{"id":2734,"date":"2023-12-21T09:10:28","date_gmt":"2023-12-21T12:10:28","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/minha-historia-jornalistica-a-pedidos-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:28","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:28","slug":"minha-historia-jornalistica-a-pedidos-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/minha-historia-jornalistica-a-pedidos-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"MINHA HIST\u00d3RIA JORNAL\u00cdSTICA (A PEDIDOS) &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Recebi, em 1962, do escritor, jornalista e empres\u00e1rio Eduardo Campos, superintendente dos Di\u00e1rios Associados, ent\u00e3o maior grupo de comunica\u00e7\u00e3o do Brasil, a incumb\u00eancia de substituir Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o, titular da coluna di\u00e1ria \u201cInformes Acad\u00eamicos\u201d, no Jornal \u201cCorreio do Cear\u00e1\u201d. Pedro cumpriria bolsa acad\u00eamica no exterior.<br \/>\nNesse tempo, o grupo dos Di\u00e1rios Associados no Cear\u00e1 era composto da pioneira Cear\u00e1 R\u00e1dio Clube (hoje, R\u00e1dio Clube-AM), da TV Cear\u00e1, canal 2, e os jornais \u201cUnit\u00e1rio\u201d, matutino, e \u201cCorreio do Cear\u00e1\u201d, vespertino. A coluna \u201cInformes Acad\u00eamicos\u201d durou um ano. Em 1963, comecei a escrever uma nova coluna: \u201cAdministra\u00e7\u00e3o &#038; Neg\u00f3cios\u201d que durou at\u00e9 o ano de 1966. A partir da\u00ed, passei a escrever artigos especiais.<br \/>\nUma pequena digress\u00e3o: o \u201cCorreio do Cear\u00e1\u201d fora fundado por \u00c1lvaro da Cunha Mendes, em 2 de mar\u00e7o de 1915. Nesse ano, ocorreu uma das maiores secas do Cear\u00e1, transformando Fortaleza em cidade sitiada, com medo de contamina\u00e7\u00e3o trazidas por flagelados do Interior. Criaram-se abrigos (\u201ccampos de concentra\u00e7\u00e3o\u201d, no dizer de Rachel de Queiroz, no romance \u201cO Quinze\u201d, 1930), meros dep\u00f3sitos de gente, nas entradas da Cidade, sendo o principal no ent\u00e3o bairro do Alagadi\u00e7o ou S\u00e3o Gerardo.<br \/>\n\u00c1lvaro Mendes pretendia ser independente e, em consequ\u00eancia, face seu destemor, chegou a ser preso no 23\u00ba. Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores \u2013 ent\u00e3o localizado no atual Quartel General da 10\u00aa. Regi\u00e3o Militar \u2013 ao denunciar falcatruas na IFCOS, Inspetoria Federal de Obras contra as Secas, criada em 1919, depois transformada em DNOCS.<br \/>\n\u00c1lvaro era empres\u00e1rio gr\u00e1fico e manteve o jornal at\u00e9 1937, quando o transferiu para o emergente grupo dos Di\u00e1rios Associados, comandado pelo paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, inovador da imprensa brasileira, a partir de Pernambuco, depois Rio, S\u00e3o Paulo e, por fim, todo o Pa\u00eds. Surgia um grande condom\u00ednio de comunica\u00e7\u00e3o a incluir jornais, emissoras de r\u00e1dio, esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o e revistas, entre as quais brilhava \u201cO Cruzeiro\u201d.<br \/>\nEsse condom\u00ednio fechado compartia o poder em estados brasileiros, entre outros, com o j\u00e1 citado Eduardo Campos e Paulo Cabral, dirigente e locutor da PRE-9, Cear\u00e1 R\u00e1dio Clube. Esse, em campanha para angariar mantimentos a flagelados da seca de 1950, ficou t\u00e3o popular que conseguiu ser eleito prefeito de Fortaleza, entre janeiro de 1951 e mar\u00e7o de 1955.<br \/>\nFoi, em seguida, eleito deputado estadual, mas o olhar cl\u00ednico de Chateaubriand o transferiu para Belo Horizonte e, em seguida, ali sedimentou parte da presen\u00e7a dos Di\u00e1rios Associados. Deslocando-se, em seguida, para Bras\u00edlia, j\u00e1 centro do poder.