{"id":2773,"date":"2023-12-21T09:10:29","date_gmt":"2023-12-21T12:10:29","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/elano-viana-de-oliveira-paula-o-devaneador-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:29","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:29","slug":"elano-viana-de-oliveira-paula-o-devaneador-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/elano-viana-de-oliveira-paula-o-devaneador-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"ELANO VIANA DE OLIVEIRA PAULA, O DEVANEADOR &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cHaja hoje para tanto ontem\u201d. Paulo Leminski<br \/>\nElano alterou o compasso da vida de muita gente. Explico: Eu o conheci no quarto final dos anos 60. Nesse tempo, eu, rec\u00e9m-formado, havia voltado dos Estados Unidos, ap\u00f3s concurso. Por \u00faltimo, estivera na Europa onde alguns formandos em administra\u00e7\u00e3o tiveram a aud\u00e1cia de, por ideia nossa, ir ver o velho mundo. Passagens luminosas na Funda\u00e7\u00e3o C. Gulbekian, em Lisboa, e na \u00c9cole Nationale de Administration, em Paris. Rodamos, de \u00f4nibus, pela Espanha, Su\u00ed\u00e7a e It\u00e1lia. Em Roma, furamos o cerco e vimos o aparato do Conc\u00edlio Vaticano II.<br \/>\nDe volta, posto em estudos e trabalhos m\u00faltiplos. Solteiro, participava, \u00e0 noite, de turma no N\u00e1utico. Eu era o benjamim. Entre outros, pontificavam Fernando T\u00e1vora, Lustosa da Costa, L\u00facio Brasileiro e Danilo Marques.<br \/>\nUm dia, o Danilo informou que iria ao aeroporto apanhar o engenheiro Elano Paula. Disse que Elano estava querendo entrar no sistema financeiro da habita\u00e7\u00e3o do BNH. Eu, sa\u00eddo, falei: li tudo sobre o BNH. Na verdade, por minha inata curiosidade e forma\u00e7\u00e3o em direito, havia lido a legisla\u00e7\u00e3o do SFH. Danilo arregalou os olhos e pediu para lev\u00e1-lo ao velho aeroporto no meu Karmann Ghia (cup\u00ea da VW com design italiano da Ghia).<br \/>\nO carro s\u00f3 possu\u00eda dois assentos na frente e um \u201cbanco da sogra\u201d em que mal cabia um. O Elano, no assento do passageiro. O Danilo, no banco, apresentava-me e informava que eu havia lido os \u201clivros do BNH\u201d. Elano, de esguelha, perguntou: voc\u00ea sabe o que \u00e9 Iniciador? Disse o que alcan\u00e7ara.<br \/>\nEncurtando a hist\u00f3ria, o Elano me desafia a ir ao Rio, sede do BNH, para desentravar processo que dera entrada h\u00e1 tempos e n\u00e3o sa\u00edra. Com condi\u00e7\u00e3o: se eu resolvesse, seria pago. Caso contr\u00e1rio, nada. Fui e logo alcancei o objetivo.<br \/>\nAcontece que eu recebera convite para novo curso no exterior. As passagens esperavam na Varig, na Rua Bar\u00e3o do Rio Branco. Comuniquei ao Elano, que, matreiro, retrucou: \u201cse voc\u00ea for ficar l\u00e1, tudo bem. Mas, se for para voltar ao no Cear\u00e1, o que voc\u00ea sabe j\u00e1 basta\u201d. Pedi adiamento e devolvi as passagens.<br \/>\nA ideia do Elano, salvo engano, foi apresentada pelo Danilo ao Walder Ary, jovem professor da Escola de Engenharia da UFC: criar empresas correlatadas de constru\u00e7\u00e3o, financiamento, ind\u00fastria e planejamento para atuar no nascente BNH e fora dele. Nasceram empresas. Master, -depois Master- Incosa, Iplac, Domus, Credimus, Modulus, Estrela, Planos e outras. Maturidade e arrojo.<br \/>\nJuntaram-se \u00e0 ideia valorosos nomes: Jo\u00e3o Parente, Crisanto Almeida, Jo\u00e3o Fujita, Lewton Monteiro, Ant\u00f4nio Porto, Lauro Lopes e outros mais. Posso dizer, sem exagero, que esse pessoal, misto de jovens e maduros, possu\u00eda multiplicidade de talentos, quase um embri\u00e3o de universidade. Chegaram, depois: Ricardo Ary, Walter Monte, Raimundo Padilha, Ildefonso Rodrigues, Deusmar Queiroz, Almir Caiado, Alfredo Marques e Wagner Brito, entre outros. Todos com contribui\u00e7\u00e3o distinta para o \u00eaxito comum. A mim, cabia dirigir a \u00e1rea de planejamento, a Planos.<br \/>\nVolto ao Elano. Ele n\u00e3o alcan\u00e7ara bom sucesso no Rio. Fora s\u00f3cio do irm\u00e3o, Chico Anysio, em neg\u00f3cios que n\u00e3o prosperaram. Elano fez tudo em r\u00e1dio e em TV, por tr\u00e1s das c\u00e2meras. A letra de \u201cCan\u00e7\u00e3o de Amor\u201d \u00e9 dele. A melodia \u00e9 de Chocolate. \u00c9 standard rom\u00e2ntico.