{"id":2733,"date":"2023-12-21T09:10:28","date_gmt":"2023-12-21T12:10:28","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-condominio-geral-e-o-rateio-das-despesas-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:28","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:28","slug":"o-condominio-geral-e-o-rateio-das-despesas-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-condominio-geral-e-o-rateio-das-despesas-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"O CONDOM\u00cdNIO GERAL E O RATEIO DAS DESPESAS &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>N\u00f3s, s\u00f3cios vital\u00edcios desse Condom\u00ednio, n\u00e3o elegemos bons s\u00edndicos nas assembleias gerais acontecidas desde 2002. Fomos desatentos e n\u00e3o olh\u00e1vamos bem o desenrolar dos fatos. Tudo parecia, de princ\u00edpio, dar certo.<br \/>\nAcostumamo-nos a ouvir pronunciamentos, sempre com duplo sentido, como se estiv\u00e9ssemos disputando ou ouvindo uma partida ou campeonato de futebol. O dinheiro era farto, o mundo crescia, as commodities subiam de pre\u00e7o e a alegria era geral.<br \/>\nHavia sussurros de o Condom\u00ednio estar aparelhado, isto \u00e9, milhares de pessoas passaram a ganhar cargos. Al\u00e9m desse fato, comum \u00e0s gest\u00f5es anteriores, surgiram boatos da r\u00e1pida malversa\u00e7\u00e3o do dinheiro de todos n\u00f3s. O primeiro a levantar a voz foi o Jefferson, n\u00e3o o presidente ianque.<br \/>\nA\u00ed surgiu aquele v\u00eddeo de algu\u00e9m recebendo propina. Merreca. A trama ia sendo desvendada, pouco a pouco, o Grande Banco e a Petrobras perdeu o acento e aumentou as obras, faziam parcerias com as big empresas, as fazedoras de tudo, sempre amigas dos s\u00edndicos. De todos. Havia um limite no ousar. Esse limite foi sendo ultrapassado, dia a dia, m\u00eas a m\u00eas, ano a ano.<br \/>\nOs grandes empres\u00e1rios do Condom\u00ednio passaram a ser amigos, hospedeiros, conselheiros, ministros e convidados permanentes para as viagens internacionais do s\u00edndico. Ele propalava: aqui n\u00e3o haveria crise. A crise imobili\u00e1ria gringa era deles. O nosso condom\u00ednio era seguro e o s\u00edndico foi at\u00e9 chamado de \u201cO cara\u201d. Acreditou e n\u00e3o admitiu ser mero afago, uma \u201cjoke\u201d.<br \/>\nNo rastro do 2008 o Condom\u00ednio come\u00e7ou a sentir inc\u00f4modos, logo qualificados de marolinhas. N\u00e3o eram. Viraram ondas, depois mudaram para pequenas tempestades. Nesse meio tempo, depois de duas assembleias quadrienais, obrigatoriamente, deveria eleger nova administra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOptou-se por uma mulher-gerente. Tudo melhoraria, de novo. Destemida, tem\u00edvel, diligente e sozinha, afora o seu padrinho e os seus camaradas. As torneiras secavam, os jardins murchavam, a energia subiu, depois baixou. Uma solu\u00e7\u00e3o: todos os mega poderiam obter financiamentos subsidiados no Grande Banco. Os pobres passaram a comprar casas, geladeiras, fog\u00f5es, camas, mesas, motocicletas e carros em presta\u00e7\u00f5es. Mais dia, menos dia, tudo seria cobrado. Pagar \u00e9 outra conversa.<br \/>\nO fato \u00e9: a diligente n\u00e3o era t\u00e3o apropriada, possu\u00eda como h\u00e1bito dar gritos a torto e a direito, e pedalar. Os cond\u00f4minos assoalharam haver muita conversa e pouca realidade, na hist\u00f3ria contada. Contas foram mexidas a bel prazer. T\u00e9cnicos e utopistas foram atr\u00e1s do rombo. Caixa e Raz\u00e3o.<br \/>\nO ex-s\u00edndico passou, exultante o comando. Agora, se autonomeara embaixador plenipotenci\u00e1rio para um Continente, devidamente acolitado pelo Grande Banco e os mega empres\u00e1rios, sempre pressurosos em ceder avi\u00f5es, mordomias, reparar os danos causados pela escravid\u00e3o aos irm\u00e3os do outro lado do oceano. Do lado de c\u00e1, fez um porto, enquanto fumava cigarrilhas.<br \/>\nO resto, todos n\u00e3o sabem ou n\u00e3o imaginam saber. Esta hist\u00f3ria ainda est\u00e1 plena de erros, hiatos, omiss\u00f5es e o longo curso continua. H\u00e1 outro s\u00edndico no leme do Condom\u00ednio. Deus nos ajude.