{"id":2731,"date":"2023-12-21T09:10:28","date_gmt":"2023-12-21T12:10:28","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/dona-gercila-avis-rara-do-bem-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:28","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:28","slug":"dona-gercila-avis-rara-do-bem-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/dona-gercila-avis-rara-do-bem-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"DONA GERCILA., &#8221; AVIS RARA&#8221; DO BEM &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Algumas pessoas recebem, mesmo sem saber, sinais de que seus dias ser\u00e3o pintados com tintas diversas. A vida n\u00e3o \u00e9 folgan\u00e7a. \u00c9 exerc\u00edcio de viver o inesperado, especialmente, quando os anos, os lustros e as d\u00e9cadas, v\u00e3o sendo acumulados \u00e0s tarefas autoimpostas ou, sabe-se l\u00e1 a raz\u00e3o, mudam. O tempor\u00e1rio vira definitivo, toma outra dimens\u00e3o.<br \/>\nUma mulher simples nasce em 07 de outubro de 1922, na Fortaleza de tanto sol, nas cercanias da Prainha. Foi acumulando perdas: a m\u00e3e morreria em 1929. Come\u00e7a um \u201ccrash\u201d pessoal, n\u00e3o o dos alicerces atingidos na Wall Street. Em 1935, morre o pai e \u00e9 acolhida por tios. Cat\u00f3lica deixava suas l\u00e1grimas furtivas pelos corredores do Col\u00e9gio das Irm\u00e3s Doroteias, na hoje vazia capela da esquina com a Av. Domingos Ol\u00edmpio. Depois, seguindo, sem saber, os passos de Rachel de Queiroz, conclui o curso Normal no Col\u00e9gio da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Estava carimbada para o mundo. Era professora.<br \/>\nAssim o fez no Col\u00e9gio Santa Isabel, ali perto da Faculdade de Agronomia, e no Col\u00e9gio S\u00e3o Jos\u00e9, nas cercanias do Parque da Crian\u00e7a. Deu-se o estalo, n\u00e3o lhe apetecia ser uma mestra contratada. Pensou e materializou o sonho no Ano da Gra\u00e7a de 1950, quando fundou, em im\u00f3vel seu, o Instituto Cristo Rei, no bairro de S\u00e3o Gerardo, na Av. Bezerra de Menezes, 1643. Precisava de mais luzes. Resolveu estudar Teologia.<br \/>\nPara aperfei\u00e7oar a sua did\u00e1tica deu-se ao trabalho, j\u00e1 madura, de se graduar em Pedagogia pela Universidade Estadual do Cear\u00e1. Todos os seus dons e a sua confian\u00e7a foram sendo canalizados para o ensino de crian\u00e7as pobres, algumas doentes, muitas sem o amor dos pais. Elas foram fazendo do Instituto Cristo Rei um lugar de acolhimento seguro, ano ap\u00f3s ano, para centenas de mi\u00fados, independentes de idade, sexo, ra\u00e7a ou do seu n\u00edvel mental.<br \/>\nTive a gra\u00e7a de conhecer Gercila Rodrigues Vieira neste s\u00e9culo, quase oitentona. Foi benqueren\u00e7a espont\u00e2nea. Muitas vezes, sem avisar, percorri os corredores n\u00e3o t\u00e3o retos, tampouco bem iluminados do seu Instituto. Aos fundos, uma \u00e1rea de recrea\u00e7\u00e3o onde crian\u00e7as jogam bola alegremente. A casa cresceu como uma Babel do bem, formando um \u201cL\u201d de lar e de luta no im\u00f3vel por ela comprado com frente para a Rua Gen. Piragibe. Algumas ocasi\u00f5es, dei carona a D. Gercila e aos seus pimpolhos, sempre alegres, mesmo quando apinhados. Nesses 66 anos cuidou de cerca de 4.000 crian\u00e7as e jovens. Muitos se profissionalizaram. Algumas preferiram ficar por l\u00e1 e ajudar na faina sem fim, como a Marinete e a D. Edite. A luta deve continuar.<br \/>\nD. Gercila recebeu, em 2005, o t\u00edtulo de \u201cGente de Bem\u201d, no seu vestido simples, florido, \u00f3culos com arma\u00e7\u00e3o marcante, cercada por seus meninos. Ela j\u00e1 fazia parte do nosso conv\u00edvio. Na noite desta ter\u00e7a-feira, 22.11.2016, na Par\u00f3quia de S\u00e3o Gerardo, plena de crian\u00e7as, jovens e adultos, foi celebrada a missa de 7\u00ba. dia do seu falecimento, aos 94 anos. Flores brancas enchiam jarros no ofert\u00f3rio, ouviam-se c\u00e2nticos e respeitosos adeuses, a partir da amiga Eudismar Mendes e de muitos outros. Resquiescat in Pace.