{"id":2769,"date":"2023-12-21T09:10:29","date_gmt":"2023-12-21T12:10:29","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/juarez-novo-de-novo-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:29","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:29","slug":"juarez-novo-de-novo-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/juarez-novo-de-novo-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"JUAREZ NOVO, DE NOVO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA vida \u00e9 um jogo do qual ningu\u00e9m pode retirar-se, levando apenas os lucros\u201d. Andr\u00e9 Maurois<br \/>\nJuarez Leit\u00e3o, professor, historiador, bi\u00f3grafo, poeta, acad\u00eamico, orador consagrado, pai exemplar, conversador nato, marido respons\u00e1vel, andou meio amofinado por uns meses. Abusou da regra tr\u00eas, onde menos vale mais. Al\u00e9m da heran\u00e7a card\u00edaca da fam\u00edlia, comia de tudo, de torresmo a sarrabulho, e eis que o cintur\u00e3o havia, desde o s\u00e9culo XX, passado da medida de 100 cm. Come\u00e7ou a ter umas coisas e foi se achegando a m\u00e9dicos amigos que lhe recomendaram exames.<br \/>\nDona Maria, sua mulher e digna consorte, tamb\u00e9m com sorte, limpou as lentes dos \u00f3culos e disse algo assim: Bem que lhe falava, Juarez. Agora, vamos ver esses exames. Registre-se que o Juarez, embora criado com limites l\u00e1 no semin\u00e1rio de Sobral, ap\u00f3s isso, passou a ser desrespeitador das fronteiras do bom senso e n\u00e3o podia ver prato cheio. Tome garfadas.<br \/>\nJ\u00e1 com um pouco mais de meio s\u00e9culo nos costados, o velho corpanzil come\u00e7ou a rezingar. Foram as dana\u00e7\u00f5es l\u00e1 no antigo jornal e editora do Dorian Sampaio, as comilan\u00e7as no Clube do Bode, al\u00e9m dos churrascos noturnos nos \u00e1ureos tempos do \u201cCirandinha\u201d na Praia de Iracema.<br \/>\nEnt\u00e3o, um m\u00e9dico consultado desandou a explicar que o alimento ou a bebida tem um trajeto natural: boca, passa pela epiglote, caminha pelo es\u00f4fago e cai no est\u00f4mago. Ouviu do bom doutor que da boca aos finalmentes, h\u00e1 um sistema digest\u00f3rio que mede 9 metros de comprimento. E tome conversa sobre intestinos delgado e grosso, digest\u00e3o e pris\u00e3o de ventre. O escul\u00e1pio falou em f\u00edgado, ves\u00edcula biliar, p\u00e2ncreas e ba\u00e7o, al\u00e9m dos j\u00e1 nomeados.<br \/>\nO nosso personagem come\u00e7ou a suar frio. Era informa\u00e7\u00e3o demais para a sua cabe\u00e7a, ansiosa por natureza. O m\u00e9dico nem ligava e dizia: quanto mais ansioso o senhor ficar mais a adrenalina \u00e9 liberada no seu organismo. O fluxo sangu\u00edneo aumenta para os m\u00fasculos e enc\u00e9falo e, ao mesmo tempo, diminui nas gl\u00e2ndulas salivares. Remetido a uma ampla bateria de exames, os fez, \u00e9 verdade, mas guardou os resultados sem mostrar ao m\u00e9dico. Deixou o tempo passar at\u00e9 que aconteceu o infarto.<br \/>\nFoi assim: Certo domingo, depois de visitar o Mercado S\u00e3o Sebasti\u00e3o com o amigo Edmo Linhares e ali comer tapioca, passou pelo Raimundo dos Queijos, recanto bo\u00eamio do centro, bateu papo com amigos at\u00e9 \u00e0s dez da manh\u00e3. J\u00e1 em casa, come\u00e7ou a sentir uma leve dor no peito que crescia de intensidade.