{"id":2709,"date":"2023-12-21T09:10:28","date_gmt":"2023-12-21T12:10:28","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/portugueses-silenciam-a-marselhesa-grafia-correta-jornal-o-estado\/"},"modified":"2024-03-14T19:09:55","modified_gmt":"2024-03-14T22:09:55","slug":"portugueses-silenciam-a-marselhesa-grafia-correta-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/portugueses-silenciam-a-marselhesa-grafia-correta-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"PORTUGUESES SILENCIAM A MARSELHESA (GRAFIA CORRETA) &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Sou Jo\u00e3o, igual a meu av\u00f4 paterno, Soares. Esse nome vem de longe. Desde o s\u00e9culo 12. Come\u00e7ou com outro Jo\u00e3o Soares, esse de P\u00e1via, nome de rio e lugarejo ao norte de Portugal. Esse Jo\u00e3o Soares foi poeta\/trovador, considerado, por muitos, como o precursor da literatura galego-portuguesa. Poderia, tal meus irm\u00e3os, ter sido Caminha, ou, como meus av\u00f3s maternos, Saraiva e Monteiro. Em verdade, digo, o que importa n\u00e3o \u00e9 o nome, nem a sua origem. O que d\u00e1 sentido aos nomes \u00e9 o alvitre das nossas vidas, hoje. N\u00e3o o dos ancestrais.<br \/>\nEsse par\u00e1grafo acima \u00e9 para falar da descend\u00eancia portuguesa, t\u00e3o humilhada nos \u00faltimos tempos, pela migra\u00e7\u00e3o como al\u00edvio para o pequeno pa\u00eds ib\u00e9rico que, no s\u00e9culo 16, tornou-se o grande descobridor, dono de novas terras e de novos caminhos para o mundo que sa\u00eda da Idade M\u00e9dia.<br \/>\nNo come\u00e7o do s\u00e9culo 20, tais quais nordestinos, portugueses passaram a migrar em busca de novas oportunidades. A Fran\u00e7a foi um desses destinos. Depois, nos anos 1940 e 1960, novas correntes migrat\u00f3rias inundaram os pa\u00edses tidos como ricos na Europa Central. Entre eles, a Fran\u00e7a.<br \/>\nHoje, moram em Fran\u00e7a 600 mil portugueses genu\u00ednos, quase todos ocupando fun\u00e7\u00f5es subalternas como porteiros, pedreiros e empregados de hotel. Esses velhos ou quase velhos, 600 mil t\u00eam fam\u00edlias, e delas surgiram filhos de portugueses que, juntos com os ascendentes, devem somar mais de um milh\u00e3o de pessoas. Entre elas, h\u00e1 importantes figuras pol\u00edticas, empres\u00e1rios bem-sucedidos e cientistas renomados.<br \/>\nDomingo passado, no Est\u00e1dio da Fran\u00e7a, em Saint Denis, completamente lotado, entre os 75 mil espectadores havia um bom espa\u00e7o povoado por portugueses, vindos de todas as partes da Europa. Decidia-se a Eurocopa, um bilion\u00e1rio campeonato de futebol com transmiss\u00e3o simult\u00e2nea para dezenas de pa\u00edses.<br \/>\nPortugal vinha de campanha nutrida de empates, vit\u00f3ria apenas em prorroga\u00e7\u00e3o, e era candidato a vice, pois a valorosa equipe gaulesa, com todo o apoio dos seus torcedores, inclusive a presen\u00e7a de Fran\u00e7ois Hollande, Presidente da Rep\u00fablica. A Fran\u00e7a cantava de galo, o s\u00edmbolo aposto em suas camisas azuis. Entoavam alto a Marselhesa, o seu hino de louvor \u00e0 p\u00e1tria.<br \/>\nEra noite de domingo, 10 de julho de 2016. Despontavam, nas duas sele\u00e7\u00f5es, descendentes de emigrados de antigas col\u00f4nias africanas. Pois foi um desses, Eder, o her\u00f3i da partida, hom\u00f4nimo do nosso boxeador \u00c9der Jofre, exato aos 11 minutos, na segunda etapa da prorroga\u00e7\u00e3o, quem p\u00f4s a Fran\u00e7a em \u201cKnockout\u201d. Ele entrou, sa\u00eddo do banco de reservas, para a gl\u00f3ria, essa vol\u00favel palavra e sensa\u00e7\u00e3o que atrai vaidades. Poderiam ser outros, pois, repito, em ambas as sele\u00e7\u00f5es pululavam filhos de africanos.<br \/>\nO fato \u00e9: Portugal venceu. O futebol prega pe\u00e7as, iguala os diferentes em \u00e1timos de talento, lampejos de for\u00e7a e de descortino. Assim, de fora da \u00e1rea, saiu o golo, na vers\u00e3o lusa, que daria o primeiro grande t\u00edtulo internacional a Portugal. A Fran\u00e7a j\u00e1 fora bafejada, vezes sem conta, pela vol\u00favel gl\u00f3ria.<br \/>\nA Fam\u00edlia Real portuguesa, em 1808, com medo da Fran\u00e7a e de Napole\u00e3o fugiu para o Brasil. Agora, neste 2016, de forma pacata, mas varonil, Portugal demonstra, em Paris, de forma esportiva, a vez dos pequenos.<br \/>\nPara o Senhor dos destinos, Cristiano Ronaldo foi liberado do jogo, ao se contundir. Bastavam os demais, n\u00e3o t\u00e3o famosos, mas briosos. Como diz estrofe do Hino Portugu\u00eas: \u201cLevantai hoje de novo\/ o esplendor de Portugal\u201d.