{"id":2787,"date":"2023-12-21T09:10:29","date_gmt":"2023-12-21T12:10:29","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/para-tentar-compreender-o-brasil-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:29","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:29","slug":"para-tentar-compreender-o-brasil-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/para-tentar-compreender-o-brasil-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"PARA TENTAR COMPREENDER O BRASIL &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO tambor faz um grande barulho, mas \u00e9 vazio por dentro\u201d. Bar\u00e3o de Itarar\u00e9<br \/>\nAs boas not\u00edcias desapareceram das m\u00eddias brasileiras. Quem quiser ouvir, ler e ver o mal que falam de nosso Pa\u00eds \u00e9 simples: basta ligar o r\u00e1dio, seja AM ou FM. Sintonizar a televis\u00e3o, fora as estatais e as dos Poderes Legislativo e Judici\u00e1rio, as demais espinafram o nosso Pa\u00eds de todas as formas e maneiras. As m\u00eddias sociais t\u00eam de tudo. At\u00e9 luz sobre \u201capag\u00e3o\u201d.<br \/>\nO que o Brasil, a terra brasileira, fez de errado? Aqui h\u00e1 praias e rios em profus\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 abalos s\u00edsmicos e tampouco o tempo nos incomoda, pois os nascidos da Amaz\u00f4nia aos Pampas n\u00e3o padecem do calor da artificial Dubai, da inclem\u00eancia que este ano assolou a \u00cdndia, dos terremotos na \u00c1sia. Nada do frio da Sib\u00e9ria. Neve? S\u00f3 para fotos, em raros momentos.<br \/>\nO problema n\u00e3o \u00e9 o Brasil. O problema \u00e9 o Estado brasileiro destru\u00eddo por pessoas que foram eleitas por n\u00f3s, os eleitores. N\u00e3o me refiro apenas aos desmandos dos \u00faltimos doze anos do Governo Federal, mas a coisa vem de longe. O poder atrai zang\u00f5es.<br \/>\nO t\u00e3o estudado Vargas, al\u00e9m da ditadura, foi um dos predadores e, o seu trabalhismo, copiado da It\u00e1lia ainda fascista, que vige em pleno ano 15 do s\u00e9culo 21, \u00e9 um teatro do absurdo, puro Eug\u00e8ne Ionesco.<br \/>\nDepois de Vargas, vieram Caf\u00e9 Filho, J\u00e2nio Quadros e Jo\u00e3o Goulart, fracos, dissimulados e sem nenhuma capacidade de gest\u00e3o sobre seus subordinados. Apenas seguiam a onda \u201cdas ruas\u201d e dos que sempre repassam not\u00edcias privilegiadas, escondem a verdade, rondam minist\u00e9rios, cargos p\u00fablicos e adoram sinecuras.<br \/>\nA revolu\u00e7\u00e3o ou ditadura, como \u00e9 dicotomicamente alcunhado o per\u00edodo que foi de abril de 1964 e perdurou por 24 anos, \u00e9 ainda um mist\u00e9rio pouco desvendado. O tempo do \u201c Ame-o ou Deixe-o\u201d provocou uma cis\u00e3o entre brasileiros. Ainda hoje h\u00e1 discuss\u00f5es, nas comiss\u00f5es da verdade em todos estados brasileiros, sobre torturas, duplos agentes e o financiamento de alguns empres\u00e1rios \u00e0s a\u00e7\u00f5es e torturas do Doi-Codi de S\u00e3o Paulo, espraiado Brasil afora. H\u00e1, ademais, o espectro fechado das pol\u00edcias e dos quart\u00e9is. Governos atuais est\u00e3o arcando com aposentadorias de gente, que exilado ou n\u00e3o, pouco trabalhou.<br \/>\nFernando Henrique Cardoso \u00e9 citado como um exemplo emblem\u00e1tico dos aposentados jovens, mas, al\u00e9m dele, h\u00e1 milhares que recebem por trabalhos que n\u00e3o executaram ou por torturas, umas comprovados, outras, nem tanto.<br \/>\nAo que parece, segundo a historiografia contempor\u00e2nea, n\u00e3o existem fatos concretos sobre enriquecimento il\u00edcito dos generais presidentes. Alardeia-se, o contr\u00e1rio. Ao morrer M\u00e1rio Andreazza, amigos e parentes fizeram uma \u201cvaquinha\u201d para as muitas despesas que envolvem doen\u00e7a e sepultamento.<br \/>\nPara n\u00e3o me alongar muito, passo batido por Collor, Itamar, Sarney e FHC. Detenho-me apenas, nos \u00faltimos 12 anos e na emerg\u00eancia de um partido pol\u00edtico novo, amado por oper\u00e1rios e o povo, e que teve a coragem de lan\u00e7ar um metal\u00fargico, jovem, mas, tal como FHC, aposentado aos 42 anos, \u00e0 presid\u00eancia. Lula, de intuitiva intelig\u00eancia privilegiada e capacidade encantat\u00f3ria, suportou derrotas seguidas, at\u00e9 ganhar a presid\u00eancia da Rep\u00fablica, para alegria das classes desassistidas e de grande parte da intelig\u00eancia brasileira.