{"id":2785,"date":"2023-12-21T09:10:29","date_gmt":"2023-12-21T12:10:29","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/rascunho-de-texto-e-de-vida-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:29","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:29","slug":"rascunho-de-texto-e-de-vida-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/rascunho-de-texto-e-de-vida-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"RASCUNHO DE TEXTO E DE VIDA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cPassei metade da minha vida vendendo palavras e, espero, ideias\u201d. Winston Churchill, pol\u00edtico e intelectual.<br \/>\nEsta semana, ao organizar o espa\u00e7o atulhado de livros, escritos, pap\u00e9is, revistas, jornais, onde, todos os dias leio e escrevo, fiz uma descoberta. Encontrei rascunho de palestra que fiz em 1984, em curso\/semin\u00e1rio promovido pelo Instituto Delmiro Gouveia. Falei para professores, administradores, estudantes de administra\u00e7\u00e3o e outros profissionais.<br \/>\nO texto \u00e9 mero rascunho aligeirado, com erros de digita\u00e7\u00e3o, do que falaria no dia seguinte. Deixei-o tal como o encontrei, cincas e sem corre\u00e7\u00f5es. Nele, relato um pouco de minha vida pessoal, profissional e intelectual at\u00e9 fins de 1984.<br \/>\nResolvi, agora, repass\u00e1-lo, sem ressalvas, \u00e0s filhas. Digo-lhes que esse rascunho deve ser entendido como a minha marca registrada de ser. Direto, tal como sempre fui e sou.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 texto para divulga\u00e7\u00e3o, claro. Mas ficarei feliz se as queridas filhas, e os seus descendentes, tomarem conhecimento do teor, agora ou no futuro. N\u00e3o acredito que encontrem respostas para as suas vidas pessoais e profissionais. Cada um faz o seu roteiro. O texto, quando muito, d\u00e1 ideia da minha personalidade e do meu modo de agir. Que pouco mudou, constato.<br \/>\nPassaram-se trinta anos. A vida e o mundo s\u00e3o outros. Pondero, nesse texto h\u00e1 linhas gerais de um projeto de vida, ajustando cada situa\u00e7\u00e3o ao momento e \u00e0 realidade de um pa\u00eds que continua a nos surpreender, por tudo o que sabemos, sentimos e vivemos.<br \/>\nAgora, maio de 2015, refiro que sou o saldo de tudo o que nele escrevinhei e, em muitos outros textos que, depois, viraram livros, estes passados a limpo. Mas o rascunho \u00e9 tal como a minha vida foi, at\u00e9 ent\u00e3o. Um \u2018making off\u2019 pontilhado de a\u00e7\u00f5es e de adversidades que tentei abduzir e superar.<br \/>\n\u00c9 claro que sofri, mas h\u00e1 alegria em saber que n\u00e3o mudei a ess\u00eancia, n\u00e3o me violentei. Fiz da resposta imediata, sem rodeios, a qualquer desafio ou afronta, refer\u00eancia como identidade<br \/>\nHoje, acredito, deveria ter pegado mais leve comigo. O trajeto exigia energia, estudo, coer\u00eancia, trabalho e determina\u00e7\u00e3o. Sofri repres\u00e1lias e balelas. Alguns foram sutis; outros, escancarados. Tive que redobrar energias, sem nunca deixar de ser eu mesmo.<br \/>\nDigo, agora, que a ess\u00eancia do que narro no texto, n\u00e3o mudou. O resultado sou eu, o que constru\u00ed, o que li e estudei, o que escrevi e o que vivi. O rascunho serviu como base da palestra, na qual intercalei improvisos e respostas ao perguntado.<br \/>\nNada h\u00e1 de importante no texto, tampouco \u00e9 manual. Mas, essa descoberta, tornou-o significativo para quem andou s\u00f3, levou tundas e caminhou por estradas de inova\u00e7\u00e3o, aqui e mundo afora, de peito aberto.<br \/>\nNunca fui \u00e1ulico de quem n\u00e3o acreditava. Caminhei s\u00f3, sem ajuda, a n\u00e3o ser a que me foi transmitida pela minha fam\u00edlia, na conviv\u00eancia e na heran\u00e7a gen\u00e9tica, por ci\u00eancia e por trabalho duro ao qual me engajo como oper\u00e1rio. Vi, li e estudei mundo afora, sem usar tutores ou facilitadores.