{"id":2648,"date":"2023-12-21T09:10:26","date_gmt":"2023-12-21T12:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/verdades-e-duvidas-joao-soares-neto\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:26","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:26","slug":"verdades-e-duvidas-joao-soares-neto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/verdades-e-duvidas-joao-soares-neto\/","title":{"rendered":"VERDADES E D\u00daVIDAS &#8211; Jo\u00e3o Soares Neto"},"content":{"rendered":"<p>Voltamos a reexaminar o discorrido na sexta passada. Somos ou n\u00e3o verdadeiros? Por qual raz\u00e3o a Oxford University, escolheu \u201cpost-truth\u201d como a palavra do ano de 2016? Ter\u00e1 sido por conta da sa\u00edda da Inglaterra da Comunidade Europeia, no plebiscito que optou pelo \u201cBrexit\u201d, desoxigenando a for\u00e7a dada ao Euro, embora, nos seus dom\u00ednios, s\u00f3 usasse a Libra Esterlina? Ou ter\u00e1 sido pela elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump \u00e0 Casa Branca e as suas performances di\u00e1rias?<br \/>\nComo da vez anterior, pedi a alguns \u201cexperts\u201d, todos de maior dimens\u00e3o do que este escrevinhador, para dar uma vis\u00e3o centrada a nos retirar do limbo. Fiz alguns cortes por conta do espa\u00e7o. Obrigado e desculpem.<br \/>\nFilomeno Moraes, Doutor, Unifor, diz: \u201cA \u201cp\u00f3s-verdade\u201d (e a sua variante mais recente, a dos \u201cfatos alternativos\u201d), substituindo o \u201chomo sapiens\u201d pelo \u201chomo videns\u201d e acentuando a idiotia do politicamente correto, da manipula\u00e7\u00e3o marquetol\u00f3gica e do engano ou autoengano, sobretudo no plano da pol\u00edtica, ao contr\u00e1rio daquela promessa, \u00e9 o destino nestas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI. Em suma, a marcha batida da insensatez por meio da aliena\u00e7\u00e3o, da cobi\u00e7a e da covardia moral que brutalizam a vida humana, alhures e\u2026 aqui, parece dizer aos \u00faltimos herdeiros da heran\u00e7a iluminista que a nossa rep\u00fablica n\u00e3o \u00e9 neste mundo.\u201d<br \/>\nAnt\u00f4nio Torres, da Academia Brasileira de Letras: \u201cN\u00e3o ser\u00e1 p\u00f3s-verdade uma forma sint\u00e9tica de um dizer antigo de que \u201co que importa n\u00e3o s\u00e3o os fatos, mas suas vers\u00f5es?\u201d.<br \/>\nPaulo Elp\u00eddio de Menezes Neto \u2013 Cientista Pol\u00edtico: \u201cEla surge, de fato, pelos desv\u00e3os das redes sociais. Mas \u00e9 com o escritor americano Ralph Keyes que ganha dimens\u00e3o pol\u00edtica. Maquiavel j\u00e1 o pressentira e identificara nos discursos e nos gestos e atitudes dos homens do poder. O \u201cPost- Truth Politics\u201d \u00e9 uma forma de mentira, o la\u00e7o pelo qual os atores pol\u00edticos arrancam o apoio dos eleitores, dos s\u00faditos, ao dizerem o que as pessoas desejam ouvir. \u00c9 o \u201cp\u00f3s factual\u201d, o que se poderia chamar de \u201ctruthiness\u201d, quando se toma uma coisa por verdadeira sobre a base de simples pressuposto afetivo. A \u201cp\u00f3s verdade pol\u00edtica\u201d corresponde ao fim da objetividade na pol\u00edtica\u201d.<br \/>\nAnt\u00f4nio Cola\u00e7o Martins \u2013 Reitor da UVA \u2013 \u201clevanto duas hip\u00f3teses: se o \u201cp\u00f3s\u201d da express\u00e3o \u201cp\u00f3s-verdade\u201d foi usado no sentido temporal, ressalta a historicidade ou transistoricidade da verdade e suas consequ\u00eancias. Com efeito, historicamente, o que foi \u00e9, ou seja, continua a ser, de certo modo, em suas consequ\u00eancias ou desdobramentos; se o \u201cp\u00f3s\u201d foi utilizado para significar \u201cpara al\u00e9m de\u201d p\u00f5e em evid\u00eancia algo a mais, algo superativo da ordem objetiva ou subjetiva, como por exemplo, as emo\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as advindas \u201cp\u00f3s-verdade\u201d. Neste sentido, diz-se que, para ornar a grandeza de um ser humano, al\u00e9m da verdade, \u00e9 mister que apresente bondade e simplicidade como \u201cp\u00f3s-verdades\u201d. Na esteira de S\u00f3crates, dos Estoicos e de Santo Agostinho, Tom\u00e1s de Aquino (1225-1274) reconhecia o valor no\u00e9tico da afetividade. Blaise Pascal (1623-1662) doutrinou que o cora\u00e7\u00e3o tem raz\u00f5es que a pr\u00f3pria raz\u00e3o desconhece e op\u00f4s as \u201cideias emocionantes\u201d \u00e0s \u201cideias claras e distintas\u201d de Descartes (1596-1650). S\u00f6ren Kierkegaard (1813-1885) \u00e9 ainda mais dogm\u00e1tico ao concluir que: a subjetividade \u00e9 a verdade. Nicolai Alexandrovitch Berdiaef (1875-1948), sem tergiversar, afirma o primado cognoscitivo do cora\u00e7\u00e3o sobre a raz\u00e3o, da exist\u00eancia subjetiva sobre o mundo objetivo. Assevera com todas as letras: \u00e9 o homem total que conhece, mas \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o que est\u00e1 no centro do homem total\u201d.