas. A m\u00e9dia de livros lidos por brasileiros \u00e9 de apenas um livro por ano.<br \/>\nCom amargura, o romancista maior e fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, j\u00e1 falava sobre o Brasil do seu tempo afirmando:<br \/>\n\u201cN\u00e3o \u00e9 desprezo pelo que \u00e9 nosso, n\u00e3o \u00e9 desd\u00e9m pelo meu Pa\u00eds. \u2018O pa\u00eds real\u2019, esse \u00e9 bom, revela os melhores instintos. Mas o \u2018pa\u00eds oficial\u2019, esse \u00e9 caricato e burlesco\u201d. <\/p>\n<p>Ilustre acad\u00eamico e professor Genu\u00edno Sales.<br \/>\nS\u00f3 pela educa\u00e7\u00e3o e pela cultura seremos livres e soberanos para cuidar do presente e sonhar num futuro com alv\u00edssaras. \u00c9 tempo, quem sabe, de se diminuir o culto a celebridades, rever as programa\u00e7\u00f5es das emissoras, peritas em deformar a realidade. Talvez repensar os gastos da Petrobras com caravanas de todas<br \/>\nas naturezas e a patrocinar a F\u00f3rmula Um. \u00c9 tempo, sugiro, de mudar e usar esses recursos desperdi\u00e7ados em patroc\u00ednios amistosos, por exemplo, para a refinaria cearense, t\u00e3o prometida e nunca cumprida.<br \/>\n\u00c9 hora de melhorar as escolas p\u00fablicas, adicionar aulas em tempo integral e disseminar a leitura, desde a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<br \/>\nIsto \u00e9 atitude. A cidadania e a cultura do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Devemos, repito, lutar pelo desenvolvimento dos jovens carentes e dos adictos, como desejava o acad\u00eamico Alberto Oliveira, atrav\u00e9s da ajuda a eles pr\u00f3prios e \u00e0s suas fam\u00edlias.<br \/>\n\u00c9 hora do estudo, da informa\u00e7\u00e3o, do conhecimento e da cultura como corol\u00e1rios neste mundo tecnol\u00f3gico &#8211; e pouco cultural &#8211; a exigir qualifica\u00e7\u00e3o para qualquer tarefa ou encargo. A educa\u00e7\u00e3o e a cultura s\u00e3o chaves insubstitu\u00edveis.<br \/>\nA educa\u00e7\u00e3o e a cultura precisam ser protagonistas da Hist\u00f3ria nos nossos dias.<br \/>\nComo dizia o  poeta, ensa\u00edsta e pr\u00eamio Nobel de Literatura, o mexicano Octavio Paz: \u201cLas masas humanas m\u00e1s peligrosas son aquellas en cuyas venas ha sido inyectado el veneno del miedo&#8230; el miedo del cambio&#8221;. &#8220;As massas humanas mais perigosas s\u00e3o aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo&#8230; o medo de mudar\u201d.<br \/>\nN\u00f3s todos n\u00e3o devemos ter medo de mudar o pensar, o refletir e o atuar. N\u00e3o podemos, por privil\u00e9gio, ser insulados e acastelados no bem estar e no saber, cercados de problemas das comunidades carentes. Elas nos observam e clamam por respeito, cuidados e aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\n O Cear\u00e1 do s\u00e9culo 21 brada por educa\u00e7\u00e3o e cultura para ter massa cr\u00edtica, l\u00f3gica nos racioc\u00ednios da maioria e n\u00e3o aceitar o atraso como fad\u00e1rio.<br \/>\nDevemos ser mais abertos, menos personalistas, e mais receptivos.<br \/>\nPor essa raz\u00e3o, quando fui presidente da Academia Fortalezense incentivei a cria\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de academias de letras estudantis, destacando as dos col\u00e9gios Maria Ester, D\u00e1ulia Bringel e Sete de Setembro. Os seus jovens integrantes s\u00e3o parte do futuro  do novo Brasil.<br \/>\nCaro colega Jos\u00e9 Luis Lira, presidente da Academia Sobralense de Letras, a quem pe\u00e7o transmitir aos seus pares o meu apre\u00e7o, especialmente ao acad\u00eamico Pe. Francisco Sadoc, no seu vigor maduro.<br \/>\nDevemos ocluir o olhar sobranceiro e discriminador.<br \/>\n\u00c9 preciso procurar a humildade esquecida e ativar os desejos, as sedes de leitura nos jovens, de aprendizado, de conhecimento, com a aptid\u00e3o de transformar o medo em capacita\u00e7\u00e3o a demandar resili\u00eancia e cidadania plenas.