{"id":2647,"date":"2023-12-21T09:10:26","date_gmt":"2023-12-21T12:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-duro-encontro-com-a-realidade-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:26","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:26","slug":"o-duro-encontro-com-a-realidade-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-duro-encontro-com-a-realidade-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"O DURO ENCONTRO COM A REALIDADE &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO mist\u00e9rio do galo n\u00e3o est\u00e1 na ilus\u00e3o de que ele seja capaz de fazer nascer o sol, mas em que seu canto anuncia a exist\u00eancia do sol, mesmo ainda por nascer\u201d.<br \/>\nCac\u00e1 Diegues<br \/>\nConhe\u00e7o pessoas inteligentes, lidas, capazes, independentes e at\u00e9 bem-sucedidas, mas, apesar disso, n\u00e3o tiveram a coragem de marcar o encontro com a realidade. Vivem de deslumbramento. S\u00e3o infelizes. Esse encontro real \u00e9 duro, fere profundamente e, na maioria das vezes, deixa sequelas. \u00c9 preciso ter coragem para assumir o risco desse encontro.<br \/>\nN\u00e3o importa seja jovem ou velho, bonito ou feio, alegre ou triste, rico ou pobre, h\u00e9tero ou gay, crente ou ateu, casado ou n\u00e3o; o importante \u00e9 o encontro. Mesmo quando algu\u00e9m ou circunst\u00e2ncias for\u00e7am esse acontecimento, se ele aconteceu n\u00e3o fuja dele, n\u00e3o se esquive com o manto das apar\u00eancias. Elas nada cobrem e despem at\u00e9 o nu por natureza.<br \/>\nEsse encontro \u00e9 um acerto de contas com o passado e um compromisso com o futuro. \u00c9 aquele compromisso definitivo consigo mesmo, referido por Goethe. A partir desse encontro \u2013 Goethe diz \u2013 come\u00e7a a acontecer todo o tipo de coisas para ajudar a voc\u00ea. Ele n\u00e3o aconteceria se esse compromisso n\u00e3o existisse.<br \/>\nUma torrente de eventos emana das decis\u00f5es favorecendo a pessoa com toda a esp\u00e9cie de encontros imprevistos e de ajuda sem os quais pessoa nenhuma poderia sonhar achar no seu caminho. Tudo poder\u00e1 ser alcan\u00e7ado. Sendo assim, m\u00e3os \u00e0 obra. A ousadia cont\u00e9m genialidade, poder e magia.<br \/>\nDeixando Goethe de lado e encarando a loucura santa do prematuramente falecido poeta Paulo Leminski, \u00e9 preciso \u201cn\u00e3o discutir com o destino, o que vier eu assino\u201d. \u00c9 preciso assinar, colocar o nome e a digital no que voc\u00ea diz e faz conscientemente, assumir o encontro com o destino.<br \/>\nE o destino? Ser\u00e1, por acaso, o mundo das coisas se acasalando ou se chocando com o mundo das ideias ou das palavras? Voc\u00ea e a sua alma s\u00e3o uma coisa s\u00f3. Uma n\u00e3o existe sem a outra. Como diria um fil\u00f3sofo de botequim, \u00e9 preciso deixar o pessimismo para tempos melhores. Agora, todos o s\u00e3o. At\u00e9 os insanos.<br \/>\nA hora do encontro \u00e9 tempo de cataclismo, e s\u00f3 se vence a trag\u00e9dia com a\u00e7\u00e3o e riso. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 o rem\u00e9dio imediato. O riso \u00e9 a capacidade de n\u00e3o levar a s\u00e9rio o seu drama (ser\u00e1 mesmo drama?), de debochar do seu ensimesmamento (muitos se acham especiais, mas v\u00e3o morrer) e encarar de peito aberto a nova consci\u00eancia de sua individualidade. Ela o levaria irreversivelmente, salvo melhor ju\u00edzo, para a solid\u00e3o. Todos est\u00e3o sujeitos a ela, n\u00e3o fora a solidariedade dos que ainda acreditam em voc\u00ea, a come\u00e7ar por voc\u00ea mesmo. \u00c9 claro, essa hora do encontro nos mete medo.