{"id":2624,"date":"2023-12-21T09:10:25","date_gmt":"2023-12-21T12:10:25","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/anotacoes-para-o-discurso-na-acl-fevereiro-de-2013\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:25","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:25","slug":"anotacoes-para-o-discurso-na-acl-fevereiro-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/anotacoes-para-o-discurso-na-acl-fevereiro-de-2013\/","title":{"rendered":"ANOTA\u00c7\u00d5ES PARA O DISCURSO NA ACL \u2013 FEVEREIRO DE 2013"},"content":{"rendered":"<p>Boa noite a todos.<br \/>\nCaro presidente Jos\u00e9 Augusto Bezerra.<br \/>\nCaro&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.., em nome de quem sa\u00fado todas as autoridades integrantes da mesa.<br \/>\nQuerida &#8230;&#8230;, em nome de quem sa\u00fado todos os integrantes da minha fam\u00edlia: Iracema, minha mulher, irm\u00e3os, filhas, genros, netos, sobrinhos e demais parentes.<br \/>\nSenhores membros da Academia Cearense de Letras<br \/>\nColegas da Academia Fortalezense de Letras, do Forum de L\u00edderes, da Sociedade Consular, e demais entidades das quais fa\u00e7o parte.<br \/>\nCaros companheiros de trabalho<br \/>\nColegas de escolas e das faculdades de direito e administra\u00e7\u00e3o,<br \/>\nAmigos e amigas,<br \/>\nAutoridades presentes,<br \/>\nSenhoras e senhores,<br \/>\nReverencio, por justi\u00e7a, todos os membros perecidos desta Academia nas figuras de Nat\u00e9rcia Campos, amiga querida; de Jos\u00e9 Maria Barros Pinho, colega de faculdade, de lutas universit\u00e1rias e de letras; e de Ant\u00f4nio Martins Filho, um dos maiores cearenses de todos os tempos.<br \/>\nNesta noite, na imensid\u00e3o da ab\u00f3bada celeste ainda n\u00e3o de todo desvendada, paira o planeta Terra, no hemisf\u00e9rio sul, no Brasil, no Cear\u00e1, em Fortaleza, com a lua em quarto crescente, quase um plenil\u00fanio. Somos apenas um nano ponto no Universo.<br \/>\nEstamos no centro hist\u00f3rico, na Rua do Ros\u00e1rio, defronte \u00e0 Igreja dos Homens negros, asilo de segregados pela escravatura envergonhadora.<br \/>\nSantu\u00e1rio esse ressaltado e descrito em tintas pelas pinturas e pelas m\u00fasicas em ritmo afro de Descartes Gadelha.<br \/>\nRecorro, pedindo licen\u00e7a \u00e0 Beatriz Alc\u00e2ntara, a algo desusado de Fernando Pessoa: &#8220;Viu-se a terra inteira de repente\/surgiu redonda do azul profundo\u201d.<br \/>\nSomos transit\u00f3rios na vida. Do albor do nascimento ao ocaso da finitude, passamos todos, sem distin\u00e7\u00e3o de saber ou ter.<br \/>\nReconhecer isso \u00e9 ato de maturidade. A imortalidade, se acontecer, dar-se-\u00e1, p\u00f3s-morte, por conta da futura an\u00e1lise de nossas vidas concretas e das letras escritas.<\/p>\n<p>Dizia o fil\u00f3sofo americano Waldo Emerson: \u201cEverything in the universe proceeds by indirection. There are no straight lines&#8221;.  &#8220;No Universo tudo procede por vias indiretas. N\u00e3o existem linhas retas\u201d.<br \/>\n Seguindo o desaviso do existir: Agora \u00e9 hora de agradecer, reconhecido, aos 22 acad\u00eamicos que me honraram com os seus votos. Aos eleitores dos outros candidatos, agrade\u00e7o tamb\u00e9m, pois a academia deve primar pela diversidade de pensamento. N\u00e3o o hegem\u00f4nico, mas plural e sem preconceitos. A Cearense est\u00e1 ao meu olhar, acima de elucubra\u00e7\u00f5es e questi\u00fanculas. Se assim o fosse, n\u00e3o se sustentaria longeva e altaneira nos seus 119 anos.<\/p>\n<p>Confesso n\u00e3o ser orador. Mas s\u00f3 leio o que escrevo.  Sem essa de ghost writer. Bastam os meus desacertos.<br \/>\nAos 16 anos, um menino foi levado por Dorian Sampaio, amigo e colega de verean\u00e7a do meu pai, Francisco Bezerra de Oliveira, ambos no al\u00e9m-mundo, para falar aos membros do Centro Cultural Humberto de Campos, uma prov\u00e1vel dissid\u00eancia do Grupo Cl\u00e3.<br \/>\nN\u00e3o me lembro das minhas palavras, mas ouvi, nervoso, palmas e coment\u00e1rios do Dorian e dos seus confrades. Eles diziam: \u201cEsse menino promete\u201d.<br \/>\nEm seguida, fundei e presidi o Girafa, Grupo de Instru\u00e7\u00e3o e Recrea\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica de F\u00e1tima, onde se praticava esportes e debat\u00edamos temas s\u00e9rios em juris simulados. Lembro de ter sido defensor de Judas Iscariotes. Ele foi absolvido. Judas, argumentava eu, seria um instrumento para cumprir um des\u00edgnio maior.<br \/>\nO Juiz de direito Jos\u00e9 Carneiro e a historiadora Valdelice Gir\u00e3o lembram-se desse tempo de folgan\u00e7as.<br \/>\nEsse jovem j\u00e1 escrevia di\u00e1rios, lia de forma continuada, ia a cinemas quase todos os dias e possu\u00eda ficha de empr\u00e9stimo de livros na Biblioteca P\u00fablica, ent\u00e3o na Rua Solon Pinheiro, vizinha ao Ibeu, Instituto Brasil Estados Unidos, onde procurava aprender a l\u00edngua inglesa.<br \/>\nAnos v\u00e3o passando. Um dia, um professor desse mesmo Ibeu, o acad\u00eamico de medicina Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o, meu primo, em segundo grau, fez-me uma proposta.<br \/>\nExplico, antes, o parentesco: o  pai dele, o Dr. Pio Saraiva Le\u00e3o, era irm\u00e3o de Luiza Saraiva Caminha, minha av\u00f3 e aluna premiada do Col\u00e9gio Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Voltando ao fio.  Ele, o Pedro, convidava-me para substitu\u00ed-lo na escrita di\u00e1ria da coluna \u201cInformes Acad\u00eamicos\u201d, no jornal Correio do Cear\u00e1, pois viajaria \u00e0 Alemanha para aperfei\u00e7oar-se na l\u00edngua de Goethe. Aceitei e contra\u00ed gosto pelo of\u00edcio.