<br \/>\nEscondeu tudo quanto pode da mulher e das filhas, mas quando n\u00e3o aguentava mais, anunciou que estava mal e precisava ser socorrido em ato cont\u00ednuo. Atendido no Prontoc\u00e1rdio e, em seguida no Hospital S\u00e3o Carlos, sofreu a primeira interven\u00e7\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o. Dois \u201cstents\u201d na art\u00e9ria principal. Voltou disposto a mudar de vida. Emagreceu dez quilos, cancelou frituras e bebidas alco\u00f3licas.<br \/>\nCom o incidir do tempo, voltou a comer muito e a engordar. Um ano depois, as dores no peito volveram, agora com suores e fadigas. Uma tarde, na Academia Cearense de Letras, passou mal e foi conduzido a hospital.<br \/>\nRigorosos exames revelaram isquemia card\u00edaca. O cateterismo assustou: os stents semientupidos, v\u00e1rias art\u00e9rias comprometidas, entre 90 e 70% de oblitera\u00e7\u00e3o. Era um homem-bomba, sem terrorismo.<br \/>\nJuarez decidiu. Diante do perigo da abjeta e da inomin\u00e1vel, admitiu a cirurgia radical. Ele n\u00e3o tem voca\u00e7\u00e3o para her\u00f3i. Como diz o Mill\u00f4r: \u201cO cara s\u00f3 \u00e9 totalmente ateu quando est\u00e1 bem de sa\u00fade\u201d. Avisou os amigos e a todos solicitou torcida e reza. Mobilizou o antigo colega de semin\u00e1rio de Sobral, Dr. Francisco Jos\u00e9 Aguiar Moura, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Betanistas, para comandar corrente de ora\u00e7\u00f5es. A dom Edmilson Cruz, seu antigo professor, suplicou b\u00ean\u00e7\u00e3o e advocacia junto \u00e0 Deus. Do bispo recebeu a pr\u00f3pria Cruz Peitoral, que Dona Maria segurou com fervor durante as seis horas da cirurgia.<br \/>\nNo trajeto para o hospital olhava para as ruas com sensa\u00e7\u00e3o de despedida. Benzia-se quando passava por uma igreja. Internou-se na v\u00e9spera. Noite insone com dram\u00e1ticas avalia\u00e7\u00f5es da vida. Era chegada a hora.<br \/>\nSua sorte nas m\u00e3os de Deus e dos m\u00e9dicos. Todas as fichas lan\u00e7adas no pano verde da ci\u00eancia e na r\u00e9stia de f\u00e9. A equipe m\u00e9dica foi escolhida, com cuidados, por velho e providente amigo, o Dr. Jo\u00e3o Martins, professor da Medicina da UFC e da equipe do saudoso Dr. Regis Juc\u00e1.<br \/>\nO cirurgi\u00e3o escolhido foi o m\u00e9dico baiano Adriano Lima, que agiu com per\u00edcia de ourives no cora\u00e7\u00e3o do vate. O Dr. Sandro Salgueiro, mestre em cateterismo e cl\u00ednico, o acompanhou no p\u00f3s-operat\u00f3rio no Hospital da Unimed. Este, com veem\u00eancia, combateu a cavila\u00e7\u00e3o do paciente, a tal lassid\u00e3o desnecess\u00e1ria. Deu certo. Agora, al\u00e9m de versos novos na alma, Juarez porta tr\u00eas safenas e uma mam\u00e1ria. Assim, com quatro pontes, pode ser considerado quase um acesso vicinal de BR.<br \/>\nHoje, h\u00e1 amplos horizontes e a renova\u00e7\u00e3o com a vida. Juarez \u00e9 redivivo. Tudo desatravancado, esborniado e preparado para a cent\u00faria, ainda long\u00ednqua. Depois de bom tempo quarando no hospital, a dor do caminh\u00e3o sobre seu peito, foi amainando. Voltaram a brilhar as cores e as vozes da fortuna.<br \/>\nAgora, depois da Semana Santa, da comunh\u00e3o pela gra\u00e7a alcan\u00e7ada, \u00e9 um homem intenso. Fagueiro, temente a Deus, loquaz e revisado. Atende, pelo celular, a amigos \u00e1vidos por tapiocas, por est\u00f3rias e por afetos nos porvindouros convescotes na sua varanda do Meireles. Calma pessoal. Hosanas, primeiro.