{"id":2666,"date":"2023-12-21T09:10:26","date_gmt":"2023-12-21T12:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/pausa-frenetica-e-notas-esparsas-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:26","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:26","slug":"pausa-frenetica-e-notas-esparsas-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/pausa-frenetica-e-notas-esparsas-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"PAUSA FREN\u00c9TICA E NOTAS ESPARSAS &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil tudo \u00e9 exagerado. Na sexta-feira passada, todos estavam ansiosos pela folga do carnaval. No expediente da tarde as coisas se arrastavam. Ningu\u00e9m queria mais nada com nada. Perguntei aos meus pr\u00f3ximos o que iriam fazer. Praias, viagens longas de at\u00e9 1.200 quil\u00f4metros de carro, serras e que tais. Dos que ficaram em suas casas, poucos os com um livro \u00e0s m\u00e3os. Estavam a mudar de canal para ver mais do mesmo ou trocavam mensagens e fotos em seus celulares. S\u00e3o os tais solit\u00e1rios conectados, quase sempre em busca de fatos desairosos ou de humor duvidoso.<br \/>\nA caracter\u00edstica desse tempo foi a obrigatoriedade de parar a \u201cchata\u201d vida e fazer dos dias de folga o que bem aprouver. Cada qual com a alegria surgida do nada. F\u00e9rias curtas com desgaste de energia e de dinheiro. \u00c9poca da concess\u00e3o geral e do encontro com o outro eu, aquele sem censura, enrustido nas conveni\u00eancias do grupo em que cada um se enquadra.<br \/>\nEm Fortaleza, consolida-se uma forma auspiciosa de fazer carnaval. A partir da descentraliza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de atra\u00e7\u00e3o em diversos bairros, dos muitos blocos, dos cord\u00f5es, dos abomin\u00e1veis pared\u00f5es de som e o \u201caterrinho\u201d da Praia de Iracema como palco principal da festan\u00e7a. Na Avenida Domingos Ol\u00edmpio, os combatentes, novos ou antigos, dos maracatus, das escolas de sambas e dos cord\u00f5es t\u00eam bem cuidado espa\u00e7o reservado no breve corredor e uma estrutura profissional de arquibancadas, locais de filmagens e boa ilumina\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs mortes em estradas, os assassinatos, passam como meras estat\u00edsticas, enquanto fam\u00edlias perdem provedores e entes queridos. Os acidentes com os grandes carros aleg\u00f3ricos no Samb\u00f3dromo do Rio de Janeiro a causar 32 feridos, ganham manchetes e mostram a necessidade de acompanhamento t\u00e9cnico na fabrica\u00e7\u00e3o e montagem das estruturas met\u00e1licas, suas interconex\u00f5es e suas soldas. Isso \u00e9 assunto de engenharia. O motorista, de um dos carros, sequer tinha vis\u00e3o livre, em face dos adere\u00e7os.<br \/>\nNa volta ao mundo real, que n\u00e3o parou l\u00e1 fora, o Brasil retoma, na pr\u00f3xima segunda-feira, o feij\u00e3o com arroz da pol\u00edtico-econ\u00f4mica, enquanto jornais, revistas, emissoras de r\u00e1dio e de televis\u00e3o, retomam a mesma pauta. A mesma de sempre.<br \/>\nAl\u00e9m do carnaval, s\u00f3 as not\u00edcias do \u201cOscar\u201d, com erro grave da PwC, encarregada da gest\u00e3o dos votos, na principal decis\u00e3o da noite: o melhor \u2013n\u00e3o para mim \u2013 filme (Moonlight, sob a Luz do Luar). Um diretor negro, Barry Jenkis, de 31 anos, ganha, depois do duplo equ\u00edvoco de Faye Dunaway e Warren Beatty (ser\u00e1 que enxergavam direito o que liam?). Os do filme \u201cLa la Land\u201d que, haviam subido ao palco, devolveram os trof\u00e9us recebidos, tiveram cinco minutos de gl\u00f3ria e o resto da vida de desapontamento.<br \/>\nNo \u201cOscar\u201d do ano passado houve queixa geral por n\u00e3o figurar um s\u00f3 ator ou diretor afrodescendente entre os vitoriosos. Este ano aconteceu o inverso. Hollywood mudou de tom e exagerou na dose. A cerim\u00f4nia \u00e9 longa e chata. S\u00e3o tantas as categorias: melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor atriz, melhor ator coadjuvante, melhor filme estrangeiro, melhor anima\u00e7\u00e3o \u2013 desenho animado, melhor roteiro original e, para n\u00e3o cansar mais, fico por aqui.