<br \/>\nPor conta dele, minha cara professora Beatriz Alc\u00e2ntara, pude divulgar e participar de curso de arte e literatura promovido pela Academia Cearense de Letras, coordenado pelo professor Artur Eduardo Benevides. Era 1963.<br \/>\nLembro, cara acad\u00eamica Marly Vasconcelos, que devo falar de Thomaz Pompeu, o patrono da cadeira 35.  Ele tamb\u00e9m come\u00e7ou a escrever, aos 20 anos, no jornal O Cearense, do qual depois foi dirigente.<br \/>\nA cultura e a sociedade cearenses est\u00e3o, para honra minha, juntas para esta posse, na cadeira 35, patroneada por Thomaz Pompeu.<br \/>\nRecorro \u00e0 acad\u00eamica \u00c2ngela Gutierrez para falar de seu bisav\u00f4, fundador e primeiro presidente desta casa.  \u00c2ngela exortou, em discurso aqui proferido, quando da comemora\u00e7\u00e3o dos 105 anos da entidade, as m\u00faltiplas faces dele.<br \/>\n Uma delas \u00e9 citada:<br \/>\n\u201cPor que relembrar o empreendedor, o pioneiro, que fundou a primeira f\u00e1brica de fia\u00e7\u00e3o e tecidos do Norte-Nordeste, atentando para o aproveitamento de nossa voca\u00e7\u00e3o algodoeira, que foi s\u00f3cio majorit\u00e1rio e gerente da primeira Companhia de bondes do Outeiro, que foi fundador e presidente do Banco do Cear\u00e1, do Centro Industrial e da Associa\u00e7\u00e3o Comercial, colaborando para o progresso da terra, na cren\u00e7a de que progresso e ci\u00eancia deveriam andar de m\u00e3os dadas\u201d. Fica claro e insofism\u00e1vel, caro colega Ednilo So\u00e1rez:<\/p>\n<p>O fundador, Thomaz Pompeu, primeiro presidente indicado para dar o nome a esta casa, era um empreendedor.<br \/>\nModus in rebus, continuo:<br \/>\nEle era formado em Direito. Tamb\u00e9m cursei Direito.<br \/>\nEla era administrador p\u00fablico. Tamb\u00e9m j\u00e1 o fui.<br \/>\nEle era pesquisador de hist\u00f3ria. Procurei s\u00ea-lo ao dirigir profissionais de n\u00edvel em diversas \u00e1reas do conhecimento e coordenar mais de 20 Planos Diretores de Desenvolvimento Econ\u00f4mico no Nordeste.<br \/>\nSe consegui, \u00e9 outra hist\u00f3ria.<br \/>\n Thomaz Pompeu foi douto e exponencial em tudo isso.<br \/>\nPor tal raz\u00e3o, meu caro acad\u00eamico Virg\u00edlio Maia, ele est\u00e1 no pante\u00e3o desta casa. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s dois anos, o Diretor Geral e empres\u00e1rio jornal\u00edstico Eduardo Campos, cond\u00f4mino dos Di\u00e1rios Associados e industrial, sem preju\u00edzo de sua atividade acad\u00eamica nesta casa e no Instituto do Cear\u00e1, convida-me para escrever outra coluna, sobre \u201cAdministra\u00e7\u00e3o e Neg\u00f3cios\u201d. Foram anos naquele jornal, meu caro Eduardo Augusto. O sal\u00e1rio recebido a cada m\u00eas era importante, pois havias outras tarefas a impender. Fazia, ao mesmo tempo, duas faculdades e trabalhava.<br \/>\nTive a coragem, cedo despertada, para a inquietude, a aprender n\u00e3o o usual, mas o in\u00e9dito, a n\u00e3o copiar ideias, mas cri\u00e1-las. Aprendi isso em fam\u00edlia. Dona Margarida, minha m\u00e3e, aos 93 anos, \u00e9 de uma intelig\u00eancia e presen\u00e7a de esp\u00edrito not\u00e1veis.<br \/>\nV\u00e9spera do \u00faltimo Natal, perguntei-lhe: &#8220;Qual ser\u00e1 o meu presente?&#8221; Ela respondeu de bate-pronto: &#8220;Podem ser as minhas mazelas?&#8221; Se sou incisivo \u00e9 gen\u00e9tico. <\/p>\n<p>Em novembro de 2012, o professor Pedro Henrique rides again e me provoca: &#8220;Chegou a sua hora. Candidate-se. Estarei ao seu lado&#8221;.<\/p>\n<p>Nesta campanha usei apenas o telefone, os Correios\/motoboy e a Internet, sem visitar ou importunar a privacidade domiciliar ou profissional dos acad\u00eamicos, sem denegrir, cumprimentando os tr\u00eas dignos contendores, mas acreditando no meu percurso e no apoio denodado de uma pl\u00eaiade de acad\u00eamicos cidad\u00e3os, a partir de Virg\u00edlio Maia.<\/p>\n<p> No dia 29 de janeiro \u00faltimo fui eleito com 22 votos, maioria consagradora e, a partir de hoje, 21 de fevereiro de 2013, conforme contagem rigorosa do acad\u00eamico Murilo Martins, serei o cent\u00e9simo octog\u00e9simo sexto (186\u00ba.) Integrante desta Casa de Letras. A mais representativa da cultura do Cear\u00e1, Estado hoje com oito e meio milh\u00f5es de habitantes.<br \/>\nCara Acad\u00eamica Regine Limaverde, chegada dos EEUU, v\u00e9spera da elei\u00e7\u00e3o, saiba ter sido o acad\u00eamico Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o, o condutor maior desse pleito \u00e1rduo. Sua posi\u00e7\u00e3o foi aberta, decidida e catalisou for\u00e7as.<br \/>\n A ele j\u00e1 disse: muito obrigado. O que repetirei, agora, por justi\u00e7a e prazer: Obrigado, Dr. Pedro.  <\/p>\n<p>Por \u00faltimo, gostaria de tornar p\u00fablico o agradecimento j\u00e1 feito \u00e0 minha mulher, Iracema Vale. Ela me manteve calmo ao dizer, todos os dia: vai dar certo. Assim o fiz. Assim o foi. A ela, mais uma vez, o meu obrigado. <\/p>\n<p>O SAUDADOR<br \/>\nInsigne acad\u00eamico Napole\u00e3o Nunes Maia,<br \/>\nAgrade\u00e7o seu modo gentil e franco em oferecer-se, desde antes da elei\u00e7\u00e3o, com o posterior agreement da presid\u00eancia.<br \/>\nSou grato por suas doutas palavras. Elas, por sua f\u00e9 de of\u00edcio e trajet\u00f3ria ascendente como professor, magistrado de tribunal superior e intelectual, deram visibilidade e fulgor a cada passo do meu percurso cultural. Obrigado, acad\u00eamico Napole\u00e3o Maia.