{"id":2661,"date":"2023-12-21T09:10:26","date_gmt":"2023-12-21T12:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/brasilula-15-anos-depois-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:26","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:26","slug":"brasilula-15-anos-depois-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/brasilula-15-anos-depois-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"BRASILULA &#8211; 15 ANOS DEPOIS &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Este artigo foi publicado, originariamente, no dia 27 de outubro de 2002, no Di\u00e1rio do Nordeste. Ap\u00f3s 13 anos, em 2015, o republiquei neste \u201cO Estado\u201d. Agora, pe\u00e7o aos leitores que fa\u00e7am uma nova reflex\u00e3o sobre o seu conte\u00fado. Vejam par\u00e1grafo por par\u00e1grafo, o acentuado, as d\u00favidas e o que realmente ocorreu, nos dois governos Lula e, em seguida, no de Dilma.<br \/>\nSegundo as pesquisas, Lula ser\u00e1 eleito hoje. Far-se-\u00e1 a vontade da maioria. Lula, com a persist\u00eancia de um Miterrand, chega \u00e0 Presid\u00eancia. Chega no esplendor da sua maturidade cronol\u00f3gica e no limiar de uma nova ordem mundial em que a recess\u00e3o e a amea\u00e7a de \u2018default` s\u00e3o vari\u00e1veis em jogo. Vem com a for\u00e7a e a esperan\u00e7a de milh\u00f5es de eleitores e de uma milit\u00e2ncia de fazer inveja.<br \/>\nA sua elei\u00e7\u00e3o representar\u00e1 uma guinada para um pa\u00eds que teima em ser primeiro mundo, mas tem o p\u00e9 na mis\u00e9ria. Ou melhor, tem os dois p\u00e9s na lama das favelas, os membros atados com compromissos meio esp\u00farios e a cabe\u00e7a, s\u00f3 Deus sabe. E h\u00e1 os que n\u00e3o acreditam em Deus. Talvez seja a hora de se parar de pensar tanto em riqueza e ter-se coragem de assumir a pobreza ou abolir, pelo menos, a mis\u00e9ria. Bastaria mais responsabilidade social e menos demagogia, n\u00e3o s\u00f3 dos pol\u00edticos, mas das elites que n\u00e3o praticam o que discursam e de uma classe m\u00e9dia deslumbrada pelo consumo e o mundo das apar\u00eancias.<br \/>\nLula emerge de uma hist\u00f3ria que remonta \u00e0 redemocratiza\u00e7\u00e3o, \u00e0 insubordina\u00e7\u00e3o sindical e se a cultura na liga\u00e7\u00e3o umbilical com a intelig\u00eancia universit\u00e1ria que deu ao PT a ess\u00eancia de sua estrutura ideol\u00f3gica, hoje aromatizada. Muitos anos se passaram e foi preciso que o povo brasileiro acumulasse revoltas, sal\u00e1rios p\u00edfios, sofrimentos, sentimento de inseguran\u00e7a e desamparo para que Lula emergisse da sua base hist\u00f3rica e fiel, para os bra\u00e7os generosos de eleitores ainda n\u00e3o politizados e de uma burguesia meio sem rumo, pouca vis\u00e3o de mundo e sempre com o apetite de ades\u00e3o \u00e0 vit\u00f3ria, qualquer que seja o vencedor.<br \/>\nH\u00e1 na trajet\u00f3ria de Lula um pouco da hist\u00f3ria da pobreza do nordestino imigrante, da for\u00e7a da mulher abandonada \u2013 sua m\u00e3e \u2013 que protege e cria os filhos na periferia das grandes cidades, de um sindicalismo capaz, de um partido oper\u00e1rio consistente e da cren\u00e7a de que o bem pode vencer o mal. Apesar disso, Lula n\u00e3o \u00e9 messi\u00e2nico, \u00e9 pessoa centrada, treinada e ajustada a uma realidade mercadol\u00f3gica que exigia uma postura diversa da sua ess\u00eancia fundamental.