{"id":2656,"date":"2023-12-21T09:10:26","date_gmt":"2023-12-21T12:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/quem-salva-os-professores-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:26","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:26","slug":"quem-salva-os-professores-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/quem-salva-os-professores-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"QUEM SALVA OS PROFESSORES? &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO homem n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m do que a educa\u00e7\u00e3o faz dele\u201d. Immanuel Kant<br \/>\nS\u00e1bado passado foi dia chuvoso. Tempo de ler. Debrucei-me sobre um caderno especial da Folha: \u201cInova\u00e7\u00e3o Educativa\u201d. O que isto quer dizer? Passo a voc\u00eas parte do que li. Desculpem pelos n\u00fameros. S\u00e3o necess\u00e1rios ao entendimento. Se \u00e9 que assimilei.<br \/>\nNeste pa\u00eds de mais 200 milh\u00f5es de habitantes h\u00e1 oito milh\u00f5es de pessoas matriculadas em ensino superior. Equivale a dizer que 4% da popula\u00e7\u00e3o cuida de estudar mais. Desses, quase um milh\u00e3o e 500 mil optaram por cursos de licenciatura. Na licenciatura s\u00e3o formados professores.<br \/>\nQuando se fala em licenciatura \u00e9 preciso dizer que cursos a integram. Pela ordem, s\u00e3o: Pedagogia (44% do total), Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica (11,4 %), Hist\u00f3ria (5,9%), Matem\u00e1tica (5,6%), Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (5,3%), Geografia (3,5%), Qu\u00edmica (2,3%), Letras\/L\u00edngua Portuguesa (1,3), Letras\/ Portugu\u00eas e Ingl\u00eas (1,9%) e Letras\/ Ingl\u00eas (1,7%).<br \/>\nOs cursos dividem-se em presenciais (63,6%) e a dist\u00e2ncia (34,6%). Embora 74,6% sejam origin\u00e1rios de escolas p\u00fablicas de ensino m\u00e9dio, h\u00e1 uma escolha majorit\u00e1ria dos estudantes na \u00e1rea por cursos superiores de licenciatura privados (61,3%), talvez por serem noturnos, baixos pre\u00e7os e pouco exigirem de conte\u00fado. S\u00f3 38,7% optam por universidades e faculdades p\u00fablicas.<br \/>\nOs dados s\u00e3o do Censo de Educa\u00e7\u00e3o de Ensino Superior Inep-MEC, 2015. O que isso nos leva a concluir? Pe\u00e7o ajuda a Paulo Salda\u00f1a, da Folha, e a tantos outros que participaram do 2\u00ba. F\u00f3rum de Inova\u00e7\u00e3o Educativa, realizado h\u00e1 pouco na capital de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nPor que n\u00f3s temos um n\u00edvel baixo de ensino nos cursos m\u00e9dios? Muitos professores desistem de ensinar, 20% alegam o desrespeito dos alunos. O baixo sal\u00e1rio desestimula outros 17%.<br \/>\nPriscila Cruz, fundadora e executiva do movimento \u201cTodos pela Educa\u00e7\u00e3o\u201d, diz que \u201ca sociedade precisa superar a ideia de que professores se equiparam a sacerdotes, que devem trabalhar por amor. Temos de trat\u00e1-los como profissionais\u201d.<br \/>\nOs sal\u00e1rios dos professores ficam bem abaixo do que o mercado paga a outros profissionais com a mesma escolaridade, em outras \u00e1reas. Em tempos de crise s\u00f3 se fala em cortes, mas se os professores n\u00e3o forem valorizados a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o melhorar\u00e1 e o Brasil n\u00e3o produzir\u00e1 eleitores com senso cr\u00edtico para avaliar candidatos. Logo, tudo voltar\u00e1.<br \/>\nA ideia tida como nova \u00e9 o ensino investigativo e isso est\u00e1 na recente Base Nacional Comum Curricular. Teresa Pontual, diretora de curr\u00edculos e de ensino integral do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, assevera: \u201cA base nacional traz os conte\u00fados que os alunos t\u00eam que aprender o que j\u00e1 \u00e9 um avan\u00e7o. Mas a gente n\u00e3o consegue garantir que os professores saibam os conte\u00fados que precisam ensinar\u201d.