<br \/>\nCaro acad\u00eamico, fil\u00f3sofo, sacerdote e professor Manfredo Ramos, tudo na minha vida foi constru\u00eddo com a energia, a f\u00e9 e a coragem recebida dos meus pais, dois vencedores. Educaram nove filhos todos com educa\u00e7\u00e3o superior.<br \/>\nSou arrojado por ser vision\u00e1rio, e isso eu descobri estudando e pesquisando aqui e por continentes afora em viagens de trabalho, treinamento, cursos, semin\u00e1rios, congressos, palestras e debates com professores, em livros e peri\u00f3dicos.<br \/>\nFa\u00e7o tudo do meu jeito meio sem jeito. N\u00e3o uso a vida como artimanha. Penso ser a discri\u00e7\u00e3o no agir. Recolhi de Miguel de Cervantes, no cl\u00e1ssico Dom Quixote, o ensinamento: \u201cNo puede haber gracia donde no hay discrici\u00f3n&#8221;. &#8220;N\u00e3o pode haver alegria onde n\u00e3o h\u00e1 discri\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\n Se desejei empreender, ler, escrever e estudar, n\u00e3o foi trabalho, mas prazer.  Foi sonho empenhado e cumprido.<\/p>\n<p>SENHORAS E SENHORES,<br \/>\nAcreditava e ainda creio: a cada dia a minha vida se encerra e recome\u00e7a na alvorada seguinte. Por tal raz\u00e3o, concordo com Frederick de Chateaubriand quando dizia: \u201cTous mes jours son des adieux&#8221;. &#8220;Todos os meus dias s\u00e3o adeuses.\u201d<br \/>\nO destino, Deus ou algo insond\u00e1vel, d\u00e3o voltas. A este ent\u00e3o Pal\u00e1cio do Governo acorri muitas vezes na juventude.<br \/>\n O meu professor Parsifal Barroso era o governador e s\u00f3 possu\u00eda um carro de representa\u00e7\u00e3o, o G-1, com outras miss\u00f5es a rodar. Por conta disso dei-lhe carona, v\u00e1rias vezes, em meu Anglia. O douto professor Parsifal o chamava de \u201cGaforinga\u201d. O amigo Rui Filgueiras Lima, aqui presente, era guapo oficial de gabinete do governador.<\/p>\n<p>SENHORAS E SENHORES,<br \/>\nIlustre Procuradora Cl\u00e1udia Martins,<br \/>\nEste Pal\u00e1cio da Luz era um pr\u00f3prio do Estado e foi preciso, gra\u00e7as \u00e0 aud\u00e1cia e perseveran\u00e7a da peti\u00e7\u00e3o bem instru\u00edda do acad\u00eamico e presidente da ACL, o not\u00e1rio Cl\u00e1udio Martins, para surgir um empreendedor, Tasso Ribeiro Jereissati, no exerc\u00edcio do Governo do Cear\u00e1, com descortino para do\u00e1-lo, em 1989, \u00e0 Academia Cearense de Letras, ent\u00e3o asfixiada em salas do Edif\u00edcio Pal\u00e1cio Progresso.<br \/>\nQue os nossos governantes e legisladores destinem parte dos recursos de or\u00e7amentos e verbas de emendas para o restauro indispens\u00e1vel ao funcionamento desta Academia Cearense de Letras, monumento hist\u00f3rico tombado de ampla visita\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Os antecessores na Cadeira<br \/>\nPor justi\u00e7a, engrande\u00e7o-me haver sido precedido, em linha sucess\u00f3ria, por acad\u00eamicos do quilate de C\u00e2ndida Galeno, do poeta Cruz Filho, do m\u00e9dico e intelectual Argos Vasconcelos e, historiador, intelectual e sacerdote, Alberto Nepomuceno de Oliveira, depois professsor Alberto Oliveira.<br \/>\nAlberto Oliveira nasceu em Pacatuba, terra natal do acad\u00eamico Eduardo Campos e do Presidente de Honra desta ACL, o pr\u00edncipe dos poetas cearenses, Artur Eduardo Benevides, na lucidez de seus 90 anos.<br \/>\nAlberto Oliveira estudou no Semin\u00e1rio da Prainha. Ali se ordenou padre, em 1949. Depois, formou-se em direito, licenciou-se em filosofia; em sociologia, na It\u00e1lia; em pedagogia, na Fran\u00e7a; e foi a Israel para fazer atualiza\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica.<br \/>\nEra, igualmente, mestre da UECE e da Universidade Federal do Cear\u00e1. Escreveu, entre outros, os seguintes livros:<br \/>\n&#8211; Droga, um perigo nacional<br \/>\n&#8211; Juventude, Crise e Educa\u00e7\u00e3o<br \/>\n&#8211; Projeto de educa\u00e7\u00e3o Anti-T\u00f3xico<br \/>\n&#8211; Educa\u00e7\u00e3o Libertadora de Paulo Freire<br \/>\n&#8211; Resson\u00e2ncias<br \/>\nF\u00e1cil \u00e9 ressaltar haver na escritura do professor Alberto Oliveira uma preocupa\u00e7\u00e3o objetiva com os jovens brasileiros, hoje a morrer \u00e0s centenas em baladas de fogo e milh\u00f5es submergidos nas drogas, um end\u00eamico problema nacional a precisar mais de solu\u00e7\u00f5es e menos de promessas.<br \/>\nAl\u00e9m de toda a sua titula\u00e7\u00e3o merit\u00f3ria e produ\u00e7\u00e3o cultural, o professor Alberto Oliveira teve a coragem, a sensatez e a hombridade de deixar a vida clerical para, como \u00e9 pr\u00f3prio da natureza humana, amar e casar-se com xxxxxxxxxxxxx, aqui presente, e constituir uma fam\u00edlia crist\u00e3, tendo a sua f\u00e9 permanecido intacta.<br \/>\nVeja como as coincid\u00eancias perseguem esta narrativa. Em um s\u00e1bado, 11 de setembro de 1963, exatamente, na mesma p\u00e1gina, ao lado de minha coluna &#8220;Informes Acad\u00eamicos&#8221;, no Correio do Cear\u00e1 havia um artigo do ent\u00e3o padre Alberto Oliveira, sob o t\u00edtulo: \u201cA eternidade no Presente\u201d.   Dele, em certo trecho, l\u00ea-se: \u201ca vida \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o para a morte\u201d. Hoje, quase 50 anos depois, estamos relembrando e celebrando a sua vida.<br \/>\nDe fato, ele j\u00e1 estava preparando a sua eternidade, ou imortalidade, no sentido acad\u00eamico.<\/p>\n<p>SENHORAS E SENHORAS, ESTOU QUASE A CONCLUIR.<br \/>\nDesculpem, senhoras e senhores, o tempo que lhes tomo. N\u00e3o quis fazer uma hom\u00edlia.  A todos, mesmo assim, pe\u00e7o ainda paci\u00eancia para uma reflex\u00e3o final sobre a pesquisa de janeiro deste 2013 do Instituto Ibope Media sobre leitura.