<br \/>\nSenhoras e Senhores.<br \/>\nAgrade\u00e7o, de verdade, a presen\u00e7a das autoridades, dos familiares, dos amigos, dos colegas de faculdades, colegas acad\u00eamicos e, especialmente, \u00e0 diretoria eleita desta ACL e ao presidente Jos\u00e9 Augusto Bezerra, empres\u00e1rio e bibli\u00f3filo, a capitanear esta Casa de letras.<br \/>\nEla vai singrar com nova vela e equilibrado timoneiro os mares abespinhado da cultura.<br \/>\nSaiba, senhor Presidente, vim aqui n\u00e3o por vangl\u00f3ria. Vim para somar for\u00e7as. Conte comigo.<br \/>\nPor fim:<br \/>\nRegistro com respeito, o nosso d\u00edstico: Forti nihil difficile.<br \/>\nPara os fortes nada \u00e9 dif\u00edcil. Unidos, seremos fortes.<br \/>\nDeus nos aben\u00e7oe. Muito obrigado a todos.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\n21\/02\/2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21\/02\/2013<\/p>\n<p>Boa noite a todos.<br \/>\nCaro presidente Jos\u00e9 Augusto Bezerra.<br \/>\nCaro&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.., em nome de quem sa\u00fado todas as autoridades integrantes  da mesa.<br \/>\nQueridos Iracema, minha mulher; Alessandra, minha filha; Luana, minha neta; e irm\u00e3o Jos\u00e9 Caminha de Oliveira, em nome de quem sa\u00fado todos os componentes da minha fam\u00edlia: filhas, irm\u00e3os, netos, genros, sobrinhos e demais parentes. Meus prezados Paulo e Cl\u00e1udio, em nome de quem sa\u00fado os membros da fam\u00edlia Vale.<br \/>\nSenhores membros da Academia Cearense de Letras,<br \/>\nColegas da Academia Fortalezense de Letras, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bibli\u00f3filos do Brasil, do F\u00f3rum de L\u00edderes, da Sociedade Consular, e demais entidades das quais fa\u00e7o parte.<br \/>\nCaros companheiros de trabalho.<br \/>\nColegas das faculdades de direito e administra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAutoridades presentes.<br \/>\nSenhoras e senhores,<br \/>\nReverencio, por justi\u00e7a, todos os membros perecidos desta Academia nas figuras de Nat\u00e9rcia Campos, amiga querida; de Jos\u00e9 Maria Barros Pinho, colega de faculdade, de lutas universit\u00e1rias e de letras; e do Reitor Ant\u00f4nio Martins Filho, um dos maiores empreendedores cearenses de todos os tempos.<br \/>\nConfesso n\u00e3o ser tribuno. Vou falar com a raz\u00e3o molhada pela emo\u00e7\u00e3o. Do jeito como escrevo.<br \/>\nPe\u00e7o, com acatamento, a aten\u00e7\u00e3o a todos. Ou\u00e7am, por favor. Silenciem, se poss\u00edvel.<br \/>\nNesta noite, quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013, na imensid\u00e3o da ab\u00f3bada celeste ainda n\u00e3o de todo desvendada, paira o planeta Terra, no hemisf\u00e9rio sul, no Brasil, no Cear\u00e1, em Fortaleza, com a lua em quarto crescente, quase um plenil\u00fanio. Somos apenas um nano ponto no Universo.<br \/>\nDesde 2000, a United Nations Education, Scientific  and Cultural Organization \u2013 a UNESCO, respons\u00e1vel pela Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancias Naturais, Humanas e Sociais, Cultura, Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o, consagra este mesmo dia 21 de fevereiro como o Dia Internacional da L\u00edngua Materna. Estamos a fazer isto nesta noite solene. Cultuamos a linguagem m\u00e3e, a l\u00edngua de Cam\u00f5es e Machado.<br \/>\nOcupamos agora o centro hist\u00f3rico de Fortaleza, na Rua do Ros\u00e1rio, defronte \u00e0 Igreja dos Homens negros, asilo de segregados pela escravatura envergonhadora.<br \/>\nSantu\u00e1rio esse ressaltado e descrito em tintas pelas pinturas e pelas m\u00fasicas sincopadas no ritmo afro de Descartes Gadelha.<br \/>\nPe\u00e7o licen\u00e7a \u00e0 Acad\u00eamica Beatriz Alc\u00e2ntara, e recorro a Fernando Pessoa, n\u00e3o o do lugar comum. Ele fala: &#8220;Viu-se a terra inteira de repente\/surgiu redonda do azul profundo\u201d.