{"id":2730,"date":"2023-12-21T09:10:28","date_gmt":"2023-12-21T12:10:28","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ari-de-sa-cavalcante-preludio-de-artigo-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:28","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:28","slug":"ari-de-sa-cavalcante-preludio-de-artigo-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ari-de-sa-cavalcante-preludio-de-artigo-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"ARI DE S\u00c1 CAVALCANTE, PREL\u00daDIO DE ARTIGO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>O meu olhar crian\u00e7a via o professor Ari de S\u00e1 Cavalcante \u2013 Ari de S\u00e1 \u2013 vestido, quase sempre, com ternos claros e gravata. Pouco sorriso nos l\u00e1bios encimados por bigode negro e o escasso falar dos incomuns. Nesse tempo eu usava farda com cal\u00e7as curtas, no Farias Brito-FB, na Avenida Duque de Caxias, esquina com a Rua Major Facundo. Ali estudei desde o primeiro ano do prim\u00e1rio at\u00e9 a conclus\u00e3o do curso de Humanidades.<br \/>\nAri de S\u00e1 integrava o Partido Social Democr\u00e1tico, PSD, o mesmo do seu irm\u00e3o, Walter de S\u00e1 Cavalcante, deputado federal. Certamente ati\u00e7ado por Walter, foi candidato, duas vezes, a prefeito de Fortaleza.<br \/>\nMeu pai, Francisco Bezerra de Oliveira, era seu amigo e colega no Diret\u00f3rio do PSD. Creio ser essa a raz\u00e3o maior pela qual me matriculou no FB, pois sabia a quem estava entregando o seu primog\u00eanito. Outra raz\u00e3o, n\u00f3s mor\u00e1vamos ali perto, na pr\u00f3pria Major Facundo.<br \/>\nAndava pouco, bastava mudar de cal\u00e7ada e atravessar a Clarindo de Queiroz. Na \u00faltima casa, antes do FB, morava o livreiro Luiz Maia, dono da \u201cLivraria Renascen\u00e7a\u201d, na mesma Major Facundo, dois quarteir\u00f5es adiante, lado da sombra, logo ao atravessar a Rua Pedro Pereira. Defronte, lado do sol, Edson Queiroz montara loja da Cear\u00e1 G\u00e1s Butano.<br \/>\nMesmo com diferentes encargos, Ari de S\u00e1 foi aprovado em concurso p\u00fablico para professor do Col\u00e9gio Militar de Fortaleza. A sua forma\u00e7\u00e3o bacharelesca, n\u00e3o o impediu a se concorrer ao ensino de Matem\u00e1tica. Exitoso, talvez por acreditar fosse ela a mais simples das ci\u00eancias, como propalava Auguste Comte, o pai da Sociologia.<br \/>\nAssim, sa\u00eda e voltava \u2013 da sua casa na Av. D. Manuel, 482, a base do seu tri\u00e2ngulo n\u00e3o equil\u00e1tero, para a Av. Santos Dumont, onde ainda hoje funciona a unidade escolar do Ex\u00e9rcito em Fortaleza, e abria o \u00e2ngulo em hipot\u00e9tica linha reta at\u00e9 a sede do FB, na Pra\u00e7a do Carmo. A diretoria do FB era composta por dois bachar\u00e9is em direito, Ari de S\u00e1 e Jo\u00e3o C\u00e9sar.<br \/>\nRaul Barbosa, Governador do Cear\u00e1 (1951-1954), escolheu Ari de S\u00e1 para ser seu secret\u00e1rio da Fazenda, n\u00e3o pela grei partid\u00e1ria, mas pelo escrut\u00ednio de sua vis\u00e3o socioecon\u00f4mica. O professor Ari, nascido em 1917, em Juc\u00e1s, crescia e aparecia na sua simplicidade.<br \/>\nQuando emergiu a hoje Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o, Atu\u00e1ria e Contabilidade, da Universidade Federal do Cear\u00e1, Ari tornou-se seu professor. Em seguida, diretor, por seis vezes, consecutivas. Criou o \u201cCAEN \u2013 Centro de Aperfei\u00e7oamento de Economistas do Nordeste\u201d.<br \/>\nO CAEN aproveitava a \u201cexpertise\u201d de parte de seus professores, oriundos do Banco do Nordeste, pr\u00f3digo em aperfei\u00e7o\u00e1-los nos EEUU e em outros pa\u00edses, de onde voltavam mestres e se tornavam TDEs., T\u00e9cnicos em Desenvolvimento Econ\u00f4mico, dando contribui\u00e7\u00e3o ao que Celso Furtado sonhava para a regi\u00e3o, saber para crescer.<br \/>\nAos 49 anos, em S\u00e3o Paulo, aonde muitos v\u00e3o atr\u00e1s de cura, Ari de S\u00e1 se finou. Anos depois, quis a vida que o seu Farias Brito passasse por dicotomia.<br \/>\nNascia o Col\u00e9gio Ari de S\u00e1. Muitas vezes n\u00e3o entendemos por que fam\u00edlias \u2013 em segunda gera\u00e7\u00e3o- se partilham. Talvez, com a sua matem\u00e1tica c\u00e9lica, o professor Ari de S\u00e1 soubesse e, qui\u00e7\u00e1, emulasse a disputa como um sofisma matem\u00e1tico: dividir para multiplicar. Cada uma das organiza\u00e7\u00f5es, agora j\u00e1 faculdades, em m\u00faltiplas sedes, evoca para si ser a maior do Estado. As duas, juntas, valha-me Deus.