<br \/>\nEntre nove capitais brasileiras, Fortaleza ficou em \u00faltimo lugar em \u00edndice de leitura. Dos entrevistados, somente 23% dos fortalezenses havia lido um livro nos \u00faltimos 30 dias.  No pa\u00eds, como um todo, 73% das escolas p\u00fablicas n\u00e3o possuem bibliotecas.<br \/>\nCom amargura, o nosso romancista maior e fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, falando sobre o Brasil do seu tempo, dizia:<br \/>\n\u201cN\u00e3o \u00e9 desprezo pelo que \u00e9 nosso, n\u00e3o \u00e9 desd\u00e9m pelo meu Pa\u00eds. \u2018O pa\u00eds real\u2019, esse \u00e9 bom, revela os melhores instintos. Mas o \u2018pa\u00eds oficial\u2019, esse \u00e9 caricato e burlesco\u201d.<br \/>\n Agora, falo eu : Esta na\u00e7\u00e3o precisa deixar de ser o pa\u00eds do jeitinho, do compadrio, de elei\u00e7\u00f5es a cada dois anos, do nepotismo disfar\u00e7ado e tomar consci\u00eancia: s\u00f3 pela educa\u00e7\u00e3o e pela cultura seremos livres e soberanos para cuidar do presente e sonhar num futuro com alv\u00edssaras.<br \/>\n\u00c9 tempo, quem sabe, de se diminuir o culto a celebridades ocas, rever as programa\u00e7\u00f5es das redes de emissoras nacionais, peritas em deformar a realidade, a repensar os gastos da Petrobras com caravanas de todas as naturezas e a patrocinar a Formula Um. \u00c9 tempo, Dra. Gra\u00e7a Foster, quem sabe, de usar esses recursos para a refinaria cearense, t\u00e3o prometida e nunca cumprida.<br \/>\nDevemos combater o abuso do \u00e1lcool a matar pessoas nas vias e estradas do pa\u00eds, das ervas e das qu\u00edmicas incapacitadoras. \u00c9 tempo de ajudar os milh\u00f5es de brasileiros drogados. Muitas ruas do pa\u00eds s\u00e3o cracol\u00e2ndias permanentes e consentidas. \u00c9 hora de melhorar as escolas, adicionar aulas em tempo integral e disseminar a leitura, desde a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<br \/>\nOs governos federal, estadual, municipal, a academia e a sociedade devem agir juntos e de forma objetiva. \u00c9 preciso alimentar o esp\u00edrito dos jovens, mas n\u00e3o com baladas ou drogas. Isto n\u00e3o \u00e9 moralismo burgu\u00eas, \u00e9 atitude, o civismo e a cultura do s\u00e9culo XXI.<br \/>\nDevemos, repito, lutar pelo desenvolvimento dos jovens carentes e adictos, atrav\u00e9s da ajuda \u00e0s suas fam\u00edlias.<br \/>\n\u00c9 a hora do estudo, da informa\u00e7\u00e3o, do conhecimento e da cultura como corol\u00e1rios neste tempo novo a exigir qualifica\u00e7\u00e3o para qualquer tarefa ou encargo.<br \/>\nHoje, em quase todos os crimes grupais h\u00e1 menores inimput\u00e1veis, aliciados por marginais j\u00e1 apenados e at\u00e9 reclusos em penitenci\u00e1rias.<br \/>\nComo dizia o poeta, ensa\u00edsta e pr\u00eamio Nobel de Literatura, o mexicano Octavio Paz: \u201cLas masas humanas m\u00e1s peligrosas son aquellas en cuyas venas ha sido inyectado el veneno del miedo&#8230; el miedo del cambio&#8221;. &#8220;As massas humanas mais perigosas s\u00e3o aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo&#8230; o medo de mudar\u201d.<br \/>\nN\u00f3s todos, governos, academias e sociedade, n\u00e3o devemos ter medo de mudar o refletir e o atuar. N\u00e3o podemos, por privil\u00e9gio ou arrog\u00e2ncia, ser insulados e acastelados no bem estar e no saber, cercados de problemas das comunidades carentes. Elas nos observam e clamam por respeito e aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\n O Cear\u00e1 do s\u00e9culo 21 brada por cultura para ter massa cr\u00edtica, l\u00f3gica nos racioc\u00ednios e n\u00e3o aceitar o atraso como fad\u00e1rio.<br \/>\nDevemos ser mais abertos, menos personalistas, e mais receptivos. Devemos ocluir o olhar sobranceiro e discriminador.<br \/>\n\u00c9 preciso procurar a humildade esquecida e ativar os desejos, as sedes de leitura nos jovens, de aprendizado, de conhecimento, com a aptid\u00e3o de transformar o medo em capacita\u00e7\u00e3o a demandar resili\u00eancia e cidadania plenas.<br \/>\nAgrade\u00e7o a presen\u00e7a dos familiares, amigos, colegas, autoridades, colegas acad\u00eamicos e, especialmente, ao presidente Jos\u00e9 Augusto Bezerra, empres\u00e1rio e bibli\u00f3filo a capitanear esta casa de letras.<br \/>\nSaiba, presidente, vim aqui para somar for\u00e7as, n\u00e3o por vangl\u00f3ria. Conte comigo.<br \/>\nEste n\u00e3o foi um discurso magnificente(ou aparatoso?). Foi do meu jeito de pensar e viver. N\u00e3o posso ser outra pessoa. Sou o seu autor e me responsabilizo por seu alinhavado texto. <\/p>\n<p>Por fim:<br \/>\nParafraseando o nosso d\u00edstico: Forti nihil difficile. Para os fortes nada \u00e9 dif\u00edcil. Unidos, seremos fortes.<br \/>\nDeus nos aben\u00e7oe. Muito obrigado a todos.<\/p>\n<p>OBS E D\u00daVIDAS<br \/>\n1) qdo vc est\u00e1 nominando os acad\u00eamicos ao longo do discurso, os mencionados s\u00e3o os que votaram no seu nome?<br \/>\n2)s\u00f3 precisa detalhar a vida do antecessor imediato? nada sobre os que o antecederam?<br \/>\n3) o que apontei no txt s\u00e3o meras sugest\u00f5es.<br \/>\n4) achei bem mais desenvolto do meio para o fim, principalmente as p\u00e1gs finais. S\u00f3 que me pareceu um pouco &#8220;pol\u00edtico&#8221; demais para uma Academia de Letras. Sua ideia \u00e9 apontar mais diretamente a leitura como uma das solu\u00e7\u00f5es dos problemas atuais, \u00e9 isso?<br \/>\nNo todo, est\u00e1 bem mais uma conversa com os presentes do que uma pe\u00e7a orat\u00f3ria pesada, convencional. Acho que vai agradar sim, pela leveza, pelas hist\u00f3rias que humanizam as pessoas citadas e pela brevidade, bem de acordo com os nossos dias.