<br \/>\nAqui, montara a Incosa, atuante em constru\u00e7\u00e3o pesada. Mas, a sua inventividade estava al\u00e9m de pontes, asfaltos e obras p\u00fablicas. Era devaneador arguto e inveterado. Espiritualizado, cultura humanista e ideias n\u00e3o convencionais. Por sorte minha, trabalhamos e convivemos por cinco anos.<br \/>\nUm dia, l\u00e1 na Iplac- Ind\u00fastria Pl\u00e1stica Cearense S.A., da qual eu era diretor administrativo, disse ao Elano: \u201cdecidi que quero ser independente e n\u00e3o mais participar do grupo\u201d. Ent\u00e3o em franco crescimento. Ele nem perguntou a raz\u00e3o. Apenas, comentou: \u201ceu esperava isso\u201d. Abra\u00e7amo-nos.<br \/>\nO Nisabro acompanhou-me e, juntos, montamos a Cenpla. Dois anos depois, falei o mesmo a ele: \u201cquero ficar s\u00f3, para saber da minha verdadeira capacidade\u201d. Era princ\u00edpio. Permaneci com a Planos. O Nisabro se quedou com a Cenpla e com o Elano. Tudo criterioso.<br \/>\nMantive sempre a amizade com o Elano, a quem admirava, longe dos neg\u00f3cios, como pensador al\u00e9m da centralidade. Foi uma das centelhas que me fez conduzir a Planos at\u00e9 aqui, reta.<br \/>\nJ\u00e1 no XXI, composto por tr\u00eas, ele, o Chico e eu, criamos o blog Maranguape que durou anos. Prefaciei e revi livros escritos por ele e em parceria com o Chico Anysio. Ele absorvera a Internet e passamos a trocar e-mails e a nos encontrarmos para papos aqui e no Rio, onde mantivera morada. Paredes ricas com quadros maravilhosos, inclusive alguns pintados por ele e o irm\u00e3o famoso. Presenteou-me com uma \u201cmarinha\u201d do Chico e uma \u201centrada com port\u00e3o\u201d, dele.<br \/>\nS\u00e1bado, no seu vel\u00f3rio, ouvi as falas emocionadas do seu s\u00f3cio Jos\u00e9 Medeiros Neto, da sobrinha Cininha de Paula e de Deusdetiza Silva. Eu, por meu turno, olhando o seu corpo, disse quase as mesmas palavras que agora escrevi. \u201cCan\u00e7\u00e3o de amor, saudade\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 24\/04\/2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cHaja hoje para tanto ontem\u201d. Paulo Leminski<br \/>\nElano alterou o compasso da vida de muita gente. Explico: Eu o conheci no quarto final dos anos 60. Nesse tempo, eu, rec\u00e9m-formado, havia voltado dos Estados Unidos, ap\u00f3s concurso. Por \u00faltimo, estivera na Europa onde alguns formandos em administra\u00e7\u00e3o tiveram a aud\u00e1cia de, por ideia nossa, ir ver o velho mundo. Passagens luminosas na Funda\u00e7\u00e3o C. Gulbekian, em Lisboa, e na \u00c9cole Nationale de Administration, em Paris. Rodamos, de \u00f4nibus, pela Espanha, Su\u00ed\u00e7a e It\u00e1lia. Em Roma, furamos o cerco e vimos o aparato do Conc\u00edlio Vaticano II.<br \/>\nDe volta, posto em estudos e trabalhos m\u00faltiplos. Solteiro, participava, \u00e0 noite, de turma no N\u00e1utico. Eu era o benjamim. Entre outros, pontificavam Fernando T\u00e1vora, Lustosa da Costa, L\u00facio Brasileiro e Danilo Marques.<br \/>\nUm dia, o Danilo informou que iria ao aeroporto apanhar o engenheiro Elano Paula. Disse que Elano estava querendo entrar no sistema financeiro da habita\u00e7\u00e3o do BNH. Eu, sa\u00eddo, falei: li tudo sobre o BNH. Na verdade, por minha inata curiosidade e forma\u00e7\u00e3o em direito, havia lido a legisla\u00e7\u00e3o do SFH. Danilo arregalou os olhos e pediu para lev\u00e1-lo ao velho aeroporto no meu Karmann Ghia (cup\u00ea da VW com design italiano da Ghia).<br \/>\nO carro s\u00f3 possu\u00eda dois assentos na frente e um \u201cbanco da sogra\u201d em que mal cabia um. O Elano, no assento do passageiro. O Danilo, no banco, apresentava-me e informava que eu havia lido os \u201clivros do BNH\u201d. Elano, de esguelha, perguntou: voc\u00ea sabe o que \u00e9 Iniciador? Disse o que alcan\u00e7ara.<br \/>\nEncurtando a hist\u00f3ria, o Elano me desafia a ir ao Rio, sede do BNH, para desentravar processo que dera entrada h\u00e1 tempos e n\u00e3o sa\u00edra. Com condi\u00e7\u00e3o: se eu resolvesse, seria pago. Caso contr\u00e1rio, nada. Fui e logo alcancei o objetivo.