<br \/>\nN\u00e3o ouso, neste pequeno espa\u00e7o, dissertar sobre os seus oito anos de governo, tampouco me alio \u00e0s revistas e os jornal\u00f5es que o condenaram a priori e hoje divulgam a suposta riqueza de seus familiares. O Brasil cresceu, mas o que houve, de fato, foi a eleva\u00e7\u00e3o peculiar por muito tempo do pre\u00e7o mundial das commodities, produtos agr\u00edcolas e minerais. A maioria, pela crescente China. O mundo vive em ciclos.<br \/>\nA\u00ed veio o suposto Brasil euf\u00f3rico, acreditando-se parceiro dos que estavam e ainda permanecem no tal primeiro mundo, jarg\u00e3o econ\u00f4mico que refere \u00e0 boa distribui\u00e7\u00e3o de renda e a um hipot\u00e9tico estado de Bem Estar Social. Depois, veio a queda.<br \/>\nHoje, h\u00e1 quase cinco anos com Dilma, a sucessora, egressa do PDT de Brizola, e formatada por Lula, o Brasil est\u00e1, como, desde quase sempre, em crise. A diferen\u00e7a \u00e9 que o mundo tornou-se menor e tudo repercute de forma descontrolada. Agora, os pre\u00e7os das tais commodities est\u00e3o muito baixos e, nas rela\u00e7\u00f5es de troca, somos perdedores.<br \/>\nN\u00e3o comungo com os que s\u00f3 falam dos governos e n\u00e3o expressam essa indigna\u00e7\u00e3o nas m\u00faltiplas ocasi\u00f5es do voto. O voto \u00e9 o \u00fanico sinal de igualdade dos brasileiros. A nossa ancestralidade n\u00e3o nos permite, como existe na Gr\u00e3-Bretanha, a dualidade entre comuns e lordes. Somos quase todos, frutos da mesti\u00e7agem ou da forte imigra\u00e7\u00e3o na virada do s\u00e9culo 20.<br \/>\nOs esc\u00e2ndalos que se sucederam na hist\u00f3ria brasileira, desde col\u00f4nia, s\u00e3o alvitres da promiscuidade entre o governo e uma m\u00e1quina de sangrar que foi crescendo e tornou-se gigante, infiltrada por capilaridade, afagos, viagens, doa\u00e7\u00f5es l\u00edcitas ou n\u00e3o. Essas m\u00e1quinas de sangrar s\u00e3o maiores e mais danosas que todos os PCCs juntos. O resto \u00e9 balela.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 12\/06\/2015<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO tambor faz um grande barulho, mas \u00e9 vazio por dentro\u201d. Bar\u00e3o de Itarar\u00e9<br \/>\nAs boas not\u00edcias desapareceram das m\u00eddias brasileiras. Quem quiser ouvir, ler e ver o mal que falam de nosso Pa\u00eds \u00e9 simples: basta ligar o r\u00e1dio, seja AM ou FM. Sintonizar a televis\u00e3o, fora as estatais e as dos Poderes Legislativo e Judici\u00e1rio, as demais espinafram o nosso Pa\u00eds de todas as formas e maneiras. As m\u00eddias sociais t\u00eam de tudo. At\u00e9 luz sobre \u201capag\u00e3o\u201d.<br \/>\nO que o Brasil, a terra brasileira, fez de errado? Aqui h\u00e1 praias e rios em profus\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 abalos s\u00edsmicos e tampouco o tempo nos incomoda, pois os nascidos da Amaz\u00f4nia aos Pampas n\u00e3o padecem do calor da artificial Dubai, da inclem\u00eancia que este ano assolou a \u00cdndia, dos terremotos na \u00c1sia. Nada do frio da Sib\u00e9ria. Neve? S\u00f3 para fotos, em raros momentos.<br \/>\nO problema n\u00e3o \u00e9 o Brasil. O problema \u00e9 o Estado brasileiro destru\u00eddo por pessoas que foram eleitas por n\u00f3s, os eleitores. N\u00e3o me refiro apenas aos desmandos dos \u00faltimos doze anos do Governo Federal, mas a coisa vem de longe. O poder atrai zang\u00f5es.<br \/>\nO t\u00e3o estudado Vargas, al\u00e9m da ditadura, foi um dos predadores e, o seu trabalhismo, copiado da It\u00e1lia ainda fascista, que vige em pleno ano 15 do s\u00e9culo 21, \u00e9 um teatro do absurdo, puro Eug\u00e8ne Ionesco.<br \/>\nDepois de Vargas, vieram Caf\u00e9 Filho, J\u00e2nio Quadros e Jo\u00e3o Goulart, fracos, dissimulados e sem nenhuma capacidade de gest\u00e3o sobre seus subordinados. Apenas seguiam a onda \u201cdas ruas\u201d e dos que sempre repassam not\u00edcias privilegiadas, escondem a verdade, rondam minist\u00e9rios, cargos p\u00fablicos e adoram sinecuras.