<br \/>\nParab\u00e9ns pra vc e Iracema!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Boa noite a todos.<br \/>\nCaro presidente Jos\u00e9 Augusto Bezerra.<br \/>\nCaro&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.., em nome de quem sa\u00fado todas as autoridades integrantes da mesa.<br \/>\nQuerida &#8230;&#8230;, em nome de quem sa\u00fado todos os integrantes da minha fam\u00edlia: Iracema, minha mulher, irm\u00e3os, filhas, genros, netos, sobrinhos e demais parentes.<br \/>\nSenhores membros da Academia Cearense de Letras<br \/>\nColegas da Academia Fortalezense de Letras, do Forum de L\u00edderes, da Sociedade Consular, e demais entidades das quais fa\u00e7o parte.<br \/>\nCaros companheiros de trabalho<br \/>\nColegas de escolas e das faculdades de direito e administra\u00e7\u00e3o,<br \/>\nAmigos e amigas,<br \/>\nAutoridades presentes,<br \/>\nSenhoras e senhores,<br \/>\nReverencio, por justi\u00e7a, todos os membros perecidos desta Academia nas figuras de Nat\u00e9rcia Campos, amiga querida; de Jos\u00e9 Maria Barros Pinho, colega de faculdade, de lutas universit\u00e1rias e de letras; e de Ant\u00f4nio Martins Filho, um dos maiores cearenses de todos os tempos.<br \/>\nNesta noite, na imensid\u00e3o da ab\u00f3bada celeste ainda n\u00e3o de todo desvendada, paira o planeta Terra, no hemisf\u00e9rio sul, no Brasil, no Cear\u00e1, em Fortaleza, com a lua em quarto crescente, quase um plenil\u00fanio. Somos apenas um nano ponto no Universo.<br \/>\nEstamos no centro hist\u00f3rico, na Rua do Ros\u00e1rio, defronte \u00e0 Igreja dos Homens negros, asilo de segregados pela escravatura envergonhadora.<br \/>\nSantu\u00e1rio esse ressaltado e descrito em tintas pelas pinturas e pelas m\u00fasicas em ritmo afro de Descartes Gadelha.<br \/>\nRecorro, pedindo licen\u00e7a \u00e0 Beatriz Alc\u00e2ntara, a algo desusado de Fernando Pessoa: &#8220;Viu-se a terra inteira de repente\/surgiu redonda do azul profundo\u201d.<br \/>\nSomos transit\u00f3rios na vida. Do albor do nascimento ao ocaso da finitude, passamos todos, sem distin\u00e7\u00e3o de saber ou ter.<br \/>\nReconhecer isso \u00e9 ato de maturidade. A imortalidade, se acontecer, dar-se-\u00e1, p\u00f3s-morte, por conta da futura an\u00e1lise de nossas vidas concretas e das letras escritas.<\/p>\n<p>Dizia o fil\u00f3sofo americano Waldo Emerson: \u201cEverything in the universe proceeds by indirection. There are no straight lines&#8221;.  &#8220;No Universo tudo procede por vias indiretas. N\u00e3o existem linhas retas\u201d.<br \/>\n Seguindo o desaviso do existir: Agora \u00e9 hora de agradecer, reconhecido, aos 22 acad\u00eamicos que me honraram com os seus votos. Aos eleitores dos outros candidatos, agrade\u00e7o tamb\u00e9m, pois a academia deve primar pela diversidade de pensamento. N\u00e3o o hegem\u00f4nico, mas plural e sem preconceitos. A Cearense est\u00e1 ao meu olhar, acima de elucubra\u00e7\u00f5es e questi\u00fanculas. Se assim o fosse, n\u00e3o se sustentaria longeva e altaneira nos seus 119 anos.<\/p>\n<p>Confesso n\u00e3o ser orador. Mas s\u00f3 leio o que escrevo.  Sem essa de ghost writer. Bastam os meus desacertos.<br \/>\nAos 16 anos, um menino foi levado por Dorian Sampaio, amigo e colega de verean\u00e7a do meu pai, Francisco Bezerra de Oliveira, ambos no al\u00e9m-mundo, para falar aos membros do Centro Cultural Humberto de Campos, uma prov\u00e1vel dissid\u00eancia do Grupo Cl\u00e3.<br \/>\nN\u00e3o me lembro das minhas palavras, mas ouvi, nervoso, palmas e coment\u00e1rios do Dorian e dos seus confrades. Eles diziam: \u201cEsse menino promete\u201d.<br \/>\nEm seguida, fundei e presidi o Girafa, Grupo de Instru\u00e7\u00e3o e Recrea\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica de F\u00e1tima, onde se praticava esportes e debat\u00edamos temas s\u00e9rios em juris simulados. Lembro de ter sido defensor de Judas Iscariotes. Ele foi absolvido. Judas, argumentava eu, seria um instrumento para cumprir um des\u00edgnio maior.<br \/>\nO Juiz de direito Jos\u00e9 Carneiro e a historiadora Valdelice Gir\u00e3o lembram-se desse tempo de folgan\u00e7as.<br \/>\nEsse jovem j\u00e1 escrevia di\u00e1rios, lia de forma continuada, ia a cinemas quase todos os dias e possu\u00eda ficha de empr\u00e9stimo de livros na Biblioteca P\u00fablica, ent\u00e3o na Rua Solon Pinheiro, vizinha ao Ibeu, Instituto Brasil Estados Unidos, onde procurava aprender a l\u00edngua inglesa.<br \/>\nAnos v\u00e3o passando. Um dia, um professor desse mesmo Ibeu, o acad\u00eamico de medicina Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o, meu primo, em segundo grau, fez-me uma proposta.<br \/>\nExplico, antes, o parentesco: o  pai dele, o Dr. Pio Saraiva Le\u00e3o, era irm\u00e3o de Luiza Saraiva Caminha, minha av\u00f3 e aluna premiada do Col\u00e9gio Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Voltando ao fio.  Ele, o Pedro, convidava-me para substitu\u00ed-lo na escrita di\u00e1ria da coluna \u201cInformes Acad\u00eamicos\u201d, no jornal Correio do Cear\u00e1, pois viajaria \u00e0 Alemanha para aperfei\u00e7oar-se na l\u00edngua de Goethe. Aceitei e contra\u00ed gosto pelo of\u00edcio.<br \/>\nPor conta dele, minha cara professora Beatriz Alc\u00e2ntara, pude divulgar e participar de curso de arte e literatura promovido pela Academia Cearense de Letras, coordenado pelo professor Artur Eduardo Benevides. Era 1963.