<br \/>\nLula mostrou-se, para ganhar, como a maioria queria. A essa maioria s\u00f3 se pode parabenizar, pois n\u00e3o se discute vit\u00f3ria, se aceita. Assim \u00e9 a Democracia que, entre outras coisas, tem a capacidade de ver que o outro pode estar certo, apesar de voc\u00ea imaginar estar ele errado.<br \/>\nPassada a euforia da vit\u00f3ria, haver\u00e1 a assun\u00e7\u00e3o do Lula verdadeiro e da sua equipe multifacetada que n\u00e3o precisar\u00e3o mais fazer caras e bocas e sim, tentar apresentar respostas urgentes que o Brasil e o mundo esperam de um ainda desconhecido \u201cmix\u201d entre Socialismo, Neoliberalismo e pol\u00edtica de resultados. A governabilidade \u00e9 uma arte de engenharia pol\u00edtica e nela o discurso \u00e9 desprezado. Por outro lado, a estrutura de poder presidencialista brasileiro, especialmente, ap\u00f3s a lei de responsabilidade fiscal, neutraliza o voluntarismo e far\u00e1 emergir, se bom senso houver, uma coaliz\u00e3o de for\u00e7as \u2013 espera-se que a custo razo\u00e1vel \u2013 que respaldar\u00e1 as a\u00e7\u00f5es t\u00e3o cobradas pelos que ainda acreditam em milagres.<br \/>\nLula n\u00e3o \u00e9 milagreiro, \u00e9 apenas um homem do povo que se fez l\u00edder capaz e persistente, adotou modos sofisticados, e vence em meio a uma tormenta, precisando mais que nunca da prud\u00eancia dos que o cercam, da sabedoria dos que o assessoram, de saber transferir o cetro da oposi\u00e7\u00e3o aos que eram governo, da confian\u00e7a dos mercados internacionais, da paci\u00eancia dos que o elegeram e da aten\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Resumindo e citando o cientista pol\u00edtico Jos\u00e9 Murilo de Carvalho: \u201cAs dificuldades de Lula ser\u00e3o proporcionais \u00e0 esperan\u00e7a que criou\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\n CR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05\/05\/2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo foi publicado, originariamente, no dia 27 de outubro de 2002, no Di\u00e1rio do Nordeste. Ap\u00f3s 13 anos, em 2015, o republiquei neste \u201cO Estado\u201d. Agora, pe\u00e7o aos leitores que fa\u00e7am uma nova reflex\u00e3o sobre o seu conte\u00fado. Vejam par\u00e1grafo por par\u00e1grafo, o acentuado, as d\u00favidas e o que realmente ocorreu, nos dois governos Lula e, em seguida, no de Dilma.<br \/>\nSegundo as pesquisas, Lula ser\u00e1 eleito hoje. Far-se-\u00e1 a vontade da maioria. Lula, com a persist\u00eancia de um Miterrand, chega \u00e0 Presid\u00eancia. Chega no esplendor da sua maturidade cronol\u00f3gica e no limiar de uma nova ordem mundial em que a recess\u00e3o e a amea\u00e7a de \u2018default` s\u00e3o vari\u00e1veis em jogo. Vem com a for\u00e7a e a esperan\u00e7a de milh\u00f5es de eleitores e de uma milit\u00e2ncia de fazer inveja.<br \/>\nA sua elei\u00e7\u00e3o representar\u00e1 uma guinada para um pa\u00eds que teima em ser primeiro mundo, mas tem o p\u00e9 na mis\u00e9ria. Ou melhor, tem os dois p\u00e9s na lama das favelas, os membros atados com compromissos meio esp\u00farios e a cabe\u00e7a, s\u00f3 Deus sabe. E h\u00e1 os que n\u00e3o acreditam em Deus. Talvez seja a hora de se parar de pensar tanto em riqueza e ter-se coragem de assumir a pobreza ou abolir, pelo menos, a mis\u00e9ria. Bastaria mais responsabilidade social e menos demagogia, n\u00e3o s\u00f3 dos pol\u00edticos, mas das elites que n\u00e3o praticam o que discursam e de uma classe m\u00e9dia deslumbrada pelo consumo e o mundo das apar\u00eancias.