{"id":2748,"date":"2023-12-21T09:10:28","date_gmt":"2023-12-21T12:10:28","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-telefones-eu-e-a-nuvem-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:28","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:28","slug":"os-telefones-eu-e-a-nuvem-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-telefones-eu-e-a-nuvem-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"OS TELEFONES, EU E A NUVEM &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o disse para o meu celular que estou quase desistindo dele\u201d. A.d.<br \/>\nO telefone na casa dos meus pais apareceu quando eu era meninote. Depois, fomos para o nov\u00edssimo bairro de F\u00e1tima. \u00c1rea quase virgem, areias brancas e um parco riacho. Cal\u00e7amento de pedra tosca, ruas sem \u00e1rvores. Entre os bairros Joaquim T\u00e1vora e Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio. Pois bem, assentamo-nos na Rua Monsenhor Ot\u00e1vio de Castro, casa nova, comprada por meu pai, em estilo dito \u201cfuncional\u201d, seja l\u00e1 o que isso fosse. Sem telefone.<br \/>\nAcredito que o projetista havia visto o filme franc\u00eas, \u201cMeu Tio\u201d- Mon Uncle &#8211; de Jacques Tati, um desengon\u00e7ado e alto diretor e ator franc\u00eas, que \u201cdeformava\u201d a cria\u00e7\u00e3o de um sobrinho, filho de sua irm\u00e3, dona de uma casa aparatosa, cheia de modernidades. A irm\u00e3 e m\u00e3e era casada com \u201cbem sucedido\u201d marido que, al\u00e9m da casa, comprara emergentes equipamentos dom\u00e9sticos.<br \/>\nA ideia mal copiada era uma laje de concreto n\u00e3o linear \u2013 sem telhado, pois impermeabilizada &#8211; sobre a \u00e1rea da varanda e um dispositivo mec\u00e2nico que baixava e subia a porta horizontal da garagem em forma de al\u00e7ap\u00e3o. O tal dispositivo era uma caixa cheia de concreto, como contrapeso, roldanas guiadas por cabos de a\u00e7o que o acionavam.<br \/>\nDepois de muita luta, meu pai conseguiu puxar uma linha \u2013 e muitos postes &#8211; da Rua Conselheiro Trist\u00e3o, quase na Rua Ant\u00f4nio Pompeu. Sob palmas, o \u201c5127\u201d tilintou e pudemos falar com parentes e amigos. Ele, afixado em um suporte de madeira na parede, tinha cor preta e era feito de um antepassado do pl\u00e1stico, galalite. Ficava na sala de jantar, perto do janel\u00e3o envidra\u00e7ado com suportes para abrir e fechar, como se fosse veneziana.<br \/>\nPosteriormente, quando completei 18 anos, j\u00e1 com dinheiro poupado, sabe Deus como, resolvi fazer um quarto s\u00f3 para mim no amplo quintal. Contratei o \u201cDico\u201d, diminutivo de Raimundo, um faz tudo, para constru\u00ed-lo com o meu \u201cprojeto\u201d. Uma \u00e1gua s\u00f3 e telhas v\u00e3s em linhas, caibros e ripas de madeiras comprados aos poucos. Esse quarto, pintado a cal, em seguida, foi enriquecido com um ar-condicionado de segunda m\u00e3o, marca \u201cFeeders\u201d. Faltava o telefone s\u00f3 para mim, pois n\u00e3o consegui fazer a extens\u00e3o. Era \u201clonge\u201d. Ainda n\u00e3o havia lido o livro \u201cLonge \u00e9 um pa\u00eds que n\u00e3o existe\u201d, de Fern\u00e3o Capelo Gaivota. Passa-se o tempo e alcan\u00e7o a proeza de colocar uma linha independente da casa dos meus pais.