<br \/>\nSomos transit\u00f3rios na vida. Do albor do nascimento ao ocaso da finitude, passamos todos, sem distin\u00e7\u00e3o do saber ou ter.<br \/>\nReverencio os 119 anos desta Academia de Letras. Ela \u00e9, ao mesmo tempo, fortalezense como eu. Ela \u00e9 cearense como j\u00e1 o desejava Thomaz Pompeu a exortar seus coevos a ter \u201ca serenidade de investigadores da verdade\u201d.<br \/>\nReconhecer isso \u00e9 ato de maturidade. A imortalidade, se acontecer, dar-se-\u00e1 p\u00f3s-morte, por conta da futura an\u00e1lise de nossas vidas concretas e das letras escritas.<br \/>\nDizia o fil\u00f3sofo americano Waldo Emerson: \u201cEverything in the universe proceeds by indirection. There are no straight lines&#8221;. &#8220;No Universo tudo procede por vias indiretas. N\u00e3o existem linhas retas\u201d.<br \/>\nAgrade\u00e7o, reconhecido, aos 22 acad\u00eamicos a me honrar com os seus votos. Esta \u00e9 a linha e a via do reconhecimento.<br \/>\nTamb\u00e9m \u00e9 hora de pedir permiss\u00e3o a todas acad\u00eamicas e acad\u00eamicos para sentarmos lado a lado, em fraternidade. A todos. Confreiras e Confrades, os meus respeitos.<br \/>\nV\u00f3s sois a refer\u00eancia da cultura e das letras alencarinas.<br \/>\nAos eleitores dos outros candidatos, agrade\u00e7o igualmente, pois a academia deve primar pela diversidade de pensamento. N\u00e3o o hegem\u00f4nico, e sim o plural e sem preconceitos. <\/p>\n<p>Lembro, cara acad\u00eamica Marly Vasconcelos, ausente por falecimento de pessoa de sua fam\u00edlia.<br \/>\nA cultura e a sociedade cearenses est\u00e3o reunidas, para honra nossa, nesta posse, na cadeira 35, patroneada por Thomaz Pompeu.<br \/>\nEle come\u00e7ou a escrever aos 20 anos, no jornal O Cearense, do qual depois foi dirigente.<\/p>\n<p>Recorro \u00e0 acad\u00eamica \u00c2ngela Gutierrez para falar de seu bisav\u00f4, fundador e primeiro presidente desta casa.  \u00c2ngela, em discurso aqui proferido, quando da comemora\u00e7\u00e3o dos 105 anos da entidade, destacar as suas m\u00faltiplas faces de jornalista, professor, pesquisador de hist\u00f3ria, ge\u00f3grafo, educador, administrador p\u00fablico, pensador, homem de letras e, last but not least, empreendedor.<\/p>\n<p>Sobre essa face singular a sua bisneta refere:<br \/>\n\u201cPor que relembrar o empreendedor, o pioneiro, que fundou a primeira f\u00e1brica de fia\u00e7\u00e3o e tecidos do Norte-Nordeste, atentando para o aproveitamento de nossa voca\u00e7\u00e3o algodoeira, que foi s\u00f3cio majorit\u00e1rio e gerente da primeira Companhia de bondes do Outeiro, que foi fundador e presidente do Banco do Cear\u00e1, do Centro Industrial e da Associa\u00e7\u00e3o Comercial, colaborando para o progresso da terra, na cren\u00e7a de que progresso e ci\u00eancia deveriam andar de m\u00e3os dadas\u201d. <\/p>\n<p>Fica claro e insofism\u00e1vel, caro colega Ednilo So\u00e1rez.<br \/>\nO patrono da cadeira 35, o fundador, Thomaz Pompeu, seu primeiro presidente indicado para dar o nome a esta casa, era um empreendedor.<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico Cid Carvalho.<br \/>\nOuso falar agora na sua viv\u00eancia e dimens\u00e3o espiritual estudada, compreendida e exercida.<br \/>\nEvoque, Senador Cid Carvalho, os seus irm\u00e3os do al\u00e9m e transmita, se cr\u00edvel,  a  Thomaz Pompeu, uma mensagem:<br \/>\nEle foi, por caminhos \u00ednvios, uma refer\u00eancia para mim.<br \/>\nModus in rebus, pe\u00e7o v\u00eania:<br \/>\nEle era formado em Direito. Tamb\u00e9m cursei Direito.<br \/>\nThomaz Pompeu era administrador p\u00fablico. Tamb\u00e9m o fui.<br \/>\nEle era pesquisador de hist\u00f3ria. Procurei s\u00ea-lo ao dirigir, por anos, profissionais de n\u00edvel em diversas \u00e1reas do conhecimento, inclusive hist\u00f3ria e geografia, e dirigir \/ coordenei mais de 20 Planos Diretores de Desenvolvimento Econ\u00f4mico no Nordeste.