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 10\/04\/2015<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA vida \u00e9 um jogo do qual ningu\u00e9m pode retirar-se, levando apenas os lucros\u201d. Andr\u00e9 Maurois<br \/>\nJuarez Leit\u00e3o, professor, historiador, bi\u00f3grafo, poeta, acad\u00eamico, orador consagrado, pai exemplar, conversador nato, marido respons\u00e1vel, andou meio amofinado por uns meses. Abusou da regra tr\u00eas, onde menos vale mais. Al\u00e9m da heran\u00e7a card\u00edaca da fam\u00edlia, comia de tudo, de torresmo a sarrabulho, e eis que o cintur\u00e3o havia, desde o s\u00e9culo XX, passado da medida de 100 cm. Come\u00e7ou a ter umas coisas e foi se achegando a m\u00e9dicos amigos que lhe recomendaram exames.<br \/>\nDona Maria, sua mulher e digna consorte, tamb\u00e9m com sorte, limpou as lentes dos \u00f3culos e disse algo assim: Bem que lhe falava, Juarez. Agora, vamos ver esses exames. Registre-se que o Juarez, embora criado com limites l\u00e1 no semin\u00e1rio de Sobral, ap\u00f3s isso, passou a ser desrespeitador das fronteiras do bom senso e n\u00e3o podia ver prato cheio. Tome garfadas.<br \/>\nJ\u00e1 com um pouco mais de meio s\u00e9culo nos costados, o velho corpanzil come\u00e7ou a rezingar. Foram as dana\u00e7\u00f5es l\u00e1 no antigo jornal e editora do Dorian Sampaio, as comilan\u00e7as no Clube do Bode, al\u00e9m dos churrascos noturnos nos \u00e1ureos tempos do \u201cCirandinha\u201d na Praia de Iracema.<br \/>\nEnt\u00e3o, um m\u00e9dico consultado desandou a explicar que o alimento ou a bebida tem um trajeto natural: boca, passa pela epiglote, caminha pelo es\u00f4fago e cai no est\u00f4mago. Ouviu do bom doutor que da boca aos finalmentes, h\u00e1 um sistema digest\u00f3rio que mede 9 metros de comprimento. E tome conversa sobre intestinos delgado e grosso, digest\u00e3o e pris\u00e3o de ventre. O escul\u00e1pio falou em f\u00edgado, ves\u00edcula biliar, p\u00e2ncreas e ba\u00e7o, al\u00e9m dos j\u00e1 nomeados.<br \/>\nO nosso personagem come\u00e7ou a suar frio. Era informa\u00e7\u00e3o demais para a sua cabe\u00e7a, ansiosa por natureza. O m\u00e9dico nem ligava e dizia: quanto mais ansioso o senhor ficar mais a adrenalina \u00e9 liberada no seu organismo. O fluxo sangu\u00edneo aumenta para os m\u00fasculos e enc\u00e9falo e, ao mesmo tempo, diminui nas gl\u00e2ndulas salivares. Remetido a uma ampla bateria de exames, os fez, \u00e9 verdade, mas guardou os resultados sem mostrar ao m\u00e9dico. Deixou o tempo passar at\u00e9 que aconteceu o infarto.<br \/>\nFoi assim: Certo domingo, depois de visitar o Mercado S\u00e3o Sebasti\u00e3o com o amigo Edmo Linhares e ali comer tapioca, passou pelo Raimundo dos Queijos, recanto bo\u00eamio do centro, bateu papo com amigos at\u00e9 \u00e0s dez da manh\u00e3. J\u00e1 em casa, come\u00e7ou a sentir uma leve dor no peito que crescia de intensidade.<br \/>\nEscondeu tudo quanto pode da mulher e das filhas, mas quando n\u00e3o aguentava mais, anunciou que estava mal e precisava ser socorrido em ato cont\u00ednuo. Atendido no Prontoc\u00e1rdio e, em seguida no Hospital S\u00e3o Carlos, sofreu a primeira interven\u00e7\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o. Dois \u201cstents\u201d na art\u00e9ria principal. Voltou disposto a mudar de vida. Emagreceu dez quilos, cancelou frituras e bebidas alco\u00f3licas.