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 03\/03\/2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil tudo \u00e9 exagerado. Na sexta-feira passada, todos estavam ansiosos pela folga do carnaval. No expediente da tarde as coisas se arrastavam. Ningu\u00e9m queria mais nada com nada. Perguntei aos meus pr\u00f3ximos o que iriam fazer. Praias, viagens longas de at\u00e9 1.200 quil\u00f4metros de carro, serras e que tais. Dos que ficaram em suas casas, poucos os com um livro \u00e0s m\u00e3os. Estavam a mudar de canal para ver mais do mesmo ou trocavam mensagens e fotos em seus celulares. S\u00e3o os tais solit\u00e1rios conectados, quase sempre em busca de fatos desairosos ou de humor duvidoso.<br \/>\nA caracter\u00edstica desse tempo foi a obrigatoriedade de parar a \u201cchata\u201d vida e fazer dos dias de folga o que bem aprouver. Cada qual com a alegria surgida do nada. F\u00e9rias curtas com desgaste de energia e de dinheiro. \u00c9poca da concess\u00e3o geral e do encontro com o outro eu, aquele sem censura, enrustido nas conveni\u00eancias do grupo em que cada um se enquadra.<br \/>\nEm Fortaleza, consolida-se uma forma auspiciosa de fazer carnaval. A partir da descentraliza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de atra\u00e7\u00e3o em diversos bairros, dos muitos blocos, dos cord\u00f5es, dos abomin\u00e1veis pared\u00f5es de som e o \u201caterrinho\u201d da Praia de Iracema como palco principal da festan\u00e7a. Na Avenida Domingos Ol\u00edmpio, os combatentes, novos ou antigos, dos maracatus, das escolas de sambas e dos cord\u00f5es t\u00eam bem cuidado espa\u00e7o reservado no breve corredor e uma estrutura profissional de arquibancadas, locais de filmagens e boa ilumina\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs mortes em estradas, os assassinatos, passam como meras estat\u00edsticas, enquanto fam\u00edlias perdem provedores e entes queridos. Os acidentes com os grandes carros aleg\u00f3ricos no Samb\u00f3dromo do Rio de Janeiro a causar 32 feridos, ganham manchetes e mostram a necessidade de acompanhamento t\u00e9cnico na fabrica\u00e7\u00e3o e montagem das estruturas met\u00e1licas, suas interconex\u00f5es e suas soldas. Isso \u00e9 assunto de engenharia. O motorista, de um dos carros, sequer tinha vis\u00e3o livre, em face dos adere\u00e7os.<br \/>\nNa volta ao mundo real, que n\u00e3o parou l\u00e1 fora, o Brasil retoma, na pr\u00f3xima segunda-feira, o feij\u00e3o com arroz da pol\u00edtico-econ\u00f4mica, enquanto jornais, revistas, emissoras de r\u00e1dio e de televis\u00e3o, retomam a mesma pauta. A mesma de sempre.<br \/>\nAl\u00e9m do carnaval, s\u00f3 as not\u00edcias do \u201cOscar\u201d, com erro grave da PwC, encarregada da gest\u00e3o dos votos, na principal decis\u00e3o da noite: o melhor \u2013n\u00e3o para mim \u2013 filme (Moonlight, sob a Luz do Luar). Um diretor negro, Barry Jenkis, de 31 anos, ganha, depois do duplo equ\u00edvoco de Faye Dunaway e Warren Beatty (ser\u00e1 que enxergavam direito o que liam?). Os do filme \u201cLa la Land\u201d que, haviam subido ao palco, devolveram os trof\u00e9us recebidos, tiveram cinco minutos de gl\u00f3ria e o resto da vida de desapontamento.<br \/>\nNo \u201cOscar\u201d do ano passado houve queixa geral por n\u00e3o figurar um s\u00f3 ator ou diretor afrodescendente entre os vitoriosos. Este ano aconteceu o inverso. Hollywood mudou de tom e exagerou na dose. A cerim\u00f4nia \u00e9 longa e chata. S\u00e3o tantas as categorias: melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor atriz, melhor ator coadjuvante, melhor filme estrangeiro, melhor anima\u00e7\u00e3o \u2013 desenho animado, melhor roteiro original e, para n\u00e3o cansar mais, fico por aqui.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 03\/03\/2017.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2666","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2666"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2666\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}