<br \/>\nO colega de vestibular de direito e jornalista, Francisco Newton Quezado Cavalcante, depois L\u00facio Brasileiro e, em seguida, Paco, at\u00e9 me fez uma visita, qui\u00e7\u00e1 para conferir como eu vivia. Deve ter sido a\u00ed que ele intuiu que eu era \u201cum rapaz de futuro\u201d, pois havia livros e m\u00e1quina de escrever sobre o bir\u00f4.<br \/>\nO acesso ao quarto era independente, na lateral direita da casa. Fazia limite com fundos de resid\u00eancias na Rua Saldanha Marinho, onde moravam as fam\u00edlias do Sr. Pascoal, dono da f\u00e1brica \u201cLord\u201d, de temperos; Dona Mariinha Furtado, av\u00f3 da V\u00e2nia que viera de Baturit\u00e9 para estudar em Fortaleza; e o Sr. Pinheiro, funcion\u00e1rio do Banco do Brasil que s\u00f3 tinha uma ag\u00eancia, na Pra\u00e7a Waldemar Falc\u00e3o, ao lado do velho Mercado. Corto o tempo. Chegamos ao hoje, muitos lustros ou d\u00e9cadas depois. Tenho um \u201csmartphone\u201d, o telefone sabido. Mas n\u00e3o sou \u201cgeek\u201d ou \u201cnerd\u201d, os adictos da tecnologia.<br \/>\nPor conta desse telefone sabido, sou achado &#8211; ou n\u00e3o &#8211; por amigos e familiares. Explico: h\u00e1 muito tempo, tenho a defici\u00eancia de perder livros, carteira, telefone, pasta, pacotes etc. N\u00e3o \u00e9 coisa ainda do alem\u00e3o \u201cAlzheimer\u201d, garanto. \u00c9 esquecimento mesmo, por conta de afazeres mais importantes.<br \/>\nAlgumas vezes sou procurado e n\u00e3o acessado. Ligam direto: a recepcionista demora a atender na central, pela quantidade de chamadas que recebe. A secret\u00e1ria, quase t\u00e3o avoada quanto eu, igualmente tarda a ouvir as chamadas. A culpa, ent\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 minha: o \u201cdesaparecido\u201d. Acres\u00e7a-se que me esque\u00e7o de dar carga no dito cujo, o que n\u00e3o parece cr\u00edvel para alguns.<br \/>\nHoje, leio no Wall Street Journal, an\u00e1lise de Eric J. Topol, m\u00e9dico cardiologista e consultor do Google, sobre os tais telefones espertos. Eles passar\u00e3o a ter novas fun\u00e7\u00f5es com ferramentas e programas que permitir\u00e3o, acredite, diagnosticar uma infec\u00e7\u00e3o de ouvido (talvez provocada pelo pr\u00f3prio), medir batimentos card\u00edacos &#8211; alterados pela desconfian\u00e7a em n\u00e3o atend\u00ea-lo &#8211; e at\u00e9 um aplicativo a monitorar nossa sa\u00fade mental (os \u201ccaras\u201d sabem que ficamos fulos quando nos perguntam: onde estava que n\u00e3o atendeu?).<br \/>\nAssim, teremos \u201cavatares\u201d que adiar\u00e3o a visita ao m\u00e9dico, esse que, via de regra, n\u00e3o nos atende bem na consulta, pois o seu celular toca e atrapalha. Ele pede desculpa, conversa um pouco, e meio sem gra\u00e7a, diz: era a mulher perguntando a que horas chegaria para jantar.<br \/>\nEnfim, adeus privacidade, pois at\u00e9 as coceiras poder\u00e3o ser fotografadas e, por \u201ddownload\u201d (baixar), ver um programa a processar a imagem. Um algoritmo dedicado far\u00e1 a leitura t\u00e9cnica e apontar\u00e1 o diagn\u00f3stico. Lembrei-me de Flash Gordon, nas s\u00e9ries de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, j\u00e1 ent\u00e3o protagonizada por Steve Holland.<br \/>\nSei n\u00e3o, mas o falecido Alexander Graham Bell, inventor da companhia telef\u00f4nica, n\u00e3o ousaria pensar nessas extravag\u00e2ncias para o primevo e simpl\u00f3rio aparelho que servia apenas de comunica\u00e7\u00e3o entre empresas e vizinhos pr\u00f3ximos. Loucura total do futurismo, hoje est\u00e1 tudo arquivado na nuvem. Olho para o firmamento: qual delas?