<br \/>\nEscolhi, de prop\u00f3sito, o jornal O Estado para publicar este artigo. Ao tempo em que Walter S\u00e1 Cavalcante foi diretor deste matutino, Ari de S\u00e1 aqui escreveu, sob pseud\u00f4nimo, cr\u00f4nicas, depois enfeixadas no livro \u201cPara Ler no Bonde\u201d.<br \/>\nEspero, com vagar, entregar \u00e0 fam\u00edlia de Ari de S\u00e1 Cavalcante algo que supere este prel\u00fadio, quando da comemora\u00e7\u00e3o do centen\u00e1rio do seu mentor maior, no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 18\/11\/2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O meu olhar crian\u00e7a via o professor Ari de S\u00e1 Cavalcante \u2013 Ari de S\u00e1 \u2013 vestido, quase sempre, com ternos claros e gravata. Pouco sorriso nos l\u00e1bios encimados por bigode negro e o escasso falar dos incomuns. Nesse tempo eu usava farda com cal\u00e7as curtas, no Farias Brito-FB, na Avenida Duque de Caxias, esquina com a Rua Major Facundo. Ali estudei desde o primeiro ano do prim\u00e1rio at\u00e9 a conclus\u00e3o do curso de Humanidades.<br \/>\nAri de S\u00e1 integrava o Partido Social Democr\u00e1tico, PSD, o mesmo do seu irm\u00e3o, Walter de S\u00e1 Cavalcante, deputado federal. Certamente ati\u00e7ado por Walter, foi candidato, duas vezes, a prefeito de Fortaleza.<br \/>\nMeu pai, Francisco Bezerra de Oliveira, era seu amigo e colega no Diret\u00f3rio do PSD. Creio ser essa a raz\u00e3o maior pela qual me matriculou no FB, pois sabia a quem estava entregando o seu primog\u00eanito. Outra raz\u00e3o, n\u00f3s mor\u00e1vamos ali perto, na pr\u00f3pria Major Facundo.<br \/>\nAndava pouco, bastava mudar de cal\u00e7ada e atravessar a Clarindo de Queiroz. Na \u00faltima casa, antes do FB, morava o livreiro Luiz Maia, dono da \u201cLivraria Renascen\u00e7a\u201d, na mesma Major Facundo, dois quarteir\u00f5es adiante, lado da sombra, logo ao atravessar a Rua Pedro Pereira. Defronte, lado do sol, Edson Queiroz montara loja da Cear\u00e1 G\u00e1s Butano.<br \/>\nMesmo com diferentes encargos, Ari de S\u00e1 foi aprovado em concurso p\u00fablico para professor do Col\u00e9gio Militar de Fortaleza. A sua forma\u00e7\u00e3o bacharelesca, n\u00e3o o impediu a se concorrer ao ensino de Matem\u00e1tica. Exitoso, talvez por acreditar fosse ela a mais simples das ci\u00eancias, como propalava Auguste Comte, o pai da Sociologia.<br \/>\nAssim, sa\u00eda e voltava \u2013 da sua casa na Av. D. Manuel, 482, a base do seu tri\u00e2ngulo n\u00e3o equil\u00e1tero, para a Av. Santos Dumont, onde ainda hoje funciona a unidade escolar do Ex\u00e9rcito em Fortaleza, e abria o \u00e2ngulo em hipot\u00e9tica linha reta at\u00e9 a sede do FB, na Pra\u00e7a do Carmo. A diretoria do FB era composta por dois bachar\u00e9is em direito, Ari de S\u00e1 e Jo\u00e3o C\u00e9sar.<br \/>\nRaul Barbosa, Governador do Cear\u00e1 (1951-1954), escolheu Ari de S\u00e1 para ser seu secret\u00e1rio da Fazenda, n\u00e3o pela grei partid\u00e1ria, mas pelo escrut\u00ednio de sua vis\u00e3o socioecon\u00f4mica. O professor Ari, nascido em 1917, em Juc\u00e1s, crescia e aparecia na sua simplicidade.<br \/>\nQuando emergiu a hoje Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o, Atu\u00e1ria e Contabilidade, da Universidade Federal do Cear\u00e1, Ari tornou-se seu professor. Em seguida, diretor, por seis vezes, consecutivas. Criou o \u201cCAEN \u2013 Centro de Aperfei\u00e7oamento de Economistas do Nordeste\u201d.<br \/>\nO CAEN aproveitava a \u201cexpertise\u201d de parte de seus professores, oriundos do Banco do Nordeste, pr\u00f3digo em aperfei\u00e7o\u00e1-los nos EEUU e em outros pa\u00edses, de onde voltavam mestres e se tornavam TDEs., T\u00e9cnicos em Desenvolvimento Econ\u00f4mico, dando contribui\u00e7\u00e3o ao que Celso Furtado sonhava para a regi\u00e3o, saber para crescer.<br \/>\nAos 49 anos, em S\u00e3o Paulo, aonde muitos v\u00e3o atr\u00e1s de cura, Ari de S\u00e1 se finou. Anos depois, quis a vida que o seu Farias Brito passasse por dicotomia.<br \/>\nNascia o Col\u00e9gio Ari de S\u00e1. Muitas vezes n\u00e3o entendemos por que fam\u00edlias \u2013 em segunda gera\u00e7\u00e3o- se partilham. Talvez, com a sua matem\u00e1tica c\u00e9lica, o professor Ari de S\u00e1 soubesse e, qui\u00e7\u00e1, emulasse a disputa como um sofisma matem\u00e1tico: dividir para multiplicar. Cada uma das organiza\u00e7\u00f5es, agora j\u00e1 faculdades, em m\u00faltiplas sedes, evoca para si ser a maior do Estado. As duas, juntas, valha-me Deus.<br \/>\nEscolhi, de prop\u00f3sito, o jornal O Estado para publicar este artigo. 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