<br \/>\nAgora, se consegui, \u00e9 outra hist\u00f3ria. Tentei com afinco.<br \/>\nEle grande; eu, apenas um aprendiz.<br \/>\nS\u00e3o estes os meus parcos dotes.<br \/>\nDr. Thomaz Pompeu, posso ocupar a sua cadeira? Tentarei n\u00e3o desapont\u00e1-lo. Ilumine-me.<br \/>\nPor tal raz\u00e3o, caro acad\u00eamico Virg\u00edlio Maia, ele foi douto, exponencial em tudo isso e est\u00e1 no pante\u00e3o desta Casa.<br \/>\nAgora, vou contar como comecei a gostar de livros e da escrita. O meu pai, Francisco Bezerra de Oliveira, foi seminarista franciscano, colega de internato do professor Rebou\u00e7as Macambira, e dali fugiu para casar com Margarida, mo\u00e7a bonita, sobrinha recatada e tutelada pelo Padre Jo\u00e3o Saraiva Le\u00e3o. Viveram juntos por 50 anos. Ele era leitor voraz de romances policiais e comprou de Jos\u00e9 Maia para presentear-me, nos meus 15 anos, uma biblioteca com muitos livros de autores diversos, estantes em madeira e vidro. Em uma delas havia entalhada no frontisp\u00edcio a palavra Atheneu, em homenagem a Raul Pompeia.  Come\u00e7ava a\u00ed o meu noviciado.<br \/>\nEsse menino escrevia di\u00e1rios, lia de forma continuada, ia a cinemas quase todos os dias e possu\u00eda ficha de empr\u00e9stimo de livros na Biblioteca P\u00fablica, ent\u00e3o na Rua Sol\u00f3n Pinheiro, vizinha ao Ibeu, Instituto Brasil Estados Unidos, onde procurava aprender a l\u00edngua inglesa.<br \/>\nAos 16 anos, fui levado por Dorian Sampaio, amigo dileto e colega de verean\u00e7a do meu pai, o j\u00e1 citado Francisco Bezerra de Oliveira, ambos no al\u00e9m-mundo, para falar aos membros do Centro Cultural Humberto de Campos, uma presum\u00edvel dissid\u00eancia do Grupo Cl\u00e3.<\/p>\n<p>N\u00e3o me lembro das minhas palavras. Ouvi, nervoso, palmas e coment\u00e1rios do Dorian e dos seus confrades. Eles diziam: \u201cEsse menino promete\u201d.<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico Juarez Leit\u00e3o<br \/>\nEm seguida, fundei e presidi o Girafa,  um clube de jovens e adultos onde pratic\u00e1vamos esportes, l\u00edamos e debat\u00edamos temas s\u00e9rios em j\u00faris simulados. Lembro at\u00e9 de ter sido defensor de Iscariotes. Ele foi absolvido. Judas, argumentava eu, seria um instrumento para cumprir um des\u00edgnio maior.<br \/>\nO Juiz de direito Jos\u00e9 Carneiro, a me suceder na presid\u00eancia do Girafa, em 23 de junho de 1958, e a historiadora Valdelice Gir\u00e3o, ent\u00e3o integrante do Conselho Superior da entidade, lembram-se dessas folgan\u00e7as. Naquela noite, esteve presente, entre outros, o escritor e poeta Jos\u00e9 Alcides Pinto, conforme relato em tinta preta, na p\u00e1gina 41 do meu di\u00e1rio daquele ano. Guardo-o.<br \/>\n Em novembro de 1962, Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o convida-me para substitu\u00ed-lo na coluna di\u00e1ria \u201cInformes Acad\u00eamicos\u201d, no jornal Correio do Cear\u00e1. Ele viajaria \u00e0 Alemanha para aperfei\u00e7oar-se na l\u00edngua de Goethe. Agradeci e aceitei.<br \/>\n Cara poeta Giselda Medeiros.<br \/>\nTomei gosto pela coluna e, acidentalmente, o jornalismo aproximou-me da Academia Cearense de Letras. Fui um dos divulgadores e um dos  frequentadores do Curso de Arte e Literatura, coordenado pelo professor Artur Eduardo Benevides.<br \/>\n A aula magna de abertura, na noite do dia 12 de outubro de 1963, foi proferida no sal\u00e3o nobre da Reitoria pelo professor Parsifal Barroso sobre a m\u00fasica brasileira, especialmente Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno e Ernesto Nazar\u00e9.<br \/>\nEra o primeiro \u201cflirt\u201d de um jovem universit\u00e1rio com a Casa de Thomaz Pompeu.<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico Dimas Mac\u00eado.