{"id":2752,"date":"2023-12-21T09:10:28","date_gmt":"2023-12-21T12:10:28","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/eleicao-academica-as-criticas-e-o-presente-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:28","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:28","slug":"eleicao-academica-as-criticas-e-o-presente-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/eleicao-academica-as-criticas-e-o-presente-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"ELEI\u00c7\u00c3O ACAD\u00caMICA, AS CR\u00cdTICAS E O PRESENTE &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo dia 10 deste fevereiro, a Academia Cearense de Letras, a mais antiga das academias brasileiras, realizar\u00e1 sess\u00e3o eleitoral para preencher a vaga aberta com a perda do grande poeta, ensa\u00edsta, professor e cidad\u00e3o Artur Eduardo Benevides. S\u00e3o quatro os candidatos.<br \/>\nEsta introdu\u00e7\u00e3o serve apenas para analisar artigo de M\u00e1rio S\u00e9rgio Conti, jornalista e escritor, sob o t\u00edtulo \u201cConformismo e coonesta\u00e7\u00e3o\u201d, publicado em 28 de novembro de 2014, em que critica a Academia Brasileira de Letras, a maior e a mais bem aquinhoada em nomes e prendas.<br \/>\nEle come\u00e7a dizendo: \u201cA desimport\u00e2ncia da Academia Brasileira de Letras emudeceria at\u00e9 Lob\u00e3o (refere-se ao cantor, grifo meu). Ningu\u00e9m liga para ela, exceto os 40 autoproclamados imortais. Que eles desfrutem em sossego do privil\u00e9gio de se fantasiarem de fard\u00e3o pela eternidade afora\u201d<br \/>\nUma primeira observa\u00e7\u00e3o: por que M\u00e1rio Sergio Conti n\u00e3o emudeceu. Se ningu\u00e9m liga para ela, qual o sentido e a raz\u00e3o de seu artigo t\u00e3o candente?<br \/>\nEle argui, em seguida: \u201cA Academia \u00e9 um clube cujos s\u00f3cios, em graus variados de senectude, se re\u00fanem para tomar ch\u00e1 e trocar dois dedos de prosa acerca de seus sublimes antecessores\u201d. N\u00e3o precisa ter lido Freud, Jung ou Melanie Klein, para ver r\u00e9stias de ressentimento expl\u00edcito em cada frase do articulista.<br \/>\nEle continua: \u201c\u00c9 perda de tempo criticar a Academia. N\u00e3o importa que ela sobreviva \u00e0 sombra do Estado. Que jamais tenha emitido um sussurro contra a censura e os outros paus-de-arara na vida cultural\u201d. E aduz: Que cultive a mediocridade liter\u00e1ria (N\u00e9lida Pin\u00f5n, Murilo Melo Filho etc.) e a bajula\u00e7\u00e3o de poderosos (Fernando Henrique Cardoso, Marco Maciel etc.). Ningu\u00e9m liga\u201d.<br \/>\nClaro que algu\u00e9m liga. Ele pr\u00f3prio, Conti, est\u00e1 ligando e dando cavaco. Qual a raz\u00e3o desse seu artigo grave?<br \/>\nMais l\u00e1 na frente, passo para evitar detalhes menores, ele se contradiz, ao afirmar: \u201cA Academia s\u00f3 deixa de ser in\u00f3cua quando nela entra um poeta de verdade. Isso \u00e9 chato porque as m\u00e1s companhias t\u00eam influ\u00eancia e a institui\u00e7\u00e3o os diminui individualmente: todos os ratos s\u00e3o pardos no Petit Trianon\u201d (nome da sede da ABL).<br \/>\nEle est\u00e1 falando do poeta Ferreira Gullar e acrescenta texto do pr\u00f3prio vate maranhense: \u201cA Academia j\u00e1 fez tudo para eu entrar l\u00e1, e eu digo: n\u00e3o. Jamais entrarei para a Academia&#8230; Como eu n\u00e3o tenho cabe\u00e7a acad\u00eamica, como n\u00e3o \u00e9 a minha, n\u00e3o vou entrar l\u00e1\u201d.<br \/>\nPar\u00eantesis meu: Ferreira Gullar entrou na ABL em dezembro do ano passado.<br \/>\nSem esquecer que havia elogiado Gullar (poeta de verdade, ele disse), mais a frente, muda de ideia e o ataca: \u201cNem sempre conseguiu o que buscava. Seus poemas s\u00e3o \u00e0s vezes discursivos ou demag\u00f3gicos; o credo stalinista o fez trope\u00e7ar; seus versos perderam voltagem com a passagem do tempo\u201d. Em seguida, elogia: \u201cO resultado final, por\u00e9m, \u00e9 largamente positivo. Pelo que sua poesia tem de inventividade formal e insubmiss\u00e3o\u201d.<br \/>\nComo se v\u00ea, h\u00e1 um \u201cmorde e assopra\u201d no escrito de M\u00e1rio S\u00e9rgio Conti sobre a entrada na ABL de Ferreira Gullar, o autor, entre outros, do \u201cPoema Sujo\u201d.<br \/>\nComo afirmou Tchekhov, escritor russo: \u201cDe inveja fica-se estr\u00e1bico\u201d. Por outro lado, est\u00e1 claro que as academias brasileiras, sejam de letras, ci\u00eancias e artes, precisam repensar seus des\u00edgnios. Mudar e evoluir, ter a coragem de ajustar-se ao tempo em que vivem, \u00e0s mudan\u00e7as definitivas dos processos anacr\u00f4nicos de escolhas de novos candidatos (por que n\u00e3o um debate entre os candidatos? por que n\u00e3o uma prova de conte\u00fado?), dos seus modelos de gest\u00e3o em que s\u00f3 o presidente faz tudo. Isto n\u00e3o \u00e9 desrespeitar a tradi\u00e7\u00e3o, mas ter coer\u00eancia com o tempo em que se vive.