{"id":2679,"date":"2023-12-21T09:10:27","date_gmt":"2023-12-21T12:10:27","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ao-leitor-que-leitor-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:27","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:27","slug":"ao-leitor-que-leitor-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ao-leitor-que-leitor-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"AO LEITOR. QUE LEITOR? &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cLeitor, coautor do texto.\u201d \u2013 Ledo Ivo<br \/>\nQuem escreve n\u00e3o pode ser escravo de um leitor que desconhece. Ora, isso \u00e9 simplificar a coisa. Ao escrever n\u00e3o se pode ir atirando a esmo. H\u00e1 que ter foco. Ao escrever em jornal a pessoa tem menos de 24 horas para captar e interessar o leitor. No dia seguinte, o jornal \u00e9 descart\u00e1vel. Raz\u00e3o pela qual vou disponibilizando no meu \u2018www\u2019 ou nos dos amigos.<br \/>\nProcuro, portanto, escrever para quem n\u00e3o est\u00e1 apenas interessado no cotidiano. Tento, a cada semana, ir mudando de rumo. A \u00fanica coisa permanente \u00e9 a minha forma de contar. Isso \u00e9 o que se chama estilo.<br \/>\nPara se ter estilo, seja bom ou n\u00e3o, \u00e9 preciso mourejar com as letras, saber das v\u00edrgulas, dos pontos, das interjei\u00e7\u00f5es e n\u00e3o exclamar muito. Ser o mais natural poss\u00edvel. Se consigo, \u00e9 outra coisa.<br \/>\nHoje, o leitor se depara com muitas op\u00e7\u00f5es que o confundem ou o atraem. No mundo digital h\u00e1 muito de engana\u00e7\u00e3o. Promete-se uma coisa e, em seguida, o usu\u00e1rio cai em armadilhas que o levam a caminhos n\u00e3o imaginados. A curiosidade, na Internet, \u00e9 uma faca de dois gumes, leva a novos conhecimentos\/informa\u00e7\u00f5es ou a simples engodo.<br \/>\nH\u00e1 discuss\u00f5es acad\u00eamicas sobre a natureza da cr\u00f4nica ou do artigo. Como diz Humberto Werneck: \u201cSe n\u00e3o \u00e9 aguda, \u00e9 cr\u00f4nica.\u201d Seriam eles alvitres liter\u00e1rios? Trato um pouco de assuntos ligados ao cotidiano, a vidas das pessoas e os fatos que v\u00e3o montando o nosso dia, desde as matinas at\u00e9 o arrebol. Matinas e arrebol foram apostas apenas como adere\u00e7o.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 b\u00e1sico que o texto seja sempre ligado ao cotidiano, ao coloquial ou ao real. Ele pode ir, al\u00e9m disso. Divagar para que o leitor possa experienciar algo inusitado, como est\u00e1 sendo a tessitura deste escrito. O meu compromisso \u00e9 trazer o leitor at\u00e9 o ponto final, mesmo sabendo que o ponto final \u00e9 imagin\u00e1rio. Depois dele, cabe ao leitor maquinar o que se seguiria n\u00e3o tivesse o ponto existido.<br \/>\nO escritor deve aceitar como tema at\u00e9 uma pena que cai da asa de um pav\u00e3o e isso nos levaria, por exemplo, ao Pav\u00e3o Misterioso, do cantor e compositor Ednardo.<br \/>\nEu n\u00e3o sigo c\u00e2nones, vou lendo os dedos sobre o teclado e o que sai, muitas vezes, \u00e9 o inesperado e n\u00e3o aquilo que, de princ\u00edpio, gostaria de escrever. Como dizia Clarice Lispector: \u201cEu escrevo para nada e para ningu\u00e9m. Se algu\u00e9m me l\u00ea \u00e9 por conta pr\u00f3pria e auto risco\u201d.<br \/>\nSe me tolherem a liberdade, se me pautarem, n\u00e3o serei eu, pois a liberdade \u00e9 a minha caracter\u00edstica. Sem ela, com certeza, ficaria aprisionado pelo assunto imposto, suas regras, seu n\u00famero de palavras, a que n\u00e3o desejo me submeter, mesmo que a criatividade, como a de hoje, n\u00e3o seja o desiderato. Se n\u00e3o me encontro ou se me perco, resta a salva\u00e7\u00e3o e o arb\u00edtrio deste ponto final.