<br \/>\n\u00c9 preciso n\u00e3o ter medo do medo, pois como diz Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones: \u201cO medo \u00e9 uma coisa boa. Se voc\u00ea n\u00e3o tiver medo, pode acabar pulando pela janela\u201d. Assuma os seus medos e admita acontecer um instante, independente das suas pretens\u00f5es ou apreens\u00f5es, quando tudo ficar\u00e1 claro e nada turvar\u00e1 os seus olhos. Passar\u00e1 a ser o col\u00edrio a mostrar o brilho da sua vida. Mas n\u00e3o almeje muito. Balzac dizia: \u201cA gl\u00f3ria \u00e9 um veneno que se deve tomar em pequenas doses.\u201d<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/12\/2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO mist\u00e9rio do galo n\u00e3o est\u00e1 na ilus\u00e3o de que ele seja capaz de fazer nascer o sol, mas em que seu canto anuncia a exist\u00eancia do sol, mesmo ainda por nascer\u201d.<br \/>\nCac\u00e1 Diegues<br \/>\nConhe\u00e7o pessoas inteligentes, lidas, capazes, independentes e at\u00e9 bem-sucedidas, mas, apesar disso, n\u00e3o tiveram a coragem de marcar o encontro com a realidade. Vivem de deslumbramento. S\u00e3o infelizes. Esse encontro real \u00e9 duro, fere profundamente e, na maioria das vezes, deixa sequelas. \u00c9 preciso ter coragem para assumir o risco desse encontro.<br \/>\nN\u00e3o importa seja jovem ou velho, bonito ou feio, alegre ou triste, rico ou pobre, h\u00e9tero ou gay, crente ou ateu, casado ou n\u00e3o; o importante \u00e9 o encontro. Mesmo quando algu\u00e9m ou circunst\u00e2ncias for\u00e7am esse acontecimento, se ele aconteceu n\u00e3o fuja dele, n\u00e3o se esquive com o manto das apar\u00eancias. Elas nada cobrem e despem at\u00e9 o nu por natureza.<br \/>\nEsse encontro \u00e9 um acerto de contas com o passado e um compromisso com o futuro. \u00c9 aquele compromisso definitivo consigo mesmo, referido por Goethe. A partir desse encontro \u2013 Goethe diz \u2013 come\u00e7a a acontecer todo o tipo de coisas para ajudar a voc\u00ea. Ele n\u00e3o aconteceria se esse compromisso n\u00e3o existisse.<br \/>\nUma torrente de eventos emana das decis\u00f5es favorecendo a pessoa com toda a esp\u00e9cie de encontros imprevistos e de ajuda sem os quais pessoa nenhuma poderia sonhar achar no seu caminho. Tudo poder\u00e1 ser alcan\u00e7ado. Sendo assim, m\u00e3os \u00e0 obra. A ousadia cont\u00e9m genialidade, poder e magia.<br \/>\nDeixando Goethe de lado e encarando a loucura santa do prematuramente falecido poeta Paulo Leminski, \u00e9 preciso \u201cn\u00e3o discutir com o destino, o que vier eu assino\u201d. \u00c9 preciso assinar, colocar o nome e a digital no que voc\u00ea diz e faz conscientemente, assumir o encontro com o destino.<br \/>\nE o destino? Ser\u00e1, por acaso, o mundo das coisas se acasalando ou se chocando com o mundo das ideias ou das palavras? Voc\u00ea e a sua alma s\u00e3o uma coisa s\u00f3. Uma n\u00e3o existe sem a outra. Como diria um fil\u00f3sofo de botequim, \u00e9 preciso deixar o pessimismo para tempos melhores. Agora, todos o s\u00e3o. At\u00e9 os insanos.<br \/>\nA hora do encontro \u00e9 tempo de cataclismo, e s\u00f3 se vence a trag\u00e9dia com a\u00e7\u00e3o e riso. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 o rem\u00e9dio imediato. O riso \u00e9 a capacidade de n\u00e3o levar a s\u00e9rio o seu drama (ser\u00e1 mesmo drama?), de debochar do seu ensimesmamento (muitos se acham especiais, mas v\u00e3o morrer) e encarar de peito aberto a nova consci\u00eancia de sua individualidade. Ela o levaria irreversivelmente, salvo melhor ju\u00edzo, para a solid\u00e3o. Todos est\u00e3o sujeitos a ela, n\u00e3o fora a solidariedade dos que ainda acreditam em voc\u00ea, a come\u00e7ar por voc\u00ea mesmo. \u00c9 claro, essa hora do encontro nos mete medo.<br \/>\n\u00c9 preciso n\u00e3o ter medo do medo, pois como diz Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones: \u201cO medo \u00e9 uma coisa boa. 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