<br \/>\nSem menosprezar a tradi\u00e7\u00e3o e os costumes, incorporar o que h\u00e1 de saud\u00e1vel e l\u00f3gico nestes tempos em que antigo passa a ser tudo aquilo substitu\u00eddo pela voragem da inova\u00e7\u00e3o. A senectude, a que se refere Conti, n\u00e3o \u00e9 a idade dos componentes, mas a perman\u00eancia de m\u00e9todos e a\u00e7\u00f5es que j\u00e1 n\u00e3o mais fazem sentido e pouco produzem resultados efetivos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 06\/02\/2015<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo dia 10 deste fevereiro, a Academia Cearense de Letras, a mais antiga das academias brasileiras, realizar\u00e1 sess\u00e3o eleitoral para preencher a vaga aberta com a perda do grande poeta, ensa\u00edsta, professor e cidad\u00e3o Artur Eduardo Benevides. S\u00e3o quatro os candidatos.<br \/>\nEsta introdu\u00e7\u00e3o serve apenas para analisar artigo de M\u00e1rio S\u00e9rgio Conti, jornalista e escritor, sob o t\u00edtulo \u201cConformismo e coonesta\u00e7\u00e3o\u201d, publicado em 28 de novembro de 2014, em que critica a Academia Brasileira de Letras, a maior e a mais bem aquinhoada em nomes e prendas.<br \/>\nEle come\u00e7a dizendo: \u201cA desimport\u00e2ncia da Academia Brasileira de Letras emudeceria at\u00e9 Lob\u00e3o (refere-se ao cantor, grifo meu). Ningu\u00e9m liga para ela, exceto os 40 autoproclamados imortais. Que eles desfrutem em sossego do privil\u00e9gio de se fantasiarem de fard\u00e3o pela eternidade afora\u201d<br \/>\nUma primeira observa\u00e7\u00e3o: por que M\u00e1rio Sergio Conti n\u00e3o emudeceu. Se ningu\u00e9m liga para ela, qual o sentido e a raz\u00e3o de seu artigo t\u00e3o candente?<br \/>\nEle argui, em seguida: \u201cA Academia \u00e9 um clube cujos s\u00f3cios, em graus variados de senectude, se re\u00fanem para tomar ch\u00e1 e trocar dois dedos de prosa acerca de seus sublimes antecessores\u201d. N\u00e3o precisa ter lido Freud, Jung ou Melanie Klein, para ver r\u00e9stias de ressentimento expl\u00edcito em cada frase do articulista.<br \/>\nEle continua: \u201c\u00c9 perda de tempo criticar a Academia. N\u00e3o importa que ela sobreviva \u00e0 sombra do Estado. Que jamais tenha emitido um sussurro contra a censura e os outros paus-de-arara na vida cultural\u201d. E aduz: Que cultive a mediocridade liter\u00e1ria (N\u00e9lida Pin\u00f5n, Murilo Melo Filho etc.) e a bajula\u00e7\u00e3o de poderosos (Fernando Henrique Cardoso, Marco Maciel etc.). Ningu\u00e9m liga\u201d.<br \/>\nClaro que algu\u00e9m liga. Ele pr\u00f3prio, Conti, est\u00e1 ligando e dando cavaco. Qual a raz\u00e3o desse seu artigo grave?<br \/>\nMais l\u00e1 na frente, passo para evitar detalhes menores, ele se contradiz, ao afirmar: \u201cA Academia s\u00f3 deixa de ser in\u00f3cua quando nela entra um poeta de verdade. Isso \u00e9 chato porque as m\u00e1s companhias t\u00eam influ\u00eancia e a institui\u00e7\u00e3o os diminui individualmente: todos os ratos s\u00e3o pardos no Petit Trianon\u201d (nome da sede da ABL).<br \/>\nEle est\u00e1 falando do poeta Ferreira Gullar e acrescenta texto do pr\u00f3prio vate maranhense: \u201cA Academia j\u00e1 fez tudo para eu entrar l\u00e1, e eu digo: n\u00e3o. Jamais entrarei para a Academia&#8230; Como eu n\u00e3o tenho cabe\u00e7a acad\u00eamica, como n\u00e3o \u00e9 a minha, n\u00e3o vou entrar l\u00e1\u201d.<br \/>\nPar\u00eantesis meu: Ferreira Gullar entrou na ABL em dezembro do ano passado.<br \/>\nSem esquecer que havia elogiado Gullar (poeta de verdade, ele disse), mais a frente, muda de ideia e o ataca: \u201cNem sempre conseguiu o que buscava. Seus poemas s\u00e3o \u00e0s vezes discursivos ou demag\u00f3gicos; o credo stalinista o fez trope\u00e7ar; seus versos perderam voltagem com a passagem do tempo\u201d. Em seguida, elogia: \u201cO resultado final, por\u00e9m, \u00e9 largamente positivo. 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A senectude, a que se refere Conti, n\u00e3o \u00e9 a idade dos componentes, mas a perman\u00eancia de m\u00e9todos e a\u00e7\u00f5es que j\u00e1 n\u00e3o mais fazem sentido e pouco produzem resultados efetivos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 06\/02\/2015<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2752","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2752"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2752\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}