<\/p>\n<p>PERSONALIDADES<br \/>\nIlona Szab\u00f3<br \/>\nHoje damos destaque em nossa capa para a cientista pol\u00edtica Ilona Szab\u00f3. Nascida em Nova Friburgo no Rio de Janeiro, Ilona Szab\u00f3 de Carvalho, \u00e9 uma refer\u00eancia quando o assunto \u00e9 pensar no pr\u00f3ximo e em um futuro sustent\u00e1vel, ela trata e discute assuntos pol\u00eamicos com uma vis\u00e3o mais ampla. Fundou em 2011 o Instituto Igarap\u00e9, que produz pesquisas pioneiras, novas tecnologias e influencia pol\u00edticas p\u00fablicas em seguran\u00e7a, justi\u00e7a e desenvolvimento. \u00c9 hoje um dos principais think tanks do Sul Global e trabalha em parceria com governos, iniciativa privada e sociedade civil para criar solu\u00e7\u00f5es baseadas em dados para problemas complexos.Ilona possue larga experi\u00eancia em lideran\u00e7a de redes globais para alavancar reformas positivas. Foi coordenadora executiva do secretariado da Comiss\u00e3o Global de Pol\u00edticas sobre Drogas entre 2011 e 2016. Anteriormente, ela coordenou o secretariado da Comiss\u00e3o Latino-Americana sobre Drogas e Democracia.<br \/>\nDurante seu mandato nas duas comiss\u00f5es, foi respons\u00e1vel por auxiliar a defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias globais junto a ex-presidentes nacionais, intelectuais p\u00fablicos, l\u00edderes empresariais e mundiais, incluindo o ex-Secret\u00e1rio Geral da ONU, Kofi Annan. Com mestrado em Estudos de Conflito e Paz pela Universidade de Uppsala, na Su\u00e9cia, \u00e9 especialista em Desenvolvimento Internacional pela Universidade de Oslo e bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Tamb\u00e9m participou de diversos cursos executivos, como Lideran\u00e7as Transformadoras na Said Business School, da Universidade de Oxford, e Gest\u00e3o de Desarmamento, Desmobiliza\u00e7\u00e3o e Reintegra\u00e7\u00e3o (DDR) no Col\u00e9gio de Defesa Nacional Sueco, em Estocolmo.Foi nomeada Jovem L\u00edder Global do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial e L\u00edder Respons\u00e1vel da Funda\u00e7\u00e3o BMW. Faz parte da Rede de Empreendedores C\u00edvicos da RAPS e lan\u00e7ou diversas redes de experts, incluindo Pense Livre e a Rede de Transforma\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Ilona \u00e9 descendente de h\u00fangaros. \u00c9 m\u00e3e de Yasmim Zoe, nascida em 2014, e \u00e9 casada com o economista e acad\u00eamico canadense e tamb\u00e9m co-fundador do Instituto Igarap\u00e9, Robert Muggah.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\n CR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/09\/2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cLeitor, coautor do texto.\u201d \u2013 Ledo Ivo<br \/>\nQuem escreve n\u00e3o pode ser escravo de um leitor que desconhece. Ora, isso \u00e9 simplificar a coisa. Ao escrever n\u00e3o se pode ir atirando a esmo. H\u00e1 que ter foco. Ao escrever em jornal a pessoa tem menos de 24 horas para captar e interessar o leitor. No dia seguinte, o jornal \u00e9 descart\u00e1vel. Raz\u00e3o pela qual vou disponibilizando no meu \u2018www\u2019 ou nos dos amigos.<br \/>\nProcuro, portanto, escrever para quem n\u00e3o est\u00e1 apenas interessado no cotidiano. Tento, a cada semana, ir mudando de rumo. A \u00fanica coisa permanente \u00e9 a minha forma de contar. Isso \u00e9 o que se chama estilo.<br \/>\nPara se ter estilo, seja bom ou n\u00e3o, \u00e9 preciso mourejar com as letras, saber das v\u00edrgulas, dos pontos, das interjei\u00e7\u00f5es e n\u00e3o exclamar muito. Ser o mais natural poss\u00edvel. Se consigo, \u00e9 outra coisa.<br \/>\nHoje, o leitor se depara com muitas op\u00e7\u00f5es que o confundem ou o atraem. No mundo digital h\u00e1 muito de engana\u00e7\u00e3o. Promete-se uma coisa e, em seguida, o usu\u00e1rio cai em armadilhas que o levam a caminhos n\u00e3o imaginados. A curiosidade, na Internet, \u00e9 uma faca de dois gumes, leva a novos conhecimentos\/informa\u00e7\u00f5es ou a simples engodo.<br \/>\nH\u00e1 discuss\u00f5es acad\u00eamicas sobre a natureza da cr\u00f4nica ou do artigo. Como diz Humberto Werneck: \u201cSe n\u00e3o \u00e9 aguda, \u00e9 cr\u00f4nica.\u201d Seriam eles alvitres liter\u00e1rios? Trato um pouco de assuntos ligados ao cotidiano, a vidas das pessoas e os fatos que v\u00e3o montando o nosso dia, desde as matinas at\u00e9 o arrebol. Matinas e arrebol foram apostas apenas como adere\u00e7o.