<br \/>\nAcontece que eu recebera convite para novo curso no exterior. As passagens esperavam na Varig, na Rua Bar\u00e3o do Rio Branco. Comuniquei ao Elano, que, matreiro, retrucou: \u201cse voc\u00ea for ficar l\u00e1, tudo bem. Mas, se for para voltar ao no Cear\u00e1, o que voc\u00ea sabe j\u00e1 basta\u201d. Pedi adiamento e devolvi as passagens.<br \/>\nA ideia do Elano, salvo engano, foi apresentada pelo Danilo ao Walder Ary, jovem professor da Escola de Engenharia da UFC: criar empresas correlatadas de constru\u00e7\u00e3o, financiamento, ind\u00fastria e planejamento para atuar no nascente BNH e fora dele. Nasceram empresas. Master, -depois Master- Incosa, Iplac, Domus, Credimus, Modulus, Estrela, Planos e outras. Maturidade e arrojo.<br \/>\nJuntaram-se \u00e0 ideia valorosos nomes: Jo\u00e3o Parente, Crisanto Almeida, Jo\u00e3o Fujita, Lewton Monteiro, Ant\u00f4nio Porto, Lauro Lopes e outros mais. Posso dizer, sem exagero, que esse pessoal, misto de jovens e maduros, possu\u00eda multiplicidade de talentos, quase um embri\u00e3o de universidade. Chegaram, depois: Ricardo Ary, Walter Monte, Raimundo Padilha, Ildefonso Rodrigues, Deusmar Queiroz, Almir Caiado, Alfredo Marques e Wagner Brito, entre outros. Todos com contribui\u00e7\u00e3o distinta para o \u00eaxito comum. A mim, cabia dirigir a \u00e1rea de planejamento, a Planos.<br \/>\nVolto ao Elano. Ele n\u00e3o alcan\u00e7ara bom sucesso no Rio. Fora s\u00f3cio do irm\u00e3o, Chico Anysio, em neg\u00f3cios que n\u00e3o prosperaram. Elano fez tudo em r\u00e1dio e em TV, por tr\u00e1s das c\u00e2meras. A letra de \u201cCan\u00e7\u00e3o de Amor\u201d \u00e9 dele. A melodia \u00e9 de Chocolate. \u00c9 standard rom\u00e2ntico.<br \/>\nAqui, montara a Incosa, atuante em constru\u00e7\u00e3o pesada. Mas, a sua inventividade estava al\u00e9m de pontes, asfaltos e obras p\u00fablicas. Era devaneador arguto e inveterado. Espiritualizado, cultura humanista e ideias n\u00e3o convencionais. Por sorte minha, trabalhamos e convivemos por cinco anos.<br \/>\nUm dia, l\u00e1 na Iplac- Ind\u00fastria Pl\u00e1stica Cearense S.A., da qual eu era diretor administrativo, disse ao Elano: \u201cdecidi que quero ser independente e n\u00e3o mais participar do grupo\u201d. Ent\u00e3o em franco crescimento. Ele nem perguntou a raz\u00e3o. Apenas, comentou: \u201ceu esperava isso\u201d. Abra\u00e7amo-nos.<br \/>\nO Nisabro acompanhou-me e, juntos, montamos a Cenpla. Dois anos depois, falei o mesmo a ele: \u201cquero ficar s\u00f3, para saber da minha verdadeira capacidade\u201d. Era princ\u00edpio. Permaneci com a Planos. O Nisabro se quedou com a Cenpla e com o Elano. Tudo criterioso.<br \/>\nMantive sempre a amizade com o Elano, a quem admirava, longe dos neg\u00f3cios, como pensador al\u00e9m da centralidade. Foi uma das centelhas que me fez conduzir a Planos at\u00e9 aqui, reta.<br \/>\nJ\u00e1 no XXI, composto por tr\u00eas, ele, o Chico e eu, criamos o blog Maranguape que durou anos. Prefaciei e revi livros escritos por ele e em parceria com o Chico Anysio. Ele absorvera a Internet e passamos a trocar e-mails e a nos encontrarmos para papos aqui e no Rio, onde mantivera morada. Paredes ricas com quadros maravilhosos, inclusive alguns pintados por ele e o irm\u00e3o famoso. Presenteou-me com uma \u201cmarinha\u201d do Chico e uma \u201centrada com port\u00e3o\u201d, dele.<br \/>\nS\u00e1bado, no seu vel\u00f3rio, ouvi as falas emocionadas do seu s\u00f3cio Jos\u00e9 Medeiros Neto, da sobrinha Cininha de Paula e de Deusdetiza Silva. Eu, por meu turno, olhando o seu corpo, disse quase as mesmas palavras que agora escrevi. \u201cCan\u00e7\u00e3o de amor, saudade\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 24\/04\/2015.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2773","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2773","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2773"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2773\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2773"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2773"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2773"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}