<br \/>\nLembro, cara acad\u00eamica Marly Vasconcelos, que devo falar de Thomaz Pompeu, o patrono da cadeira 35.  Ele tamb\u00e9m come\u00e7ou a escrever, aos 20 anos, no jornal O Cearense, do qual depois foi dirigente.<br \/>\nA cultura e a sociedade cearenses est\u00e3o, para honra minha, juntas para esta posse, na cadeira 35, patroneada por Thomaz Pompeu.<br \/>\nRecorro \u00e0 acad\u00eamica \u00c2ngela Gutierrez para falar de seu bisav\u00f4, fundador e primeiro presidente desta casa.  \u00c2ngela exortou, em discurso aqui proferido, quando da comemora\u00e7\u00e3o dos 105 anos da entidade, as m\u00faltiplas faces dele.<br \/>\n Uma delas \u00e9 citada:<br \/>\n\u201cPor que relembrar o empreendedor, o pioneiro, que fundou a primeira f\u00e1brica de fia\u00e7\u00e3o e tecidos do Norte-Nordeste, atentando para o aproveitamento de nossa voca\u00e7\u00e3o algodoeira, que foi s\u00f3cio majorit\u00e1rio e gerente da primeira Companhia de bondes do Outeiro, que foi fundador e presidente do Banco do Cear\u00e1, do Centro Industrial e da Associa\u00e7\u00e3o Comercial, colaborando para o progresso da terra, na cren\u00e7a de que progresso e ci\u00eancia deveriam andar de m\u00e3os dadas\u201d. Fica claro e insofism\u00e1vel, caro colega Ednilo So\u00e1rez:<\/p>\n<p>O fundador, Thomaz Pompeu, primeiro presidente indicado para dar o nome a esta casa, era um empreendedor.<br \/>\nModus in rebus, continuo:<br \/>\nEle era formado em Direito. Tamb\u00e9m cursei Direito.<br \/>\nEla era administrador p\u00fablico. Tamb\u00e9m j\u00e1 o fui.<br \/>\nEle era pesquisador de hist\u00f3ria. Procurei s\u00ea-lo ao dirigir profissionais de n\u00edvel em diversas \u00e1reas do conhecimento e coordenar mais de 20 Planos Diretores de Desenvolvimento Econ\u00f4mico no Nordeste.<br \/>\nSe consegui, \u00e9 outra hist\u00f3ria.<br \/>\n Thomaz Pompeu foi douto e exponencial em tudo isso.<br \/>\nPor tal raz\u00e3o, meu caro acad\u00eamico Virg\u00edlio Maia, ele est\u00e1 no pante\u00e3o desta casa. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s dois anos, o Diretor Geral e empres\u00e1rio jornal\u00edstico Eduardo Campos, cond\u00f4mino dos Di\u00e1rios Associados e industrial, sem preju\u00edzo de sua atividade acad\u00eamica nesta casa e no Instituto do Cear\u00e1, convida-me para escrever outra coluna, sobre \u201cAdministra\u00e7\u00e3o e Neg\u00f3cios\u201d. Foram anos naquele jornal, meu caro Eduardo Augusto. O sal\u00e1rio recebido a cada m\u00eas era importante, pois havias outras tarefas a impender. Fazia, ao mesmo tempo, duas faculdades e trabalhava.<br \/>\nTive a coragem, cedo despertada, para a inquietude, a aprender n\u00e3o o usual, mas o in\u00e9dito, a n\u00e3o copiar ideias, mas cri\u00e1-las. Aprendi isso em fam\u00edlia. Dona Margarida, minha m\u00e3e, aos 93 anos, \u00e9 de uma intelig\u00eancia e presen\u00e7a de esp\u00edrito not\u00e1veis.<br \/>\nV\u00e9spera do \u00faltimo Natal, perguntei-lhe: &#8220;Qual ser\u00e1 o meu presente?&#8221; Ela respondeu de bate-pronto: &#8220;Podem ser as minhas mazelas?&#8221; Se sou incisivo \u00e9 gen\u00e9tico. <\/p>\n<p>Em novembro de 2012, o professor Pedro Henrique rides again e me provoca: &#8220;Chegou a sua hora. Candidate-se. Estarei ao seu lado&#8221;.<\/p>\n<p>Nesta campanha usei apenas o telefone, os Correios\/motoboy e a Internet, sem visitar ou importunar a privacidade domiciliar ou profissional dos acad\u00eamicos, sem denegrir, cumprimentando os tr\u00eas dignos contendores, mas acreditando no meu percurso e no apoio denodado de uma pl\u00eaiade de acad\u00eamicos cidad\u00e3os, a partir de Virg\u00edlio Maia.<\/p>\n<p> No dia 29 de janeiro \u00faltimo fui eleito com 22 votos, maioria consagradora e, a partir de hoje, 21 de fevereiro de 2013, conforme contagem rigorosa do acad\u00eamico Murilo Martins, serei o cent\u00e9simo octog\u00e9simo sexto (186\u00ba.) Integrante desta Casa de Letras. A mais representativa da cultura do Cear\u00e1, Estado hoje com oito e meio milh\u00f5es de habitantes.<br \/>\nCara Acad\u00eamica Regine Limaverde, chegada dos EEUU, v\u00e9spera da elei\u00e7\u00e3o, saiba ter sido o acad\u00eamico Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o, o condutor maior desse pleito \u00e1rduo. Sua posi\u00e7\u00e3o foi aberta, decidida e catalisou for\u00e7as.<br \/>\n A ele j\u00e1 disse: muito obrigado. O que repetirei, agora, por justi\u00e7a e prazer: Obrigado, Dr. Pedro.  <\/p>\n<p>Por \u00faltimo, gostaria de tornar p\u00fablico o agradecimento j\u00e1 feito \u00e0 minha mulher, Iracema Vale. Ela me manteve calmo ao dizer, todos os dia: vai dar certo. Assim o fiz. Assim o foi. A ela, mais uma vez, o meu obrigado. <\/p>\n<p>O SAUDADOR<br \/>\nInsigne acad\u00eamico Napole\u00e3o Nunes Maia,<br \/>\nAgrade\u00e7o seu modo gentil e franco em oferecer-se, desde antes da elei\u00e7\u00e3o, com o posterior agreement da presid\u00eancia.<br \/>\nSou grato por suas doutas palavras. Elas, por sua f\u00e9 de of\u00edcio e trajet\u00f3ria ascendente como professor, magistrado de tribunal superior e intelectual, deram visibilidade e fulgor a cada passo do meu percurso cultural. Obrigado, acad\u00eamico Napole\u00e3o Maia.<br \/>\nCaro acad\u00eamico, fil\u00f3sofo, sacerdote e professor Manfredo Ramos, tudo na minha vida foi constru\u00eddo com a energia, a f\u00e9 e a coragem recebida dos meus pais, dois vencedores. Educaram nove filhos todos com educa\u00e7\u00e3o superior.<br \/>\nSou arrojado por ser vision\u00e1rio, e isso eu descobri estudando e pesquisando aqui e por continentes afora em viagens de trabalho, treinamento, cursos, semin\u00e1rios, congressos, palestras e debates com professores, em livros e peri\u00f3dicos.