<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 23\/01\/2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o disse para o meu celular que estou quase desistindo dele\u201d. A.d.<br \/>\nO telefone na casa dos meus pais apareceu quando eu era meninote. Depois, fomos para o nov\u00edssimo bairro de F\u00e1tima. \u00c1rea quase virgem, areias brancas e um parco riacho. Cal\u00e7amento de pedra tosca, ruas sem \u00e1rvores. Entre os bairros Joaquim T\u00e1vora e Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio. Pois bem, assentamo-nos na Rua Monsenhor Ot\u00e1vio de Castro, casa nova, comprada por meu pai, em estilo dito \u201cfuncional\u201d, seja l\u00e1 o que isso fosse. Sem telefone.<br \/>\nAcredito que o projetista havia visto o filme franc\u00eas, \u201cMeu Tio\u201d- Mon Uncle &#8211; de Jacques Tati, um desengon\u00e7ado e alto diretor e ator franc\u00eas, que \u201cdeformava\u201d a cria\u00e7\u00e3o de um sobrinho, filho de sua irm\u00e3, dona de uma casa aparatosa, cheia de modernidades. A irm\u00e3 e m\u00e3e era casada com \u201cbem sucedido\u201d marido que, al\u00e9m da casa, comprara emergentes equipamentos dom\u00e9sticos.<br \/>\nA ideia mal copiada era uma laje de concreto n\u00e3o linear \u2013 sem telhado, pois impermeabilizada &#8211; sobre a \u00e1rea da varanda e um dispositivo mec\u00e2nico que baixava e subia a porta horizontal da garagem em forma de al\u00e7ap\u00e3o. O tal dispositivo era uma caixa cheia de concreto, como contrapeso, roldanas guiadas por cabos de a\u00e7o que o acionavam.<br \/>\nDepois de muita luta, meu pai conseguiu puxar uma linha \u2013 e muitos postes &#8211; da Rua Conselheiro Trist\u00e3o, quase na Rua Ant\u00f4nio Pompeu. Sob palmas, o \u201c5127\u201d tilintou e pudemos falar com parentes e amigos. Ele, afixado em um suporte de madeira na parede, tinha cor preta e era feito de um antepassado do pl\u00e1stico, galalite. Ficava na sala de jantar, perto do janel\u00e3o envidra\u00e7ado com suportes para abrir e fechar, como se fosse veneziana.<br \/>\nPosteriormente, quando completei 18 anos, j\u00e1 com dinheiro poupado, sabe Deus como, resolvi fazer um quarto s\u00f3 para mim no amplo quintal. Contratei o \u201cDico\u201d, diminutivo de Raimundo, um faz tudo, para constru\u00ed-lo com o meu \u201cprojeto\u201d. Uma \u00e1gua s\u00f3 e telhas v\u00e3s em linhas, caibros e ripas de madeiras comprados aos poucos. Esse quarto, pintado a cal, em seguida, foi enriquecido com um ar-condicionado de segunda m\u00e3o, marca \u201cFeeders\u201d. Faltava o telefone s\u00f3 para mim, pois n\u00e3o consegui fazer a extens\u00e3o. Era \u201clonge\u201d. Ainda n\u00e3o havia lido o livro \u201cLonge \u00e9 um pa\u00eds que n\u00e3o existe\u201d, de Fern\u00e3o Capelo Gaivota. Passa-se o tempo e alcan\u00e7o a proeza de colocar uma linha independente da casa dos meus pais.<br \/>\nO colega de vestibular de direito e jornalista, Francisco Newton Quezado Cavalcante, depois L\u00facio Brasileiro e, em seguida, Paco, at\u00e9 me fez uma visita, qui\u00e7\u00e1 para conferir como eu vivia. Deve ter sido a\u00ed que ele intuiu que eu era \u201cum rapaz de futuro\u201d, pois havia livros e m\u00e1quina de escrever sobre o bir\u00f4.