{"id":2706,"date":"2023-12-21T09:10:27","date_gmt":"2023-12-21T12:10:27","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/perdas-sentidas-yolanda-queiroz-ivens-dias-branco-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:27","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:27","slug":"perdas-sentidas-yolanda-queiroz-ivens-dias-branco-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/perdas-sentidas-yolanda-queiroz-ivens-dias-branco-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"PERDAS SENTIDAS &#8211; YOLANDA QUEIROZ, IVENS DIAS BRANCO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>A morte, independente da cren\u00e7a, do agnosticismo ou do ate\u00edsmo das pessoas \u00e9 ainda, para n\u00e3o fugir ao lugar comum, mist\u00e9rio. Pensadores, n\u00e3o os mais recentes, debru\u00e7aram-se sobre o fim da vida. Cito dois para mostrar o impacto quando algu\u00e9m est\u00e1 pr\u00f3ximo do fim ou quando se disserta sobre a morte.<br \/>\nS\u00eaneca, sempre citado, foi coevo de Cristo. Ele, em \u201cCartas a Luc\u00edlio\u201d, afirma: \u201cNisto erramos: em ver a morte \u00e0 nossa frente, como um acontecimento futuro, enquanto parte dela j\u00e1 ficou para tr\u00e1s. Cada hora do nosso passado pertence \u00e0 morte\u201d.<br \/>\nEm contraponto, o escritor franc\u00eas L-F. C\u00e9line, morto em 1961, destoa: \u201cA maior parte das pessoas morre apenas no \u00faltimo momento\u201d. Mas faz ressalvas, logo em seguida: \u201cOutras come\u00e7am a morrer e a se ocupar da morte vinte anos antes, e \u00e0s vezes at\u00e9 mais. S\u00e3o os infelizes da terra\u201d.<br \/>\nRecentemente, no curto espa\u00e7o de uma semana, perdemos duas pessoas que viveram at\u00e9 o \u00faltimo momento. Yolanda Vidal Queiroz e Francisco Ivens S\u00e1 Dias Branco foram combatentes ao longo de suas vidas.<br \/>\nD. Yolanda, em 1982, perdeu o marido, o empres\u00e1rio Edson Queiroz, de forma abrupta. Abatida, mas n\u00e3o desistente, apegou-se \u00e0 f\u00e9 que possu\u00eda e, em pouco tempo, com a parceria da fam\u00edlia e o seu primog\u00eanito Airton Jos\u00e9 Vidal Queiroz, a lhe dar for\u00e7a e o ombro, tomou jeito e gosto para a sua nova, longa, \u00e1rdua e vitoriosa caminhada.<br \/>\nD. Yolanda comandava o Grupo Edson Queiroz-GEQ que tem como joia da coroa a Universidade de Fortaleza. Afora a Unifor, a partir do escrit\u00f3rio do seu pranteado marido, transformado em relic\u00e1rio, D. Yolanda dirigia um complexo empresarial que se d\u00e1 ao luxo de ser fechado. Sem espa\u00e7o para IPO ou abertura de capital. Ela sabia o que acontecia, em \u00e2mbito nacional, nas suas \u00e1reas tentaculares de comunica\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, f\u00e1brica de eletrodom\u00e9sticos e forte presen\u00e7a agropecu\u00e1ria.<br \/>\nO GEQ representa hoje a do\u00e7ura e a tenacidade de D. Yolanda aliada \u00e0 meticulosa alma profissional e sensibilidade do filho Airton compor o mundo pelas vers\u00f5es multiformes do paisagismo e da arte espraiada na Unifor. A par disso, emergem a energia e as possibilidades da terceira gest\u00e3o.<br \/>\nNa missa de 7\u00ba. Dia de D. Yolanda, a neta Joana falou: \u201cMinha av\u00f3 sempre foi o centro de nossa fam\u00edlia e ainda vamos ter que aprender a viver sem sua refer\u00eancia fisicamente conosco\u201d.