<br \/>\nFa\u00e7o tudo do meu jeito meio sem jeito. N\u00e3o uso a vida como artimanha. Penso ser a discri\u00e7\u00e3o no agir. Recolhi de Miguel de Cervantes, no cl\u00e1ssico Dom Quixote, o ensinamento: \u201cNo puede haber gracia donde no hay discrici\u00f3n&#8221;. &#8220;N\u00e3o pode haver alegria onde n\u00e3o h\u00e1 discri\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\n Se desejei empreender, ler, escrever e estudar, n\u00e3o foi trabalho, mas prazer.  Foi sonho empenhado e cumprido.<\/p>\n<p>SENHORAS E SENHORES,<br \/>\nAcreditava e ainda creio: a cada dia a minha vida se encerra e recome\u00e7a na alvorada seguinte. Por tal raz\u00e3o, concordo com Frederick de Chateaubriand quando dizia: \u201cTous mes jours son des adieux&#8221;. &#8220;Todos os meus dias s\u00e3o adeuses.\u201d<br \/>\nO destino, Deus ou algo insond\u00e1vel, d\u00e3o voltas. A este ent\u00e3o Pal\u00e1cio do Governo acorri muitas vezes na juventude.<br \/>\n O meu professor Parsifal Barroso era o governador e s\u00f3 possu\u00eda um carro de representa\u00e7\u00e3o, o G-1, com outras miss\u00f5es a rodar. Por conta disso dei-lhe carona, v\u00e1rias vezes, em meu Anglia. O douto professor Parsifal o chamava de \u201cGaforinga\u201d. O amigo Rui Filgueiras Lima, aqui presente, era guapo oficial de gabinete do governador.<\/p>\n<p>SENHORAS E SENHORES,<br \/>\nIlustre Procuradora Cl\u00e1udia Martins,<br \/>\nEste Pal\u00e1cio da Luz era um pr\u00f3prio do Estado e foi preciso, gra\u00e7as \u00e0 aud\u00e1cia e perseveran\u00e7a da peti\u00e7\u00e3o bem instru\u00edda do acad\u00eamico e presidente da ACL, o not\u00e1rio Cl\u00e1udio Martins, para surgir um empreendedor, Tasso Ribeiro Jereissati, no exerc\u00edcio do Governo do Cear\u00e1, com descortino para do\u00e1-lo, em 1989, \u00e0 Academia Cearense de Letras, ent\u00e3o asfixiada em salas do Edif\u00edcio Pal\u00e1cio Progresso.<br \/>\nQue os nossos governantes e legisladores destinem parte dos recursos de or\u00e7amentos e verbas de emendas para o restauro indispens\u00e1vel ao funcionamento desta Academia Cearense de Letras, monumento hist\u00f3rico tombado de ampla visita\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Os antecessores na Cadeira<br \/>\nPor justi\u00e7a, engrande\u00e7o-me haver sido precedido, em linha sucess\u00f3ria, por acad\u00eamicos do quilate de C\u00e2ndida Galeno, do poeta Cruz Filho, do m\u00e9dico e intelectual Argos Vasconcelos e, historiador, intelectual e sacerdote, Alberto Nepomuceno de Oliveira, depois professsor Alberto Oliveira.<br \/>\nAlberto Oliveira nasceu em Pacatuba, terra natal do acad\u00eamico Eduardo Campos e do Presidente de Honra desta ACL, o pr\u00edncipe dos poetas cearenses, Artur Eduardo Benevides, na lucidez de seus 90 anos.<br \/>\nAlberto Oliveira estudou no Semin\u00e1rio da Prainha. Ali se ordenou padre, em 1949. Depois, formou-se em direito, licenciou-se em filosofia; em sociologia, na It\u00e1lia; em pedagogia, na Fran\u00e7a; e foi a Israel para fazer atualiza\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica.<br \/>\nEra, igualmente, mestre da UECE e da Universidade Federal do Cear\u00e1. Escreveu, entre outros, os seguintes livros:<br \/>\n&#8211; Droga, um perigo nacional<br \/>\n&#8211; Juventude, Crise e Educa\u00e7\u00e3o<br \/>\n&#8211; Projeto de educa\u00e7\u00e3o Anti-T\u00f3xico<br \/>\n&#8211; Educa\u00e7\u00e3o Libertadora de Paulo Freire<br \/>\n&#8211; Resson\u00e2ncias<br \/>\nF\u00e1cil \u00e9 ressaltar haver na escritura do professor Alberto Oliveira uma preocupa\u00e7\u00e3o objetiva com os jovens brasileiros, hoje a morrer \u00e0s centenas em baladas de fogo e milh\u00f5es submergidos nas drogas, um end\u00eamico problema nacional a precisar mais de solu\u00e7\u00f5es e menos de promessas.<br \/>\nAl\u00e9m de toda a sua titula\u00e7\u00e3o merit\u00f3ria e produ\u00e7\u00e3o cultural, o professor Alberto Oliveira teve a coragem, a sensatez e a hombridade de deixar a vida clerical para, como \u00e9 pr\u00f3prio da natureza humana, amar e casar-se com xxxxxxxxxxxxx, aqui presente, e constituir uma fam\u00edlia crist\u00e3, tendo a sua f\u00e9 permanecido intacta.<br \/>\nVeja como as coincid\u00eancias perseguem esta narrativa. Em um s\u00e1bado, 11 de setembro de 1963, exatamente, na mesma p\u00e1gina, ao lado de minha coluna &#8220;Informes Acad\u00eamicos&#8221;, no Correio do Cear\u00e1 havia um artigo do ent\u00e3o padre Alberto Oliveira, sob o t\u00edtulo: \u201cA eternidade no Presente\u201d.   Dele, em certo trecho, l\u00ea-se: \u201ca vida \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o para a morte\u201d. Hoje, quase 50 anos depois, estamos relembrando e celebrando a sua vida.<br \/>\nDe fato, ele j\u00e1 estava preparando a sua eternidade, ou imortalidade, no sentido acad\u00eamico.<\/p>\n<p>SENHORAS E SENHORAS, ESTOU QUASE A CONCLUIR.<br \/>\nDesculpem, senhoras e senhores, o tempo que lhes tomo. N\u00e3o quis fazer uma hom\u00edlia.  A todos, mesmo assim, pe\u00e7o ainda paci\u00eancia para uma reflex\u00e3o final sobre a pesquisa de janeiro deste 2013 do Instituto Ibope Media sobre leitura.<br \/>\nEntre nove capitais brasileiras, Fortaleza ficou em \u00faltimo lugar em \u00edndice de leitura. Dos entrevistados, somente 23% dos fortalezenses havia lido um livro nos \u00faltimos 30 dias.  No pa\u00eds, como um todo, 73% das escolas p\u00fablicas n\u00e3o possuem bibliotecas.