<br \/>\nO acesso ao quarto era independente, na lateral direita da casa. Fazia limite com fundos de resid\u00eancias na Rua Saldanha Marinho, onde moravam as fam\u00edlias do Sr. Pascoal, dono da f\u00e1brica \u201cLord\u201d, de temperos; Dona Mariinha Furtado, av\u00f3 da V\u00e2nia que viera de Baturit\u00e9 para estudar em Fortaleza; e o Sr. Pinheiro, funcion\u00e1rio do Banco do Brasil que s\u00f3 tinha uma ag\u00eancia, na Pra\u00e7a Waldemar Falc\u00e3o, ao lado do velho Mercado. Corto o tempo. Chegamos ao hoje, muitos lustros ou d\u00e9cadas depois. Tenho um \u201csmartphone\u201d, o telefone sabido. Mas n\u00e3o sou \u201cgeek\u201d ou \u201cnerd\u201d, os adictos da tecnologia.<br \/>\nPor conta desse telefone sabido, sou achado &#8211; ou n\u00e3o &#8211; por amigos e familiares. Explico: h\u00e1 muito tempo, tenho a defici\u00eancia de perder livros, carteira, telefone, pasta, pacotes etc. N\u00e3o \u00e9 coisa ainda do alem\u00e3o \u201cAlzheimer\u201d, garanto. \u00c9 esquecimento mesmo, por conta de afazeres mais importantes.<br \/>\nAlgumas vezes sou procurado e n\u00e3o acessado. Ligam direto: a recepcionista demora a atender na central, pela quantidade de chamadas que recebe. A secret\u00e1ria, quase t\u00e3o avoada quanto eu, igualmente tarda a ouvir as chamadas. A culpa, ent\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 minha: o \u201cdesaparecido\u201d. Acres\u00e7a-se que me esque\u00e7o de dar carga no dito cujo, o que n\u00e3o parece cr\u00edvel para alguns.<br \/>\nHoje, leio no Wall Street Journal, an\u00e1lise de Eric J. Topol, m\u00e9dico cardiologista e consultor do Google, sobre os tais telefones espertos. Eles passar\u00e3o a ter novas fun\u00e7\u00f5es com ferramentas e programas que permitir\u00e3o, acredite, diagnosticar uma infec\u00e7\u00e3o de ouvido (talvez provocada pelo pr\u00f3prio), medir batimentos card\u00edacos &#8211; alterados pela desconfian\u00e7a em n\u00e3o atend\u00ea-lo &#8211; e at\u00e9 um aplicativo a monitorar nossa sa\u00fade mental (os \u201ccaras\u201d sabem que ficamos fulos quando nos perguntam: onde estava que n\u00e3o atendeu?).<br \/>\nAssim, teremos \u201cavatares\u201d que adiar\u00e3o a visita ao m\u00e9dico, esse que, via de regra, n\u00e3o nos atende bem na consulta, pois o seu celular toca e atrapalha. Ele pede desculpa, conversa um pouco, e meio sem gra\u00e7a, diz: era a mulher perguntando a que horas chegaria para jantar.<br \/>\nEnfim, adeus privacidade, pois at\u00e9 as coceiras poder\u00e3o ser fotografadas e, por \u201ddownload\u201d (baixar), ver um programa a processar a imagem. Um algoritmo dedicado far\u00e1 a leitura t\u00e9cnica e apontar\u00e1 o diagn\u00f3stico. Lembrei-me de Flash Gordon, nas s\u00e9ries de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, j\u00e1 ent\u00e3o protagonizada por Steve Holland.<br \/>\nSei n\u00e3o, mas o falecido Alexander Graham Bell, inventor da companhia telef\u00f4nica, n\u00e3o ousaria pensar nessas extravag\u00e2ncias para o primevo e simpl\u00f3rio aparelho que servia apenas de comunica\u00e7\u00e3o entre empresas e vizinhos pr\u00f3ximos. Loucura total do futurismo, hoje est\u00e1 tudo arquivado na nuvem. Olho para o firmamento: qual delas?<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 23\/01\/2015.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2748","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2748"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2748\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}