<br \/>\nVoltando \u00e0 lide do jornal, o Diretor e empres\u00e1rio jornal\u00edstico Eduardo Campos, cond\u00f4mino dos Di\u00e1rios Associados e industrial, sem preju\u00edzo de suas participa\u00e7\u00f5es nesta Academia e no Instituto do Cear\u00e1, das quais foi presidente, dois anos depois convida-me para escrever outra coluna di\u00e1ria, sobre \u201cAdministra\u00e7\u00e3o e Neg\u00f3cios\u201d.<\/p>\n<p>Foram anos naquele jornal, meu caro Eduardo Augusto. O sal\u00e1rio recebido a cada m\u00eas era importante, pois havia outras tarefas a cumprir. Fazia, ao mesmo tempo, duas faculdades e trabalhava.<br \/>\nDou um pulo no tempo e em outro novembro, este de 2012, o professor Pedro Henrique rides again na minha vida e me provoca: &#8220;Chegou a sua hora. Candidate-se. Estarei ao seu lado&#8221;.<br \/>\nJ\u00e1 havia firmado um princ\u00edpio: n\u00e3o me candidataria \u00e0 Academia em vaga por falecimento de amigo.<br \/>\nO professor Alberto Oliveira era de gera\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 minha. N\u00e3o havia impedimento moral. Inscrevi-me.<br \/>\nOutros tr\u00eas pretendentes tamb\u00e9m o fizeram.<br \/>\nNa campanha usei apenas os Correios, motot\u00e1xis, telefone e a Internet, sem visitar ou importunar a privacidade domiciliar ou profissional dos acad\u00eamicos. Cumprimentei os dignos contendores e os respeitei. Acreditava no meu percurso cultural, nos sete livros j\u00e1 publicados e no apoio denodado de uma pl\u00eaiade de acad\u00eamicos cidad\u00e3os, a partir do poeta Virg\u00edlio Maia.<\/p>\n<p>No dia 29 de janeiro \u00faltimo fui eleito com 22 votos, maioria consagradora e, a partir de hoje, 21 de fevereiro de 2013, conforme contagem rigorosa do acad\u00eamico Murilo Martins, serei o cent\u00e9simo octog\u00e9simo sexto (186\u00ba) integrante desta Casa de Letras. A mais representativa da cultura do Cear\u00e1, Estado hoje com oito e meio milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Cara Acad\u00eamica Regine Limaverde, chegada dos EEUU, v\u00e9spera da elei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSaiba ter sido o acad\u00eamico Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o o condutor desse pleito \u00e1rduo. A posi\u00e7\u00e3o dele foi aberta, decidida e catalisou for\u00e7as. A ele j\u00e1 disse: muito obrigado. Repetirei, agora, por justi\u00e7a e prazer: Danke shoen, Dr. Pedro.     <\/p>\n<p>Deixei por \u00faltimo o agradecimento j\u00e1 feito \u00e0 Iracema Vale, minha mulher. Ela me manteve sereno ao dizer, todos os dias: vai dar certo. Assim o fiz. Assim o foi. A ela, mais uma vez, o meu obrigado. <\/p>\n<p>Insigne acad\u00eamico Napole\u00e3o Nunes Maia.<br \/>\nAgrade\u00e7o seu modo gentil e franco em oferecer-se para saudar-me, desde antes da elei\u00e7\u00e3o, com o posterior agreement da presid\u00eancia.<br \/>\nSou grato por suas doutas palavras. Elas, por sua f\u00e9 de of\u00edcio e trajet\u00f3ria ascendente como advogado, professor universit\u00e1rio, magistrado federal de carreira, hoje ministro de tribunal superior e intelectual, homenageado ontem pelo Tribunal Regional Federal da 5\u00aa. Regi\u00e3o, em Recife, com a mais alta condecora\u00e7\u00e3o, a Medalha da Ordem do M\u00e9rito Pontes de Miranda.<br \/>\nSuas credencias deram visibilidade e fulgor a cada passo do meu singular percurso cultural. Obrigado, acad\u00eamico Napole\u00e3o Maia.<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico Pe. Manfredo Ramos.<br \/>\ntudo na minha vida foi constru\u00eddo com a energia, a f\u00e9 e a coragem recebida dos meus pais, dois vencedores. Educaram nove filhos, todos em col\u00e9gios particulares e com educa\u00e7\u00e3o superior.<br \/>\nTive a coragem, cedo despertada, para a inquietude, a aprender n\u00e3o o usual e sim o in\u00e9dito. Germinar id\u00e9ias e realiz\u00e1-las. Aprendi isso em uma fam\u00edlia com destemor e unida. Dona Margarida, minha m\u00e3e, aos 93 anos, \u00e9 de uma intelig\u00eancia e presen\u00e7a de esp\u00edrito not\u00e1veis.