<br \/>\nA revolu\u00e7\u00e3o ou ditadura, como \u00e9 dicotomicamente alcunhado o per\u00edodo que foi de abril de 1964 e perdurou por 24 anos, \u00e9 ainda um mist\u00e9rio pouco desvendado. O tempo do \u201c Ame-o ou Deixe-o\u201d provocou uma cis\u00e3o entre brasileiros. Ainda hoje h\u00e1 discuss\u00f5es, nas comiss\u00f5es da verdade em todos estados brasileiros, sobre torturas, duplos agentes e o financiamento de alguns empres\u00e1rios \u00e0s a\u00e7\u00f5es e torturas do Doi-Codi de S\u00e3o Paulo, espraiado Brasil afora. H\u00e1, ademais, o espectro fechado das pol\u00edcias e dos quart\u00e9is. Governos atuais est\u00e3o arcando com aposentadorias de gente, que exilado ou n\u00e3o, pouco trabalhou.<br \/>\nFernando Henrique Cardoso \u00e9 citado como um exemplo emblem\u00e1tico dos aposentados jovens, mas, al\u00e9m dele, h\u00e1 milhares que recebem por trabalhos que n\u00e3o executaram ou por torturas, umas comprovados, outras, nem tanto.<br \/>\nAo que parece, segundo a historiografia contempor\u00e2nea, n\u00e3o existem fatos concretos sobre enriquecimento il\u00edcito dos generais presidentes. Alardeia-se, o contr\u00e1rio. Ao morrer M\u00e1rio Andreazza, amigos e parentes fizeram uma \u201cvaquinha\u201d para as muitas despesas que envolvem doen\u00e7a e sepultamento.<br \/>\nPara n\u00e3o me alongar muito, passo batido por Collor, Itamar, Sarney e FHC. Detenho-me apenas, nos \u00faltimos 12 anos e na emerg\u00eancia de um partido pol\u00edtico novo, amado por oper\u00e1rios e o povo, e que teve a coragem de lan\u00e7ar um metal\u00fargico, jovem, mas, tal como FHC, aposentado aos 42 anos, \u00e0 presid\u00eancia. Lula, de intuitiva intelig\u00eancia privilegiada e capacidade encantat\u00f3ria, suportou derrotas seguidas, at\u00e9 ganhar a presid\u00eancia da Rep\u00fablica, para alegria das classes desassistidas e de grande parte da intelig\u00eancia brasileira.<br \/>\nN\u00e3o ouso, neste pequeno espa\u00e7o, dissertar sobre os seus oito anos de governo, tampouco me alio \u00e0s revistas e os jornal\u00f5es que o condenaram a priori e hoje divulgam a suposta riqueza de seus familiares. O Brasil cresceu, mas o que houve, de fato, foi a eleva\u00e7\u00e3o peculiar por muito tempo do pre\u00e7o mundial das commodities, produtos agr\u00edcolas e minerais. A maioria, pela crescente China. O mundo vive em ciclos.<br \/>\nA\u00ed veio o suposto Brasil euf\u00f3rico, acreditando-se parceiro dos que estavam e ainda permanecem no tal primeiro mundo, jarg\u00e3o econ\u00f4mico que refere \u00e0 boa distribui\u00e7\u00e3o de renda e a um hipot\u00e9tico estado de Bem Estar Social. Depois, veio a queda.<br \/>\nHoje, h\u00e1 quase cinco anos com Dilma, a sucessora, egressa do PDT de Brizola, e formatada por Lula, o Brasil est\u00e1, como, desde quase sempre, em crise. A diferen\u00e7a \u00e9 que o mundo tornou-se menor e tudo repercute de forma descontrolada. Agora, os pre\u00e7os das tais commodities est\u00e3o muito baixos e, nas rela\u00e7\u00f5es de troca, somos perdedores.<br \/>\nN\u00e3o comungo com os que s\u00f3 falam dos governos e n\u00e3o expressam essa indigna\u00e7\u00e3o nas m\u00faltiplas ocasi\u00f5es do voto. O voto \u00e9 o \u00fanico sinal de igualdade dos brasileiros. A nossa ancestralidade n\u00e3o nos permite, como existe na Gr\u00e3-Bretanha, a dualidade entre comuns e lordes. Somos quase todos, frutos da mesti\u00e7agem ou da forte imigra\u00e7\u00e3o na virada do s\u00e9culo 20.<br \/>\nOs esc\u00e2ndalos que se sucederam na hist\u00f3ria brasileira, desde col\u00f4nia, s\u00e3o alvitres da promiscuidade entre o governo e uma m\u00e1quina de sangrar que foi crescendo e tornou-se gigante, infiltrada por capilaridade, afagos, viagens, doa\u00e7\u00f5es l\u00edcitas ou n\u00e3o. Essas m\u00e1quinas de sangrar s\u00e3o maiores e mais danosas que todos os PCCs juntos. O resto \u00e9 balela.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 12\/06\/2015<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2787","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2787\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}