{"id":2729,"date":"2023-12-21T09:10:28","date_gmt":"2023-12-21T12:10:28","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/padua-safira-e-a-flor-exposta-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:28","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:28","slug":"padua-safira-e-a-flor-exposta-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/padua-safira-e-a-flor-exposta-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"P\u00c1DUA, SAFIRA E A FLOR EXPOSTA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Caro P\u00e1dua Lopes, desculpe-me por me imiscuir com a sua Safira. N\u00e3o a pedra preciosa azul usada nos an\u00e9is dos engenheiros e dos administradores. Escrevo sobre a mulher erigida em seu romance, de capa do mesmo matiz, \u201cSafira N\u00e3o \u00e9 Flor\u201d.<br \/>\nUma crendice assevera, para as pessoas nominadas Safira, personalidade com sabedoria, fidelidade e raz\u00e3o. Imagina!<br \/>\nN\u00e3o haveria muito a acrescentar \u00e0 cr\u00edtica segura de Dellano Rios (DN, 05.11.2016). Refiro, mesmo sendo \u00f3bvio, nada h\u00e1 em mim de cr\u00edtico liter\u00e1rio. Vou escrever o lido, o sublinhado, sem ordena\u00e7\u00e3o e raso como um p\u00e9 de alface.<br \/>\nDeixo para leitores cultos beber a hist\u00f3ria lavrada em 278 p\u00e1ginas, palavra a palavra. Admito ser mod\u00e9stia do P\u00e1dua se restringir \u00e0 marotice de presentear \u201cSafira\u201d a amigos. Obrigado, P\u00e1dua. Por favor, deixe o seu belo livro aparecer em estantes condignas nas escassas livrarias locais, aviltadas e semidestru\u00eddas pela incurs\u00e3o de empresas de capital aberto ou daquelas financiadas a juros m\u00ednimos. Elas se estabeleceram aqui para vender de tudo. At\u00e9 livros.<br \/>\nSafira parece ter algo a ver com o citado no livro cinco dos Atos dos Ap\u00f3stolos, no Novo Testamento. Essa Safira b\u00edblica foi, junto com o marido Ananias, condenada \u00e0 morte por faltarem \u00e0 verdade ao Esp\u00edrito Santo.<br \/>\nA Safira do P\u00e1dua n\u00e3o era santa, n\u00e3o foi condenada por sua escapadela \u00e0 Europa com algu\u00e9m apenas conhecido via Internet. Ela o fez sem sentimento de culpa, mesmo ao saber de outro estranho na empreitada. Larga o marido e os tr\u00eas filhos. Iria, para consumo familiar, viajar com amigas.<br \/>\nL\u00e1 se foi Safira para a It\u00e1lia, n\u00e3o para rezar, mas para escarafunchar museus, igrejas, lojas, restaurantes com acepipes e vinhos, hospedando-se em requintados ou simples hot\u00e9is, sem deixar de vivenciar espelunca.<br \/>\nPassam por cidades como Veneza, Mil\u00e3o, Firenze e Roma. \u00c9 exato a\u00ed quando o autor se desfaz em ciente de artes, contando as hist\u00f3rias de cada obra e do seu art\u00edfice. Ele diz: \u201cGostar de arte, no sentido de apreci\u00e1-la com intelig\u00eancia e sensibilidade, \u00e9 uma etapa atingida por quem se emociona com a mensagem est\u00e9tica\u201d. Dou f\u00e9.<br \/>\nTranspostas as soleiras de igrejas, de pra\u00e7as, de museus, Safira se espanta com a profus\u00e3o de arte. A It\u00e1lia \u00e9 um grande museu, com v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es marcando os signos e os significados de escolas e s\u00e9culos diferentes. Esse grande Museu h\u00e1 resistido a guerras e terremotos. Como o mais recente. Os sismos podem sacudir a terra do indefect\u00edvel Berlusconi, o v\u00e1rio, mas n\u00e3o a destr\u00f3i.<br \/>\nDepois de tudo visto, a trinca foi parar na Gr\u00e9cia. O fim do s\u00e9culo XX n\u00e3o era ainda pleno de barca\u00e7as com imigrantes \u00e1rabes e africanos morrendo ou singrando o Mediterr\u00e2neo, em busca da Europa a apontar n\u00e3o a entrada, mas a sa\u00edda ou, como dizem os ingleses, the Exit.<br \/>\nDevo arranjar um jeito de incluir a palavra tessitura. Ela aparenta erudi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o a possuo. Pois bem, h\u00e1 na tessitura de Lopes \u2013 fica chique assim \u2013 um Aracati novo na brisa liter\u00e1ria cearense.<br \/>\nEle embaralha arte sacra e profana, hist\u00f3ria geral, geografia e o enlevo picante de (des)amantes de primeira viagem. De senten\u00e7a em senten\u00e7a, P\u00e1dua marca um ponto no bingo com o leitor.<br \/>\nEle d\u00e1 pista, falsa ou vera, de personagens ao falar do figurante Melchior \u2013 n\u00e3o o Rei Mago \u2013 e de seus seguidores. Mostra pudor ao escrever \u201ccalcinha \u00edntima\u201d e finaliza com cartas capitais.<br \/>\nRecomendo a leitura de Safira a quem gosta e sabe ler. Aos embevecidos com a arte. Aos informados ou curiosos da Hist\u00f3ria antiga e da Renascen\u00e7a, com um m\u00ednimo de concentra\u00e7\u00e3o para captar a saud\u00e1vel trama urdida. Parab\u00e9ns, P\u00e1dua!