<br \/>\nData venia. Pe\u00e7o permiss\u00e3o para responder a Sra. Teresa Pontual. O que n\u00e3o se consegue garantir \u00e9 que os professores ganhem o suficiente para manter as suas fam\u00edlias e, um pouco, para aprimorar os seus conhecimentos. O resto \u00e9 consequ\u00eancia da baixa remunera\u00e7\u00e3o. O cadeado do saber s\u00f3 se abre com motiva\u00e7\u00e3o e sal\u00e1rios justos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 02\/06\/2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO homem n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m do que a educa\u00e7\u00e3o faz dele\u201d. Immanuel Kant<br \/>\nS\u00e1bado passado foi dia chuvoso. Tempo de ler. Debrucei-me sobre um caderno especial da Folha: \u201cInova\u00e7\u00e3o Educativa\u201d. O que isto quer dizer? Passo a voc\u00eas parte do que li. Desculpem pelos n\u00fameros. S\u00e3o necess\u00e1rios ao entendimento. Se \u00e9 que assimilei.<br \/>\nNeste pa\u00eds de mais 200 milh\u00f5es de habitantes h\u00e1 oito milh\u00f5es de pessoas matriculadas em ensino superior. Equivale a dizer que 4% da popula\u00e7\u00e3o cuida de estudar mais. Desses, quase um milh\u00e3o e 500 mil optaram por cursos de licenciatura. Na licenciatura s\u00e3o formados professores.<br \/>\nQuando se fala em licenciatura \u00e9 preciso dizer que cursos a integram. Pela ordem, s\u00e3o: Pedagogia (44% do total), Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica (11,4 %), Hist\u00f3ria (5,9%), Matem\u00e1tica (5,6%), Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (5,3%), Geografia (3,5%), Qu\u00edmica (2,3%), Letras\/L\u00edngua Portuguesa (1,3), Letras\/ Portugu\u00eas e Ingl\u00eas (1,9%) e Letras\/ Ingl\u00eas (1,7%).<br \/>\nOs cursos dividem-se em presenciais (63,6%) e a dist\u00e2ncia (34,6%). Embora 74,6% sejam origin\u00e1rios de escolas p\u00fablicas de ensino m\u00e9dio, h\u00e1 uma escolha majorit\u00e1ria dos estudantes na \u00e1rea por cursos superiores de licenciatura privados (61,3%), talvez por serem noturnos, baixos pre\u00e7os e pouco exigirem de conte\u00fado. S\u00f3 38,7% optam por universidades e faculdades p\u00fablicas.<br \/>\nOs dados s\u00e3o do Censo de Educa\u00e7\u00e3o de Ensino Superior Inep-MEC, 2015. O que isso nos leva a concluir? Pe\u00e7o ajuda a Paulo Salda\u00f1a, da Folha, e a tantos outros que participaram do 2\u00ba. F\u00f3rum de Inova\u00e7\u00e3o Educativa, realizado h\u00e1 pouco na capital de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nPor que n\u00f3s temos um n\u00edvel baixo de ensino nos cursos m\u00e9dios? Muitos professores desistem de ensinar, 20% alegam o desrespeito dos alunos. O baixo sal\u00e1rio desestimula outros 17%.<br \/>\nPriscila Cruz, fundadora e executiva do movimento \u201cTodos pela Educa\u00e7\u00e3o\u201d, diz que \u201ca sociedade precisa superar a ideia de que professores se equiparam a sacerdotes, que devem trabalhar por amor. Temos de trat\u00e1-los como profissionais\u201d.<br \/>\nOs sal\u00e1rios dos professores ficam bem abaixo do que o mercado paga a outros profissionais com a mesma escolaridade, em outras \u00e1reas. Em tempos de crise s\u00f3 se fala em cortes, mas se os professores n\u00e3o forem valorizados a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o melhorar\u00e1 e o Brasil n\u00e3o produzir\u00e1 eleitores com senso cr\u00edtico para avaliar candidatos. Logo, tudo voltar\u00e1.<br \/>\nA ideia tida como nova \u00e9 o ensino investigativo e isso est\u00e1 na recente Base Nacional Comum Curricular. Teresa Pontual, diretora de curr\u00edculos e de ensino integral do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, assevera: \u201cA base nacional traz os conte\u00fados que os alunos t\u00eam que aprender o que j\u00e1 \u00e9 um avan\u00e7o. Mas a gente n\u00e3o consegue garantir que os professores saibam os conte\u00fados que precisam ensinar\u201d.<br \/>\nData venia. Pe\u00e7o permiss\u00e3o para responder a Sra. Teresa Pontual. O que n\u00e3o se consegue garantir \u00e9 que os professores ganhem o suficiente para manter as suas fam\u00edlias e, um pouco, para aprimorar os seus conhecimentos. O resto \u00e9 consequ\u00eancia da baixa remunera\u00e7\u00e3o. O cadeado do saber s\u00f3 se abre com motiva\u00e7\u00e3o e sal\u00e1rios justos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 02\/06\/2017.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2656","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2656\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}