<br \/>\nCito um exemplo, a honra de, por concurso, participar, na Harvard University, do saber de Henry Kissinger de quem se podia discordar, mas a quem se devia respeitar por sua cultura polimorfa. Ele foi um dos mais importantes atores da pol\u00edtica americana e mundial. Ouvi muitos outros. Outras ideias.<br \/>\nEste relato \u00e9 r\u00e9stia que surge dessa descoberta circunstancial, ao mexer no que tenho aquietado, esperando apenas que o revolva.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05\/06\/2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPassei metade da minha vida vendendo palavras e, espero, ideias\u201d. 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Mas ficarei feliz se as queridas filhas, e os seus descendentes, tomarem conhecimento do teor, agora ou no futuro. N\u00e3o acredito que encontrem respostas para as suas vidas pessoais e profissionais. Cada um faz o seu roteiro. O texto, quando muito, d\u00e1 ideia da minha personalidade e do meu modo de agir. Que pouco mudou, constato.<br \/>\nPassaram-se trinta anos. A vida e o mundo s\u00e3o outros. Pondero, nesse texto h\u00e1 linhas gerais de um projeto de vida, ajustando cada situa\u00e7\u00e3o ao momento e \u00e0 realidade de um pa\u00eds que continua a nos surpreender, por tudo o que sabemos, sentimos e vivemos.<br \/>\nAgora, maio de 2015, refiro que sou o saldo de tudo o que nele escrevinhei e, em muitos outros textos que, depois, viraram livros, estes passados a limpo. Mas o rascunho \u00e9 tal como a minha vida foi, at\u00e9 ent\u00e3o. Um \u2018making off\u2019 pontilhado de a\u00e7\u00f5es e de adversidades que tentei abduzir e superar.<br \/>\n\u00c9 claro que sofri, mas h\u00e1 alegria em saber que n\u00e3o mudei a ess\u00eancia, n\u00e3o me violentei. Fiz da resposta imediata, sem rodeios, a qualquer desafio ou afronta, refer\u00eancia como identidade<br \/>\nHoje, acredito, deveria ter pegado mais leve comigo. O trajeto exigia energia, estudo, coer\u00eancia, trabalho e determina\u00e7\u00e3o. Sofri repres\u00e1lias e balelas. Alguns foram sutis; outros, escancarados. Tive que redobrar energias, sem nunca deixar de ser eu mesmo.<br \/>\nDigo, agora, que a ess\u00eancia do que narro no texto, n\u00e3o mudou. O resultado sou eu, o que constru\u00ed, o que li e estudei, o que escrevi e o que vivi. O rascunho serviu como base da palestra, na qual intercalei improvisos e respostas ao perguntado.<br \/>\nNada h\u00e1 de importante no texto, tampouco \u00e9 manual. Mas, essa descoberta, tornou-o significativo para quem andou s\u00f3, levou tundas e caminhou por estradas de inova\u00e7\u00e3o, aqui e mundo afora, de peito aberto.<br \/>\nNunca fui \u00e1ulico de quem n\u00e3o acreditava. Caminhei s\u00f3, sem ajuda, a n\u00e3o ser a que me foi transmitida pela minha fam\u00edlia, na conviv\u00eancia e na heran\u00e7a gen\u00e9tica, por ci\u00eancia e por trabalho duro ao qual me engajo como oper\u00e1rio. Vi, li e estudei mundo afora, sem usar tutores ou facilitadores.<br \/>\nCito um exemplo, a honra de, por concurso, participar, na Harvard University, do saber de Henry Kissinger de quem se podia discordar, mas a quem se devia respeitar por sua cultura polimorfa. Ele foi um dos mais importantes atores da pol\u00edtica americana e mundial. Ouvi muitos outros. Outras ideias.<br \/>\nEste relato \u00e9 r\u00e9stia que surge dessa descoberta circunstancial, ao mexer no que tenho aquietado, esperando apenas que o revolva.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05\/06\/2015.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2785","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2785","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2785"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2785\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2785"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2785"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}