<br \/>\nIvens, desde cedo, foi companheiro de seu pai, o panificador portugu\u00eas Manuel Dias Branco, vitorioso no interior do Cear\u00e1 e de l\u00e1 para Fortaleza. J\u00e1 industrial de sucesso, Manuel, com saudade da terra m\u00e3e, transfere ao jovem Ivens, em 1953, o comando de uma emergente ind\u00fastria.<br \/>\nA partir da\u00ed, a desenvoltura foi a pr\u00e1xis da M. Dias Branco e da Idibra que, ano ap\u00f3s ano, cresciam e mereciam o reconhecimento da sociedade do Cear\u00e1 e do Brasil. A cita\u00e7\u00e3o de Ivens entre os bilion\u00e1rios brasileiros na lista anual da revista \u201cForbes\u201d n\u00e3o \u00e9 uma contrapresta\u00e7\u00e3o de favor, mas reconhecimento que se consolidara em pouco mais de 60 anos de sua gest\u00e3o, sempre espartana.<br \/>\nPara os que n\u00e3o sabem, Ivens era viajor e leitor qualificado, curioso, com olhar de \u201cinsider\u201d empresarial ao identificar, implantar e equilibrar em sua balan\u00e7a empresarial atividades distintas, como empreendimentos imobili\u00e1rios, f\u00e1brica de cimento e moinho de trigo, ao seu \u201ccore business\u201d de l\u00edder nacional na \u00e1rea de massas e biscoitos.<br \/>\nSempre ligado \u00e0 fam\u00edlia, j\u00e1 na terceira gera\u00e7\u00e3o, lutou como fazem os fortes surpreendidos por doen\u00e7as graves. A discri\u00e7\u00e3o, o arrojo e a organiza\u00e7\u00e3o eram as suas caracter\u00edsticas basilares, aliadas ao bem fazer aos seus colaboradores acometidos por males do bolso, do corpo ou da alma. Suas empresas, consolidadas, continuam fortes e antenadas sob o olhar capaz do predefinido sucessor, Ivens Jr., coadjuvado pela fam\u00edlia.<br \/>\nAmbos, Yolanda e Ivens, profissionalizaram as diversas empresas que comp\u00f5em os seus distintos grupos. Tiveram o discernimento de, no tempo devido, auscultar familiares, diretores e consultores externos para dar formata\u00e7\u00e3o e continuidade aos complexos meandros de suas organiza\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a dura vida empresarial brasileira. Filhos e netos cresceram vendo exemplos, a forma mais pr\u00f3xima da verdade de educar e de dar sentido ao que se faz por destino, amor e coragem.<br \/>\n\u00c0s fam\u00edlias Queiroz e Dias Branco, o meu pesar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 01\/07\/2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte, independente da cren\u00e7a, do agnosticismo ou do ate\u00edsmo das pessoas \u00e9 ainda, para n\u00e3o fugir ao lugar comum, mist\u00e9rio. Pensadores, n\u00e3o os mais recentes, debru\u00e7aram-se sobre o fim da vida. Cito dois para mostrar o impacto quando algu\u00e9m est\u00e1 pr\u00f3ximo do fim ou quando se disserta sobre a morte.<br \/>\nS\u00eaneca, sempre citado, foi coevo de Cristo. Ele, em \u201cCartas a Luc\u00edlio\u201d, afirma: \u201cNisto erramos: em ver a morte \u00e0 nossa frente, como um acontecimento futuro, enquanto parte dela j\u00e1 ficou para tr\u00e1s. Cada hora do nosso passado pertence \u00e0 morte\u201d.<br \/>\nEm contraponto, o escritor franc\u00eas L-F. C\u00e9line, morto em 1961, destoa: \u201cA maior parte das pessoas morre apenas no \u00faltimo momento\u201d. Mas faz ressalvas, logo em seguida: \u201cOutras come\u00e7am a morrer e a se ocupar da morte vinte anos antes, e \u00e0s vezes at\u00e9 mais. S\u00e3o os infelizes da terra\u201d.<br \/>\nRecentemente, no curto espa\u00e7o de uma semana, perdemos duas pessoas que viveram at\u00e9 o \u00faltimo momento. Yolanda Vidal Queiroz e Francisco Ivens S\u00e1 Dias Branco foram combatentes ao longo de suas vidas.