<br \/>\nVou contar um epis\u00f3dio recente: v\u00e9spera do \u00faltimo Natal, perguntei-lhe: &#8220;Qual vai ser o meu presente?&#8221; Ela respondeu de bate pronto: &#8220;Podem ser as minhas mazelas?&#8221; Ela \u00e9 assim.  Se sou incisivo, \u00e9 gen\u00e9tico. Meu pai dizia: &#8220;Seja simples. N\u00e3o se curve a ningu\u00e9m&#8221;.<br \/>\nCumpri o prometido, meu pai.<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico Mauro Benevides, a quem agrade\u00e7o o registro desta solenidade nos anais do Congresso Nacional.<br \/>\nSou impetuoso por ser vision\u00e1rio, e isso eu descobri lendo, estudando, aprendendo a escrever, admitindo erros, e pesquisando aqui e por continentes afora em viagens de trabalho, treinamento, cursos, semin\u00e1rios, congressos, palestras e debates com professores.<br \/>\nFa\u00e7o tudo do meu jeito meio sem jeito. N\u00e3o uso a vida como artimanha. Penso ser obrigat\u00f3ria a discri\u00e7\u00e3o pessoal no agir e no servir. Recolhi de Miguel de Cervantes, no cl\u00e1ssico Dom Quixote, o ensinamento: \u201cNo puede haber gracia donde no hay discrici\u00f3n&#8221;. N\u00e3o pode haver encanto onde n\u00e3o h\u00e1 discri\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nSe desejei empreender, ler, viajar, escrever e estudar, n\u00e3o foi trabalho. Foi prazer.  Sonho empenhado e cumprido.<br \/>\nCaro acad\u00eamico Batista de Lima,<br \/>\nAcreditava e ainda creio: a cada dia a minha vida se encerra e recome\u00e7a na alvorada seguinte. Por tal raz\u00e3o, concordo com Fran\u00e7ois-Ren\u00e9 de Chateaubriand, nascido em Saint-Malo, cidade pequena e linda, quando dizia: \u201cTous mes jours son des adieux&#8221;. &#8220;Todos os meus dias s\u00e3o adeuses.\u201d<\/p>\n<p>Caro acad\u00eamico e Professor Em\u00e9rito Paulo Bonavides, de quem fui aluno em tr\u00eas momentos distintos: na Escola de Administra\u00e7\u00e3o, no bacharelado e, depois, na p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o da Faculdade de Direito da UFC. Sua presen\u00e7a \u00e9 um voto de confian\u00e7a. Honr\u00e1-lo-ei.<br \/>\nVolto a falar de seu colega e estudioso da ci\u00eancia pol\u00edtica, o professor Parsifal Barroso.<br \/>\n(Destaco as presen\u00e7as do seu filho R\u00e9gis Filho, meu colega na Faculdade de Direito e Igor Barroso seu neto).<br \/>\nEle era governador e s\u00f3 possu\u00eda um carro de representa\u00e7\u00e3o. Por conta disso dei-lhe carona, v\u00e1rias vezes, em meu simpl\u00f3rio Anglia. O amigo Rui Filgueiras Lima era guapo oficial de gabinete do governador.<\/p>\n<p>Senhoras e Senhores.<br \/>\nIlustre Corregedora da Procuradoria Geral do Estado Cl\u00e1udia Martins.<br \/>\nEste Pal\u00e1cio da Luz era um pr\u00f3prio do Estado e foi gra\u00e7as \u00e0 aud\u00e1cia e perseveran\u00e7a da peti\u00e7\u00e3o bem instru\u00edda do acad\u00eamico e presidente da ACL, o not\u00e1rio Cl\u00e1udio Martins, para aparecer um empreendedor e administrador, Tasso Ribeiro Jereissati, no exerc\u00edcio do Governo do Cear\u00e1, com descortino para do\u00e1-lo, em 1989, \u00e0 Academia Cearense de Letras, ent\u00e3o asfixiada em salas do Edif\u00edcio Pal\u00e1cio Progresso. <\/p>\n<p>Cara acad\u00eamica Noemi Elisa Aderaldo, sobrinha do meu professor, Mozart Soriano Aderaldo, ilustre membro desta Casa<br \/>\nPor justi\u00e7a, engrande\u00e7o-me haver sido precedido, em linha sucess\u00f3ria, por acad\u00eamicos do quilate de C\u00e2ndida Galeno; do poeta Cruz Filho; do m\u00e9dico e intelectual Argos Vasconcelos; e do historiador, intelectual e sacerdote Alberto Nepomuceno de Oliveira, depois professor Alberto Oliveira.<br \/>\nAlberto Oliveira nasceu em Pacatuba, terra natal do acad\u00eamico Eduardo Campos e do Presidente de Honra desta ACL, o pr\u00edncipe dos poetas cearenses, Artur Eduardo Benevides, na lucidez de seus 90 anos.