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 b\u00e1sico que o texto seja sempre ligado ao cotidiano, ao coloquial ou ao real. Ele pode ir, al\u00e9m disso. Divagar para que o leitor possa experienciar algo inusitado, como est\u00e1 sendo a tessitura deste escrito. O meu compromisso \u00e9 trazer o leitor at\u00e9 o ponto final, mesmo sabendo que o ponto final \u00e9 imagin\u00e1rio. Depois dele, cabe ao leitor maquinar o que se seguiria n\u00e3o tivesse o ponto existido.<br \/>\nO escritor deve aceitar como tema at\u00e9 uma pena que cai da asa de um pav\u00e3o e isso nos levaria, por exemplo, ao Pav\u00e3o Misterioso, do cantor e compositor Ednardo.<br \/>\nEu n\u00e3o sigo c\u00e2nones, vou lendo os dedos sobre o teclado e o que sai, muitas vezes, \u00e9 o inesperado e n\u00e3o aquilo que, de princ\u00edpio, gostaria de escrever. Como dizia Clarice Lispector: \u201cEu escrevo para nada e para ningu\u00e9m. Se algu\u00e9m me l\u00ea \u00e9 por conta pr\u00f3pria e auto risco\u201d.<br \/>\nSe me tolherem a liberdade, se me pautarem, n\u00e3o serei eu, pois a liberdade \u00e9 a minha caracter\u00edstica. Sem ela, com certeza, ficaria aprisionado pelo assunto imposto, suas regras, seu n\u00famero de palavras, a que n\u00e3o desejo me submeter, mesmo que a criatividade, como a de hoje, n\u00e3o seja o desiderato. Se n\u00e3o me encontro ou se me perco, resta a salva\u00e7\u00e3o e o arb\u00edtrio deste ponto final.<\/p>\n<p>PERSONALIDADES<br \/>\nIlona Szab\u00f3<br \/>\nHoje damos destaque em nossa capa para a cientista pol\u00edtica Ilona Szab\u00f3. Nascida em Nova Friburgo no Rio de Janeiro, Ilona Szab\u00f3 de Carvalho, \u00e9 uma refer\u00eancia quando o assunto \u00e9 pensar no pr\u00f3ximo e em um futuro sustent\u00e1vel, ela trata e discute assuntos pol\u00eamicos com uma vis\u00e3o mais ampla. Fundou em 2011 o Instituto Igarap\u00e9, que produz pesquisas pioneiras, novas tecnologias e influencia pol\u00edticas p\u00fablicas em seguran\u00e7a, justi\u00e7a e desenvolvimento. \u00c9 hoje um dos principais think tanks do Sul Global e trabalha em parceria com governos, iniciativa privada e sociedade civil para criar solu\u00e7\u00f5es baseadas em dados para problemas complexos.Ilona possue larga experi\u00eancia em lideran\u00e7a de redes globais para alavancar reformas positivas. Foi coordenadora executiva do secretariado da Comiss\u00e3o Global de Pol\u00edticas sobre Drogas entre 2011 e 2016. Anteriormente, ela coordenou o secretariado da Comiss\u00e3o Latino-Americana sobre Drogas e Democracia.<br \/>\nDurante seu mandato nas duas comiss\u00f5es, foi respons\u00e1vel por auxiliar a defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias globais junto a ex-presidentes nacionais, intelectuais p\u00fablicos, l\u00edderes empresariais e mundiais, incluindo o ex-Secret\u00e1rio Geral da ONU, Kofi Annan. Com mestrado em Estudos de Conflito e Paz pela Universidade de Uppsala, na Su\u00e9cia, \u00e9 especialista em Desenvolvimento Internacional pela Universidade de Oslo e bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Tamb\u00e9m participou de diversos cursos executivos, como Lideran\u00e7as Transformadoras na Said Business School, da Universidade de Oxford, e Gest\u00e3o de Desarmamento, Desmobiliza\u00e7\u00e3o e Reintegra\u00e7\u00e3o (DDR) no Col\u00e9gio de Defesa Nacional Sueco, em Estocolmo.Foi nomeada Jovem L\u00edder Global do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial e L\u00edder Respons\u00e1vel da Funda\u00e7\u00e3o BMW. Faz parte da Rede de Empreendedores C\u00edvicos da RAPS e lan\u00e7ou diversas redes de experts, incluindo Pense Livre e a Rede de Transforma\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Ilona \u00e9 descendente de h\u00fangaros. \u00c9 m\u00e3e de Yasmim Zoe, nascida em 2014, e \u00e9 casada com o economista e acad\u00eamico canadense e tamb\u00e9m co-fundador do Instituto Igarap\u00e9, Robert Muggah.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\n CR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/09\/2017.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2679","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2679\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}