<\/p>\n<p>Nota: Este artigo foi publicado no dia de ontem, quinta, 14 de julho de 2016, edi\u00e7\u00e3o em papel do \u201cP\u00fablico\u201d, de Lisboa, um dos mais bem referidos e lidos jornais de Portugal, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2016\/07\/13\/desporto\/opiniao\/portugueses-silenciam-a-marselhesa-1738161\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clique aqui<\/a> para visualizar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 15\/07\/2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou Jo\u00e3o, igual a meu av\u00f4 paterno, Soares. Esse nome vem de longe. Desde o s\u00e9culo 12. Come\u00e7ou com outro Jo\u00e3o Soares, esse de P\u00e1via, nome de rio e lugarejo ao norte de Portugal. Esse Jo\u00e3o Soares foi poeta\/trovador, considerado, por muitos, como o precursor da literatura galego-portuguesa. Poderia, tal meus irm\u00e3os, ter sido Caminha, ou, como meus av\u00f3s maternos, Saraiva e Monteiro. Em verdade, digo, o que importa n\u00e3o \u00e9 o nome, nem a sua origem. O que d\u00e1 sentido aos nomes \u00e9 o alvitre das nossas vidas, hoje. N\u00e3o o dos ancestrais.<br \/>\nEsse par\u00e1grafo acima \u00e9 para falar da descend\u00eancia portuguesa, t\u00e3o humilhada nos \u00faltimos tempos, pela migra\u00e7\u00e3o como al\u00edvio para o pequeno pa\u00eds ib\u00e9rico que, no s\u00e9culo 16, tornou-se o grande descobridor, dono de novas terras e de novos caminhos para o mundo que sa\u00eda da Idade M\u00e9dia.<br \/>\nNo come\u00e7o do s\u00e9culo 20, tais quais nordestinos, portugueses passaram a migrar em busca de novas oportunidades. A Fran\u00e7a foi um desses destinos. Depois, nos anos 1940 e 1960, novas correntes migrat\u00f3rias inundaram os pa\u00edses tidos como ricos na Europa Central. Entre eles, a Fran\u00e7a.<br \/>\nHoje, moram em Fran\u00e7a 600 mil portugueses genu\u00ednos, quase todos ocupando fun\u00e7\u00f5es subalternas como porteiros, pedreiros e empregados de hotel. Esses velhos ou quase velhos, 600 mil t\u00eam fam\u00edlias, e delas surgiram filhos de portugueses que, juntos com os ascendentes, devem somar mais de um milh\u00e3o de pessoas. Entre elas, h\u00e1 importantes figuras pol\u00edticas, empres\u00e1rios bem-sucedidos e cientistas renomados.<br \/>\nDomingo passado, no Est\u00e1dio da Fran\u00e7a, em Saint Denis, completamente lotado, entre os 75 mil espectadores havia um bom espa\u00e7o povoado por portugueses, vindos de todas as partes da Europa. Decidia-se a Eurocopa, um bilion\u00e1rio campeonato de futebol com transmiss\u00e3o simult\u00e2nea para dezenas de pa\u00edses.<br \/>\nPortugal vinha de campanha nutrida de empates, vit\u00f3ria apenas em prorroga\u00e7\u00e3o, e era candidato a vice, pois a valorosa equipe gaulesa, com todo o apoio dos seus torcedores, inclusive a presen\u00e7a de Fran\u00e7ois Hollande, Presidente da Rep\u00fablica. A Fran\u00e7a cantava de galo, o s\u00edmbolo aposto em suas camisas azuis. Entoavam alto a Marselhesa, o seu hino de louvor \u00e0 p\u00e1tria.<br \/>\nEra noite de domingo, 10 de julho de 2016. Despontavam, nas duas sele\u00e7\u00f5es, descendentes de emigrados de antigas col\u00f4nias africanas. Pois foi um desses, Eder, o her\u00f3i da partida, hom\u00f4nimo do nosso boxeador \u00c9der Jofre, exato aos 11 minutos, na segunda etapa da prorroga\u00e7\u00e3o, quem p\u00f4s a Fran\u00e7a em \u201cKnockout\u201d. Ele entrou, sa\u00eddo do banco de reservas, para a gl\u00f3ria, essa vol\u00favel palavra e sensa\u00e7\u00e3o que atrai vaidades. Poderiam ser outros, pois, repito, em ambas as sele\u00e7\u00f5es pululavam filhos de africanos.<br \/>\nO fato \u00e9: Portugal venceu. O futebol prega pe\u00e7as, iguala os diferentes em \u00e1timos de talento, lampejos de for\u00e7a e de descortino. Assim, de fora da \u00e1rea, saiu o golo, na vers\u00e3o lusa, que daria o primeiro grande t\u00edtulo internacional a Portugal. A Fran\u00e7a j\u00e1 fora bafejada, vezes sem conta, pela vol\u00favel gl\u00f3ria.<br \/>\nA Fam\u00edlia Real portuguesa, em 1808, com medo da Fran\u00e7a e de Napole\u00e3o fugiu para o Brasil. Agora, neste 2016, de forma pacata, mas varonil, Portugal demonstra, em Paris, de forma esportiva, a vez dos pequenos.<br \/>\nPara o Senhor dos destinos, Cristiano Ronaldo foi liberado do jogo, ao se contundir. Bastavam os demais, n\u00e3o t\u00e3o famosos, mas briosos. Como diz estrofe do Hino Portugu\u00eas: \u201cLevantai hoje de novo\/ o esplendor de Portugal\u201d.<br \/>\nNota: Este artigo foi publicado no dia de ontem, quinta, 14 de julho de 2016, edi\u00e7\u00e3o em papel do \u201cP\u00fablico\u201d, de Lisboa, um dos mais bem referidos e lidos jornais de Portugal.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 15\/07\/2016.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2709","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2709","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2709"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2709\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3959,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2709\/revisions\/3959"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}