<br \/>\nAlberto Oliveira estudou no Semin\u00e1rio da Prainha. Ali se ordenou padre, em 1949. Depois, formou-se em direito, licenciou-se em filosofia; em sociologia, na It\u00e1lia; em pedagogia, na Fran\u00e7a; e foi a Israel fazer atualiza\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica.<br \/>\nEra, igualmente, mestre da UECE e da Universidade Federal do Cear\u00e1. Escreveu, entre outros, os seguintes livros:<br \/>\n&#8211; Droga, um perigo nacional; Juventude, Crise e Educa\u00e7\u00e3o; Projeto de educa\u00e7\u00e3o Antit\u00f3xico;  Educa\u00e7\u00e3o Libertadora de Paulo Freire; e Resson\u00e2ncias.<br \/>\nF\u00e1cil \u00e9 ressaltar haver na escritura do professor Alberto Oliveira uma preocupa\u00e7\u00e3o objetiva com os jovens brasileiros, hoje a morrer \u00e0s centenas em baladas de fogo. Temos milh\u00f5es deles submergidos nas drogas, um end\u00eamico problema nacional a precisar mais de solu\u00e7\u00f5es e menos de promessas.<br \/>\nAl\u00e9m de toda a sua titula\u00e7\u00e3o merit\u00f3ria e produ\u00e7\u00e3o cultural, o professor Alberto Oliveira teve a coragem, a sensatez e a hombridade de deixar a vida clerical para, como \u00e9 pr\u00f3prio da natureza humana, amar e casar-se com a Sra. Edna Oliveira, aqui presente, e constituir uma fam\u00edlia crist\u00e3, com tr\u00eas filhos, tendo a sua f\u00e9 permanecida intacta. O celibato n\u00e3o \u00e9 dogma de f\u00e9. \u00c9 ordem impositiva.  Por esta quest\u00e3o e intrigas outras, Joseph Ratzinger renunciou. <\/p>\n<p>Caro Acad\u00eamico<br \/>\nVeja como as coincid\u00eancias perseguem esta narrativa. Em um s\u00e1bado, 11 de setembro de 1963, exatamente, na mesma p\u00e1gina, ao lado da minha coluna &#8220;Informes Acad\u00eamicos&#8221;, no Correio do Cear\u00e1 havia um artigo do ent\u00e3o padre Alberto Oliveira, sob o t\u00edtulo: \u201cA eternidade no Presente\u201d. Dele, em certo trecho, l\u00ea-se: \u201ca vida \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o para a morte\u201d. Hoje, quase 50 anos depois, estamos relembrando e celebrando a sua vida.<br \/>\nDe fato, ele j\u00e1 estava preparando a sua eternidade, ou ser imortal, no sentido acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Desculpem, senhoras e senhores, o tempo decorrido. N\u00e3o quis fazer uma hom\u00edlia.<br \/>\nA todos, mesmo assim, pe\u00e7o licen\u00e7a para uma reflex\u00e3o final sobre a pesquisa, de janeiro deste 2013, do Instituto Ibope Media sobre leitura.<\/p>\n<p>Imagine, caro professor e acad\u00eamico S\u00e2nzio de Azevedo.<br \/>\nEntre nove capitais brasileiras, Fortaleza ficou em \u00faltimo lugar em \u00edndice de leitura. Dos entrevistados, somente 23% dos fortalezenses havia lido um livro nos \u00faltimos 30 dias.  No pa\u00eds, como um todo 73% das escolas p\u00fablicas n\u00e3o possuem bibliotecas. A m\u00e9dia de livros lidos por brasileiros \u00e9 de apenas um livro por ano.<br \/>\nCom amargura, o romancista maior e fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, j\u00e1 falava sobre o Brasil do seu tempo afirmando:<br \/>\n\u201cN\u00e3o \u00e9 desprezo pelo que \u00e9 nosso, n\u00e3o \u00e9 desd\u00e9m pelo meu Pa\u00eds. \u2018O pa\u00eds real\u2019, esse \u00e9 bom, revela os melhores instintos. Mas o \u2018pa\u00eds oficial\u2019, esse \u00e9 caricato e burlesco\u201d. <\/p>\n<p>Ilustre acad\u00eamico e professor Genu\u00edno Sales.<br \/>\nS\u00f3 pela educa\u00e7\u00e3o e pela cultura seremos livres e soberanos para cuidar do presente e sonhar num futuro com alv\u00edssaras. \u00c9 tempo, quem sabe, de se diminuir o culto a celebridades, rever as programa\u00e7\u00f5es das emissoras, peritas em deformar a realidade. Talvez repensar os gastos da Petrobras com caravanas de todas<br \/>\nas naturezas e a patrocinar a F\u00f3rmula Um. \u00c9 tempo, sugiro, de mudar e usar esses recursos desperdi\u00e7ados em patroc\u00ednios amistosos, por exemplo, para a refinaria cearense, t\u00e3o prometida e nunca cumprida.