<br \/>\nClareou? Admitindo que permane\u00e7am d\u00favidas, voltaremos ao assunto.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 03\/02\/2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltamos a reexaminar o discorrido na sexta passada. Somos ou n\u00e3o verdadeiros? Por qual raz\u00e3o a Oxford University, escolheu \u201cpost-truth\u201d como a palavra do ano de 2016? Ter\u00e1 sido por conta da sa\u00edda da Inglaterra da Comunidade Europeia, no plebiscito que optou pelo \u201cBrexit\u201d, desoxigenando a for\u00e7a dada ao Euro, embora, nos seus dom\u00ednios, s\u00f3 usasse a Libra Esterlina? Ou ter\u00e1 sido pela elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump \u00e0 Casa Branca e as suas performances di\u00e1rias?<br \/>\nComo da vez anterior, pedi a alguns \u201cexperts\u201d, todos de maior dimens\u00e3o do que este escrevinhador, para dar uma vis\u00e3o centrada a nos retirar do limbo. Fiz alguns cortes por conta do espa\u00e7o. Obrigado e desculpem.<br \/>\nFilomeno Moraes, Doutor, Unifor, diz: \u201cA \u201cp\u00f3s-verdade\u201d (e a sua variante mais recente, a dos \u201cfatos alternativos\u201d), substituindo o \u201chomo sapiens\u201d pelo \u201chomo videns\u201d e acentuando a idiotia do politicamente correto, da manipula\u00e7\u00e3o marquetol\u00f3gica e do engano ou autoengano, sobretudo no plano da pol\u00edtica, ao contr\u00e1rio daquela promessa, \u00e9 o destino nestas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI. Em suma, a marcha batida da insensatez por meio da aliena\u00e7\u00e3o, da cobi\u00e7a e da covardia moral que brutalizam a vida humana, alhures e\u2026 aqui, parece dizer aos \u00faltimos herdeiros da heran\u00e7a iluminista que a nossa rep\u00fablica n\u00e3o \u00e9 neste mundo.\u201d<br \/>\nAnt\u00f4nio Torres, da Academia Brasileira de Letras: \u201cN\u00e3o ser\u00e1 p\u00f3s-verdade uma forma sint\u00e9tica de um dizer antigo de que \u201co que importa n\u00e3o s\u00e3o os fatos, mas suas vers\u00f5es?\u201d.<br \/>\nPaulo Elp\u00eddio de Menezes Neto \u2013 Cientista Pol\u00edtico: \u201cEla surge, de fato, pelos desv\u00e3os das redes sociais. Mas \u00e9 com o escritor americano Ralph Keyes que ganha dimens\u00e3o pol\u00edtica. Maquiavel j\u00e1 o pressentira e identificara nos discursos e nos gestos e atitudes dos homens do poder. O \u201cPost- Truth Politics\u201d \u00e9 uma forma de mentira, o la\u00e7o pelo qual os atores pol\u00edticos arrancam o apoio dos eleitores, dos s\u00faditos, ao dizerem o que as pessoas desejam ouvir. \u00c9 o \u201cp\u00f3s factual\u201d, o que se poderia chamar de \u201ctruthiness\u201d, quando se toma uma coisa por verdadeira sobre a base de simples pressuposto afetivo. A \u201cp\u00f3s verdade pol\u00edtica\u201d corresponde ao fim da objetividade na pol\u00edtica\u201d.<br \/>\nAnt\u00f4nio Cola\u00e7o Martins \u2013 Reitor da UVA \u2013 \u201clevanto duas hip\u00f3teses: se o \u201cp\u00f3s\u201d da express\u00e3o \u201cp\u00f3s-verdade\u201d foi usado no sentido temporal, ressalta a historicidade ou transistoricidade da verdade e suas consequ\u00eancias. Com efeito, historicamente, o que foi \u00e9, ou seja, continua a ser, de certo modo, em suas consequ\u00eancias ou desdobramentos; se o \u201cp\u00f3s\u201d foi utilizado para significar \u201cpara al\u00e9m de\u201d p\u00f5e em evid\u00eancia algo a mais, algo superativo da ordem objetiva ou subjetiva, como por exemplo, as emo\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as advindas \u201cp\u00f3s-verdade\u201d. Neste sentido, diz-se que, para ornar a grandeza de um ser humano, al\u00e9m da verdade, \u00e9 mister que apresente bondade e simplicidade como \u201cp\u00f3s-verdades\u201d. Na esteira de S\u00f3crates, dos Estoicos e de Santo Agostinho, Tom\u00e1s de Aquino (1225-1274) reconhecia o valor no\u00e9tico da afetividade. Blaise Pascal (1623-1662) doutrinou que o cora\u00e7\u00e3o tem raz\u00f5es que a pr\u00f3pria raz\u00e3o desconhece e op\u00f4s as \u201cideias emocionantes\u201d \u00e0s \u201cideias claras e distintas\u201d de Descartes (1596-1650). 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