<br \/>\nEm 1970, em choque com o Governo Militar, a Rede Tupi (o s\u00edmbolo era um pequeno \u00edndio) nome dado por Chateaubriand ao arquip\u00e9lago de televis\u00f5es, perdeu a for\u00e7a. Consolidava-se, a partir da\u00ed, a hegemonia da Rede Globo, da fam\u00edlia Marinho, que fundara o Jornal O Globo, em 1925.<br \/>\nOs jornais \u201cCorreio do Cear\u00e1\u201d e \u201cO Unit\u00e1rio\u201d funcionavam na Rua Senador Pompeu, no centro da cidade, perto da Tipografia Progresso, em im\u00f3vel que ia at\u00e9 a Rua General Sampaio. No n\u00edvel da entrada, trabalhava a administra\u00e7\u00e3o dos jornais; em seguida, ficava o espa\u00e7o da reda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o nos moldes de hoje, mas com ortodoxas m\u00e1quinas de escrever, n\u00e3o as el\u00e9tricas, que s\u00f3 vieram depois.<br \/>\nDo meio para o fim do espa\u00e7o do casar\u00e3o \u2013 que ia da Rua Senador Pompeu \u00e0 Rua General Sampaio \u2013 funcionavam as oficinas. Era o tempo da composi\u00e7\u00e3o a chumbo nas linotipos (A line of type), m\u00e1quina criada no final do s\u00e9culo 19. Nas oficinas, o calor era escaldante. Pois foi l\u00e1 que mourejei at\u00e9 o dia 22 de agosto de 1969, quando escrevi o artigo \u201cO 5\u00ba. Anivers\u00e1rio do BNH no Cear\u00e1\u201d.<br \/>\nNesse artigo relato: \u201cNa evolu\u00e7\u00e3o do programa habitacional foi proposta e aceita pelo Governo do Estado a transforma\u00e7\u00e3o da Companhia Cearense de Sondagens e Perfura\u00e7\u00f5es em Companhia Cearense de Saneamento\u201d, atual Cagece. No fecho, destaco: \u201cEste balan\u00e7o que fazemos \u00e0 guisa de esclarecimento demonstra que cerca de 80 bilh\u00f5es de cruzeiros velhos foram carreados pelo Cear\u00e1 em apenas tr\u00eas anos, provocando um surto animador na economia cearense, isto sem falar no n\u00famero de moradias entregues para pagamento em longo prazo\u201d. Era o tempo do BNH.<br \/>\nCome\u00e7ava eu, nova fase profissional, deixando o batente di\u00e1rio de jornal e tornando-me colaborador semanal deste Jornal O Estado e do Di\u00e1rio do Nordeste.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 21\/10\/2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi, em 1962, do escritor, jornalista e empres\u00e1rio Eduardo Campos, superintendente dos Di\u00e1rios Associados, ent\u00e3o maior grupo de comunica\u00e7\u00e3o do Brasil, a incumb\u00eancia de substituir Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o, titular da coluna di\u00e1ria \u201cInformes Acad\u00eamicos\u201d, no Jornal \u201cCorreio do Cear\u00e1\u201d. Pedro cumpriria bolsa acad\u00eamica no exterior.<br \/>\nNesse tempo, o grupo dos Di\u00e1rios Associados no Cear\u00e1 era composto da pioneira Cear\u00e1 R\u00e1dio Clube (hoje, R\u00e1dio Clube-AM), da TV Cear\u00e1, canal 2, e os jornais \u201cUnit\u00e1rio\u201d, matutino, e \u201cCorreio do Cear\u00e1\u201d, vespertino. A coluna \u201cInformes Acad\u00eamicos\u201d durou um ano. Em 1963, comecei a escrever uma nova coluna: \u201cAdministra\u00e7\u00e3o &#038; Neg\u00f3cios\u201d que durou at\u00e9 o ano de 1966. A partir da\u00ed, passei a escrever artigos especiais.<br \/>\nUma pequena digress\u00e3o: o \u201cCorreio do Cear\u00e1\u201d fora fundado por \u00c1lvaro da Cunha Mendes, em 2 de mar\u00e7o de 1915. Nesse ano, ocorreu uma das maiores secas do Cear\u00e1, transformando Fortaleza em cidade sitiada, com medo de contamina\u00e7\u00e3o trazidas por flagelados do Interior. Criaram-se abrigos (\u201ccampos de concentra\u00e7\u00e3o\u201d, no dizer de Rachel de Queiroz, no romance \u201cO Quinze\u201d, 1930), meros dep\u00f3sitos de gente, nas entradas da Cidade, sendo o principal no ent\u00e3o bairro do Alagadi\u00e7o ou S\u00e3o Gerardo.<br \/>\n\u00c1lvaro Mendes pretendia ser independente e, em consequ\u00eancia, face seu destemor, chegou a ser preso no 23\u00ba. Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores \u2013 ent\u00e3o localizado no atual Quartel General da 10\u00aa. Regi\u00e3o Militar \u2013 ao denunciar falcatruas na IFCOS, Inspetoria Federal de Obras contra as Secas, criada em 1919, depois transformada em DNOCS.<br \/>\n\u00c1lvaro era empres\u00e1rio gr\u00e1fico e manteve o jornal at\u00e9 1937, quando o transferiu para o emergente grupo dos Di\u00e1rios Associados, comandado pelo paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, inovador da imprensa brasileira, a partir de Pernambuco, depois Rio, S\u00e3o Paulo e, por fim, todo o Pa\u00eds. Surgia um grande condom\u00ednio de comunica\u00e7\u00e3o a incluir jornais, emissoras de r\u00e1dio, esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o e revistas, entre as quais brilhava \u201cO Cruzeiro\u201d.<br \/>\nEsse condom\u00ednio fechado compartia o poder em estados brasileiros, entre outros, com o j\u00e1 citado Eduardo Campos e Paulo Cabral, dirigente e locutor da PRE-9, Cear\u00e1 R\u00e1dio Clube. Esse, em campanha para angariar mantimentos a flagelados da seca de 1950, ficou t\u00e3o popular que conseguiu ser eleito prefeito de Fortaleza, entre janeiro de 1951 e mar\u00e7o de 1955.<br \/>\nFoi, em seguida, eleito deputado estadual, mas o olhar cl\u00ednico de Chateaubriand o transferiu para Belo Horizonte e, em seguida, ali sedimentou parte da presen\u00e7a dos Di\u00e1rios Associados. Deslocando-se, em seguida, para Bras\u00edlia, j\u00e1 centro do poder.<br \/>\nEm 1970, em choque com o Governo Militar, a Rede Tupi (o s\u00edmbolo era um pequeno \u00edndio) nome dado por Chateaubriand ao arquip\u00e9lago de televis\u00f5es, perdeu a for\u00e7a. Consolidava-se, a partir da\u00ed, a hegemonia da Rede Globo, da fam\u00edlia Marinho, que fundara o Jornal O Globo, em 1925.<br \/>\nOs jornais \u201cCorreio do Cear\u00e1\u201d e \u201cO Unit\u00e1rio\u201d funcionavam na Rua Senador Pompeu, no centro da cidade, perto da Tipografia Progresso, em im\u00f3vel que ia at\u00e9 a Rua General Sampaio. No n\u00edvel da entrada, trabalhava a administra\u00e7\u00e3o dos jornais; em seguida, ficava o espa\u00e7o da reda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o nos moldes de hoje, mas com ortodoxas m\u00e1quinas de escrever, n\u00e3o as el\u00e9tricas, que s\u00f3 vieram depois.<br \/>\nDo meio para o fim do espa\u00e7o do casar\u00e3o \u2013 que ia da Rua Senador Pompeu \u00e0 Rua General Sampaio \u2013 funcionavam as oficinas. Era o tempo da composi\u00e7\u00e3o a chumbo nas linotipos (A line of type), m\u00e1quina criada no final do s\u00e9culo 19. Nas oficinas, o calor era escaldante. Pois foi l\u00e1 que mourejei at\u00e9 o dia 22 de agosto de 1969, quando escrevi o artigo \u201cO 5\u00ba. Anivers\u00e1rio do BNH no Cear\u00e1\u201d.<br \/>\nNesse artigo relato: \u201cNa evolu\u00e7\u00e3o do programa habitacional foi proposta e aceita pelo Governo do Estado a transforma\u00e7\u00e3o da Companhia Cearense de Sondagens e Perfura\u00e7\u00f5es em Companhia Cearense de Saneamento\u201d, atual Cagece. No fecho, destaco: \u201cEste balan\u00e7o que fazemos \u00e0 guisa de esclarecimento demonstra que cerca de 80 bilh\u00f5es de cruzeiros velhos foram carreados pelo Cear\u00e1 em apenas tr\u00eas anos, provocando um surto animador na economia cearense, isto sem falar no n\u00famero de moradias entregues para pagamento em longo prazo\u201d. Era o tempo do BNH.<br \/>\nCome\u00e7ava eu, nova fase profissional, deixando o batente di\u00e1rio de jornal e tornando-me colaborador semanal deste Jornal O Estado e do Di\u00e1rio do Nordeste.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 21\/10\/2016.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2734","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2734","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2734"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2734\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}