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 14\/10\/2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00f3s, s\u00f3cios vital\u00edcios desse Condom\u00ednio, n\u00e3o elegemos bons s\u00edndicos nas assembleias gerais acontecidas desde 2002. Fomos desatentos e n\u00e3o olh\u00e1vamos bem o desenrolar dos fatos. Tudo parecia, de princ\u00edpio, dar certo.<br \/>\nAcostumamo-nos a ouvir pronunciamentos, sempre com duplo sentido, como se estiv\u00e9ssemos disputando ou ouvindo uma partida ou campeonato de futebol. O dinheiro era farto, o mundo crescia, as commodities subiam de pre\u00e7o e a alegria era geral.<br \/>\nHavia sussurros de o Condom\u00ednio estar aparelhado, isto \u00e9, milhares de pessoas passaram a ganhar cargos. Al\u00e9m desse fato, comum \u00e0s gest\u00f5es anteriores, surgiram boatos da r\u00e1pida malversa\u00e7\u00e3o do dinheiro de todos n\u00f3s. O primeiro a levantar a voz foi o Jefferson, n\u00e3o o presidente ianque.<br \/>\nA\u00ed surgiu aquele v\u00eddeo de algu\u00e9m recebendo propina. Merreca. A trama ia sendo desvendada, pouco a pouco, o Grande Banco e a Petrobras perdeu o acento e aumentou as obras, faziam parcerias com as big empresas, as fazedoras de tudo, sempre amigas dos s\u00edndicos. De todos. Havia um limite no ousar. Esse limite foi sendo ultrapassado, dia a dia, m\u00eas a m\u00eas, ano a ano.<br \/>\nOs grandes empres\u00e1rios do Condom\u00ednio passaram a ser amigos, hospedeiros, conselheiros, ministros e convidados permanentes para as viagens internacionais do s\u00edndico. Ele propalava: aqui n\u00e3o haveria crise. A crise imobili\u00e1ria gringa era deles. O nosso condom\u00ednio era seguro e o s\u00edndico foi at\u00e9 chamado de \u201cO cara\u201d. Acreditou e n\u00e3o admitiu ser mero afago, uma \u201cjoke\u201d.<br \/>\nNo rastro do 2008 o Condom\u00ednio come\u00e7ou a sentir inc\u00f4modos, logo qualificados de marolinhas. N\u00e3o eram. Viraram ondas, depois mudaram para pequenas tempestades. Nesse meio tempo, depois de duas assembleias quadrienais, obrigatoriamente, deveria eleger nova administra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOptou-se por uma mulher-gerente. Tudo melhoraria, de novo. Destemida, tem\u00edvel, diligente e sozinha, afora o seu padrinho e os seus camaradas. As torneiras secavam, os jardins murchavam, a energia subiu, depois baixou. Uma solu\u00e7\u00e3o: todos os mega poderiam obter financiamentos subsidiados no Grande Banco. Os pobres passaram a comprar casas, geladeiras, fog\u00f5es, camas, mesas, motocicletas e carros em presta\u00e7\u00f5es. Mais dia, menos dia, tudo seria cobrado. Pagar \u00e9 outra conversa.<br \/>\nO fato \u00e9: a diligente n\u00e3o era t\u00e3o apropriada, possu\u00eda como h\u00e1bito dar gritos a torto e a direito, e pedalar. Os cond\u00f4minos assoalharam haver muita conversa e pouca realidade, na hist\u00f3ria contada. Contas foram mexidas a bel prazer. T\u00e9cnicos e utopistas foram atr\u00e1s do rombo. Caixa e Raz\u00e3o.<br \/>\nO ex-s\u00edndico passou, exultante o comando. Agora, se autonomeara embaixador plenipotenci\u00e1rio para um Continente, devidamente acolitado pelo Grande Banco e os mega empres\u00e1rios, sempre pressurosos em ceder avi\u00f5es, mordomias, reparar os danos causados pela escravid\u00e3o aos irm\u00e3os do outro lado do oceano. Do lado de c\u00e1, fez um porto, enquanto fumava cigarrilhas.<br \/>\nO resto, todos n\u00e3o sabem ou n\u00e3o imaginam saber. Esta hist\u00f3ria ainda est\u00e1 plena de erros, hiatos, omiss\u00f5es e o longo curso continua. H\u00e1 outro s\u00edndico no leme do Condom\u00ednio. Deus nos ajude.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 14\/10\/2016.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2733","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2733","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2733"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2733\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}