<br \/>\nD. Yolanda, em 1982, perdeu o marido, o empres\u00e1rio Edson Queiroz, de forma abrupta. Abatida, mas n\u00e3o desistente, apegou-se \u00e0 f\u00e9 que possu\u00eda e, em pouco tempo, com a parceria da fam\u00edlia e o seu primog\u00eanito Airton Jos\u00e9 Vidal Queiroz, a lhe dar for\u00e7a e o ombro, tomou jeito e gosto para a sua nova, longa, \u00e1rdua e vitoriosa caminhada.<br \/>\nD. Yolanda comandava o Grupo Edson Queiroz-GEQ que tem como joia da coroa a Universidade de Fortaleza. Afora a Unifor, a partir do escrit\u00f3rio do seu pranteado marido, transformado em relic\u00e1rio, D. Yolanda dirigia um complexo empresarial que se d\u00e1 ao luxo de ser fechado. Sem espa\u00e7o para IPO ou abertura de capital. Ela sabia o que acontecia, em \u00e2mbito nacional, nas suas \u00e1reas tentaculares de comunica\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, f\u00e1brica de eletrodom\u00e9sticos e forte presen\u00e7a agropecu\u00e1ria.<br \/>\nO GEQ representa hoje a do\u00e7ura e a tenacidade de D. Yolanda aliada \u00e0 meticulosa alma profissional e sensibilidade do filho Airton compor o mundo pelas vers\u00f5es multiformes do paisagismo e da arte espraiada na Unifor. A par disso, emergem a energia e as possibilidades da terceira gest\u00e3o.<br \/>\nNa missa de 7\u00ba. Dia de D. Yolanda, a neta Joana falou: \u201cMinha av\u00f3 sempre foi o centro de nossa fam\u00edlia e ainda vamos ter que aprender a viver sem sua refer\u00eancia fisicamente conosco\u201d.<br \/>\nIvens, desde cedo, foi companheiro de seu pai, o panificador portugu\u00eas Manuel Dias Branco, vitorioso no interior do Cear\u00e1 e de l\u00e1 para Fortaleza. J\u00e1 industrial de sucesso, Manuel, com saudade da terra m\u00e3e, transfere ao jovem Ivens, em 1953, o comando de uma emergente ind\u00fastria.<br \/>\nA partir da\u00ed, a desenvoltura foi a pr\u00e1xis da M. Dias Branco e da Idibra que, ano ap\u00f3s ano, cresciam e mereciam o reconhecimento da sociedade do Cear\u00e1 e do Brasil. A cita\u00e7\u00e3o de Ivens entre os bilion\u00e1rios brasileiros na lista anual da revista \u201cForbes\u201d n\u00e3o \u00e9 uma contrapresta\u00e7\u00e3o de favor, mas reconhecimento que se consolidara em pouco mais de 60 anos de sua gest\u00e3o, sempre espartana.<br \/>\nPara os que n\u00e3o sabem, Ivens era viajor e leitor qualificado, curioso, com olhar de \u201cinsider\u201d empresarial ao identificar, implantar e equilibrar em sua balan\u00e7a empresarial atividades distintas, como empreendimentos imobili\u00e1rios, f\u00e1brica de cimento e moinho de trigo, ao seu \u201ccore business\u201d de l\u00edder nacional na \u00e1rea de massas e biscoitos.<br \/>\nSempre ligado \u00e0 fam\u00edlia, j\u00e1 na terceira gera\u00e7\u00e3o, lutou como fazem os fortes surpreendidos por doen\u00e7as graves. 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Filhos e netos cresceram vendo exemplos, a forma mais pr\u00f3xima da verdade de educar e de dar sentido ao que se faz por destino, amor e coragem.<br \/>\n\u00c0s fam\u00edlias Queiroz e Dias Branco, o meu pesar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 01\/07\/2016.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2706","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2706"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2706\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}