{"id":2726,"date":"2023-12-21T09:10:28","date_gmt":"2023-12-21T12:10:28","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/tudo-faz-sentido-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:28","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:28","slug":"tudo-faz-sentido-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/tudo-faz-sentido-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"TUDO FAZ SENTIDO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Fim de semana \u00e9 muito tempo. Enjoado do que vejo na televis\u00e3o, vou aos jornais. Na ilustrada, 12.03.2016, Folha de SP, leio que saiu agora, em portugu\u00eas, pela Companhia das Letras, o livro \u201cA Conex\u00e3o Bellarosa-Quatro Novelas\u201d, de Saul Bellow. Bellow, filho de judeus russos fugidos das conflagra\u00e7\u00f5es que deram origem ao bolchevismo, em 1917, na imperial terra sovi\u00e9tica.<br \/>\nNascido em Montreal, no Canad\u00e1, em 1915, mudou com a fam\u00edlia, na metade dos anos vinte, para Chicago. Viveu a \u201cGrande Depress\u00e3o\u201d, dos anos trinta. Os seus pais fomentaram nele a ideia de que naquele lugar havia a possibilidade de crescer na escala social. Era antrop\u00f3logo, professor da Universidade de Chicago e escritor consagrado com o Nobel, em 1976. Faleceu em 2005.<br \/>\nParo um pouco. Vou \u00e0s minhas desarrumadas estantes e encontro um livro de Saul Bellow, lido h\u00e1 anos: \u201cTudo Faz Sentido \u2013 Do passado obscuro ao futuro incerto\u201d. N\u00e3o \u00e9 romance. \u00c9 compacto de textos liter\u00e1rios seus, de observa\u00e7\u00f5es sobre vida, pessoas e viagens; palestras mundo afora e o encontro com o tempo, pois escrito na velhice, depois dos pr\u00eamios Pulitzer e Nobel, dos anos setenta.<br \/>\nO livro \u201cTudo Faz Sentido\u201d j\u00e1 est\u00e1 com a fenda perpendicular das tra\u00e7as. Nele, encontro p\u00e1ginas que apontei com l\u00e1pis, as quais me permiti reler, enquanto buzinas, fanfarras, gritos e palavras de ordem desordenavam a quietude da noite de s\u00e1bado e o dia de domingo.<br \/>\nChicago deu a Bellow v\u00e1rias vis\u00f5es. Primeiro, a da sua rua, onde fam\u00edlias judias e de outras etnias moravam. Da\u00ed vai se alargando com as transforma\u00e7\u00f5es que a cidade passava, erigindo novos pontos de encontros em diversas mudan\u00e7as urbanas acontecidas. Depois, o mundo.<br \/>\nNo \u201cTudo Faz Sentido\u201d est\u00e1 inclu\u00eddo o longo, erudito, bom, embora prolixo discurso que proferiu, em 1976, ao receber o Pr\u00eamio Nobel. Ele come\u00e7a: \u201cH\u00e1 mais de quarenta anos, eu era um homem sem diploma universit\u00e1rio e muito voluntarioso. Certo semestre me inscrevi num curso sobre Dinheiro e T\u00e9cnica Banc\u00e1ria e me concentrei na leitura nos livros de Joseph Conrad. Nunca me arrependi disso\u201d. E se estende sobre o escritor Joseph Conrad, tamb\u00e9m imigrante, e outros autores. Divaga.<br \/>\nVolto \u00e0 Folha. Nela h\u00e1 realce para a amizade de Bellow com o escritor e acad\u00eamico Allan Bloom. Remexo na p\u00e1gina 317 de \u201cTudo Faz Sentido\u201d. L\u00e1, quando da morte do amigo, em 1992, Bellow afirma, em discurso: \u201cConheci e admirei muitas pessoas extraordin\u00e1rias na vida que me foi dada, mas ningu\u00e9m mais extraordin\u00e1rio do que Allan Bloom\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18\/03\/2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fim de semana \u00e9 muito tempo. Enjoado do que vejo na televis\u00e3o, vou aos jornais. Na ilustrada, 12.03.2016, Folha de SP, leio que saiu agora, em portugu\u00eas, pela Companhia das Letras, o livro \u201cA Conex\u00e3o Bellarosa-Quatro Novelas\u201d, de Saul Bellow. Bellow, filho de judeus russos fugidos das conflagra\u00e7\u00f5es que deram origem ao bolchevismo, em 1917, na imperial terra sovi\u00e9tica.<br \/>\nNascido em Montreal, no Canad\u00e1, em 1915, mudou com a fam\u00edlia, na metade dos anos vinte, para Chicago. Viveu a \u201cGrande Depress\u00e3o\u201d, dos anos trinta. Os seus pais fomentaram nele a ideia de que naquele lugar havia a possibilidade de crescer na escala social. Era antrop\u00f3logo, professor da Universidade de Chicago e escritor consagrado com o Nobel, em 1976. Faleceu em 2005.<br \/>\nParo um pouco. Vou \u00e0s minhas desarrumadas estantes e encontro um livro de Saul Bellow, lido h\u00e1 anos: \u201cTudo Faz Sentido \u2013 Do passado obscuro ao futuro incerto\u201d. N\u00e3o \u00e9 romance. \u00c9 compacto de textos liter\u00e1rios seus, de observa\u00e7\u00f5es sobre vida, pessoas e viagens; palestras mundo afora e o encontro com o tempo, pois escrito na velhice, depois dos pr\u00eamios Pulitzer e Nobel, dos anos setenta.<br \/>\nO livro \u201cTudo Faz Sentido\u201d j\u00e1 est\u00e1 com a fenda perpendicular das tra\u00e7as. Nele, encontro p\u00e1ginas que apontei com l\u00e1pis, as quais me permiti reler, enquanto buzinas, fanfarras, gritos e palavras de ordem desordenavam a quietude da noite de s\u00e1bado e o dia de domingo.<br \/>\nChicago deu a Bellow v\u00e1rias vis\u00f5es. Primeiro, a da sua rua, onde fam\u00edlias judias e de outras etnias moravam. Da\u00ed vai se alargando com as transforma\u00e7\u00f5es que a cidade passava, erigindo novos pontos de encontros em diversas mudan\u00e7as urbanas acontecidas. Depois, o mundo.<br \/>\nNo \u201cTudo Faz Sentido\u201d est\u00e1 inclu\u00eddo o longo, erudito, bom, embora prolixo discurso que proferiu, em 1976, ao receber o Pr\u00eamio Nobel. Ele come\u00e7a: \u201cH\u00e1 mais de quarenta anos, eu era um homem sem diploma universit\u00e1rio e muito voluntarioso. Certo semestre me inscrevi num curso sobre Dinheiro e T\u00e9cnica Banc\u00e1ria e me concentrei na leitura nos livros de Joseph Conrad. Nunca me arrependi disso\u201d. E se estende sobre o escritor Joseph Conrad, tamb\u00e9m imigrante, e outros autores. Divaga.<br \/>\nVolto \u00e0 Folha. Nela h\u00e1 realce para a amizade de Bellow com o escritor e acad\u00eamico Allan Bloom. Remexo na p\u00e1gina 317 de \u201cTudo Faz Sentido\u201d. L\u00e1, quando da morte do amigo, em 1992, Bellow afirma, em discurso: \u201cConheci e admirei muitas pessoas extraordin\u00e1rias na vida que me foi dada, mas ningu\u00e9m mais extraordin\u00e1rio do que Allan Bloom\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18\/03\/2016<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2726","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2726\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}