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 25\/11\/2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas pessoas recebem, mesmo sem saber, sinais de que seus dias ser\u00e3o pintados com tintas diversas. A vida n\u00e3o \u00e9 folgan\u00e7a. \u00c9 exerc\u00edcio de viver o inesperado, especialmente, quando os anos, os lustros e as d\u00e9cadas, v\u00e3o sendo acumulados \u00e0s tarefas autoimpostas ou, sabe-se l\u00e1 a raz\u00e3o, mudam. O tempor\u00e1rio vira definitivo, toma outra dimens\u00e3o.<br \/>\nUma mulher simples nasce em 07 de outubro de 1922, na Fortaleza de tanto sol, nas cercanias da Prainha. Foi acumulando perdas: a m\u00e3e morreria em 1929. Come\u00e7a um \u201ccrash\u201d pessoal, n\u00e3o o dos alicerces atingidos na Wall Street. Em 1935, morre o pai e \u00e9 acolhida por tios. Cat\u00f3lica deixava suas l\u00e1grimas furtivas pelos corredores do Col\u00e9gio das Irm\u00e3s Doroteias, na hoje vazia capela da esquina com a Av. Domingos Ol\u00edmpio. Depois, seguindo, sem saber, os passos de Rachel de Queiroz, conclui o curso Normal no Col\u00e9gio da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Estava carimbada para o mundo. Era professora.<br \/>\nAssim o fez no Col\u00e9gio Santa Isabel, ali perto da Faculdade de Agronomia, e no Col\u00e9gio S\u00e3o Jos\u00e9, nas cercanias do Parque da Crian\u00e7a. Deu-se o estalo, n\u00e3o lhe apetecia ser uma mestra contratada. Pensou e materializou o sonho no Ano da Gra\u00e7a de 1950, quando fundou, em im\u00f3vel seu, o Instituto Cristo Rei, no bairro de S\u00e3o Gerardo, na Av. Bezerra de Menezes, 1643. Precisava de mais luzes. Resolveu estudar Teologia.<br \/>\nPara aperfei\u00e7oar a sua did\u00e1tica deu-se ao trabalho, j\u00e1 madura, de se graduar em Pedagogia pela Universidade Estadual do Cear\u00e1. Todos os seus dons e a sua confian\u00e7a foram sendo canalizados para o ensino de crian\u00e7as pobres, algumas doentes, muitas sem o amor dos pais. Elas foram fazendo do Instituto Cristo Rei um lugar de acolhimento seguro, ano ap\u00f3s ano, para centenas de mi\u00fados, independentes de idade, sexo, ra\u00e7a ou do seu n\u00edvel mental.<br \/>\nTive a gra\u00e7a de conhecer Gercila Rodrigues Vieira neste s\u00e9culo, quase oitentona. Foi benqueren\u00e7a espont\u00e2nea. Muitas vezes, sem avisar, percorri os corredores n\u00e3o t\u00e3o retos, tampouco bem iluminados do seu Instituto. Aos fundos, uma \u00e1rea de recrea\u00e7\u00e3o onde crian\u00e7as jogam bola alegremente. A casa cresceu como uma Babel do bem, formando um \u201cL\u201d de lar e de luta no im\u00f3vel por ela comprado com frente para a Rua Gen. Piragibe. Algumas ocasi\u00f5es, dei carona a D. Gercila e aos seus pimpolhos, sempre alegres, mesmo quando apinhados. Nesses 66 anos cuidou de cerca de 4.000 crian\u00e7as e jovens. Muitos se profissionalizaram. Algumas preferiram ficar por l\u00e1 e ajudar na faina sem fim, como a Marinete e a D. Edite. A luta deve continuar.<br \/>\nD. Gercila recebeu, em 2005, o t\u00edtulo de \u201cGente de Bem\u201d, no seu vestido simples, florido, \u00f3culos com arma\u00e7\u00e3o marcante, cercada por seus meninos. Ela j\u00e1 fazia parte do nosso conv\u00edvio. Na noite desta ter\u00e7a-feira, 22.11.2016, na Par\u00f3quia de S\u00e3o Gerardo, plena de crian\u00e7as, jovens e adultos, foi celebrada a missa de 7\u00ba. dia do seu falecimento, aos 94 anos. Flores brancas enchiam jarros no ofert\u00f3rio, ouviam-se c\u00e2nticos e respeitosos adeuses, a partir da amiga Eudismar Mendes e de muitos outros. Resquiescat in Pace.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 25\/11\/2016.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2731","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2731"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2731\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}