<br \/>\nCom o incidir do tempo, voltou a comer muito e a engordar. Um ano depois, as dores no peito volveram, agora com suores e fadigas. Uma tarde, na Academia Cearense de Letras, passou mal e foi conduzido a hospital.<br \/>\nRigorosos exames revelaram isquemia card\u00edaca. O cateterismo assustou: os stents semientupidos, v\u00e1rias art\u00e9rias comprometidas, entre 90 e 70% de oblitera\u00e7\u00e3o. Era um homem-bomba, sem terrorismo.<br \/>\nJuarez decidiu. Diante do perigo da abjeta e da inomin\u00e1vel, admitiu a cirurgia radical. Ele n\u00e3o tem voca\u00e7\u00e3o para her\u00f3i. Como diz o Mill\u00f4r: \u201cO cara s\u00f3 \u00e9 totalmente ateu quando est\u00e1 bem de sa\u00fade\u201d. Avisou os amigos e a todos solicitou torcida e reza. Mobilizou o antigo colega de semin\u00e1rio de Sobral, Dr. Francisco Jos\u00e9 Aguiar Moura, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Betanistas, para comandar corrente de ora\u00e7\u00f5es. A dom Edmilson Cruz, seu antigo professor, suplicou b\u00ean\u00e7\u00e3o e advocacia junto \u00e0 Deus. Do bispo recebeu a pr\u00f3pria Cruz Peitoral, que Dona Maria segurou com fervor durante as seis horas da cirurgia.<br \/>\nNo trajeto para o hospital olhava para as ruas com sensa\u00e7\u00e3o de despedida. Benzia-se quando passava por uma igreja. Internou-se na v\u00e9spera. Noite insone com dram\u00e1ticas avalia\u00e7\u00f5es da vida. Era chegada a hora.<br \/>\nSua sorte nas m\u00e3os de Deus e dos m\u00e9dicos. Todas as fichas lan\u00e7adas no pano verde da ci\u00eancia e na r\u00e9stia de f\u00e9. A equipe m\u00e9dica foi escolhida, com cuidados, por velho e providente amigo, o Dr. Jo\u00e3o Martins, professor da Medicina da UFC e da equipe do saudoso Dr. Regis Juc\u00e1.<br \/>\nO cirurgi\u00e3o escolhido foi o m\u00e9dico baiano Adriano Lima, que agiu com per\u00edcia de ourives no cora\u00e7\u00e3o do vate. O Dr. Sandro Salgueiro, mestre em cateterismo e cl\u00ednico, o acompanhou no p\u00f3s-operat\u00f3rio no Hospital da Unimed. Este, com veem\u00eancia, combateu a cavila\u00e7\u00e3o do paciente, a tal lassid\u00e3o desnecess\u00e1ria. Deu certo. Agora, al\u00e9m de versos novos na alma, Juarez porta tr\u00eas safenas e uma mam\u00e1ria. Assim, com quatro pontes, pode ser considerado quase um acesso vicinal de BR.<br \/>\nHoje, h\u00e1 amplos horizontes e a renova\u00e7\u00e3o com a vida. Juarez \u00e9 redivivo. Tudo desatravancado, esborniado e preparado para a cent\u00faria, ainda long\u00ednqua. Depois de bom tempo quarando no hospital, a dor do caminh\u00e3o sobre seu peito, foi amainando. Voltaram a brilhar as cores e as vozes da fortuna.<br \/>\nAgora, depois da Semana Santa, da comunh\u00e3o pela gra\u00e7a alcan\u00e7ada, \u00e9 um homem intenso. Fagueiro, temente a Deus, loquaz e revisado. Atende, pelo celular, a amigos \u00e1vidos por tapiocas, por est\u00f3rias e por afetos nos porvindouros convescotes na sua varanda do Meireles. Calma pessoal. Hosanas, primeiro.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 10\/04\/2015<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2769","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2769","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2769"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2769\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}