<br \/>\n\u00c9 hora de melhorar as escolas p\u00fablicas, adicionar aulas em tempo integral e disseminar a leitura, desde a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<br \/>\nIsto \u00e9 atitude. A cidadania e a cultura do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Devemos, repito, lutar pelo desenvolvimento dos jovens carentes e dos adictos, como desejava o acad\u00eamico Alberto Oliveira, atrav\u00e9s da ajuda a eles pr\u00f3prios e \u00e0s suas fam\u00edlias.<br \/>\n\u00c9 hora do estudo, da informa\u00e7\u00e3o, do conhecimento e da cultura como corol\u00e1rios neste mundo tecnol\u00f3gico &#8211; e pouco cultural &#8211; a exigir qualifica\u00e7\u00e3o para qualquer tarefa ou encargo. A educa\u00e7\u00e3o e a cultura s\u00e3o chaves insubstitu\u00edveis.<br \/>\nA educa\u00e7\u00e3o e a cultura precisam ser protagonistas da Hist\u00f3ria nos nossos dias.<br \/>\nComo dizia o  poeta, ensa\u00edsta e pr\u00eamio Nobel de Literatura, o mexicano Octavio Paz: \u201cLas masas humanas m\u00e1s peligrosas son aquellas en cuyas venas ha sido inyectado el veneno del miedo&#8230; el miedo del cambio&#8221;. &#8220;As massas humanas mais perigosas s\u00e3o aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo&#8230; o medo de mudar\u201d.<br \/>\nN\u00f3s todos n\u00e3o devemos ter medo de mudar o pensar, o refletir e o atuar. N\u00e3o podemos, por privil\u00e9gio, ser insulados e acastelados no bem estar e no saber, cercados de problemas das comunidades carentes. Elas nos observam e clamam por respeito, cuidados e aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\n O Cear\u00e1 do s\u00e9culo 21 brada por educa\u00e7\u00e3o e cultura para ter massa cr\u00edtica, l\u00f3gica nos racioc\u00ednios da maioria e n\u00e3o aceitar o atraso como fad\u00e1rio.<br \/>\nDevemos ser mais abertos, menos personalistas, e mais receptivos.<br \/>\nPor essa raz\u00e3o, quando fui presidente da Academia Fortalezense incentivei a cria\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de academias de letras estudantis, destacando as dos col\u00e9gios Maria Ester, D\u00e1ulia Bringel e Sete de Setembro. Os seus jovens integrantes s\u00e3o parte do futuro  do novo Brasil.<br \/>\nCaro colega Jos\u00e9 Luis Lira, presidente da Academia Sobralense de Letras, a quem pe\u00e7o transmitir aos seus pares o meu apre\u00e7o, especialmente ao acad\u00eamico Pe. Francisco Sadoc, no seu vigor maduro.<br \/>\nDevemos ocluir o olhar sobranceiro e discriminador.<br \/>\n\u00c9 preciso procurar a humildade esquecida e ativar os desejos, as sedes de leitura nos jovens, de aprendizado, de conhecimento, com a aptid\u00e3o de transformar o medo em capacita\u00e7\u00e3o a demandar resili\u00eancia e cidadania plenas.<br \/>\nSenhoras e Senhores.<br \/>\nAgrade\u00e7o, de verdade, a presen\u00e7a das autoridades, dos familiares, dos amigos, dos colegas de faculdades, colegas acad\u00eamicos e, especialmente, \u00e0 diretoria eleita desta ACL e ao presidente Jos\u00e9 Augusto Bezerra, empres\u00e1rio e bibli\u00f3filo, a capitanear esta Casa de letras.<br \/>\nEla vai singrar com nova vela e equilibrado timoneiro os mares abespinhado da cultura.<br \/>\nSaiba, senhor Presidente, vim aqui n\u00e3o por vangl\u00f3ria. Vim para somar for\u00e7as. Conte comigo.<br \/>\nPor fim:<br \/>\nRegistro com respeito, o nosso d\u00edstico: Forti nihil difficile.<br \/>\nPara os fortes nada \u00e9 dif\u00edcil. Unidos, seremos fortes.<br \/>\nDeus nos aben\u00e7oe. Muito obrigado a todos.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\n21\/02\/2013<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2623","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2623"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2623\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}