<br \/>\nCom amargura, o nosso romancista maior e fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, falando sobre o Brasil do seu tempo, dizia:<br \/>\n\u201cN\u00e3o \u00e9 desprezo pelo que \u00e9 nosso, n\u00e3o \u00e9 desd\u00e9m pelo meu Pa\u00eds. \u2018O pa\u00eds real\u2019, esse \u00e9 bom, revela os melhores instintos. Mas o \u2018pa\u00eds oficial\u2019, esse \u00e9 caricato e burlesco\u201d.<br \/>\n Agora, falo eu : Esta na\u00e7\u00e3o precisa deixar de ser o pa\u00eds do jeitinho, do compadrio, de elei\u00e7\u00f5es a cada dois anos, do nepotismo disfar\u00e7ado e tomar consci\u00eancia: s\u00f3 pela educa\u00e7\u00e3o e pela cultura seremos livres e soberanos para cuidar do presente e sonhar num futuro com alv\u00edssaras.<br \/>\n\u00c9 tempo, quem sabe, de se diminuir o culto a celebridades ocas, rever as programa\u00e7\u00f5es das redes de emissoras nacionais, peritas em deformar a realidade, a repensar os gastos da Petrobras com caravanas de todas as naturezas e a patrocinar a Formula Um. \u00c9 tempo, Dra. Gra\u00e7a Foster, quem sabe, de usar esses recursos para a refinaria cearense, t\u00e3o prometida e nunca cumprida.<br \/>\nDevemos combater o abuso do \u00e1lcool a matar pessoas nas vias e estradas do pa\u00eds, das ervas e das qu\u00edmicas incapacitadoras. \u00c9 tempo de ajudar os milh\u00f5es de brasileiros drogados. Muitas ruas do pa\u00eds s\u00e3o cracol\u00e2ndias permanentes e consentidas. \u00c9 hora de melhorar as escolas, adicionar aulas em tempo integral e disseminar a leitura, desde a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<br \/>\nOs governos federal, estadual, municipal, a academia e a sociedade devem agir juntos e de forma objetiva. \u00c9 preciso alimentar o esp\u00edrito dos jovens, mas n\u00e3o com baladas ou drogas. Isto n\u00e3o \u00e9 moralismo burgu\u00eas, \u00e9 atitude, o civismo e a cultura do s\u00e9culo XXI.<br \/>\nDevemos, repito, lutar pelo desenvolvimento dos jovens carentes e adictos, atrav\u00e9s da ajuda \u00e0s suas fam\u00edlias.<br \/>\n\u00c9 a hora do estudo, da informa\u00e7\u00e3o, do conhecimento e da cultura como corol\u00e1rios neste tempo novo a exigir qualifica\u00e7\u00e3o para qualquer tarefa ou encargo.<br \/>\nHoje, em quase todos os crimes grupais h\u00e1 menores inimput\u00e1veis, aliciados por marginais j\u00e1 apenados e at\u00e9 reclusos em penitenci\u00e1rias.<br \/>\nComo dizia o poeta, ensa\u00edsta e pr\u00eamio Nobel de Literatura, o mexicano Octavio Paz: \u201cLas masas humanas m\u00e1s peligrosas son aquellas en cuyas venas ha sido inyectado el veneno del miedo&#8230; el miedo del cambio&#8221;. &#8220;As massas humanas mais perigosas s\u00e3o aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo&#8230; o medo de mudar\u201d.<br \/>\nN\u00f3s todos, governos, academias e sociedade, n\u00e3o devemos ter medo de mudar o refletir e o atuar. N\u00e3o podemos, por privil\u00e9gio ou arrog\u00e2ncia, ser insulados e acastelados no bem estar e no saber, cercados de problemas das comunidades carentes. Elas nos observam e clamam por respeito e aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\n O Cear\u00e1 do s\u00e9culo 21 brada por cultura para ter massa cr\u00edtica, l\u00f3gica nos racioc\u00ednios e n\u00e3o aceitar o atraso como fad\u00e1rio.<br \/>\nDevemos ser mais abertos, menos personalistas, e mais receptivos. Devemos ocluir o olhar sobranceiro e discriminador.<br \/>\n\u00c9 preciso procurar a humildade esquecida e ativar os desejos, as sedes de leitura nos jovens, de aprendizado, de conhecimento, com a aptid\u00e3o de transformar o medo em capacita\u00e7\u00e3o a demandar resili\u00eancia e cidadania plenas.<br \/>\nAgrade\u00e7o a presen\u00e7a dos familiares, amigos, colegas, autoridades, colegas acad\u00eamicos e, especialmente, ao presidente Jos\u00e9 Augusto Bezerra, empres\u00e1rio e bibli\u00f3filo a capitanear esta casa de letras.<br \/>\nSaiba, presidente, vim aqui para somar for\u00e7as, n\u00e3o por vangl\u00f3ria. Conte comigo.<br \/>\nEste n\u00e3o foi um discurso magnificente(ou aparatoso?). Foi do meu jeito de pensar e viver. N\u00e3o posso ser outra pessoa. Sou o seu autor e me responsabilizo por seu alinhavado texto. <\/p>\n<p>Por fim:<br \/>\nParafraseando o nosso d\u00edstico: Forti nihil difficile. Para os fortes nada \u00e9 dif\u00edcil. Unidos, seremos fortes.<br \/>\nDeus nos aben\u00e7oe. Muito obrigado a todos.<\/p>\n<p>OBS E D\u00daVIDAS<br \/>\n1) qdo vc est\u00e1 nominando os acad\u00eamicos ao longo do discurso, os mencionados s\u00e3o os que votaram no seu nome?<br \/>\n2)s\u00f3 precisa detalhar a vida do antecessor imediato? nada sobre os que o antecederam?<br \/>\n3) o que apontei no txt s\u00e3o meras sugest\u00f5es.<br \/>\n4) achei bem mais desenvolto do meio para o fim, principalmente as p\u00e1gs finais. S\u00f3 que me pareceu um pouco &#8220;pol\u00edtico&#8221; demais para uma Academia de Letras. Sua ideia \u00e9 apontar mais diretamente a leitura como uma das solu\u00e7\u00f5es dos problemas atuais, \u00e9 isso?<br \/>\nNo todo, est\u00e1 bem mais uma conversa com os presentes do que uma pe\u00e7a orat\u00f3ria pesada, convencional. Acho que vai agradar sim, pela leveza, pelas hist\u00f3rias que humanizam as pessoas citadas e pela brevidade, bem de acordo com os nossos dias.<br \/>\nParab\u00e9ns pra vc e Iracema!<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2624","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2624"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2624\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}