<br \/>\nLula emerge de uma hist\u00f3ria que remonta \u00e0 redemocratiza\u00e7\u00e3o, \u00e0 insubordina\u00e7\u00e3o sindical e se a cultura na liga\u00e7\u00e3o umbilical com a intelig\u00eancia universit\u00e1ria que deu ao PT a ess\u00eancia de sua estrutura ideol\u00f3gica, hoje aromatizada. Muitos anos se passaram e foi preciso que o povo brasileiro acumulasse revoltas, sal\u00e1rios p\u00edfios, sofrimentos, sentimento de inseguran\u00e7a e desamparo para que Lula emergisse da sua base hist\u00f3rica e fiel, para os bra\u00e7os generosos de eleitores ainda n\u00e3o politizados e de uma burguesia meio sem rumo, pouca vis\u00e3o de mundo e sempre com o apetite de ades\u00e3o \u00e0 vit\u00f3ria, qualquer que seja o vencedor.<br \/>\nH\u00e1 na trajet\u00f3ria de Lula um pouco da hist\u00f3ria da pobreza do nordestino imigrante, da for\u00e7a da mulher abandonada \u2013 sua m\u00e3e \u2013 que protege e cria os filhos na periferia das grandes cidades, de um sindicalismo capaz, de um partido oper\u00e1rio consistente e da cren\u00e7a de que o bem pode vencer o mal. Apesar disso, Lula n\u00e3o \u00e9 messi\u00e2nico, \u00e9 pessoa centrada, treinada e ajustada a uma realidade mercadol\u00f3gica que exigia uma postura diversa da sua ess\u00eancia fundamental.<br \/>\nLula mostrou-se, para ganhar, como a maioria queria. A essa maioria s\u00f3 se pode parabenizar, pois n\u00e3o se discute vit\u00f3ria, se aceita. Assim \u00e9 a Democracia que, entre outras coisas, tem a capacidade de ver que o outro pode estar certo, apesar de voc\u00ea imaginar estar ele errado.<br \/>\nPassada a euforia da vit\u00f3ria, haver\u00e1 a assun\u00e7\u00e3o do Lula verdadeiro e da sua equipe multifacetada que n\u00e3o precisar\u00e3o mais fazer caras e bocas e sim, tentar apresentar respostas urgentes que o Brasil e o mundo esperam de um ainda desconhecido \u201cmix\u201d entre Socialismo, Neoliberalismo e pol\u00edtica de resultados. A governabilidade \u00e9 uma arte de engenharia pol\u00edtica e nela o discurso \u00e9 desprezado. Por outro lado, a estrutura de poder presidencialista brasileiro, especialmente, ap\u00f3s a lei de responsabilidade fiscal, neutraliza o voluntarismo e far\u00e1 emergir, se bom senso houver, uma coaliz\u00e3o de for\u00e7as \u2013 espera-se que a custo razo\u00e1vel \u2013 que respaldar\u00e1 as a\u00e7\u00f5es t\u00e3o cobradas pelos que ainda acreditam em milagres.<br \/>\nLula n\u00e3o \u00e9 milagreiro, \u00e9 apenas um homem do povo que se fez l\u00edder capaz e persistente, adotou modos sofisticados, e vence em meio a uma tormenta, precisando mais que nunca da prud\u00eancia dos que o cercam, da sabedoria dos que o assessoram, de saber transferir o cetro da oposi\u00e7\u00e3o aos que eram governo, da confian\u00e7a dos mercados internacionais, da paci\u00eancia dos que o elegeram e da aten\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Resumindo e citando o cientista pol\u00edtico Jos\u00e9 Murilo de Carvalho: \u201cAs dificuldades de Lula ser\u00e3o proporcionais \u00e0 esperan\u00e7a que criou\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\n CR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05\/05\/2017.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2661","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2661"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2661\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}