<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 11\/11\/2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caro P\u00e1dua Lopes, desculpe-me por me imiscuir com a sua Safira. N\u00e3o a pedra preciosa azul usada nos an\u00e9is dos engenheiros e dos administradores. Escrevo sobre a mulher erigida em seu romance, de capa do mesmo matiz, \u201cSafira N\u00e3o \u00e9 Flor\u201d.<br \/>\nUma crendice assevera, para as pessoas nominadas Safira, personalidade com sabedoria, fidelidade e raz\u00e3o. Imagina!<br \/>\nN\u00e3o haveria muito a acrescentar \u00e0 cr\u00edtica segura de Dellano Rios (DN, 05.11.2016). Refiro, mesmo sendo \u00f3bvio, nada h\u00e1 em mim de cr\u00edtico liter\u00e1rio. Vou escrever o lido, o sublinhado, sem ordena\u00e7\u00e3o e raso como um p\u00e9 de alface.<br \/>\nDeixo para leitores cultos beber a hist\u00f3ria lavrada em 278 p\u00e1ginas, palavra a palavra. Admito ser mod\u00e9stia do P\u00e1dua se restringir \u00e0 marotice de presentear \u201cSafira\u201d a amigos. Obrigado, P\u00e1dua. Por favor, deixe o seu belo livro aparecer em estantes condignas nas escassas livrarias locais, aviltadas e semidestru\u00eddas pela incurs\u00e3o de empresas de capital aberto ou daquelas financiadas a juros m\u00ednimos. Elas se estabeleceram aqui para vender de tudo. At\u00e9 livros.<br \/>\nSafira parece ter algo a ver com o citado no livro cinco dos Atos dos Ap\u00f3stolos, no Novo Testamento. Essa Safira b\u00edblica foi, junto com o marido Ananias, condenada \u00e0 morte por faltarem \u00e0 verdade ao Esp\u00edrito Santo.<br \/>\nA Safira do P\u00e1dua n\u00e3o era santa, n\u00e3o foi condenada por sua escapadela \u00e0 Europa com algu\u00e9m apenas conhecido via Internet. Ela o fez sem sentimento de culpa, mesmo ao saber de outro estranho na empreitada. Larga o marido e os tr\u00eas filhos. Iria, para consumo familiar, viajar com amigas.<br \/>\nL\u00e1 se foi Safira para a It\u00e1lia, n\u00e3o para rezar, mas para escarafunchar museus, igrejas, lojas, restaurantes com acepipes e vinhos, hospedando-se em requintados ou simples hot\u00e9is, sem deixar de vivenciar espelunca.<br \/>\nPassam por cidades como Veneza, Mil\u00e3o, Firenze e Roma. \u00c9 exato a\u00ed quando o autor se desfaz em ciente de artes, contando as hist\u00f3rias de cada obra e do seu art\u00edfice. Ele diz: \u201cGostar de arte, no sentido de apreci\u00e1-la com intelig\u00eancia e sensibilidade, \u00e9 uma etapa atingida por quem se emociona com a mensagem est\u00e9tica\u201d. Dou f\u00e9.<br \/>\nTranspostas as soleiras de igrejas, de pra\u00e7as, de museus, Safira se espanta com a profus\u00e3o de arte. A It\u00e1lia \u00e9 um grande museu, com v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es marcando os signos e os significados de escolas e s\u00e9culos diferentes. Esse grande Museu h\u00e1 resistido a guerras e terremotos. Como o mais recente. Os sismos podem sacudir a terra do indefect\u00edvel Berlusconi, o v\u00e1rio, mas n\u00e3o a destr\u00f3i.<br \/>\nDepois de tudo visto, a trinca foi parar na Gr\u00e9cia. O fim do s\u00e9culo XX n\u00e3o era ainda pleno de barca\u00e7as com imigrantes \u00e1rabes e africanos morrendo ou singrando o Mediterr\u00e2neo, em busca da Europa a apontar n\u00e3o a entrada, mas a sa\u00edda ou, como dizem os ingleses, the Exit.<br \/>\nDevo arranjar um jeito de incluir a palavra tessitura. Ela aparenta erudi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o a possuo. Pois bem, h\u00e1 na tessitura de Lopes \u2013 fica chique assim \u2013 um Aracati novo na brisa liter\u00e1ria cearense.<br \/>\nEle embaralha arte sacra e profana, hist\u00f3ria geral, geografia e o enlevo picante de (des)amantes de primeira viagem. De senten\u00e7a em senten\u00e7a, P\u00e1dua marca um ponto no bingo com o leitor.<br \/>\nEle d\u00e1 pista, falsa ou vera, de personagens ao falar do figurante Melchior \u2013 n\u00e3o o Rei Mago \u2013 e de seus seguidores. Mostra pudor ao escrever \u201ccalcinha \u00edntima\u201d e finaliza com cartas capitais.<br \/>\nRecomendo a leitura de Safira a quem gosta e sabe ler. Aos embevecidos com a arte. Aos informados ou curiosos da Hist\u00f3ria antiga e da Renascen\u00e7a, com um m\u00ednimo de concentra\u00e7\u00e3o para captar a saud\u00e1vel trama urdida. Parab\u00e9ns, P\u00e1dua!<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 11\/11\/2016.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2729","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2729"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2729\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}